4 de março de 2007

Desconstruindo a guerra

Na primeira cena de A Conquista da Honra, (Flags of Our Fathers, 2006), Clint Eastwood dá o tom do filme. A câmera gira espetacularmente em volta de um soldado perdido em terreno arrasado, ouvindo vozes de soldados mortos chamando pelo enfermeiro. Em seguida se esclarece que a imagem é a expressão do pesadelo do enfermeiro John Bradley, sobrevivente da batalha de Iwo Jima. O filme se propõe a desconstruir a guerra, mas usando de toda a parafernália tecnológica que torne a matança fotogênica. Convém ter presente que Steven Spielberg é um dos produtores do filme.

Com um roteiro engenhoso nas mãos, extraído do livro homônimo da dupla James Bradley, filho de John, e Ron Powers, Eastwood articula duas narrativas paralelas. De um lado, os esforços de James para reconstituir a história do pai, de outro, a trajetória de três soldados que participam de uma campanha de arrecadação de fundos. E, intercaladas sabiamente ao longo do filme, cenas da batalha de Iwo Jima, reconstituídas com efeitos visuais e sonoros exuberantes.

Um detalhe do filme, em especial, evidencia o domínio que Eastwood tem da técnica cinematográfica. Quando a tropa desembarca em Iwo Jima, ele mostra as armas japonesas sendo posicionadas, sem que se veja quem as está manejando. Depois ele muda o ângulo da câmera para mostrar, do ponto de vista dos japoneses, os estragos na tropa norte-americana provocados pelas rajadas de metralhadora e pelos disparos de canhão.

Produzido no momento em que os Estados Unidos estão atolados no areal do Iraque, o filme parece ter sido feito justamente para servir como uma ducha de água fria no ânimo do povo norte-americano. Aqui, vê-se um soldado evaporar numa explosão; ali, aparece uma cabeça sem o corpo; acolá, um grupo é vítima de fogo-amigo. Eastwood não se esqueceu nem da locutora da rádio alemã a fazer insinuações sobre a conduta das esposas deixadas sós em casa. Para coroar tudo, a farsa da fabricação de heróis e o cinismo dos vendedores de bônus de guerra.

O foco da trama é uma foto de seis soldados levantando a bandeira norte-americana no ponto mais alto da ilha de Iwo Jima, o monte Suribachi. A foto ganha o mundo na primeira página dos jornais, e, então, os chefes militares têm a idéia de pegar os três sobreviventes do grupo -- René Gagnon, Ira Hayes e John Bradley -- e mover uma campanha nacional de arrecadação de fundos para financiar a guerra. Mas o filme se encarrega de desmontar, gradativamente, toda a fantasia construída em torno da foto e dos supostos heróis que nela aparecem.

Desde o início, o filme coloca a questão da influência das imagens nos destinos de uma guerra. Ao ser entrevistado por James Bradley, um sabichão diz que foi graças à tal foto que os Estados Unidos derrotaram o Japão, assim como a Guerra do Vietnã foi perdida por causa de uma foto -- aquela do vietnamita indefeso tendo a cabeça trespassada por uma bala. Bobagem. É evidente que foto nenhuma tem tanto poder. É delírio de quem vive da manipulação de imagens.

Já que a premissa do filme é que os Estados Unidos derrotaram os japoneses, na II Guerra Mundial, graças à exploração habilidosa de uma foto, Eastwood, espertamente, encaixou uma "explicação" para a derrota no Vietnã, usando o reverso do argumento. Se colar, o governo Bush poderia alegar que o atoleiro no Iraque é decorrente daquelas vexaminosas fotos de Abu Ghraib.

Para resumir a ópera, a personagem do filho do enfermeiro opina: "Herói é algo que nós construímos, é algo de que precisamos". Bela filosofia de botequim. Uma leitura mais atenta do filme pode conduzir a outra conclusão. As crises de consciência de Ira Hayes, que explicam sua bebedeira, decorrem do fato de ele considerar heróis somente os companheiros que morreram na batalha. Ele chega a viajar 2 mil quilômetros só para contar ao pai de um soldado morto que seu filho estava no grupo que levantou a bandeira. E John Bradley vive atormentado, até o instante de sua morte, pela lembrança da perda do amigo Iggy, que evaporou durante a batalha.

Com isso, chega-se a uma das frases-rótulo ("tagline", em inglês) usadas para divulgar o filme nos Estados Unidos: "Every soldier stands beside a hero", traduzida no Brasil para: "Ao lado de cada soldado há um herói". A idéia do filme, deduz-se, é que só são heróis os mortos. O que se contrapõe ao que pensava Samuel Fuller, veterano da II Guerra, que fez sua súmula sobre a guerra no filme Agonia e Glória (1980). Para ele, o único heroísmo na guerra é sobreviver.

Mas A conquista da honra parece tangenciar uma questão interssante. Talvez o problema da imagem do herói esteja na dificuldade de se dar um rosto ao heroísmo que sem dúvida se faz presente na guerra. Uma batalha em que a proporção de mortos foi da ordem de três japoneses para um norte-americano teve certamente seus heróis. E não se pode negar que as imagens têm um papel a cumprir no teatro da guerra. Se o uso da foto da bandeira no monte Suribachi serviu para incentivar a população norte-americana a tirar o escorpião do bolso e entregar os dólares necessários num momento crucial da guerra, foi bem feito. Afinal, na guerra, como no amor, vale tudo.
(Texto publicado pelo semanário Jornal Opção, de Goiânia, edição de 25-02 a 03-03-2007. Acesse: http://www.jornalopcao.com.br/)


(Crédito da foto: http://www.bomdiariopreto.com.br/)

2 de março de 2007

Era uma vez em 1º de março de 2007

CARVALHINHO (79 anos, de parada cardíaca), ator brasileiro, que estreou no cinema na comédia Caídos do céu (1946), mas só teve uma segunda chance em Com jeito vai (1957), quando mergulhou direto na chanchada; raramente teve oportunidade em uma produção mais ambiciosa, como As duas faces da moeda (1969), de Domingos de Oliveira; como seu forte era a comédia, foram muitas pornochanchadas e alguns filmes dos Trapalhões, até a fonte secar, com A boca do prazer (1984); só voltou ao cinema em Irma Vap -- O retorno (2006), para se despedir; ao todo, foram 27 filmes.

(Crédito da foto: gazetaonline.globo.com)

1 de março de 2007

Paramount fará filmes para o DVD

O mercado norte-americano de DVD, cujas vendas atingiram a cifra de 16,6 bilhões de dólares em 2006, já pode sustentar a produção de filmes. A Paramount, um dos estúdios mais importantes de Hollywood, decidiu criar uma divisão para produzir filmes a serem lançados diretamente em DVD, sem passar pelas salas de cinema. A unidade será dirigida por Louis Feola, que teve experiência com esse tipo de trabalho na Universal. A Paramount pretende lançar no mercado continuações ("sequels" e "prequels") de grandes sucessos do cinema, recorrendo ao sistema de franquia.

27 de fevereiro de 2007

Lei de Murphy

O ator Eddie Murphy escafedeu-se da cerimônia do Oscar, após perder o prêmio para Alan Arkin, na categoria "ator coadjuvante". Murphy concorria pelo filme Dreamgirls -- Em busca de um sonho, e era o favorito, por ter ganho o Globo de Ouro e a láurea do Sindicato dos Atores da Tela. De início, ele tentou disfarçar seu desapontamento, declarando à publicação Us Weekly: "Está ótimo. Acontece. Está certo." Mas, em seguida, saiu com a namorada e não voltou mais.
Comentário: Trata-se da primeira vez que o ator, de 45 anos, foi indicado ao Oscar. Ele devia mirar-se no exemplo de Martin Scorsese, que só botou a mão na estueta agora, na sexta indicação, aos 64 anos, e ainda viu vantagem nisso.

(Crédito da foto: www.insidesocal.com).

Scorsese dá lição de humildade

O diretor Martin Scorsese acha que foi bom não ter ganho o Oscar no começo da carreira, porque o prêmio poderia tê-lo levado a mudar sua maneira de fazer filmes. Eis o que ele declarou, em inglês, seguido de uma tentativa de tradução: "I've just been used to not winning. It's about getting the pictures made. But when you win something, you appreciate it. (...) Good thing I didn't get before, because maybe it would have changed the kind of movies I would have made. (...) I'm glad it's taken this long. It's been worth it." Isto, em português, significa mais ou menos o seguinte: "Eu me acostumei a não ser vitorioso. Estou por aí aprendendo a fazer filmes. Mas quando a gente conquista algo, a gente gosta (...) Foi benéfico eu não ter ganho [o Oscar] antes, porque talvez tivesse mudado o tipo de filmes que eu tenho feito. (...) Estou feliz que tenha demorado todo esse tempo. Valeu a pena."
Comentário: Ele sabe do que está falando. Muita gente talentosa perde a cabeça quando atinge o ápice da carreira muito cedo. Diz o vulgo que a formiga, quando quer se perder, cria asas.

(Crédito da foto: www.stuff.co.nz)

26 de fevereiro de 2007

Shyamalan: carreira por água abaixo

Enquanto aqueles que foram aquinhoados pelo Oscar vivem seu momento de glória, há os que sofrem o constrangimento de serem considerados os piores do cinema norte-americano. O prêmio Razzie (Framboesa de Ouro) de pior atriz foi para Sharon Stone, pela segunda vez, e o de pior filme, para Instinto selvagem 2, estrelado por ela, que acumulou ainda os prêmios de pior roteiro e pior continuação. M. Night Shyamalan, que já recebeu da crítica, equivocadamente, o título de discípulo de Hitchcock, foi duplamente agraciado, como pior diretor e pior ator coadjuvante, ambos pelo flme A dama na água. Na categoria pior ator foram agraciados os irmãos Shawn Wayans e Marlon Wayans, que protagonizam o filme O pequenino, título que se revelou profético. A premiação foi divulgada no sábado, 24.
(Crédito da foto: www.americanas.com)

César 2007: os melhores filmes

No sábado, 24, saiu o resultado do mais importante prêmio do cinema francês, o César. Lady Chatterley, produção da Bélgica/França/Reino Unido, dirigida por Pascale Ferran, ficou com o troféu de melhor filme, enquanto Pequena Miss Sunshine, produção norte-americana independente, ganhou o de melhor filme estrangeiro.

(Crédito da foto: allofest.blogs.allocine.fr)

Oscar 2007: Scorsese na cabeça

A cerimônia de entrega do Oscar transcorreu no último domingo, 25, e os principais premiados foram:
1) Melhor filme: Os infiltrados
2) Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
3) Melhor ator: Forest Whitaker (O último rei da Escócia)
4) Melhor atriz: Helen Mirren (A rainha)
5) Melhor ator coadjuvante: Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
6) Melhor atriz coadjuvante: Jennifer Hudson (Dreamgirls - Em busca de um sonho)
7) Melhor roteiro original: Pequena Miss Sunshine - Michael Arndt
8) Melhor roteiro adaptado: Os infiltrados - William Monahan
9) Melhor fotografia: Dreamgirls - Em busca de um sonho - Guillermo Navarro
10) Melhor montagem: Os infiltrados - Thelma Schoonmaker
11) Melhor direção de arte: O labirinto do fauno - Eugenio Caballero, Pilar Revuelta
12) Melhor figurino: Maria Antonieta - Milena Canonero
13) Melhor trilha musical: Babel - Gustavo Santaolalla
14) Melhor canção: Uma verdade inconveniente - Melissa Etheridge ("I Need to Wake Up")
15) Melhor maquiagem: O labirinto do fauno - David Marti, Montse Ribé
16) Melhores efeitos especiais visuais: Piratas do Caribe - O baú da morte
17) Melhor edição de som: Cartas de Iwo Jima
18) Melhor mixagem de som: Dreamgirls - Em busca de uma sonho
19) Melhor filme em língua estrangeira: A vida dos outros (Alemanha)
20) Melhor documentário de longa-metragem: Uma verdade inconveniente.

Comentário: O grande vencedor foi o filme Os infiltrados, de Martin Scorsese, que levou quatro dos cinco prêmios a que foi indicado, inclusive os de filme e diretor; Martin Scorsese recebeu, finalmente, a láurea que a Academia estava lhe devendo há bastante tempo, embora seu filme, desta vez, não seja tão bom quanto Touro indomável (1980) e Os bons companheiros (1990), pelos quais também foi indicado. O compositor italiano Ennio Morricone, que já foi indicado cinco vezes, sem sucesso, foi homenageado por Clint Eastwood, que lhe entregou um Oscar especial pela carreira. E a ex-atriz e ex-produtora Sherry Lansing ganhou o prêmio humanitário Jean Hersholt, por seu trabalho em favor dos doentes de câncer.
(Crédito da foto: www.1poko.com)

25 de fevereiro de 2007

A volta de Fred & Ginger

Está sendo montado em Londres, tendo a Broadway como destino final, um musical baseado nos filmes da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers. Dancing the Night Away é coreografado por Gillian Lynne, que tem no currículo sucessos como Cats e O fantasma da ópera. Fred e Ginger dançaram juntos em 10 filmes: Voando para o Rio (1933), A alegre divorciada (1934), Roberta (1935), O picolino (1935), Nas águas da esquadra (1936), Ritmo louco (1936), Vamos dançar? (1937), Dance comigo (1938), A história de Irene Castle e Vernon (1939) e Ciúme, sinal de amor (1949).
(Crédito da foto: profile.myspace.com)

24 de fevereiro de 2007

Os vencedores do 'Independent Spirit'

Foi divulgada hoje, 24, a premiação do Independent Spirit, o prêmio do cinema independente norte-americano. E os principais premiados foram:
1) Melhor filme: Pequena Miss Sunshine
2) Melhor atriz: Shareeka Epps (Half Nelson)
3) Melhor ator: Ryan Gosling (Half Nelson)
4) Melhor atriz coadjuvante: Frances McDormand (Amigas com dinheiro)
5) Melhor ator coadjuvante: Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
6) Melhor diretor: Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine)
7) Melhor roteiro: Obrigado por fumar - Jason Reitman
8) Melhor primeiro roteiro: O labirinto do fauno - Guillermo Navarro.
Comentário: Pode-se ver que o filme Pequena Miss Sunshine foi o grande vencedor, ficando com as láureas de filme e diretor e, de quebra, a de ator coadjuvante, para Alan Arkin. É bom não esquecer que ele concorre ao Oscar nessas mesmas categorias, exceto na de melhor diretor, para sossego de Martin Scorsese. Amanhã será o dia da onça beber água.

(Crédito da foto: www.movieguide.com.br)

21 de fevereiro de 2007

Os preferidos da crítica francesa

Na última terça-feira, 20, foi divulgada a premiação do Sindicato dos Críticos de Cinema da França. O filme Medos Privados em Lugares Públicos (Coeurs, 2006), de Alain Resnais, foi considerado o melhor filme francês. E Volver (Idem, 2006), do espanhol Pedro Almodóvar, ficou com a láurea de melhor filme estrangeiro.
(Crédito da foto: http://www.cine32.com/)

Era uma vez em 19 de fevereiro de 2007

JANET BLAIR (85 anos, de pneumonia), atriz norte-americana; estreou no cinema em 1941 e atuou em quatro filmes B, até Rosalind Russell indicá-la para fazer sua irmã em Solteira às soltas (1942); apareceu mais em musicais, como Canta, coração (1943), e comédias, como O eterno pretendente (1944); após seu 14º filme, Coração de leão (1948), a Columbia a dispensou e ela trocou o cinema pelo teatro e a TV; voltou ao cinema em O grande vigarista (1957) e atuou em outros quatro filmes até 1976.

(Crédito da foto: claudia79.tripod.com)

Era uma vez em 15 de fevereiro de 2007

DANIEL MCDONALD (46 anos, de câncer no cérebro), ator norte-americano, que estreou no cinema em Onde os garotos estão (1984) e atuou em outros oito filmes, sempre como coadjuvante. Teve carreira mais expressiva na TV e no teatro (Broadway).

19 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 15 de fevereiro de 2007

RAY EVANS (92 anos, de ataque cardíaco), compositor norte-americano; compôs canções para 17 filmes, de 1947 a 2003, entre os quais Cigana feiticeira (1947), Missão de vingança (1950), que lhe deu um Oscar, pela canção "Mona Lisa", A montanha dos sete abutres (1951), Janela indiscreta (1954), A flor do pântano (1957) e A história de James Dean (1957), documentário de Robert Altman; canções suas já foram usadas na trilha de mais de cem filmes, a exemplo de O valente treme-treme (1948), que lhe deu outro Oscar, pela canção "Buttons and Bows", Crepúsculo dos deuses (1950), Sangue por glória (1952), O homem que sabia demais (1956), que lhe deu o terceiro e último Oscar, pela canção "Que será, será", O poderoso chefão (1972) e Donnie Brasco (1997).
Curiosidade: Jay Livingston (1915-2001), com quem dividiu os prêmios, foi seu parceiro de toda a vida.

(Crédito da foto: www.songwritershalloffame.org)

Berlim 2007: os premiados

O Urso de Ouro, principal honraria do Festival de Berlim, foi concedido ao filme O casamento de Tuya, do diretor chinês Wang Quan'an. O israelense natural dos EUA Joseph Cedar ficou com a láurea de melhor diretor, pelo drama de guerra Beaufort. O prêmio de melhor ator foi para Julio Chavez (El Otro) e o de melhor atriz, para Nina Ross (Yella). O filme O bom pastor, dirigido pelo ator Robert De Niro, foi eleito como melhor Contribuição Artística.
(Crédito da foto: www.chinadaily.com.cn)

15 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 14 de fevereiro de 2007

CARLOS COIMBRA (81 anos, de aneurisma da aorta), cineasta brasileiro; dirigiu 15 filmes e montou 29; escreveu o roteiro, dirigiu e montou alguns dos mais importantes filmes do ciclo do cangaço: A morte comanda o cangaço (1961), Lampião, o rei do cangaço (1964), Cangaceiros de Lampião (1967) e Corisco, o diabo loiro (1969); dirigiu de chanchada, Se meu dólar falasse (1970), a superprodução histórica, Independência ou morte (1972); fez a montagem do clássico O pagador de promessas (1962); seu último filme foi Os campeões (1982), que ele também produziu.
Curiosidade: Seus filmes não tinham outro objetivo senão contar uma boa história e agradar ao público, por isso jamais ganharam prêmios, embora A morte comanda o cangaço tenha sido selecionado para o Festival de Berlim.
(Crédito da foto: www.2001video.com.br)

Era uma vez em 12 de fevereiro de 2007

PETER ELLENSHAW (93 anos, de causa não divulgada), desenhista norte-americano; fez desenhos de cena (matte paint) para filmes entre 1935 e 1990, na maioria das vezes para produções da Disney, como A ilha do tesouro (1950), Vinte mil léguas submarinas (1954), Pollyanna (1960) e Dick Tracy (1990), mas também, eventualmente, de outros estúdios, como Quo vadis (1951) e Spartacus (1960); fez efeitos especiais visuais para 13 filmes da Disney, de 1959 a 1974, a exemplo de Mary Poppins (1964), que lhe deu um Oscar, Se meu fusca falasse (1968) e A ilha no topo do mundo (1974); dirigiu apenas um filme: A Tour of the West (1955), documentário de curta-metragem.
Curiosidade: Matte paint ou matte painting, também chamado de glass shot ou matte shot, é um truque (mais comum do que se pode pensar) do tempo em que não existia o computador; pintava-se em vidro transparente uma paisagem ou o seu complemento e filmava-se com a pintura diante da câmera, combinando-a com o cenário real para prolongar ou enriquecer o visual do que se queria mostrar; um exemplo claro disso encontra-se no filme E o vento levou, quando se vê o chão da cidade de Atlanta coberto de cadáveres e soldados feridos; a parte superior da tela, que inclui o prolongamento das casas da rua, é pintura. O truque exigia muita maestria do desenhista, que precisava fazer o desenho harmonizar-se perfeitamente com a parte real do quadro. Dessa forma, muitos filmes mostraram castelos ou cidades que nunca existiram, sem o trabalho e os custos que seriam necessários para construí-los.

14 de fevereiro de 2007

Omar Sharif condenado por agressão

O ator Omar Sharif, mais conhecido como o protagonista do filme Doutor Jivago (1965), foi condenado na última terça-feira, 13, a dois anos de prisão e a fazer 15 horas de terapia para controlar a raiva, por ter agredido um manobrista de origem guatemalteca. A pena de prisão ele cumprirá em liberdade condicional e a da terapia ele poderá cumprir em seus país, o Egito.
No dia 11 de junho de 2005, o ator se enfureceu e deu um murro em Juan Luis Ochoa Anderson, manobrista de um restaurante de Los Angeles, que se recusou a aceitar gorjeta em euros. Além da agressão física, Sharif o insultou, chamando-o de "mexicano estúpido".
O magistrado da Corte Superior de Beverly Hills estabeleceu ainda que o ator, de 74 anos, se mantenha a uma distância de 100 jardas (91,4 m) da vítima, das testemunhas e do restaurante onde ocorreu o incidente.
Uma nova audiência foi marcada para 18 de abril para definir a indenização a ser paga à vítima, que, segundo o advogado do ator, está pleiteando 17 mil dólares pelo nariz quebrado.
(Crédito da foto: www.mittelbayerische.de)

13 de fevereiro de 2007

Prêmio do Sindicato dos Roteiristas

No último domingo, 11, saiu a premiação do Sindicato dos Roteiristas da América. E os premiados foram Michael Arndt, na categoria roteiro original, por Pequena Miss Sunshine, e William Monahan, na categoria roteiro adaptado, por Os infiltrados.
Com isso, ambos os filmes reforçam suas posições na disputa pelo Oscar de melhor filme, no próximo dia 25.

(Na imagem, Martin Scorsese, sentado, por ocasião das filmagens de Os infiltrados.)
(Crédit da foto: www.cinecultist.com)

12 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 9 de fevereiro de 2007

IAN RICHARDSON (72 anos, de causa não divulgada), ator inglês nascido na Escócia; estreou no cinema em um filme de título quilométrico, mas que pode ser resumido em Marat/Sade (1967), dirigido pela lendária figura do teatro inglês Peter Brook; atuou em 26 outros, como Sonho de uma noite de verão (1968), O homem de La Mancha (1972), Brazil, o filme (1985) e M. Butterfly (1993). Sua extensa carreira na TV lhe deu três diferentes prêmios de melhor ator.
Curiosidade: Ao receber o BAFTA de melhor atriz, por sua atuação no filme A rainha, Helen Mirren dedicou o prêmio a Richardson, dizendo que ele foi um "mentor" para ela no começo da carreira. Ela o teve como companheiro de elenco em seu segundo filme: Sonho de uma noite de verão (1968).
(Crédito da foto: www.theage.com)

Era uma vez em 6 de fevereiro de 2007

FRANKIE LANE (93 anos, de ataque cardíaco), cantor e compositor norte-americano; cantou a canção-título de seis faroestes dos anos 1950, três dos quais estão entre os melhores da década: Homem sem rumo (1955), Sem lei e sem alma (1957) e Galante e sanguinário (1957); interpretou canções da trilha musical de 19 filmes, de 1949 a 2004; estrelou Sorria para a vida (1955) e Ele riu por último (1956), os dois primeiros filmes dirigidos por Blake Edwards, e atuou em dois outros musicais. Seu trabalho na TV lhe deu uma estrela na Calçada da Fama.
Curiosidade: Filho de imigrantes sicilianos, seu nome verdadeiro era Francesco Paolo Lo Vecchio; recebeu vários epítetos elogiosos ao longo da carreira, um dos quais era Sr. Ritmo.

(Crédito da foto: www.susanmccray.com)

BAFTA 2007: os premiados

Aconteceu no último domingo, 11, a cerimônia de premiação da British Academy of Film and Television Arts, BAFTA, o mais importante prêmio do cinema britânico. E os premiados foram:
1) Melhor filme: A rainha
2) Prêmio Alexander Korda para filme britânico destaque de 2006: O último rei da Escócia
3) Melhor ator: Forest Whitaker (O último rei da Escócia)
4) Melhor atriz: Helen Mirren (A rainha)
5) Melhor ator coadjuvante: Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
6) Melhor atriz coadjuvante: Jennifer Hudson (Dreamgirls -- Em busca de um sonho)
7) Prêmio David Lean para melhor direção: Paul Greengrass (Vôo United 93)
8) Melhor roteiro original: Pequena Miss Sunshine - Michael Arndt
9) Melhor roteiro adaptado: O último rei da Escócia - Peter Morgan, Jeremy Brock
10) Melhor fotografia: Filhos da esperança - Emmanuel Lubezki
11) Melhor montagem: Vôo United 93 - Clare Douglas, Richard Pearson, Christopher Rouse
12) Melhor desenho da produção: Filhos da esperança - Simon Wakefield, Jim Clay, Jennifer Williams
13) Melhor figurino: O labirinto do fauno - Lala Huete
14) Prêmio Anthony Asquith para melhor música: Babel - Gustavo Santaolalla
15) Melhor maquiagem/penteados: O labirinto do fauno
16) Melhor som: 007 -- Cassino Royale
17) Melhor realização em efeitos especiais visuais: Piratas do Caribe -- O baú da morte
18) Melhor filme em língua estrangeira: O labirinto do fauno.

Comentário: Esperava-se que o filme A rainha fosse melhor aquinhoado, já que havia sido indicado em 10 categorias; só ficou com os prêmios de melhor filme e de melhor atriz. Caso semelhante foi o de 007 -- Cassino Royale, que concorria a nove prêmios, mas conquistou apenas unzinho, e pífio, o de melhor som. Repetiu-se o que já vinha ocorrendo em outras premiações, ultimamente: a distribuição dos prêmios entre os concorrentes. Isto pode significar que, em geral, os filmes apresentam um alto nível de qualidade ou o contrário. Depende do ponto de vista.
(Crédito da foto: www.cinemacomrapadura.com.br)

8 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 8 de fevereiro de 2007

OZUALDO CANDEIAS (84 anos, de insuficiência respiratória), cineasta brasileiro que fez de tudo um pouco no cinema: fotógrafo, roteirista, ator, produtor -- de seus próprios filmes ou de outros diretores; sua estréia no longa de ficção se deu com A margem (1967), um marco do cinema da Boca do Lixo, de São Paulo; A herança (1970) recebeu menção especial da Associação de Críticos de Arte de São Paulo; A opção (1981) ganhou o Leopardo de Bronze do Festival de Locarno, Suiça; e seu último filme, O vigilante (1992), conquistou o prêmio especial do júri do Festival de Brasília.
Curiosidade: Seu filme Meu nome é Tonho (1969) era um divertido faroeste tupiniquim. A TV Globo (Jornal Nacional) noticiou que ele tinha 88 anos.

(Crédito da foto: verdesmares.globo.com)

Era uma vez em 8 de fevereiro de 2007

ANNA NICOLE SMITH (39 anos, de overdose acidental), atriz norte-americana; estreou no cinema em pequeno papel no filme A roda da fortuna (1994), dos irmãos Coen, e ganhou notoriedade no filme seguinte, Corra que a polícia vem aí 33 1/3 (1994), pelo qual foi aquinhoada com o prêmio Framboesa de Ouro de pior nova estrela do ano; encerrou sua escassa carreira no cinema com Illegal Aliens (2006), que também produziu.
Curiosidade: Ela foi eleita a Playmate de 1993 da revista Playboy. Inicialmente, divulgou-se que a causa da morte teria sido "colapso".
(Crédito da foto: www.celebripets.com)

7 de fevereiro de 2007

Novos filmes em velho technicolor

Velhos filmes em technicolor já podem ser restaurados e gerar cópias mais nítidas e realistas do que as originais. O que tornou isto possível é o processo digital de restauração chamado Ultra Resolution, inventado pelas irmãs norte-americanas Karen Perlmutter e Sharon Perlmutter, que alinha com precisão as imagens de cada fotograma dos três negativos originais.
Como se sabe, o sistema technicolor que vigorou entre 1932 e 1954 era bastante complicado. Requeria o uso de câmera especial, que filmava com três fitas. Grosso modo, cada fita captava uma das cores básicas, advindas dos filtros correspondentes: vermelho, verde e azul. O problema decorrente é que a ação do tempo deforma, diferentemente, cada suporte de celulóide e dificulta o ajustamento dos fotogramas, o que é necessário para se tirar cópias em que os quadros saiam exatos. Agora, graças ao Ultra Resolution, o problema foi resolvido.
O primeiro filme de longa-metragem, nesse sistema, foi Vaidade e beleza (Becky Sharp, 1935) e o último, Sangue mestiço (Firefox, 1955).

(Na foto, Karen Perlmutter. Crédito: www.emeconline.com)

6 de fevereiro de 2007

Assim pensava Paulo Francis 2

Sem falar da imensa apelação que é Cape Fear [Cabo do medo], uma desgraça para a raça humana (em inglês, rima), como escreveu Terence Rafferty, no New Yorker, e pichadíssimo também aqui.
(O Estado de S. Paulo, 19-04-92)

...Juliette Lewis, a que foi seviciada em "Cape Fear" [Cabo do medo], aquela nojeira.
(O Globo, 10-09-92)

Woody [Allen] vai sobre Juliette Lewis, a menina seviciada pelo gnomo Scorsese em "Cape Fear" [Cabo do medo].
(O Globo, 24-09-92)

Scorsese é o mais ousado cineasta vivo. Quando os críticos pararem de bajular A marca da maldade, Touch of evil, de Orson Welles, talvez percebam que Cabo do medo, Cape Fear, é um clássico do horror.
(O Estado de São Paulo, 23-05-93)

(Crédito da foto: www.interfilmes.com)

Era uma vez em 31 de janeiro de 2007

LEE BERGERE (88 anos, de causa não divulgada), ator norte-americano com longa carreira na TV, mas cujo trabalho no cinema ficou restrito a dois filmes: Bob, Carol, Ted e Alice (1969) e Time Trackers (1989). Estava inativo desde 1989.

5 de fevereiro de 2007

Scorsese é o melhor segundo o sindicato dos diretores

Martin Scorsese foi eleito o melhor diretor de 2006 pelo Sindicato dos Diretores da América, pelo filme Os infiltrados. Esta é a primeira vez que ele recebe o galardão de seus pares, embora tenha sido indicado seis vezes anteriormente. Os outros concorrentes eram: Alejandro González Iñárritu (Babel), Bill Condon (Dreamgirls -- Em busca de um sonho), Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine) e Stephen Frears (A rainha). Premiação foi anunciada no último sábado, 3.

(Crédito da foto: http://www.angolaxyami.com/)

3 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 1º de fevereiro de 2007

GIAN CARLO MENOTTI (95 anos, de causa não divulgada), compositor italiano, que dirigiu apenas um filme, Il Medium (1951), adaptação de sua ópera homônima, que recebeu o prêmio de melhor filme lírico no Festival de Cannes. Ganhou o prêmio Pulitzer em 1950, pela ópera O cônsul, e em 1954, por O santo da rua Bleecker.

Curiosidade: Em 1951, Menotti foi incumbido pela rede norte-americna NBC de escrever a primeira ópera para a TV: Amahl e os visitantes da noite, que conquistou o prêmio televisivo George Foster Peabody.
(Crédito da foto: www.time.com)

2 de fevereiro de 2007

Festival do filme noir

O 5º Festival do Filme Noir City teve início na última sexta-feira, 26, no Castro Theater, em São Francisco, Califórnia. A abertura se deu com o filme Entre dois fogos (1948), de Anthonny Mann. A atriz Marsha Hunt, 89 anos, convidada especialmente para a ocasião, subiu ao palco para falar ao público e disse que na época em que faziam esse tipo de filme o termo 'noir' não havia sido cunhado ainda. Ela é a única sobrevivente do elenco encabeçado por Dennis O'Keefe e Claire Trevor.
O heterogênio público, composto de pessoas de variadas extrações sociais e faixas etárias, praticamente lotou as mais de 1.400 poltronas do cinema e aplaudiu com entusiasmo ao final da sessão.
O evento surgiu da iniciativa do escritor Eddie Muller, aficionado do filme noir. Ele teve a idéia de criar o festival no intuito de chamar a atenção para a Film Noir Foundation, que ele dirige e que trabalha para restaurar os filmes do gênero.
O festival vai até o dia 4 de fevereiro. (Fonte: The New York Times, 29-01-2007)

(Crédito da foto: www.booksnbytes.com)

1 de fevereiro de 2007

Assim pensava Paulo Francis

Fui ver "Empire of the Sun", Império do Sol, "de" Steven Spielberg. Li o livro de J. G. Ballard, em que em geral não toco porque especialista em "science fiction" e cansei do gênero com H. G. Wells (...). O filme é como comida chinesa. Meia hora depois você está com fome. Spielberg adora máquinas, o que ele faz de um Mustang (caça americano na Segunda Guerra) é o que imaginamos da mulher amada em nossos sonhos. Há maquinária praca, cenas de massa etc. A ambivalência moral de Ballard, nem sombra. (...) Spielberg quer ser levado a sério. Ganhar o prêmio da academia. (...) Mas "Empire of the Sun" não é a porcaria habitual. É alto "kitsch".
(Folha de S. Paulo, 17-12-87)

Se eu tivesse de escolher um filme como crítico de cinema (...), considerando qualidade e a saúde da indústria, "Império do Sol", de Steven Spielberg, seria o premiado. Não é que eu tenha gostado muito. Mas é como um desastre de rua ou incêndio. "Tu" olha. Spielberg conseguiu pôr mais extras em Xangai do que deveria haver de gente na cidade nos anos 40 (...). É o que chamam um espetáculo. E Spielberg é fascinado, como eu, por aviões de combate da Segunda Guerra, como o Mustang, p-51 e o Zero, que transforma em máquinas-deuses, dando a cada um uma iluminação e uma presença que nos (a mim pelo menos) fazem bem. O romance de J. G. Ballard, "Empire of the Sun", é bem mais sutil e realista (...). O fato é que Spielberg tem um fetiche por objetos, máquinas, em especial. Ele fotografa coisas com efeitos especiais do escambau. (...) O filme é coisas, explendidamente fotografadas.
(Folha de S. Paulo, 31-12-87)

E "Império do Sol" é um filme respeitável, adulto, em que Spielberg consegue mesclar seu fascínio por máquinas, tecnologia, com a amargura do romance de J. G. Ballard. É talvez um tanto cansativo, porque excessivo como espetáculo (poderia ser reduzido uns 15 minutos), mas Spielberg tirou o seu "brevet" como cineasta.
(Folha de S. Paulo, 03-03-88)

(Crédito da foto: www.americanas.com)

31 de janeiro de 2007

Era uma vez em 30 de janeiro de 2007

SIDNEY SHELDON (89 anos, de pneumonia), escritor norte-americano, autor de roteiros de filmes como O solteirão cobiçado (1947), pelo qual ganhou o Oscar; participou do roteiro de outras comédias como O meninão (1955) e O rei do laço (1956), com a dupla Dean Martin e Jerry Lewis, e de musicais como Desfile de Páscoa (1948), prêmio do Sidicato dos Roteiristas, Ciúme, sinal de amor (1949), último filme da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers, Romance carioca (1950), em que atuou Carmen Miranda, e Bonita e valente (1950), prêmio do Sindicato dos Roteiristas; livros seus viraram filmes: O outro lado da meia-noite (1977), A herdeira (1979) e A outra face (1984); dirigiu três filmes, entre os quais O palhaço que não ri (1957), baseado na vida de Buster Keaton. Seu trabalho como produtor de TV lhe rendeu uma estrela na Calçada da Fama.
(Crédito da foto: www.bookreporter.com)

Era uma vez em 27 de janeiro de 2007

BOB CARROLL JR. (87 anos, de causa não divulgada), roteirista norte-americano; participou do roteiro do filme I Love Lucy (1953), que deu origem à série de TV homônima, para a qual trabalhou a maior parte de sua vida, e do filme Os seus, os meus, os nossos (1968, refilmado em 2005); ganhou um prêmio honorário (life achievement) do Sindicato de Roteiristas da América, por seu trabalho na TV.

30 de janeiro de 2007

O santo nome de Beethoven em vão

A vida de um gênio do quilate de Beethoven, ainda que destituída de grandes emoções, se excluída sua obra, deve ser uma tentação para cineastas às voltas com a falta de assunto. A idéia do filme O segredo de Beethoven, de Agnieszka Holland, pode ter surgido nessa circunstância.
O título brasileiro, que nada tem a ver com o original, Copying Beethoven, não podia ser mais infeliz. O único segredo da vida dele, na verdade, foi um caso de amor com mulher a que chamou numa carta de Amada Imortal.

O filme se inicia com a morte de Beethoven e, em seguida, retoma sua vida ao tempo em que ele compunha a Nona Sinfonia e, supostamente, a Grande Fuga do Quarteto em si bemol maior op. 130. O ator Ed Harris, que o retrata com razoável competência, apresenta um Beethoven com problemas de audição, mas ainda capaz de dialogar com desenvoltura.

Diante da perspectiva de realizar um grande concerto para estrear sua sinfonia, Beethoven resolve aceitar que alguém o auxilie na formidável tarefa. Assim Anna Holz, jovem estudante do Conservatório Musical de Viena, se torna sua copista e se revela a melhor colaboradora que ele podia desejar.

Anna se empenha tanto em sua função que acaba conhecendo a Nona tão bem quanto o próprio compositor. E como ele já tem dificuldade para ouvir os instrumentos, ela se oferece para ajudá-lo na hora da regência. Durante o concerto, posicionada fora da visão da platéia, ela faz os gestos que ele repete para a orquestra. Com esse arranjo estapafúrdio (o segredo, do título), o concerto é bem-sucedido e o filme chega ao desfecho, dando a falsa impressão de ter acompanhado Beethoven até seus últimos dias.

Vamos aos fatos. O concerto em que se deu a estréia da Nona Sinfonia aconteceu em 7 de maio de 1824 e a morte de Beethoven, em 26 de março de 1827. Desde 1818, com o agravamento da surdez, ele havia adotado os Livros de Conversação, para se comunicar com os interlocutores através da escrita. No concerto real, ele apenas marcou o tempo e folheou a partitura. A regência de fato ficou a cargo do violinista Schuppanzigh e do Kapellmeister Umlauf, que teve a cautela de advertir o coro e a orquestra para ignorar os gestos do compositor. E o Quarteto op. 130, do qual inicialmente fez parte a Grande Fuga op. 133, foi composto entre julho e novembro de 1825. Beethoven continuou criando grande música até novembro de 1826 e seu último trabalho foi um novo finale para o Quarteto op. 130.

A despeito de ser descarada obra de ficção, que não merecia estampar o santo nome de Beethoven no título, o filme oferece divertimento de uma certa qualidade, especialmente graças à brilhante síntese da Nona Sinfonia, regida pelo veterano maestro inglês Christopher Hogwood.
Isto é tudo que se pode dizer, em consideração ao direito de escolha da cada um.
(Crédito da foto: epipoca.uol.com.br)

Os premiados do Sundance

Saiu no último sábado, 27, em Park City, Utah, a premiação do festival de Robert Redford. O filme Padre Nuestro, de Christopher Zalla, recebeu o grande prêmio do júri de melhor filme dramático e Grace Is Gone, de James C. Strouse, foi honrado com o prêmio do público, na mesma categoria. Já o prêmio de melhor documentário, do júri, foi para a produção Brasil/EUA Manda bala, de Jason Kohn, enquanto Hear and Now, de Irene Taylor Brodsky, ficou com o prêmio do público.

29 de janeiro de 2007

Prêmios do Sindicato dos Atores

A cerimônia de entrega dos prêmios do Sindicato dos Atores da Tela aconteceu dia 28 de janeiro. E os premiados foram:
1) Elenco: Pequena Miss Sunshine
2) Ator: Forest Whitaker (O último rei da Escócia)
3) Atriz: Helen Mirren (A rainha)
4) Ator coadjuvante: Eddie Murphy (Dreamgirls - Em busca de um sonho)
5) Atriz coadjuvante: Jennifer Hudson (Dreamgirls)
6) Prêmio honorário (life achievement): Julie Andrews.
Comentário: Os atores e atrizes premiados repetiram exatamente a premiação do Globo de Ouro; isso pode ser um sinal de que já estão com o Oscar garantido. O filme Pequena Miss Sunshine reforçou ainda mais sua posição como candidato ao Oscar de melhor filme; caso a Academia queira estimular as produções de baixo orçamento, ele tem tudo para ser o escolhido.

(Crédito da foto: www.fox.es)

28 de janeiro de 2007

Sessão nostalgia: Os nibelungos

No último sábado, 27, o poeta Salomão Sousa e dona Francisca receberam amigos para assistir, em seu home theater, a dois filmes alemães de Fritz Lang: Os nibelungos: A morte de Siegfried (1924) e Os nibelungos: A vingança de Kriemhild (1924), nas versões originais e restauradas. Uma sessão com filmes de mais de 80 anos evoca o nascimento da sétima arte, recobrindo-se de ineludível nostalgia.

Enfrentaram a maratona cinematográfica de quase cinco horas o poeta João Carlos Taveira, o fotógrafo e poeta Robson Corrêa de Araújo, com sua respectiva campeã de ciclismo Maria José, o homem de sete instrumentos Erinaldo e, claro, este velho cinéfilo.
O fato de os filmes serem mudos, sonorizados apenas por eficiente trilha musical, permitiu que cada espectador fizesse observações no instante em que a cena se desenrolava. E havia muito a comentar, dada a excelência das obras, dignas da mais desbragada adjetivação.
A lenda que inspirou Os nibelungos é pródiga de aventuras e dramas humanos. A trajetória de Siegfried tem início quando ele recebe ensinamentos para forjar uma espada incomum. Com ela, ele conseguirá matar o dragão que se interpõe no seu caminho rumo ao reino de Worms, onde vive a adorável Kriemhild. Subseqüentemente, ele derrota um feiticeiro e se apossa de um elmo que lhe permite ficar invisível, o que lhe será de grande valia na tarefa que terá de cumprir para conquistar a mão de Kriemhild. Depois desenrolam-se as conseqüências de equívocos cometidos por ele ou por aqueles que o cercam na corte, que culminam com a sua morte. Na segunda parte, seguem-se as artimanhas da viúva para vingar a morte do marido, numa série de expedientes a que ela recorre para cumprir seu objetivo exclusivo, que a obceca e consome o restante de sua vida. Tudo é apresentado numa seqüência de cantos que um menestrel narra enquanto tange seu alaúde.
O visual dos filmes é de uma riqueza impressionante: a fotografia, primorosa, explora os extremos constrastes, como era usual na escola expressionista, e recorre a enquadramentos rigorosamente estudados; o desempenho dos atores é precioso, dentro do estilo da época; os figurinos e a cenografia são deslumbrantes; e o grafismo das estampas de cortinas, indumentárias, escudos e objetos de cena fascina por sua variedade, que parece inesgotável.
O clima reinante ao longo da sessão era de sincera admiração pela magnificência da mise-en-scène e dos roteiros, estes a cargo da então mulher de Lang, Thea von Harbou, que contou com a colaboração do marido no do primeiro filme. Se alguém tinha alguma dúvida a respeito da genialidade de Fritz Lang, ela foi dissipada de uma vez por todas.
(A imagem é do filme A morte de Siegfried. Crédito da foto: daily.greencine.com)

26 de janeiro de 2007

Estacionamento proibido é mais grave

TORONTO - A maioria dos norte-americanos considera o download e distribuição ilegais de filmes de Hollywood como crimes comparáveis a pequenas infrações no trânsito, informou a Hollywood Reporter, citando pesquisa.

Apenas 40% dos entrevistados pelo instituto de pesquisa Toronto Solutions Research Group concordam que baixar da internet filmes com direitos autorais é um "crime muito grave".

Essa cifra contradiz com os 78% que disseram que roubar um DVD de uma loja era um crime muito grave.

"Este é um efeito Robin Hood. A maioria das pessoas entende que as celebridades e os estúdios já são ricos e como resultado pensam que o download de filmes não é uma grande coisa", disse Kaan Yigit, diretor de estudos do Solutions Research Group.

A pesquisa revelou que 59% dos norte-americanos entrevistados consideravam estacionar em local proibido um crime mais sério do que o download de filmes.

Yigit disse que os atuais serviços de download oficiais e os novos que entrarem no mercado terão que ser mais flexíveis para convencerem os consumidores a pagarem pelas cópias. "De outra forma, o compartilhamento de arquivo continuará prosperando", disse ele.

A pesquisa Digital Life America entrevistou cerca de 2.600 norte-americanos entre junho e setembro do ano passado.

Fonte: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/012007/26012007-0.shl


25 de janeiro de 2007

O duelo Scorsese x Eastwood visto pelos ingleses

Os ingleses acreditam que o filme Os infiltrados tem mais chance de abiscoitar o Oscar de melhor filme. Pelo menos é o que se pode deduzir da cotação do filme na casa de apostas londrina Ladbrokes, que só paga 10 por 11 aos apostadores no filme de Martin Scorsese. O filme Babel, de Alejandro González Iñárritu, vem logo atrás, cotado a 9 por 4. O grande azarão é Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood, cotado a 12 por 1.

Piratas do Canadá

O país onde mais se pirateia filmes é a China. Certo? Errado. A 20th Century-Fox calcula que cerca de 50% dos filmes pirateados saem do Canadá, a maior parte procedente de Montreal, noticiou o jornal canadense Ottawa Citizen na terça-feira, 23. Segundo o periódico, a Fox já advertiu os exibidores de Montreal de que, caso nenhuma medida seja tomada para reprimir as cópias ilegais, vai retardar o lançamento de novos títulos na cidade.

24 de janeiro de 2007

Audrey Hepburn: ideal de beleza

A atriz Audrey Hepburn (1929-1993), famosa por sua magreza, parece ter-se tornado o ideal de beleza das mulheres norte-americanas deste começo de século. Ela foi eleita em 2006 a "mulher mais bonita de todos os tempos", pelas leitoras da revista New Woman. Informação extraída de Time.com de 20 de janeiro (aniversário de falecimento da atriz).
(Crédito da foto: www.20minutos.es)

23 de janeiro de 2007

Oscar 2007: os indicados

Os indicados ao Oscar nas principais categorias são:

1 ) Melhor filme:
a - Pequena Miss Sunshine
b - Babel
c - Os infiltrados
d - Cartas de Iwo Jima
e - A rainha

2) Melhor diretor:
a - Martin Scorsese (Os infiltrados)
b - Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima)
c - Paul Greengrass (Vôo United 93)
d - Alejandro González Iñárritu (Babel)
e - Stephen Frears (A rainha)

3) Melhor atriz:
a - Meryl Streep (O diabo veste Prada)
b - Penelope Cruz (Volver)
c - Kate Winslet (Pecados íntimos)
d - Judi Dench (Notas sobre um escândalo)
e - Helen Mirren (A rainha)

4) Melhor ator:
a - Leonardo DiCaprio (Diamante de sangue)
b - Forest Whitaker (O último rei da Escócia)
c - Peter O'Toole (Venus)
d - Will Smith (À procura da felicidade)
e - Ryan Gosling (Half Nelson)

5) Melhor atriz coadjuvante:
a - Adriana Barraza (Babel)
b - Cate Blanchett (Notas sobre um escândalo)
c - Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine)
d - Jennifer Hudson (Dreamgirls -- Em busca de um sonho)
e - Rinko Kikuchi (Babel)

6) Melhor ator coadjuvante:
a - Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
b - Jackie Earle Haley (Pecados íntimos)
c - Djimon Hounsou (Diamante de sangue)
d - Eddie Murphy (Dreamgirls -- Em busca de um sonho)
e - Mark Wahlberg (Os infiltrados)

7) Melhor roteiro original:
a - Babel (Guillermo Arriaga)
b - Cartas de Iwo Jima (Iris Yamashita e Paul Haggis)
c - Pequena Miss Sunshine (Michael Arndt)
d - O labirinto do fauno (Guillermo del Toro)
e - A rainha (Peter Morgan)

8) Melhor roteiro adaptado:
a - Borat (Sacha Baron Cohen, Anthony Hines, Peter Baynham, Dan Mazer e Todd Phillips)
b - Filhos da esperança (Alfonso Cuarón, Timothy J. Sexton, David Arata, Mark Fergus e Hawk Ostby)
c - Os infiltrados (William Monahan)
d - Pecados íntimos (Todd Field e Tom Perrotta)
e - Notas sobre um escândalo (Patrick Marber)

9) Melhor fotografia:
a - A dália negra (Vilmos Zsigmond)
b - Filhos da esperança (Emmanuel Lubezki)
c - O ilusionista (Dick Pope)
d - O labirinto do fauno (Guillermo Navarro)
e - O grande truque (Wally Pfister)

10) Melhor montagem:
a - Babel (Stephen Mirrione e Douglas Crise)
b - Diamante de sangue (Steven Rosenblum)
c - Filhos da esperança (Alex Rodríguez e Alfonso Cuarón)
d - Os infiltrados (Thelma Schoonmaker)
e - Vôo United 93 (Clare Douglas, Christopher Rouse e Richard Pearson)

11) Melhor direção de arte:
a - Dreamgirls -- Em busca de um sonho (John Myhre e Nancy Haigh)
b - O bom pastor (Jeannine Oppewall, Gretchen Rau e Leslie E. Rollins)
c - O labirinto do fauno (Eugenio Caballero e Pilar Revuelta)
d - Piratas do Caribe -- O baú da morte (Rick Heinrichs e Cheryl A. Carasik)
e - O grande truque (Nathan Crowley e Julie Ochipinti)

12) Melhor figurino:
a - A maldição da flor dourada (Yee Chung Man)
b - O diabo veste Prada (Patricia Field)
c - Dreamgirls -- Em busca de um sonho (Sharen Davis)
d - Maria Antonieta (Milena Canonero)
e - A rainha (Consolata Boyle)

13) Melhor trilha musical:
a - Babel (Gustavo Santaolalla)
b - O segredo de Berlim (Thomas Newman)
c - Notas sobre um escândalo (Philip Glass)
d - O labirinto do fauno (Javier Navarrete)
e - A rainha (Alexandre Desplat).

Comentário: Dreamgirls -- Em busca de um sonho teve oito indicações, mas ficou fora das principais categorias e três indicações são para uma mesma categoria: "melhor canção". Babel, de Alejandro González Iñárritu, vem a seguir com sete indicações, sendo duas na categoria "melhor atriz coadjuvante". Diferentemente do que se pensava, o filme Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood, ainda que falado em japonês, concorre na categoria "melhor filme" e em três outras. Os infiltrados, de Martin Scorsese, recebeu cinco indicações, uma a mais que o filme de Eastwood. Mas isso não facilita nada a vida de Scorsese, que, além de ter Eastwood em seus calcanhares, tem o filme de Iñárritu e Pequena Miss Sunshine lhe fazendo marolas. Vai ser uma boa oportunidade para ele tirar a prova dos nove com relação à estima que lhe devotam os membros da Academia. Se não ganhar desta vez, ainda que fique eventualmente com o prêmio de melhor filme, Scorsese pode tirar o cavalo da chuva. Aí, quem sabe, talvez um dia, um Oscarzinho honorário.

Hollywood: os piores de 2006

Foram indicados ao prêmio Razzie (Framboesa de Ouro) de piores do cinema norte-americano em 2006:

1) Filmes:
a) Instinto selvagem 2
b) BloodRayne
c) A dama na água
d) The Wicker Man
e) Little Man

2) Atores:
a) irmãos Shawn e Marlon Wayans (Little Man)
b) Rob Schneider (Little Man)
c) Nicolas Cage (The Wicker Man)
d) Larry the Cable Guy (Larry the Cable Guy: Health Inspector)
e) Tim Allen (The Santa Clause 3: The Escape Clause, The Shappy Dog e Zoom)

3) Atrizes:
a) Sharon Stone (Instinto selvagem 2)
b) Jessica Simpson (Employee of the Month)
c) Lindsay Lohan (Just My Luck)
d) Kristanna Loken (BloodRyne)
e) irmãs Hilary e Haylie Duff (Material Girls).

Comentário: Sharon Stone já foi agraciada com o prêmio Razzie de pior atriz duplamente, pelos filmes O especialista (1994) e Intersection - Uma escolha, uma renúncia (1994).

22 de janeiro de 2007

A outra volta de Sean Connery

O quarto filme de Indiana Jones, ainda sem título, poderá ter Sean Connery novamente como o pai de Harrison Ford. Em entrevista a Scotland on Sunday, o veterano ator admitiu que foi abordado por George Lucas e que está considerando seriamente essa possibilidade. Disse que nada foi decidido porque ainda não teve acesso ao roteiro. "Tudo vai depender do roteiro", concluiu Connery, que já se considerava aposentado. Seu último trabalho para o cinema foi no filme A liga extraordinária (2003), que o deixou frustrado por causa dos conflitos que teve com o diretor Stephen Norrington.
Comentário: Não deixa de ser curioso o fato de o ator concordar em voltar a fazer um papel, quando já se declarara aposentado em agosto último. Depois de conquistar fama e fortuna interpretando James Bond, ele se recusou a continuar fazendo o mesmo papel. Mas acabou convencido a estrelar mais um filme da série, 007 -- Nunca mais outra vez (1983), cujo título original, sugerido por sua mulher, Micheline, ironizava sua atitude de voltar atrás na decisão que havia tomado: Never Say Never Again (nunca diga nunca outra vez).

(Crédito da foto: www.canmag.com)

Era uma vez em 19 de janeiro de 2007

FRANCISCO PETRÔNIO (83 anos, de infecção generalizada), cantor brasileiro, que fez uma única aparição no cinema, no filme Senhora (1976), de Geraldo Vietri, baseado no romance homônimo de José de Alencar; apresentou programas musicais nas TVs Globo e Cultura.
Curiosidade: Na década de 1960, ficou conhecido nas rádios como "a voz de veludo".

(Crédito da foto: www.icd.com.br)

Oscar 2007: um nanico no páreo

Saiu no último sábado o premiado do Sindicato dos Produtores da América. O filme Pequena Miss Sunshine, que custou a pechincha de US$ 12 mi, foi eleito o melhor filme de 2006. Os outros indicados eram: Babel (US$ 25 mi), Dreamgirls - Em busca de um sonho (US$ 70 mi), Os infiltrados (US$ 90 mi) e A rainha (orçamento não divulgado).

Comentário: Nos últimos 17 anos, 11 filmes que ganharam o Oscar de melhor filme haviam conquistado o prêmio do Sindicato dos Produtores. Há também o registro de que Pequena Miss Sunshine tenha custado ainda menos: US$ 8 mi.
(Crédito da foto: movies.yahoo.com)