Roger Ebert, crítico do jornal
Chicago Sun-Times, divulgou uma lista de 100 grandes momentos do cinema que agradou em cheio aos cinéfilos. Embora ele não os tenha numerado, pois não é um ranking, acrescentamos os números para facilitar o trabalho de quem quiser confrontar as informações com o que mostram os filmes.
Considerado um dos mais influentes críticos americanos, Ebert é dotado de admirável capacidade de observação. Suas escolhas vão do mais espetaculoso, a corrida de bigas em “Ben-Hur”, ao detalhe mais sutil, a sombra da garrafa em “Farrapo Humano”. Em muitos casos são minúcias que escapam à percepção de espectadores distraídos.
Como Ebert registrou suas observações puxando pela memória, deu ensejo a diferenças entre o que escreveu e o que de fato ocorre nos filmes relativos aos momentos número 21, 33, 45, 46, 79, 83 e 88. Nós optamos por adequar o conteúdo destes ao que se vê ou se ouve nos filmes.
Em algumas situações, sentimos a necessidade de inserir explicações entre colchetes, para facilitar a compreensão dos leitores; em outras, acrescentamos o título do filme a que o texto se refere. Também completamos os nomes de vários diretores e atores.
Após conhecer as argutas observações de Roger Ebert, tomara o leitor se sinta apto a fazer sua própria lista de grandes momentos do cinema.
1 - Clark Gable em “E o Vento Levou" (
Gone with the Wind, 1939): “Francamente, querida, eu não ligo a mínima”.
2 – Buster Keaton de pé, tranquilo, enquanto a parede da casa cai sobre ele; é salvo por estar posicionado exatamente no vão da janela [em “Marinheiro de Encomenda" (
Steamboat Bill Jr., 1928) ou “Capitão Bill Jr.”].
3 – Charlie Chaplin sendo reconhecido pela moça cega, em “Luzes da Cidade" (
City Lights, 1931).
4 – O computador Hal 9000 fazendo leitura labial, em “2001: Uma Odisseia no Espaço” (
2001: A Space Odyssey, 1968).
5 – A Marselhesa cantada em “Casablanca” (1942).
6 – Branca de Neve beijando Dunga na cabeça [em “Branca de Neve e os Sete Anões” (
Snow White and the Seven Dwarfs, 1937)].
7 – John Wayne pondo a rédea na boca em “Bravura Indômita” (
True Grit, 1969) e galopando no prado com uma arma em cada mão.
8 - James Stewart em “Um Corpo Que Cai” (
Vertigo, 1958), aproximando-se de Kim Novak, que vem do outro lado do quarto, e dando-se conta que ela personifica todas as suas obsessões – melhor do que ele sabe.
9 – A experiência das origens do cinema provando que, na corrida, os cavalos ficam às vezes com as quatro patas no ar.
10 – Gene Kelly cantando na chuva.
11 – Samuel L. Jackson e John Travolta discutindo sobre como dizem “Quarteirão” [sanduíche do McDonald’s] na França, em “Pulp Fiction – Tempo de Violência” (
Pulp Fiction, 1994).
12 – A lua recebendo no olho o cartucho disparado pelo canhão, em “Viagem à Lua” (
Le voyage dans la lune, 1902), de George Méliès.
13 – Pauline em perigo, amarrada aos trilhos da estrada de ferro [em “Minha Vida, Meus Amores” (
The Perils of Pauline, 1947)].
14 – O garoto correndo alegremente ao encontro do pai que regressa, em “Sounder – Lágrimas de Esperança” (
Sounder, 1972).
15 – Harold Lloyd pendurado no mostrador do relógio em “O Homem Mosca” (
Safety Last!, 1923).
16 – Orson Welles sorrindo enigmaticamente no portal, em “O Terceiro Homem” (
The Third Man, 1949).
17 – O anjo olhando Berlim do alto com tristeza, em “Asas do Desejo” (
Der Himmel über Berlin, 1987), de Wim Wenders.
18 – O filme de Zapruder mostrando o assassinato de Kennedy: um momento congelado no tempo repetidamente.
19 – Um africano saudoso de casa, dizendo tristemente a uma prostituta que o que realmente quer não é sexo, mas cuscuz, em “O Medo Devora a Alma” (
Angst essen Seele auf, 1974), de Rainer Werner Fassbinder.
20 – O Coiote suspenso no ar [no desenho animado do Papa-Léguas].
21 – Zero Mostel lançando um copo d’água no histérico Gene Wilder, em “Primavera para Hitler” (
The Producers, 1968), de Mel Brooks, e Wilder gritando: “Estou histérico! Estou molhado!”
22 – Um velho sozinho em casa, tendo de lidar com a morte da mulher e a indiferença dos filhos, em “Era Uma Vez em Tóquio” (
Tôkyô monogatari, 1953), de Yasujiro Ozu.
23 – “Fumando”. Resposta de Robert Mitchum, mostrando o cigarro, quando Kirk Douglas lhe oferece um cigarro em “Fuga do Passado” (
Out of the Past, 1947).
24 – Marcello Mastroianni e Anika Ekberg dentro da fonte em “A Doce Vida” (
La dolce vita, 1960).
25 – O momento em “Céu e Inferno” (
Tengoku to jigoku, 1963), de Akira Kurosawa, quando o milionário descobre que não é seu filho que foi sequestrado, mas o filho do seu motorista – e os olhares dos dois pais se encontram.
26 – A visão distante de pessoas surgindo no horizonte no final de “A Lista de Schindler” (
Schindler's List, 1993).
27 – R2D2 e C3PO em “Guerra nas Estrelas” (
Star Wars, 1977).
28 – E.T. e o amigo passando de bicicleta na frente da lua.
29 – Marlon Brando gritando “Stella!” em “Uma Rua Chamada Pecado” (
A Streetcar Named Desire, 1951).
30 – Hannibal Lecter sorrindo para Clarice em “O Silêncio dos Inocentes” (
The Silence of the Lambs, 1991).
31 – “Um momento! Um momento! Vocês ainda não ouviram nada!” As primeiras palavras ouvidas no primeiro filme falado, “O Cantor de Jazz” (
The Jazz Singer, 1927), ditas por Al Jolson.
32 – Jack Nicholson tentando pedir um sanduíche de frango em “Cada um Vive como Quer” (
Five Easy Pieces, 1970).
33 – “Ninguém é perfeito”. Última fala de Joe E. Brown em “Quanto Mais Quente Melhor” (
Some Like It Hot, 1959), justificando para Jack Lemmon que casará com ele, mesmo ele tendo dito que é homem.
34 – “Rosebud.” [Palavra dita por Charles Foster Kane ao morrer, em “Cidadão Kane” (
Citizen Kane, 1941).]
35 – A divertida caçada em “A Regra do Jogo” (
La règle de jeu, 1939), de Jean Renoir.
36 – O olhar assombrado de Antoine Doinel, herói autobiográfico de François Truffaut, na imagem congelada no final de “Os Incompreendidos” (
Les quatre cents coups, 1959).
37 – Jean-Paul Belmondo com o cigarro enfiado na boca insolentemente em “Acossado” (
À bout de souffle, 1960), de Jean-Luc Godard.
38 – A fundição do grande sino de ferro em “Andrei Rublev” (
Andrey Rublyov, ), de Andrei Tarkovsky.
39 – “O que vocês fizeram nos olhos dele?” Mia Farrow em “O Bebê de Rosemary” (
Rosemary's Baby, 1968).
40 – Moisés separando as águas do Mar Vermelho em “Os Dez Mandamentos” (
The Ten Commandments, 1956).
41 – O velho encontrado morto no balanço do parque, sua missão cumprida, no final de “Viver” (
Ikiru, 1952), de Akira Kurosawa.
42 – O olhar assombrado da atriz Maria Falconetti em “O Martírio de Joana d’Arc” (
La passion de Jeanne d'Arc, 1928), de Carl Dreyer.
43 – As crianças olhando o trem passar em “A Canção da Estrada” (
Pather Panchali, 1955), de Satyajit Ray.
44 – O carrinho de bebê solto na escadaria em “O Encouraçado Potemkin” (
Bronenosets Potyomkin, 1925), de Sergei Eisenstein.
45. “Tá falando comigo?” Robert De Niro em “Taxi Driver – Motorista de Táxi” (
Taxi Driver, 1976).
46 – “Meu pai fez uma oferta que ele não podia recusar.” Al Pacino em “O Poderoso Chefão” (
The Godfather, 1972).
47 – O misterioso cadáver nas fotografias em “Depois Daquele Beijo” (
Blowup, 1966), de Michelangelo Antonioni.
48 – “Uma palavra, Benjamin: plásticos.” De “A Primeira Noite de um Homem” (
The Graduate, 1967).
49 – Um homem morrendo no deserto em “Ouro e Maldição” (
Greed, 1924), de Erich von Stroheim.
50 – Eva Marie Saint agarrada à mão de Cary Grant no monte Rushmore, em “Intriga Internacional” (
North by Northwest, 1959).
51 – Fred Astaire e Ginger Rogers dançando.
52 – “Não existe cláusula de sanidade mental!” Chico para Groucho em “Uma Noite na Ópera” (
A Night at the Opera, 1935).
53 – “Chamam-me Senhor Tibbs!” Sidney Poitier em “No Calor da Noite” (
In the Heat of the Night, 1967), de Norman Jewison.
54 – A tristeza dos amantes separados em “Atalante” (
L'Atalante, 1934), de Jean Vigo.
55 – A vastidão do deserto e, em seguida, as minúsculas figuras surgindo, em “Lawrence da Arábia” (
Lawrence of Arabia, 1962).
56 – Jack Nicholson na garupa da motocicleta, com um capacete de futebol americano, em “Sem Destino” (
Easy Rider, 1969).
57 – A coreografia geométrica das garotas de Busby Berkeley.
58 – O pavão abrindo a cauda na neve, em “Amarcord” (1973), de Federico Fellini.
59 – Robert Mitchum em “O Mensageiro do Diabo” (
The Night of the Hunter, 1955), com AMOR tatuado nos dedos de uma mão e ÓDIO, nos da outra.
60 – Joan Baez cantando “Joe Hill” em “Woodstock – 3 Dias de Paz, Amor e Música” (
Woodstock, 1970).
61 – A transformação de Robert De Niro de esbelto boxeador a barrigudo dono de boate, em “Touro Indomável” (
Raging Bull, 1980).
62 – Bette Davis: “Apertem os cintos. Vai ser uma noite turbulenta!”, em “A Malvada” (
All About Eve, 1950).
63 – “Essa aranha é do tamanho de um carro!” Woody Allen em “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (
Annie Hall, 1977).
64 – A corrida de bigas em “Ben-Hur” (1959).
65 – Barbara Harris cantando “It Don’t Worry Me” para acalmar a multidão em pânico em “Nashville” (1975), de Robert Altman.
66 – A disputa de roleta-russa em “O Franco-Atirador” (
The Deer Hunter, 1978).
67 – Cenas de perseguição: “Operação França” (
The French Connection, 1971), “Bullitt” (1968), “Os Caçadores da Arca Perdida” (
Raiders of the Lost Ark, 1981), “Diva – Paixão Perigosa” (
Diva, 1981).
68 – A sombra da garrafa escondida na luminária, em “Farrapo Humano” (
The Lost Weekend, 1945).
69 – “Eu poderia ser um lutador [de boxe]”. Marlon Brando em “Sindicato de Ladrões” (
On the Waterfront, 1954).
70 – O discurso de George C. Scott sobre o inimigo em “Patton – Rebelde ou Herói?” (
Patton, 1970): “Vamos passar por ele como faca quente na manteiga”.
71 - Rocky Balboa correndo escadaria acima e agitando os punhos no alto, com Filadélfia a seus pés [em “Rocky – Um Lutador” (
Rocky, 1976)].
72 – Debra Winger se despedindo dos filhos em “Laços de Ternura” (
Terms of Endearment, 1983).
73 – A montagem das cenas de beijo em “Cinema Paradiso” (
Nuovo Cinema Paradiso, 1988).
74 – Os convidados do jantar que acham que de alguma forma não podem ir embora, em “O Anjo Exterminador” (
El ángel exterminador, 1962), de Luis Buñuel.
75 – O cavaleiro jogando xadrez com a morte, em “O Sétimo Selo” (
Det sjunde inseglet, 1957), de Ingmar Bergman.
76 – O zelo selvagem dos membros da Ku Klux Klan em “O Nascimento de uma Nação” (
The Birth of a Nation, 1915), de D. W. Griffith.
77 – O problema da porta que não para fechada, em “As Férias do Sr. Hulot” (
Les vacances de Monsieur Hulot, 1953), de Jacques Tati.
78 – “Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos.” Gloria Swanson em “Crepúsculo dos Deuses” (
Sunset Boulevard, 1950).
79 – “Agora eu sei que não estamos no Kansas.” Judy Garland em “O Mágico de Oz” (
The Wizard of Oz, 1939).
80 - O plano que começa no alto do saguão e termina em close-up da chave na mão de Ingrid Bergman, em “Interlúdio” (
Notorious, 1946), de Alfred Hitchcock.
81 – “Não tem muita carne nela, mas a que tem é de primeira.” Spencer Tracy sobre Katharine Hepburn em “A Mulher Absoluta” (
Pat and Mike, 1952).
82 – A excursão dos doentes mentais em “Um Estranho no Ninho” (
One Flew Over the Cuckoo's Nest, 1975).
83 – “Sempre pareço bem quando estou à beira da morte.” Greta Garbo a Elizabeth Allan em “A Dama das Camélias” (
Camille, 1936).
84 – “Levou mais de uma noite para mudar meu nome para Shanghai Lily.” Marlene Dietrich em “O Expresso de Shangai” (
Shanghai Express, 1932).
85 – “Estou andando aqui!” Dustin Hoffman em “Perdidos na Noite” (
Midnight Cowboy, 1969).
86 – W. C. Fields atirando punhados de neve cenográfica no próprio rosto, em “O Último Drink” (
The Fatal Glass of Beer, 1933).
87 – “Da próxima vez que você não tiver nada pra fazer, e muito tempo disponível, venha me ver.” Mae West em “Minha Dengosa” (
My Little Chickadee, 1940).
88 – “Consegui, mamãe. O topo do mundo!” James Cagney em “Fúria Sanguinária” (
White Heat, 1949).
89 – Richard Burton explodindo quando Elizabeth Taylor revela o “segredo” deles, em “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?” (
Who's Afraid of Virginia Woolf?, 1966)
90 – Henry Fonda de cabelo cortado em “Paixão de Fortes” (
My Darling Clementine, 1946).
91 – “Distintivos? Não temos distintivos. Não precisamos de distintivos. Não tenho que te mostrar droga de distintivo nenhum.” Alfonso Bedoya para Humphrey Bogart em “O Tesouro de Sierra Madre” (
The Treasure of the Sierra Madre, 1948).
92 – “Aí está o seu cachorro. Ele está morto. Mas tinha de haver algo que o fazia mover-se [quando vivo]. Não tinha?” Do documentário “Portais do Céu” (
Gates of Heaven, 1978), de Errol Morris.
93 – "Não toque no terno!” Burt Lancaster em “Atlantic City” (1980).
94 – Gena Rowlands chega à casa de John Cassavetes num táxi cheio de animais adotados, em “Amantes” (
Love Streams, 1984).
95 – “Quero viver novamente. Quero viver novamente. Quero viver novamente. Por favor, Deus, deixe-me viver novamente.” James Stewart para o anjo em “A Felicidade Não Se Compra” (
It's a Wonderful Life, 1946).
96 – Burt Lancaster e Deborah Kerr abraçados na praia, em “A Um Passo da Eternidade” (
From Here to Eternity, 1953).
97 – Mookie jogando a lata de lixo pela janela da pizzaria de Salvatore, em “Faça a Coisa Certa” (
Do the Right Thing, 1989).
98 – “Adoro o cheiro de napalm pela manhã.” Robert Duvall em “Apocalypse Now” (1979).
99 – “A natureza, Sr. Allnut, é algo em que fomos postos neste mundo para superar.” Katharine Hepburn para Humphrey Bogart em “Uma Aventura na África” (
The African Queen, 1951).
100 – “Mãe de misericórdia. Este é o fim de Rico?” Edward G. Robinson em “Alma no Lodo” (
Little Caesar, 1931).