31 de julho de 2010

Carta da Lapa: uma visão prospectiva do cinema brasileiro

Aqui está a Carta da Lapa, que merece ser divulgada, lida e compreendida em profundidade por todos nós que gostamos de cinema e queremos ver o seu contínuo desenvolvimento no território nacional.

"Reunidos durante o Festival da Lapa 2010 (Festival de Filmes de Época), diretores de cinema, produtores, assistentes de arte e de produção, cineclubistas, professores, alunos, representantes de escolas de cinema e de entidades do cinema paranaense, cinéfilos e cidadãos lapeanos, participaram das mostras, oficinas, bate-papos e mesas de debates. Questões ligadas ao filme de época, ao movimento cineclubista, à relação entre cinema e educação, à formação técnico-profissional, à pesquisa e preservação cinematográficas foram abordadas. Por aclamação dos presentes, as proposições e considerações feitas durante o encontro seguem sintetizadas nesse documento.

Afirmou-se a importância da continuidade e do fortalecimento do Festival da Lapa, referência cada vez maior para as questões relacionadas aos filmes de época: direção de arte, figurino, maquiagem, adereços e fotografia. Espera-se que em suas próximas edições possa sediar de forma ainda mais sistematizada encontros das categorias diretamente envolvidas com a temática.

Definiu-se como urgente que os cinéfilos e os que trabalham com cinema no Paraná façam a sua parte no processo, retomado em 2003 durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, de rearticulação dos cineclubes brasileiros, reafirmando (como na memorável Carta de Curitiba, redigida quando da realização em fevereiro de 1974, no Teatro do Paiol, da VIII Jornada Nacional de Cineclubes/III Encontro Sul-Americano de Cineclubes) sua clara posição em defesa do cinema nacional, seu compromisso com o desenvolvimento do projeto cultural brasileiro. Em sintonia com o Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros e com o Programa Cine Mais Cultura do MinC, cabe aproximar os cineclubes em funcionamento no Paraná e atuar, inclusive com propostas de políticas públicas, visando implantar cineclubes na maioria dos espaços possíveis: universidades, escolas, institutos, bibliotecas públicas, museus, sindicatos, clubes, câmaras municipais, unidades da rede SESC, associações e centros culturais.

Desta forma, se estará contribuindo com a formação do público e de público para o cinema brasileiro, de quadros que possam fazer crítica de cinema -- buscando retomar uma tradição que iniciou em Curitiba no final dos anos 40 e que se desenvolveu até pouco depois de meados dos anos 60, sobressaindo nesse período, por sua sólida cultura cinematográfica, os nomes de Armando Ribeiro Pinto, Francisco Bettega Neto e Lélio Sottomaior Júnior --, e de quadros que possam se orientar, ampliadas as parcerias entre cineclubes universitários, cursos de cinema e Cinemateca de Curitiba, para as atividades de pesquisa, preservação e difusão, para o trabalho em arquivos audiovisuais. Em conseqüência, com a implantação de cineclubes, também se quer dar um passo na formação de um ainda necessário jornalismo cultural paranaense, verdadeiramente capaz de fazer a mediação entre as manifestações artísticas e o público. Se o desafio é imenso, os cineclubistas hoje também contam com a Programadora Brasil e com a Filmoteca Carlos Vieira, ambas com um acervo de filmes devidamente licenciados, em condições, portanto, de resolver suas dificuldades iniciais de programação.

Dentre os espaços citados, sublinhou-se a possibilidade do museu, ao lado da exibição e discussão de filmes, servir como plataforma de diálogo e inclusão cultural. Se presentes nas escolas, os cineclubes trazem a expectativa de que a cultura cinematográfica ajude os estudantes a projetar sua autonomia intelectual. Neste sentido, fez-se clara menção de apoio ao 1o. Seminário de Cinema e Educação: cineclube, escola, comunidade, proposto pelo Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros e aprovado pelo Comitê Consultivo da SAV- Secretaria do Audiovisual/MinC. O objetivo do Seminário, de suas comunicações e debates, é produzir um elenco de sugestões concretas e programáticas a ser submetido à aprovação e execução pela administração pública. Os presentes estenderam também todo o seu apoio ao programa Cinema Perto de Você, que está sendo lançado pela Ancine/Agência Nacional de Cinema visando incentivar o setor privado (por meio de linhas de financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual e do BNDES e ainda por conhecidos mecanismos de desoneração tributária) a abrir cinemas nas imediações de grandes centros urbanos e em municípios sem essa alternativa cultural. Sua prioridade localiza-se nos 89 municípios com mais de cem mil habitantes e sem nenhuma sala de cinema!

Na linha da formação profissional, reafirmou-se o reconhecimento da importância do técnico cinematográfico e a urgência da criação de cursos técnicos profissionalizantes para o setor audiovisual na rede federal de educação profissional e tecnológica (Institutos Federais, Universidade Tecnológica, Cefets e Escolas Técnicas vinculadas às Universidades). Se, de um lado é compreensível que todos queiram se tornar diretores, diretores de fotografia, diretores de arte e diretores artísticos, por outro, há grande falta de técnicos em muitas áreas da produção. No atual contexto do cinema brasileiro, as carências de técnicos têm sido supridas de modo paliativo, por meio de oficinas de formação realizadas, em muitos casos, em plena produção! Sem desmerecer a relevância nem os benefícios do “modelo” oficinas, é preciso ir além. A carência maior, em cada produção pelo Brasil afora, é de técnicos intermediários e de suporte, portanto urge formá-los. São necessários cursos de cenotécnica, elétrica de cena e iluminação, adereço, maquiagem de teatro e cine, produção gráfica, produção de arte, assistente de produção, câmera, maquinaria, animação, prospecção, recuperação/preservação, enfim, cursos de produção voltados ao cinema e vídeo.

No âmbito da preservação, entendendo preservar como oferecer condições para tornar perene a obra cultural (na sua materialidade, integridade, integralidade física e nas suas documentações conexas), para fins de difusão, pesquisa, estudos e fruição, é preciso estabelecer políticas públicas efetivas, inclusive de acervos digitais, bem como definições claras para o acesso aos acervos. O acesso ao material preservado, seja para novas produções ou para estudos é o que lhe empresta sentido, mostrando aspectos da história e do imaginário, levando à reflexão sobre o passado e suas esperanças. Considerou-se também como de maior importância incluir na pauta do audiovisual que a preservação começa na produção, que cabe aos produtores incluir em seus planos de trabalho cópias de preservação e guarda de materiais que integram o processo de criação/produção (como versões de roteiros), que caracterizam a documentação da obra.

Apontou-se também a carência de profissionais que se dediquem à macroestrutura de uma produção, ao planejamento do roteiro, da filmagem, do lançamento e da distribuição (o que supõe, muitas vezes, o conhecimento do mercado internacional e de como nele negociar, entre outras qualificações). Atualmente, quase sempre quem exerce esta função é um diretor, em seu próprio filme ou no de um diretor amigo. Sendo assim, para evitar esta sobrecarga, que as escolas de cinema avaliem se não caberia programar cursos, pelo menos de extensão, voltados a esta macroestrutura da produção.

Durante o Festival foram aplaudidas as manifestações de apoio às entidades de classe do cinema paranaense, especialmente o SIAPAR (Sindicato das Indústrias Audiovisuais do Paraná) e a AVEC (Associação de Vídeo e Cinema do Paraná). Ressaltou-se a relevância do Estado não concorrer com a produção independente local, mas sim instituir e desenvolver ações de fomento e estímulo como, por exemplo, editais para alocação de recursos visando o desenvolvimento do setor. Chamou-se a atenção para a necessidade de suplementar a informação das empresas quanto aos modos de funcionamento das leis de incentivos fiscais, mais especificamente da Lei do Audiovisual, um excelente instrumento à disposição dos realizadores, mas ainda com baixa utilização pelas empresas, seja por desconhecimento ou até mesmo por falta de uma prática contínua para investir em filmes parte do seu imposto de renda a pagar.

E, em acordo com a Carta de Atibaia, produzida e assinada pelo Congresso Brasileiro de Cinema, em janeiro de 2010, reafirmou-se a importância da continuidade e da ampliação dos programas do Ministério da Cultura nas suas diversas áreas, sobretudo, pelo que significam em termos de democratização do acesso à cultura, como afirmação do direito dos cidadãos brasileiros à cultura.

Finalmente agradecemos a Prefeitura da Lapa, ao Instituto Borges da Silveira, ao Instituto Cultural e Artístico da Lapa, ao Governo do Paraná e ao Ministério da Cultura, patrocinadores do evento.
Lapa, 12 de junho de 2010."

Entidades Presentes:
- AVEC/PR – Associação de Vídeo e Cinema do Paraná
- Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro/Regional do Paraná
- Cinemateca de Curitiba
- Comissão Organizadora do Cineclube Campus Central da UFPR
- Comissão Organizadora do Cineclube da Lapa
- Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Paraná
- FAPR/Faculdade de Artes do Paraná
- Instituto Borges da Silveira (c/sede na Lapa)
- Instituto Artístico e Cultural da Lapa
- IFPR/Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná
- Kinoarte/Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina
- Nesef-UFPR/Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre o Ensino de Filosofia
- Núcleo de Vídeo e Cinema da Lapa
- Programa Mais Cultura/Cine Mais Cultura do MinC
- SIAPAR/Sindicato das Indústrias Audiovisuais do Paraná

Entidades que manifestaram apoio:
- Associação de Difusão Cultural de Atibaia
- Biblioteca Pública do Paraná
- CEU/Casa do Estudante Universitário do Paraná
- CREC/Centro Rio Clarense de Estudos Cinematográficos
- Ciclo de Cinema Aeroporto (Londrina/PR)
- Cineclube Cinema Comunitário (Rio de Janeiro/RJ)
- Cineclube Interação de Altamira do Paraná
- Cineclube MeMostra (Curitiba/PR)
- Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros
- Difusão Cineclube (Atibaia/SP)
- Era Uma Vez O Cinema.Blogspot.Com (Brasília/DF)
- FAIA/Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual
- Fórum das Entidades Culturais do Paraná
- Ponto de Cultura Minha Vila Filmo Eu (Curitiba/PR)
- Representação Central Ucraniano-Brasileira (Curitiba/PR)
- Taturana - Revista de Cinema (Londrina/PR)
- TV Cidade Livre – Canal Comunitário (Rio Claro/SP)
- Vila Cultural AlmA Brasil (Londrina/PR).

A cidade da Lapa (PR) ensaia um grito que chama à participação todos os brasileiros que gostam de cinema e sabem da importância dos cineclubes

Este blog abre espaço para divulgar o meritório trabalho de Emmanuel Appel, professor de filosofia da Universidade Federal do Paraná (e que também vem colaborando com a reitoria do Instituto Federal do Paraná na implantação de sua área de cultura), na busca de uma política estimuladora da reativação do movimento cineclubista naquele Estado. É a sua contribuição para a Carta da Lapa, um verdadeiro manifesto, que servirá de locomotiva a puxar os passos subsequentes do esforço paranaense em prol do desenvolvimento do cinema brasileiro. O título do documento refere-se à cidade da Lapa (PR), local em que recentemente se realizou a quarta edição do Festival da Lapa, com destaque para a Mostra Competitiva de Filmes de Época, concorrentes ao troféu Tropeiro, um dos símbolos da Lapa.
A seguir, o texto do professor Appel para a Carta da Lapa, que merece ser chamado de Grito da Lapa, digno de ser ouvido em todos os rincões do nosso País:

"Se bem traduzo parte dos debates e conversas do sábado, penúltimo dia do Festival da Lapa, um dos pontos desta Carta deve centrar-se na urgência que têm os cinéfilos e os que trabalham com cinema no Paraná em fazer a sua parte no processo (retomado em 2003 durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro) de rearticulação dos cineclubes, reafirmando (como na memorável Carta de Curitiba, redigida quando da realização, em fevereiro de 1974, no Teatro do Paiol, da VIII Jornada Nacional de Cineclubes/III Encontro Sul-Americano de Cineclubes) sua clara posição em defesa do cinema nacional, seu compromisso com o desenvolvimento do projeto cultural brasileiro. Em sintonia com o Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros e com o Programa Cine Mais Cultura do MinC, cabe aproximar os cineclubes em funcionamento no Paraná e atuar, inclusive com propostas de políticas públicas, no sentido de implantar cineclubes em todos os espaços possíveis: universidades, associações, institutos, bibliotecas, museus, sindicatos, clubes, câmaras municipais, unidades da rede Sesc, dentre outros. Desta forma, estaremos contribuindo com a formação do público e de público para o cinema nacional, de quadros que possam fazer crítica de cinema -- retomando talvez uma tradição que iniciou em Curitiba no final dos anos quarenta e que se desenvolveu até pouco depois de meados dos sessenta, sobressaindo nesse período, por sua sólida cultura cinematográfica, os nomes de Armando Ribeiro Pinto (que, no caminho aberto por Paulo Emílio Salles Gomes, passou uma temporada em Paris assistindo os clássicos na Cinemateca Francesa), Francisco Bettega Neto (cujas críticas, na edição curitibana do jornal Última Hora, eram de leitura obrigatória) e Lélio Sottomaior Júnior (que revelou os autores franceses e americanos, em especial para os que freqüentavam o Cineclube Pró-Arte do Colégio Santa Maria) --, e de quadros que possam se orientar, ampliadas as parcerias entre cineclubes universitários, cursos de cinema e Cinemateca de Curitiba, para as atividades de pesquisa, preservação e difusão, para o trabalho em arquivos audiovisuais. Em consequência, com a implantação de cineclubes, estaremos também dando um passo na formação de um ainda necessário jornalismo cultural paranaense, verdadeiramente capaz de fazer a mediação entre as manifestações culturais e o público. Mais ainda: com a interiorização dos cineclubes pode-se progressivamente diminuir uma estatística estarrecedora, colhida pelo IBGE em 2007: apenas 8% dos municípios brasileiros (de um total de mais de 5.500) possuem salas de cinema! Segundo dados recentes, o Brasil ocupa o sexagésimo lugar na relação de habitantes por sala: são em números redondos 86.300 pessoas para cada sala de cinema enquanto nos Estados Unidos a média é de 7.900. Se vingar o programa Cinema Perto de Você, que está sendo lançado pela Ancine/Agência Nacional de Cinema visando incentivar o setor privado (por meio de linhas de financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual e do BNDES e ainda por conhecidos mecanismos de desoneração tributária) a abrir cinemas -- previsão de 600 salas em quatro anos -- nas imediações de grandes centros urbanos e em municípios sem essa alternativa cultural; se vingar, dizíamos, - e os presentes no Festival da Lapa torcem por esta iniciativa, cuja prioridade encontra-se nos 89 municípios com mais de cem mil habitantes e sem nenhuma sala de cinema! -- ainda assim passaríamos das atuais 2.200 salas (encontravam-se reduzidas a menos da metade em 1995 e dobraram devido ao extraordinário avanço de shopping centers) para 2.800, patamar ainda inferior ao de meados dos anos setenta, quando o Brasil possuía 3.300 salas em funcionamento. Ora, salta aos olhos como a atividade cineclubista, existente desde antes dos anos vinte (ainda que o primeiro cineclube brasileiro com estatutos e registro oficial, o Chaplin Club, tenha sido fundado em 1928, há registro de que já em 1917, também no Rio de Janeiro, um grupo de amigos, alunos do Colégio Pio Americano, se reunia para ver e debater filmes) e voltada às virtudes formativas, criativas e críticas do cinema, poderá não só atenuar esta situação como, por meio de festivais, mostras e retrospectivas, fazer com que o cinema, de todas as bitolas, tecnologias e diversidades estético-culturais, chegue à população: calcula-se que apenas 10% dos quase 200 milhões de brasileiros vão ao cinema “pelo menos uma vez por ano”! Se o desafio é imenso, os cineclubistas hoje contam com a Programadora Brasil e com a Filmoteca Carlos Vieira, ambas com um acervo de filmes devidamente licenciados, em condições, portanto, de resolver suas dificuldades iniciais de programação. Pensando grande, num tempo não muito distante, impregnado de otimismo militante, com os cineclubes (que, nunca é demais lembrar, também são -- além de territórios de aprendizagem, por conta da possibilidade de debates regulares, antecedidos por uma apresentação do filme -- espaços de sociabilidade, centros de vivência, pontos de encontro) é bem provável que se recrie o hábito de ir ao cinema e que boa parte dos que frequentam cineclubes passe a ver o cinema como importante em suas vidas.

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Outro ponto, esboçado nas mesas do sábado, 12 de junho, que merece ser destacado na Carta, diz respeito à instalação de cineclubes nas escolas: penso não estar exagerando ao imaginar a cultura cinematográfica ajudando os estudantes a projetar sua autonomia intelectual e a fazer uso público de sua razão, levando a uma sociedade melhor. E para desenvolver este ponto, o conteúdo do e-mail de Saskia Sá, enviado por Rodrigo Bouillet, sobre o seminário “Cinema e Educação: cineclube, escola, comunidade”, bem como as contribuições dos participantes das demais mesas, será certamente de grande valia. Com o recebimento da primeira versão, saberemos todos como melhor colaborar, trabalhar o texto e chegar a uma carta-manifesto. Um abraço a todos. Emmanuel."

Suso Cecchi d'Amico (1914-2010)

A roteirista italiana Suso Cecchi d'Amico, colaboradora favorita do cineasta Luchino Visconti e que ajudou a dar forma às histórias do neo-realismo cinematográfico, morreu hoje em Roma aos 96 anos.

Os filhos dela informaram neste sábado a morte de Giovanna Cecchi, conhecida como Suso Cecchi d'Amico, cujo funeral será realizado na próxima segunda-feira em Roma.

Nascida em Roma em 21 de julho de 1914, filha do escritor Emilio Cecchi, colaborou em mais de cem filmes de cineastas importantes da Itália como Roberto Rossellini, Vittorio De Sica e Federico Fellini.

Agraciada em 1994 com o Leão de Ouro do Festival Internacional de Cinema de Veneza, pela carreira, Cecchi d'Amico participou dos roteiros deo Roma, Cidade Aberta (Roma, città aperta, 1945), Ladrões de Bicicletas (Ladri di biciclette, 1948) e O Leopardo (Il gattopardo, 1963).

28 de julho de 2010

Brigitte Bardot comemora proibição de touradas

O parlamento da Catalunha, província do nordeste da Espanha, decidiu proibir as touradas em seu território a partir de janeiro de 2012. Os inimigos da tourada começaram seu combate pela Catalunha porque lá o esporte não é tão importante quanto em outras províncias espanholas, o que facilitaria o ganho de causa, como de fato aconteceu.

A atriz francesa Brigitte Bardot, defensora intransigente dos animais, comemorou a decisão em um comunicado, no qual diz: "É uma vitória da democracia sobre os lobbies taurinos. Uma vitória da dignidade sobre a crueldade. A tourada é de um sadismo incrível. Já não estamos nos jogos circenses e é necessário pôr um fim imediato a esta tortura animal".

Por tudo que representou para o cinema francês, quando era jovem e bela, Brigitte merece a nossa admiração e o nosso respeito. (Ela foi, virtualmente, o maior estímulo às faculdades sexuais deste escriba, na adolescência.) No entanto, suas palavras não merecem passar sem questionamento, já que não respeitam a boa lógica nem os valores democráticos.

É inegável, no caso, que a decisão ocorreu dentro do jogo democrático, mas a expressão "lobbies taurinos" mais confunde que esclarece. Primeiro, pela existência também de fortíssimos "lobbies antitaurinos", dos quais Brigitte é um exemplo. Segundo, porque há muita gente que defende de boa-fé as touradas, simplesmente por apreciá-las. É o caso, por exemplo, do filósofo francês Francis Wolf, que escreveu um belo texto a respeito.

O uso do termo "dignidade" não nos parece adequado por conter um conceito moral, inaplicável ao reino animal. Quanto ao sadismo, é pouco provável que nós, humanos, deixaremos de ser sádicos com a eliminação das touradas. A tendência, aliás, é que, na ausência das formas sublimadas de violência, nós nos tornemos ainda mais sádicos contra os nossos semelhantes.

Por fim, sendo a tourada um jogo circense, que existe legitimamente há séculos, quem tem poder para decretar que "já não estamos nos jogos circenses"? E por que não é bom estar nos jogos circenses? Ou, por outro lado, qual seria o benefício para a humanidade de não mais estar nos jogos circenses? Mas é quando ela afirma "é necessário pôr um fim imediato..." que a sua personalidade autoritária se revela sem disfarces.
(Notícia veiculada pelo saite UOL Entretenimento.)

27 de julho de 2010

Maury Chaykin (1949-2010)

O ator norte-americano Maury Chaykin morreu hoje aos 61 anos, em um hospital de Toronto, em consequência de complicações renais.
Chaykin morreu no mesmo dia em que completava 61 anos. Ele participou dos filmes "Irmãos Gêmeos" (1988), "Dança com Lobos" (1990), "A Máscara do Zorro" (1998) e, mais recentemente, "Ensaio Sobre a Cegueira" (2008), dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles.
O ator nasceu em 1949 nos Estados Unidos, mas se mudou para Toronto, onde desenvolveu sua carreira artística. Seu pai era americano e a mãe canadense.
Durante sua carreira, Chaykin recebeu alguns dos principais prêmios do cinema e da televisão canadenses.

23 de julho de 2010

Festival de Paulínia: a relação dos premiados

O III Paulínia Festival de Cinema, realizado em Paulínia (SP), encerrou-se na última quinta-feira, 22, consagrou o filme "5x Favela - Agora por Nós Mesmos", que conquistou seis troféus Menina de Ouro.
A seguir, a lista dos longas-metragens premiados:
1 - Melhor filme (ficção): "5x Favela – Agora por Nós Mesmos" (2010), de Manaira Carneiro, Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos e Luciana Bezerra
2 - Melhor documentário: "Leite e Ferro" (2010), de Claudia Priscilla
3 - Melhor diretor (ficção): Flavio Tambellini, por "Malu de Bicicleta" (2010)
4 - Melhor diretor (documentário): Claudia Priscilla, por "Leite e Ferro"
5 - Melhor ator: Marcelo Serrado, por "Malu de Bicicleta"
6 - Melhor atriz: Fernanda de Freitas, por "Malu de Bicicleta"
7 - Melhor ator coadjuvante: Marcio Vitto, por "5x Favela – Agora por Nós Mesmos", episódio "Acende a Luz"
8 - Melhor atriz coadjuvante: Dila Guerra, por "5x Favela – Agora por Nós Mesmos", episódio "Acende a Luz"
9 - Melhor roteiro: Rafael Dragaud, por "5x Favela – Agora por Nós Mesmos"
10 - Melhor fotografia: Gustavo Hadba, por "Bróder" (2010)
11 - Melhor montagem: Quito Ribeiro, por "5x Favela – Agora por Nós Mesmos"
12 - Melhor som: Miriam Biderman e Ricardo Reis, por "Bróder"
13 - Melhor direção de arte: Alessandra Maestro, por "Bróder"
14 - Melhor trilha sonora: Guto Graça Melo, por "5x Favela – Agora por Nós Mesmos"
15 - Melhor figurino: Marcia Tacsir, por "Desenrola" (2010)
16 - Prêmio especial do júri: "Lixo Extraordinário" (2010), de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley
17 - Prêmio da crítica: "Bróder", de Jefferson De.

18 de julho de 2010

James Gammon (1940-2010), ator

O ator americano James Gammon morreu de câncer, em 16 de julho, aos 70 anos. Muito requisitado como coadjuvante, marcou presença em mais de 60 filmes. Suas mais memoráveis atuações foram no gênero western, quase sempre fazendo tipos grosseiros e mal-humorados, como se pode ver em filmes como "Um Homem Chamado Cavalo" (A Man Called Horse, 1970), "Cowboy do Asfalto" (Urban Cowboy, 1980), "Silverado" (1985), "Wyatt Earp" (1994), "Wild Bill - Uma Lenda no Oeste" (Wild Bill, 1995), "Terra de Paixões" (The Hi-Lo Country, 1998) e "Cold Mountain" (2003). Nasceu em 20 de abril de 1940, em Newman, Illinois. Deixou viúva e dois filhos.

14 de julho de 2010

Trigger, o cavalo de Roy Rogers, é leiloado

O corpo empalhado do cavalo Trigger, fiel companheiro do caubói Roy Rogers, foi vendido hoje em leilão, em Nova York, por US$ 266.500.

O cavalo foi o primeiro dos 300 itens relacionados a Roy Rogers (1911-1998) e sua mulher, Dale Evans, que estão sendo leiloados na casa Christie's. Tudo que irá à venda estava em um museu dedicado ao ator.

Trigger, um cavalo da raça palomino, acompanhou Rogers na maioria de seus filmes e durante as turnês de exibição que fazia pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial.

Apesar do alto preço pago pelo cavalo, o item mais caro do primeiro dia do leilão, que termina nesta quinta-feira, 15, foi uma cadeira com o nome do caubói, arrematada por US$ 386.500.
(Notícia do saite UOL News.)

13 de julho de 2010

Festival de Toronto: 100 filmes essenciais

O saite Thompson on Hollywood divulgou a lista de 100 filmes essenciais do Festival de Cinema de Toronto, Canadá. A lista foi definida por um painel de especialistas, curadores do festival.
A seguir, a lista completa, na ordem inversa à da classificação:
100 - Playtime - Tempo de Diversão (Play Time, França/Itália, 1970), de Jacques Tati
99 - Oldboy (Oldboy, Coreia do Sul, 2003), de Park Chan-wook
98 - Terra (Zemlya, União Soviética, 1930), de Aleksander Dovjenko
97 - Tudo sobre Minha Mãe (Todo sobre mi madre, Espanha/ França, 1999), de Pedro Almodóvar
96 - Cléo das 5 às 7 (Cléo de 5 à 7, França/Itália, 1962), de Agnès Varda
95 - A Nossos Amores (À nos amours, França, 1983), de Maurice Pialat
94 - Ondas do Destino (Breaking the Waves, Dinamarca/Suécia/ França/Holanda/Noruega/Islândia, 1996), de Lars von Trier
93 - Três Homens em Conflito (Il buono, il brutto, il cattivo, Itália/Espanha/Alemanha, 1966), de Sergio Leone
92 - Veludo Azul (Blue Velvet, EUA, 1986), de David Lynch
91 - O Terceiro Homem (The Third Man, Reino Unido, 1949), de Carol Reed
90 - Palavras ao Vento (Written on the Wind, EUA, 1956), de Douglas Sirk
89 - Videodrome - A Síndrome do Vídeo (Videodrome, Canadá, 1983), de David Cronenberg
88 - Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, Alemanha/França, 1987), de Wim Wenders
87 - Andrei Rublev (Andrey Rublyov, União Soviética, 1966), de Andrei Tarkovsky
86 - Chinatown (Chinatown, EUA, 1974), de Roman Polanski
85 - Relíquia Macabra (The Maltese Falcon, EUA, 1941), de John Huston
84 - Touro Indomável (Raging Bull, EUA, 1980), de Martin Scorsese
83 - La noire de... (Sem título no Brasil, 1966, França/Senegal), de Ousmane Sembène
82 - Amores Expressos (Chung Hing sam lam, Hong Kong, 1994), de Wong Kar Wai
81 - O Nascimento de uma Nação (The Birth of a Nation, EUA, 1915), de D. W. Griffith
80 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, EUA, 1977), de Woody Allen
79 - Tubarão (Jaws, EUA, 1975), de Steven Spielberg
78 - Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, EUA, 1959), de Billy Wilder
77 - Ouro e Maldição (Greed, 1924), de Erich von Stroheim
76 - A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, Alemanha, 2006), de Florian Henckel von Donnersmarck
75 - Crônica de um Verão (Chronique d'un été (Paris 1960) , França, 1961), de Jean Rouch e Edgar Morin
74 - Jules e Jim (Jules et Jim, França, 1962), de François Truffaut
73 - Wavelength (Sem título no Brasil, Canadá/EUA, 1967), de Michael Snow
72 - O Tigre e o Dragão (Wo hu cang long, Taiwan/Hong Kong/ EUA/China, 2000), de Ang Lee
71 - Nashville (Nashville, EUA, 1975), de Robert Altman
70 - A Lista de Schindler (Schindler's List, EUA, 1993), de Steven Spielberg
69 - Poeira no Vento (Lian lian feng chen, Taiwan, 1986), de Hou Hsiao-hsien
68 - Psicose (Psycho, EUA, 1960), de Alfred Hitchcock
67 - Scorpio Rising (Sem título no Brasil, EUA, 1964), de Kenneth Anger
66 - M - O Vampiro de Düsseldorf (M, Alemanha, 1931), de Fritz Lang
65 - Memórias do Subdesenvolvimento (Memoria del subdesarrollo, Cuba, 1968), de Tomás Gutiérrez Alea
64 - Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, Reino Unido/EUA, 1971), de Stanley Kubrick
63 - Johnny Guitar (Johnny Guitar, EUA, 1954), de Nicholas Ray
62 - Cantando na Chuva (Singin' in the Rain, EUA, 1952), de Stanley Donen e Gene Kelly
61 - Levada da Breca (Bringing Up Baby, EUA 1938), de Howard Hawks
60 - O Boulevard do Crime (Les enfants du paradis, França, 1945), de Marcel Carné
59 - Através das Oliveiras (Zire darakhatan zeyton, França/Irã, 1994), de Abbas Kiarostami
58 - Blade Runner - O Caçador de Androides (Blade Runner, EUA/Hong Kong, 1982), de Ridley Scott
57 - Desejos Proibidos (Madame de..., França/Itália, 1953), de Max Ophüls
56 - O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno, Espanha/ México/EUA, 2006), de Guillermo del Toro
55 - Le chagrin et la pitié (Sem título no Brasil, França/Suíça/ Alemanha, 1969), de Marcel Ophüls
54 - A Vida É Bela (La vita è bella, Itália, 1997), de Roberto Benigni
53 - Viridiana (Viridiana, Espanha/México, 1961), de Luis Buñuel
52 - Amor à Flor da Pele (Fa yeung nin wa, Hong Kong/França, 2000), de Wong Kar Wai
51 - A Batalha de Argel (La battaglia di Algeri, Itália/Argélia, 1966), de Gillo Pontecorvo
50 - Metrópolis (Metropolis, Alemanha, 1927), de Fritz Lang
49 - Viagem à Lua (Le voyage dans la lune, França, 1902), de Georges Méliès
48 - O Sétimo Selo (Det sjunde inseglet, Suécia, 1957), de Ingmar Bergman
47 - Saló ou Os Cento e Vinte Dias de Sodoma (Salò o le 120 giornate di Sodoma, Itália/França, 1975), de Pier Paolo Pasolini
46 - Apocalypse Now (Apocalypse Now, EUA, 1979), de Francis Ford Coppola
45 - Taxi Driver - Motorista de Táxi (Taxi Driver, EUA, 1976), de Martin Scorsese
44 - Cidade de Deus (Brasil/França, 2002), de Fernando Meirelles
43 - O Conformista (Il conformista, Itália/França/Alemanha, 1970), de Bernardo Bertolucci
42 - Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, Reino Unido, 2008), de Danny Boyle
41 - Rastros de Ódio (The Searchers, EUA, 1956), de John Ford
40 - Pulp Fiction - Tempo de Violência (Pulp Fiction, EUA, 1994), de Quentin Tarantino
39 - Noite e Neblina (Nuit et brouillard, França, 1955), de Alain Resnais
38 - Um Corpo que Cai (Vertigo, EUA, 1958), de Alfred Hitchcock
37 - La jetée (La jetée, França, 1962), de Chris Marker
36 - O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, EUA, 1939), de Victor Fleming
35 - A Chegada de um Trem na Estação (L'arrivée d'un train à La Ciotat, França, 1896), de Louis e Auguste Lumière
34 - A Doce Vida (La dolce vita, Itália/França, 1960), de Federico Fellini
33 - O Leopardo (Il gattopardo, Itália/França, 1963), de Luchino Visconti
32 - A Regra do Jogo (La règle de jeu, França, 1939), de Jean Renoir
31 - Bancando o Águia (Sherlock Jr., 1924), de Buster Keaton
30 - Guerra nas Estrelas (Star Wars: Episode IV - A New Hope, EUA, 1977), de George Lucas
29 - Luzes da Cidade (City Lights, EUA, 1931), de Charlie Chaplin
28 - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, França, 2001), de Jean-Pierre Jeunet
27 - Viagem pela Itália (Viaggio in Italia, Itália/França, 1954), de Roberto Rossellini
26 - 2001: Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, Reino Unido/EUA, 1968), de Stanley Kubrick
25 - Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans, EUA, 1927), de F. W. Murnau
24 - E o Vento Levou (Gone with the Wind, EUA, 1939), de Victor Fleming
23 - Persona (Persona, Suécia, 1966), de Ingmar Bergman
22 - Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, Reino Unido, 1962), de David Lean
21 - A Grande Ilusão (La grande illusion, França, 1937), de Jean Renoir
20 - Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, Itália/França, 1988), de Giuseppe Tornatore
19 - Atalante (L'Atalante, França, 1934), de Jean Vigo
18 - Acossado (À bout de souffle, França, 1960), de Jean-Luc Godard
17 - Contos da Lua Vaga (Ugetsu monogatari, Japão, 1953), de Kenji Mizoguchi
16 - Os Incompreeendidos (Les quatre cents coups, França, 1959), de François Truffaut
15 - Era uma Vez em Tóquio (Tôkyô monogatari, Japão, 1953), de Yasujiro Ozu
14 - Rashomon (Rashômon, Japão, 1950), de Akira Kurosawa
13 - O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin, União Soviética, 1925), de Sergei Eisenstein
12 - Oito e Meio (8 ½, Itália/França, 1963), de Federico Fellini
11 - O Medo Devora a Alma (Angst essen Seele auf, Alemanha, 1974), de Rainer Werner Fassbinder
10 - Ladrões de Bicicleta (Ladri di biciclette, Itália, 1948), de Vittorio De Sica
9 - Um Homem com uma Câmera (Chelovek s kino-apparatom, União Soviética, 1929), de Dziga Vertov
8 - Casablanca (Casablanca, EUA, 1942), de Michael Curtiz
7 - A Canção da Estrada (Pather Panchali, Índia, 1955), de Satyajit Ray
6 - Os Sete Samurais (Shichinin no samurai, Japão, 1954), de Akira Kurosawa
5 - Pickpocket (Pickpocket, França, 1959), de Robert Bresson
4 - O Poderoso Chefão (The Godfather, EUA, 1972), de Francis Ford Coppola
3 - A Aventura (L'avventura, Itália/França, 1960), de Michaelangelo Antonioni
2 - Cidadão Kane (Citizen Kane, EUA, 1941), de Orson Welles
1 - O Martírio de Joana d'Arc (La passion de Jeanne d'Arc, 1928), de Carl Theodor Dreyer.

12 de julho de 2010

Suíça nega extradição de Roman Polanski

Roman Polanski está livre. O governo da Suíça negou a extradição do cineasta pedida pelos Estados Unidos, onde ele seria julgado por crime sexual cometido há 33 anos. A decisão se baseou em tecnicidade do pedido de extradição. O anúncio foi feito hoje pela ministra da Justiça suíça, Eveline Widmer-Schlumpf.

Polanski estava detido desde setembro de 2009, quando desembarcou no aeroporto de Zurique, onde receberia homenagem do festival de cinema. Após dois meses no cárcere, o cineasta foi transferido para prisão domiciliar na residência que possui em Gstaad, estação de esqui suíça.

A Justiça norte-americana, considerando o crime não prescrito, insiste na manutenção do processo. No entanto, faz tempo que Polanski solucionou a pendência por meio de acorto extrajudicial, tendo a vítima retirado as acusações e se pronunciado, reiteradamente, pelo arquivamento do processo.

3 de julho de 2010

Era uma vez em 2 de junho de 2010

LAURENT TERZIEFF (75 anos, de problemas pulmonares), ator francês que atuou em mais de 50 filmes e foi dirigido por alguns dos grandes cineastas europeus; entre seus principais filmes estão Os Trapaceiros (Les tricheurs, 1958), de Marcel Carné, Vanina Vanini (Vanina Vanini, 1961), de Roberto Rossellini, O Estranho Caminho de São Tiago (La voie lactée, 1969), de Luis Buñuel, Medéia, a Feiticeira do Amor (Medea, 1969), de Pier Paolo Pasolini, O Deserto dos Tártaros (Il deserto dei Tartari, 1976), de Valerio Zurlini, e Detetive (Détective, 1985), de Jean-Luc Godard. Nascido Laurent Tchererzine, em 27 de junho de 1935, em Paris.

29 de junho de 2010

Era uma vez em 27 de junho de 2010

COREY ALLEN (75 anos, de causa não divulgada), ator norte-americano, que nos anos 1960 passou a se dedicar quase exclusivamente à carreira de diretor, destacando-se como tal em trabalhos feitos para a TV; no filme Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955) interpretou Buzz, líder da gangue de delinquentes, que trava luta de facas com James Dean e, em seguida, na corrida de carros rumo ao precipício, perde a vida enquanto Dean se salva; atuou em outros 15 filmes, dentre os quais As Pontes de Toko-Ri (The Bridges at Toko-Ri, 1954), A Bela do Bas-Fond (Party Girl, 1958) e Doce Pássaro da Juventude (Sweet Bird of Youth, 1962). Nasceu em 29 de junho de 1934, em Cleveland, Ohio.
(Foto: http://www.home.comcast.net/)

22 de junho de 2010

Era uma vez em 16 de junho de 2010

RONALD NEAME (99 anos, de complicações decorrentes de queda), diretor e produtor britânico, que começou como cinegrafista em 1933, e teve a sorte de cruzar seu destino com o de David Lean, quando fotografou Nosso Barco, Nossa Alma (In Which We Serve, 1942), de Lean e Noel Coward, e Uma Mulher do Outro Mundo (Blithe Spirit, 1945), de Lean; na breve parceria que formaram, ele produziu vários filmes de Lean, entre os quais os clássicos Grandes Esperanças (Great Expectations, 1946) e Oliver Twist (Oliver Twist, 1948); nesse período, já no final dos anos 1940, tornou-se diretor, vindo a realizar alguns filmes memoráveis, se bem que nenhuma obra-prima, destacando-se Na Glória, a Amargura (I Could Go on Singing, 1963), último filme com a Judy Garland, Como Possuir Lissu (Gambit, 1966), O Destino do Poseidon (The Poseidon Adventure, 1972) e O Dossiê de Odessa (The Odessa File, 1974). Nasceu em 23 de abril de 1911, em Londres. Era pai do produtor Christopher Neame e avô do produtor Gareth Neame.
(Foto: http://www.nndb.com/)

20 de junho de 2010

Os 100 melhores filmes da revista Empire

A revista britânica Empire divulgou em seu saite a relação dos 100 melhores filmes de todos os tempos, em língua não-inglesa. Do Brasil, apenas dois filmes entraram: Cidade de Deus, em 7º lugar, e Central do Brasil, na 57ª posição. É sinal de que o cinema brasileiro continua pouco conhecido na Grã-Bretanha.
A seguir, a relação completa, do último para o primeiro colocado:
100 - Guardiões da Noite (Nochnoy dozor, Rússia, 2004), de Timur Bekmambetov
99 - Iron Monkey (Sem título no Brasil, Hong Kong, 1993), de Yuen Woo-ping
98 - Ran (Ran, Japão/França, 1985), de Akira Kurosawa
97 - Adeus Minha Concubina (Farewell My Concubine, Taiwan, 1993), de Chen Kaige
96 - Delicatessen (Delicatessen, França, 1991), de Marc Caro e Jean-Pierre Jeunet
95 - O Voo do Dragão (Meng long guo jiang, Hong Kong, 1972), de Bruce Lee
94 - Luz (Yeelen, Mali/Burkina Fasso/França/Alemanha, 1987), de Souleymane Cissé
93 - O Quarto Homem (De vierde man, Holanda, 1983), de Paul Verhoeven
92 - O Fantasma do Futuro (Kôkaku kidôtai, Japão/EUA, 1995), de Mamoru Oshii
91 - Adeus, Lênin! (Good Bye Lenin!, Alemanha, 2003), de Wolfgang Becker
90 - Rififi (Du rififi chez les hommes, França, 1955), de Jules Dassin
89 - Os Amores de uma Loira (Lásky jedné plavovlásky, Tchecoslováquia, 1965), de Milos Forman
88 - Cowboys de Leningrado Vão para a América (Leningrad Cowboys Go America, Finlândia/Suécia, 1989), de Aki Kaurismäki
87 - Andrei Rublev (Andrey Rublyov, URSS, 1966), de Andrei Tarkovsky
86 - Corra Lola, Corra (Lola rennt, Alemanha, 1998), de Tom Tykwer
85 - O Conformista (Il conformista, Itália/França/Alemanha, 1970), de Bernardo Bertolucci
84 - Orfeu (Orphée, França, 1950), de Jean Cocteau
83 - Xala (Sem título no Brasil, Senegal, 1975), de Ousmane Sembène
82 - Batalha Real (Batoru rowaiaru, Japão, 2000), de Kinji Fukasaku
81 - O Hospedeiro (Gwoemul, Coreia do Sul, 2006), de Bong Joon-ho
80 - Mãe Índia (Mother India, Índia, 1957), de Mehboob Khan
79 - Banda à Parte (Bande à part, França, 1964), de Jean-Luc Godard
78 - Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al borde de un ataque de nervios, Espanha, 1988), de Pedro Almodóvar
77 - O Clã das Adagas Voadoras (Shi mian mai fu, China/Hong Kong, 2004), de Zhang Yimou
76 - Os Idiotas (Idioterne, Dinamarca/Suécia/França/Holanda/ Itália, 1998), de Lars von Trier
75 - Acossado (À bout de souffle, França, 1960), de Jean-Luc Godard
74 - Devdas (Sem título no Brasil, Índia, 2002), de Sanjay Leela Bhansali
73 - Caché (Caché, França/Áustria/Alemanha/Itália/EUA, 2005), de Michael Haneke
72 - Dez Canoas (Ten Canoes, Austrália, 2006), de Rolf de Heer e Peter Djigirr
71 - Persona (Persona, Suécia, 1966), de Ingmar Bergman
70 - Fervura Máxima (Lat sau san taam, Hong Kong, 1992), de John Woo
69 - O Chamado (Ringu, Japão, 1998), de Hideo Nakata
68 - Solaris (Solyaris, URSS, 1972), de Andrei Tarkovsky
67 - O Silêncio do Lago (Spoorloos, Holanda/França, 1988), de George Sluizer
66 - O Tigre e o Dragão (Wo hu cang long, Taiwan/Hong Kong/ China/EUA, 2000), de Ang Lee
65 - Um Cão Andaluz (Un chien andalou, França, 1929), de Luis Buñuel
64 - Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, Alemanha/França, 1987), de Wim Wenders
63 - O Profeta (Un prophète, França/Itália, 2009), de Jacques Audiard
62 - Oito e Meio (8 1/2, Itália/França, 1963), de Federico Fellini
61 - A Faca na Água (Nóz w wodzie, Polônia, 1962), de Roman Polanski
60 - Jean de Florette (Jean de Florette, França/Suíça/Itália, 1986) e A Vingança de Manon (Manon des sources, Itália/França/Suíça, 1986), de Claude Berri
59 - Terra Natal (Heimat - Eine deutsche Chronik, Alemanha, 1984), de Edgar Reitz
58 - Persépolis (Persepolis, França/EUA, 2007), de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi
57 - Central do Brasil (Brasil/França, 1998), de Walter Salles
56 - A Bela da Tarde (Belle de jour, França/Itália, 1967), de Luis Buñuel
55 - Lagaan - Era uma Vez na Índia (Lagaan: Once Upon a Time in India, Índia, 2001), de Ashutosh Gowariker
54 - Festa de Família (Festen, Dinamarca/Suécia, 1998), de Thomas Vinterberg
53 - Tudo sobre Minha Mãe (Todo sobre mi madre, Espanha/ França, 1999), de Pedro Almodóvar
52 - Touki Bouki (Sem título no Brasil, Senegal, 1973), de Djibril Diop Mambéty
51 - Akira (Akira, Japão, 1988), de Katsuhiro Ôtomo
50 - Trens Estreitamente Vigiados (Ostre sledované vlaky, Tchecoslováquia, 1966), de Jirí Menzel
49 - As Férias do Sr. Hulot (Les vacances de Monsieur Hulot, França, 1953), de Jacques Tati
48 - A Queda! As Últimas Horas de Hitler (Der Untergang, Alemanha/Itália/Áustria, 2004), de Olivier Hirschbiegel
47 - Dez (Ten, França/Irã/EUA, 2002), de Abbas Kiarostami
46 - Jules e Jim (Jules et Jim, França, 1962), de François Truffaut
45 - Suspiria (Suspiria, Itália, 1977), de Dario Argento
44 - Viver (Ikiru, Japão, 1952), de Akira Kurosawa
43 - Cyrano de Bergerac (Cyrano de Bergerac, França, 1990), de Jean-Paul Rappeneau
42 - Amor à Flor da Pele (Fa yeung nin wa, Hong Kong/França, 2000), de Wong Kar Wai
41 - Meu Amigo Totoro (Tonari no Totoro, Japão, 1988), de Hayao Miyazaki
40 - A Aventura (L'avventura, Itália/França, 1960), de Michelangelo Antonioni
39 - O Samurai (Le samouraï, França, 1967), de Jean-Pierre Melville
38 - Cinzas e Diamantes (Popiól i diament, Polônia, 1958), de Andrzej Wajda
37 - Roma, Cidade Aberta (Roma, città aperta, Itália, 1945), de Roberto Rossellini
36 - Decálogo (Dekalog, Polônia, 1988 - Minissérie feita para a TV), de Krzysztof Kieslowski
35 - A Grande Ilusão (La grande illusion, França, 1937), de Jean Renoir
34 - Valsa com Bashir (Vals Im Bashir, Israel/França/Alemanha/ EUA/Finlândia/Suíça/Bélgica/Austrália, 2008), de Ari Folman
33 - M - O Vampiro de Düsseldorf (M, Alemanha, 1931), de Fritz Lang
32 - O Ódio (La haine, França, 1995), de Mathieu Kassovitz
31 - Godzilla (Gojira, Japão, 1954), de Ishirô Honda
30 - Conflitos Internos (Mou gaan dou, Hong Kong, 2002), de Alan Mak e Lau Wai-keung
29 - Os Incompreendidos (Les quatre cents coups, França, 1959), de François Truffaut
28 - Lanternas Vermelhas (Da hong deng long gao gao gua, China/Hong Kong/Taiwan, 1991), de Zhang Yimou
27 - Cinema Paradiso (Nuovo cinema Paradiso, Itália/França, 1988), de Giuseppe Tornatore
26 - A Bela e a Fera (La belle et la bête, França, 1946), de Jean Cocteau
25 - O Barco - Inferno no Mar (Das Boot, Alemanha, 1981), de Wolfgang Petersen
24 - Vá e Veja (Idi i smostri, URSS, 1985), de Elem Klimov
23 - O Espírito da Colmeia (El espíritu de la colmena, Espanha, 1973), de Victor Erice
22 - Rashomon (Rashômon, Japão, 1950), de Akira Kurosawa
21 - Nosferatu (Nosferatu, eine Synphonie des Grauens, Alemanha, 1922), de F. W. Murnau
20 - E Sua Mãe Também (Y tu mamá también, México, 2001), de Alfonso Cuarón
19 - Aguirre, a Cólera dos Deuses (Aguirre, der Zorn Gottes, Alemanha, 1972), de Werner Herzog
18 - Oldboy (Oldboy, Coreia do Sul, 2003), de Park Chan-wook
17 - Trilogia de Apu: A Canção da Estrada (Pather Panchali, Índia, 1955) / O Invencível (Aparajito, Índia, 1956) / O Mundo de Apu (Apur Sansar, Índia, 1959), de Satyajit Ray
16 - Era uma Vez em Tóquio ou Contos de Tóquio (Tôkyô monogatari, Japão, 1953), de Yasujiro Ozu
15 - Deixe Ela Entrar (Lat den rätte komma in, Suécia, 2008), de Tomas Alfredson
14 - Trilogia das Cores: A Liberdade É Azul (Trois couleurs: Bleu, França/Polônia/Suíça, 1993) / A Igualdade É Branca (Trzy kolory: Bialy, França/Polônia/Suíça, 1994) / A Fraternidade É Vermelha (Trois couleurs: Rouge, Polônia/França/Suíça, 1994), de Krzysztof Kieslowski
13 - A Regra do Jogo (La règle du jeu, França, 1939), de Jean Renoir
12 - Metrópolis (Metropolis, Alemanha, 1927), de Fritz Lang
11 - A Doce Vida (La dolce vita, Itália, 1960), de Federico Fellini
10 - A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, Japão, 2001), de Hayao Miyazaki
9 - O Salário do Medo (Le salaire de la peur, França, 1953), de Henri-Georges Clouzot
8 - O Sétimo Selo (Det sjunde inseglet, Suécia, 1957), de Ingmar Bergman
7 - Cidade de Deus (Brasil/França, 2002), de Fernando Meirelles
6 - A Batalha de Argel (La battaglia di Algeri, Itália/Argélia, 1966), de Gillo Pontecorvo
5 - O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno, Espanha/ México/EUA, 2006), de Guillermo del Toro
4 - Ladrões de Bicicletas (Ladri di biciclette, Itália, 1948), de Vittorio De Sica
3 - O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin, URSS, 1925), de Sergei Eisenstein
2 - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, França/Alemanha, 2001), de Jean-Pierre Jeunet
1 - Os Sete Samurais (Shichinin no samurai, Japão, 1954), de Akira Kurosawa.

14 de junho de 2010

FICA 2010: a relação dos premiados

O 12º FICA - Festival Internacional de Cinema e Video Ambiental, realizado em Goiás (GO), terminou no último domingo, 13 de junho.
A seguir, os principais premiados:
1 - Grande prêmio Cora Coralina (maior destaque): "Heavy Metal" (China)
2 - Troféu Carmo Bernardes (melhor longa-metragem): "Efeito Reciclagem" (Brasil-SP)
3 - Troféu Jesco Von Putkamer (média-metragem): "Caçando Capivara" (Brasil- MG)
4 - Troféu Acari Passos (curta-metragem): "Recife Frio" (Brasil-PE)
5 - Troféu José Petrillo (melhor produção goiana): "Sonho de Humanidade"
6 - Troféu João Bennio (melhor produção goiana): "Vida Seca"
7 - Troféu Gonzaga Soares (Júri Popular): "Bananas!" (Suécia)
8 - Troféu Imprensa: "Um Negócio Florescente".

9 de junho de 2010

Os melhores do cinema brasileiro de 2009

A premiação da Academia Brasileira de Cinema, em sua 9ª edição, aconteceu na última terça-feira, 9, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Os grandes vencedores foram É Proibido Fumar, com cinco prêmios, e Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, com quatro.
A seguir, a lista dos longa-metragens premiados:
1 - Melhor filme nacional (votação popular): Se Eu Fosse Vovê 2 (2009), de Daniel Filho

2 - Melhor filme estrangeiro (votação popular): Avatar (Avatar, 2009), de James Cameron
3 - Melhor filme de ficção: É Proibido Fumar (2009), de Anna Muylaert

4 - Melhor documentário: Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei (2009), de Calvito Leal, Cláudio Manoel e Micael Langer
5 - Melhor filme estrangeiro: Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009), de Quentin Tarantino
6 - Melhor filme infantil: O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes (2009), de Walbercy Ribas
7 - Melhor filme de animação: O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes
8 - Melhor diretor: Anna Muylaert, por É Proibido Fumar
9 - Melhor atriz: Lília Cabral, por Divã (2009)
10 - Melhor ator: Tony Ramos, por Se Eu Fosse Você 2
11 - Melhor atriz coadjuvante: Denise Weinberg, por Salve Geral (2009)
12 - Melhor ator coadjuvante: Chico Diaz, por O Contador de Histórias (2009)
13 - Melhor fotografia: Ricardo Della Rosa, por À Deriva (2009)
14 - Melhor direção de arte: Claudio Amaral Peixoto, por Besouro (2009)
15 - Melhores efeitos visuais: Marcelo Siqueira (???), por Besouro
16 - Melhor roteiro original: Anna Muylaert, por É Proibido Fumar

17 - Melhor roteiro adaptado: Bosco Brasil, por Tempos de Paz (2009)
18 - Melhor montagem (ficção): Paulo Sacramento, por É Proibido Fumar
19 - Melhor montagem (documentário): Karen Akerman e Pedro Durán, por Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei
20 - Melhor som: Denilson Campos e Paulo Ricardo Nunes, por Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei
21 - Melhor trilha musical (ficção): Marcio Nigro, por É Proibido Fumar
22 - Melhor trilha musical (documentário): Berna Ceppas, por Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei.

4 de junho de 2010

Era uma vez em 2 de junho de 2010

JOSEPH STRICK (86 anos, de causa não divulgada), diretor norte-americano do cinema independente...

O cineasta americano Jospeh Strick, recompensado em 1970 com o Oscar de melhor documentário com o filme "Interviews with My Lai Veterans", faleceu em 2 de junho, em Paris, aos 86 anos, anunciou esta sexta-feira sua família ao jornal francês Le Monde. Nascido em 1923 na Pensilvânia (EUA), Joseph Strick, uma das maiores personalidades do cinema independente americano, também era produtor e roteirista. Ex-cinegrafista da Força Aérea americana, participou da renovação do cinema independente com Morris Engel e John Cassavetes.

Jospeh Strick dirigiu seu primeiro filme, "The Balcony", em 1963, baseado em "O Balcão", de Jean Genet. Após ter sido recompensado com o Oscar, adaptou para o cinema "O trópico de Câncer", de Henry Miller. O cineasta também foi um próspero homem de negócios, fundando várias empresas após ter depositado a patente de uma invenção sua, um simulador de movimentos para os parques de diversão.
(Fonte: UOL Entretenimento)

Era uma vez em 31 de maio de 2010

WLLIAM A. FRAKER (86 anos, de câncer), cinegrafista e diretor norte-americano responsável pela fotografia de mais de 40 filmes, dentre os quais se destacam O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby, 1968), Bullitt (Bullit, 1968), Jogos de Guerra (WarGames, 1983), Um Novato na Máfia (The Freshman, 1990) e Tombstone - A Justiça Está Chegando (Tombstone, 1993); dos três filmes que dirigiu o melhor é o faroeste existencialista Um Homem Difícil de Matar (Monte Walsh, 1970), com Lee Marvin e Jeanne Moreau. Em 2000, recebeu da Sociedade Americana de Cinegrafistas um prêmio especial pela carreira. Nasceu William Ashman Fraker em 29 de setembro de 1923, em Los Angeles. Seu filho William A. Fraker Jr. (1960-1992) tentou seguir seus passos, trabalhando como assistente de câmera em três filmes.

30 de maio de 2010

40 filmes obscuros, esquecidos e não amados

O saite Cinematical.com devulgou a lista que Iain Stott postou em seu blog, com 40 filmes considerados "obscure, forgotten and unloved" (obscuros, esquecidos e não amados). Nela não figura um único filme brasileiro ou latino-americano. É mais uma evidência de que os nossos filmes são desconhecidos além-fronteiras.
Eis a lista completa:
1 – O Homem que Luta Só (Ride Lonesome, EUA, 1959), de Budd Boetticher
2 – A Cruz dos Anos (Make the Way for Tomorrow, EUA, 1937), de Leo McCarey
3 – Vida e Nada Mais (Zendegi va digar hich, Irã, 1991), de Abbas Kiarostami
4 – Jeanne Dielman, 23 Quai du Commerce, 1080 Bruxelles (Sem título no Brasil, Bélgica/França, 1975), de Chantal Akerman
5 – Na Teia do Destino (The Reckless Moment, EUA, 1949), de Max Ophüls
6 – O Crime do Sr. Lange (Le crime de Monsieur Lange, França, 1936), de Jean Renoir
7 – Vozes Distantes (Distant Voices, Still Lives, Reino Unido, 1988), de Terence Davis
8 – Almas Maculadas (The Tarnished Angels, EUA, 1958), de Douglas Sirk
9 – Síndromes e um Século (Sang sattawat, Tailândia/França/Áustria, 2006), de Apichatpong Weerasethakul
10 – De Punhos Cerrados (I pugni in tasca, Itália, 1965), de Marco Bellocchio
11 – Edvard Munch (Feito para a TV e sem título no Brasil, Suécia/Noruega, 1974), de Peter Watkins
12 – Amantes (Love Streams, EUA, 1984), de John Cassavetes
13 – Lola, a Flor Proibida (Lola, Itália/França, 1961), de Jacques Demy
14 – O Posto (Il posto, Itália, 1961), de Ermanno Olmi
15 – O Pão Nosso (Our Daily Bread, EUA, 1934), de King Vidor
16 – As Duas Faces da Felicidade (Le bonheur, França, 1965), de Agnès Varda
17 – Sétimo Céu (7th Heaven, EUA, 1927), de Frank Borzage
18 – Mulheres Fáceis (Les bonnes femmes, França/ Itália, 1960), de Claude Chabrol
19 – O Vermelho e o Branco (Csilagosok, katonák, Hungria/União Soviética, 1967), de Miklós Jancsó
20 – O Prazer (Le plaisir, França, 1952), de Max Ophüls
21 – Quando a Mulher Sobe a Escada (Onna ga kaidan wo agaru toki, Japão, 1960), de Mikio Naruse
22 – Lembra-te Daquela Noite? (Remember the Night, EUA, 1940), de Mitchell Leisen
23 – Um Brilhante Dia de Verão (Gu ling jie shao nian sha ren shi jian, Taiwan, 1991), de Edward Yang
24 – Cidade da Tristeza (Bei qing cheng shi, Hong Kong/Taiwan, 1989), de Hou Hsiao-hsien
25 – Menschen am Sonntag (Sem título no Brasil, Alemanha, 1930), de Robert Siomak, Fred Zinnemann e outros
26 – O Homem de Aran ou Os Pescadores de Aran (Man of Aran, Reino Unido, 1934), de Robert J. Flaherty
27 – A Mãe (Mat, União Soviética, 1926), Vsevolod Pudovkin
28 – Espiões (Spione, Alemanha, 1928), de Fritz Lang
29 – Um Romance Moderno (Modern Romance, EUA, 1981), de Albert Brooks
30 – Estranho Acidente ou Acidente Estranho (Accident, Reino Unido, 1967), de Joseph Losey
31 – Jazz on a Summer’s Day (Sem título no Brasil, EUA, 1960), de Aram Avakian e Bert Stern
32 – Eu Te Amo, Eu Te Amo (Je t’aime, je t’aime, França, 1968), de Alain Resnais
33 – O Testamento de Deus (Stars in My Crown, EUA, 1950), de Jacques Tourneur
34 – Crescei e Multiplicai-vos (The Pumpkin Eater, Reino Unido, 1964), de Jack Clayton
35 – Os Contos de Hoffman (The Tales of Hoffman, 1951), de Michael Powell e Emeric Pressburger
36 – Dia de Outono (Akibiyori, Japão, 1960), de Yasujiro Ozu
37 – O Diabo Provavelmente (Le diable probablement, França, 1977), de Robert Bresson
38 – A Queda da Casa de Usher (La chute de la maison Usher, França/EUA, 1928), de Jean Epstein
39 – A Cadela (La chienne, França, 1931), de Jean Renoir
40 – Providence (Providence, França/Suíça, 1977), de Alain Resnais.

29 de maio de 2010

Era uma vez em 29 de maio de 2010

DENNIS HOPPER (74 anos, de câncer de próstata), ator e diretor norte-americano.

O nome de Dennis Hopper estará sempre associado ao filme Sem Destino, que ele dirigiu e protagonizou ao lado de Peter Fonda. Seu papel no filme, como um drogado agressivo e provocador, tem semelhança com seu jeito de ser na realidade. Essa confusão entre criador e criatura se repete em vários outros filmes. Ele quase sempre esteve envolvido com drogas, legais e ilegais. Na velhice, sem arrependimento, admitiu que poderia ter morrido umas dez vezes e que sobreviveu por milagre.

Sua estreia no cinema se deu em Juventude Transviada (1955), cujo título original, Rebel Without a Cause, significa "rebelde sem causa". Já começou do lado do mal, integrando uma gangue de delinquentes. O título do filme não poderia ser mais adequado, porque, tanto no cinema quanto na vida, ele foi um rebelde sem causa.

Devido ao temperamento difícil, sua carreira no cinema quase nem principiou. Quando pedia emprego na MGM, o magnata Louis B. Mayer menosprezou seu interesse por papéis shakespearianos. Ele retrucou no mesmo tom e foi despachado na hora. Por sorte, a Warner Bros. lhe deu uma oportunidade e ele não a desperdiçou.

No clássico de George Stevens Assim Caminha a Humanidade (1956), ele faz o filho do casal Rock Hudson e Elizabeth Taylor. Não é do mal, uma exceção rara, aliás, mas se rebela contra o projeto do pai de tê-lo como seu sucessor na criação de gado. Prefere ser médico, casar-se com a filha de imigrantes mexicanos e brigar para defendê-la das ofensas de brancos preconceituosos. No cinema, foi a sua única causa nobre.

Hopper atuou em vários faroestes, sempre do lado contrário à lei. Assim foi em Sem Lei e sem Alma (1957), Os Filhos de Katie Elder (1965), A Marca da Forca (1968) e Bravura Indômita (1969), e em todos teve morte violenta. Conta-se que durante as filmagens de Bravura Indômita, na Paramount, John Wayne perdeu as estribeiras com as suas provocações, pegou uma arma com balas de verdade e saiu à caça dele pelo estúdio. Ele se escondeu no camarim de um companheiro de elenco e lá permaneceu até Wayne se acalmar.

No ápice da carreira, com o sucesso de Sem Destino (1969), ele se envolveu com drogas pesadas, mergulhando na fase mais sombria de sua vida. O título do filme que dirigiu em seguida, um fracasso de público e crítica, era meio profético: The Last Movie (O Último Filme). A partir daí Hollywood o ignorou por anos a fio, o que o levou a tentar a sorte na Europa. Participou de produções de vários países, mas o único filme do período que não merece ser esquecido é O Amigo Americano (1977), de Wim Wenders.

Sua carreira só voltou aos trilhos após Apocalypse Now (1979), obra-prima de Francis Ford Coppola, em que faz um fotógrafo drogado, outro papel que lhe calhou bem. Coincidentemente, foi quando resolveu pedir ajuda contra as drogas e internar-se para desintoxicação. Depois vieram as elogiadas atuações em O Selvagem da Motocicleta (1983) e Veludo Azul (1986), além de dois novos trabalhos de direção, Anos de Rebeldia (1980) e Cores da Violência (1988).

O Selvagem da Motocicleta, também de Coppola, recicla os filmes de gangues de jovens dos anos 1950, com altas doses de estilização, trocando a inocência de outrora por drogas e orgia. É a história de um jovem que idolatra o irmão mais velho, motoqueiro transformado em figura mítica. Mais uma vez escalado apropriadamente, Hopper é o pai alcoólico de ambos.

Veludo Azul, obra-prima de David Lynch, trata das perversões que se escondem sob a fachada da vida dita normal. Frank Booth, a personagem que Hopper interpreta, é a sua cara, conforme ele mesmo disse ao diretor, assim que leu o roteiro: "David, você tem de me deixar interpretar Frank, porque eu sou Frank". Ele entendia mesmo de perversões, pois foi o papel que mais lhe rendeu reconhecimento.

Além de ator e diretor, Hopper era também pintor e fotógrafo. Seus quadros e fotografias foram expostos em galerias dentro e fora dos Estados Unidos. Chegou a publicar um livro de fotos nos anos 1980, que incluía cliques de várias estrelas de cinema. E era ainda colecionador de arte moderna, considerado um dos mais importantes do seu país.

Mesmo não tendo conquistado o status de estrela, em 1997 ele obteve o 87º lugar no ranking das cem maiores estrelas de cinema de todos os tempos da revista britânica Empire. E, recentemente, ganhou uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood.

Hopper morreu no dia 29 de maio, aos 74 anos, deixando viúva a atriz Victoria Duffy. Casou-se cinco vezes e teve quatro filhos, entre eles o ator Henry Hooper e a atriz Ruthanna Hopper. Sua filmografia conta mais de cem títulos como ator e oito como diretor.

Para fazer-lhe um julgamento justo, talvez seja conveniente separar o homem Dennis Hopper da sua obra. Como no clássico dilema entre o cantor e a canção, no seu caso o que importa é a canção, não o cantor. Como pessoa, não resta dúvida de que era uma encrenca ambulante. Como ator, porém, tinha inegável talento para representar tipos fora-da-lei.

Quanto à sua vida dissoluta, ele teve tempo de sobra, corroído por um câncer desde 2002, para se penitenciar dos pecados. Que sua alma possa, finalmente, ter paz.
(Foto: http://www.bikemenu.com/)

23 de maio de 2010

Era uma vez em 2 de maio de 2010

LYNN REDGRAVE (67 anos, de câncer no seio), atriz britânica pertencente a uma tradicional família de atores; atuou em quase 40 filmes, mas poucos memoráveis como As Aventuras de Tom Jones (Tom Jones, 1963), Georgy, a Feiticeira (Georgy Girl, 1966), que lhe valeu o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante, Shine - Brilhante (Shine, 1996) e Deuses e Monstros (Gods and Monsters, 1998), que lhe deu três prêmios de melhor atriz, inclusive o Globo de Ouro. Nasceu Lynn Rachel Redgrave em 8 de março de 1943, em Londres. Era divorciada do ator John Clark, com quem teve três filhos.

Cannes 2010: a lista dos premiados

A 63ª edição do Festival de Cannes, que terminou hoje, 23, deu a Palma de Ouro a filme tailandês que dividiu a opinião da crítica. Veja, a seguir, a relação dos premiados:
1 - Melhor filme (Palma de Ouro): Tio Boonmee, que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (Loong Boonmee raleuk chat, Reino Unido/Tailândia/França/ Alemanha/Espanha, 2010), de Apichatpong Weerasethakul
2 - Grande Prêmio do Júri: Dos Homens e dos Deuses (Des hommes e des dieux, França, 2010), de Xavier Beauvois
3 - Melhor ator: Javier Bardem, por Biutiful (Espanha/México, 2010), e Elio Germano, por La nostra vita (Itália/França, 2010)

4 - Melhor atriz: Juliette Binoche, por Cópia Fiel (Copie conforme, França/Itália/Irã, 2010)
5 - Melhor diretor: Mathieu Amalric, por Tournée (França, 2010)
6 - Melhor roteiro: Lee Chang-dong, por Poesia (Shi, Coreia do Sul, 2010)
7 - Prêmio Câmera de Ouro: Ano Bissexto (Año bisiesto, México, 2010), de Michael Rowe
8 - Prêmio do Júri: Um Homem que Grita (Un homme qui crie, França/Bélgica/Chade, 2010), de Mahamat -Saleh Haroun
9 - Prêmio do Júri Ecumênico: Dos Homens e dos Deuses
10 - Prêmio Fipresci: Todos Vós Sois Capitães (Todos vós sodes capitáns, Marrocos/Espanha, 2010), de Oliver Laxe
11 - Prêmio "Um Certo Olhar": Hahaha (Coreia do Sul, 2010), de Hong Sang-soo

12 - Prêmio do Júri de "Um Certo Olhar": Outubro (Octubre, Peru, 2010), de Daniel e Diego Vega
13 - Prêmio Palme Queer (melhor filme gay): Kaboom (EUA/França, 2010), de Gregg Araki.

18 de maio de 2010

Era uma vez em 18 de maio de 2010

MARCOS CESANA (44 anos, de complicações decorrentes da ruptura de aneurisma cerebral), ator e roteirista brasileiro que atuou em apenas cinco filmes, entre os quais Bicho de Sete Cabeças (2001), Chega de Saudade (2007) e Lula, o Filho do Brasil (2009); seu roteiro para Olho de Boi (2008) conquistou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Gramado.

(Foto: Divulgação)

Era uma vez em 9 de maio de 2010

LENA HORNE (92 anos, de causa não divulgada), cantora e atriz norte-americana que atuou em apenas sete filmes, entre eles os musicais Uma Cabana no Céu (Cabin in the Sky, 1943), Tempestade de Ritmos (Stormy Wheather, 1943) e Viva a Folia (Broadway Rhythm, 1944), e o faroeste Só Matando (Death of a Gunfighter, 1969); apareceu ainda em outros nove musicais como ela mesma, cantando, a exemplo de A Filha do Comandante (Thousands Cheer, 1943), Minha Vida É uma Canção (Words and Music, 1948) e Viva Las Vegas (Meet Me in Las Vegas, 1956). Ganhou duas estrelas na Calçada da Fama, uma pela música e a outra pelo cinema.


Dados biográficos: Lena Mary Calhoun Horne nasceu em 30 de junho de 1917, em Nova York. Teve participação relevante na luta pelos direitos civis dos negros nos anos 1960. Ganhou um Tony especial, o mais importante prêmio do teatro norte-americano, em 1982. Foi sogra do cineasta Sidney Lumet. Era viúva do compositor Lennie Hayton (1908-1971), seu segundo marido, e avó da atriz Jenny Lumet. Tinha dois filhos do primeiro casamento.

30 de abril de 2010

Recesso no blog

O scriptwriter desde blog resolveu tirar férias. Vai passar algumas semanas além fronteiras para dar uma arejada nas ideias. Até breve!

'Invictus' - uma jogada de mestre

A África do Sul, em 1994, quando Nelson Mandela foi eleito presidente, era um país dividido, com duas bandeiras e dois hinos nacionais. De um lado, os africânderes, minoria branca responsável por décadas de regime segregacionista, o apartheid; de outro, a população negra despossuída e à qual se negavam direitos elementares de cidadania.

Mesmo tendo amargado 27 anos de cárcere, Mandela descartou o revanchismo em favor da reconciliação nacional. E arquitetou uma jogada de mestre: usar a Copa do Mundo de Rúgbi de 1995, cujo país-sede seria a própria África do Sul, para promover a pacificação entre negros e brancos e consolidar a multirracialidade no país.

O filme Invictus (2009), de Clint Eastwood, dramatiza as etapas mais emocionantes dessa história, da posse de Mandela na presidência ao término da Copa, com ênfase no time de rúgbi mais importante do país, o Springbok, com apenas um jogador negro.

Num preâmbulo, quatro anos antes da eleição de Mandela, o filme apresenta a seguinte situação: Isolados por uma sólida cerca de ferro, atletas brancos e robustos treinam o rúgbi com seu uniforme vistoso; do outro lado da rua, detrás de uma tela frágil, garotos negros mal nutridos correm atrás de uma bola de futebol. De repente passa entre os dois grupos o cortejo de carros que conduz Mandela para a liberdade. Os garotos correm para saudá-lo aos gritos, enquanto os atletas brancos remoem seus temores em silêncio.

O filme se abre, portanto, com uma interrogação acerca da ação vindoura de Mandela: Contribuir para derrubar a cerca que separa os brancos dos negros, ou aumentar o afastamento entre eles? Os dois lados nada têm em comum, nem ao menos o interesse pelo mesmo esporte. Uma vez eleito, porém, Mandela olhará para o futuro a fim de virar a página do apartheid.

O primeiro embate racial ocorre quando ele compõe a sua guarda pessoal, misturando negros e brancos. Forçados a atuarem em conjunto, os dois grupos seguem como água e óleo, separados pela desconfiança recíproca. O que se vê nesse microcosmo repete-se no país inteiro.

Por ser o rúgbi um esporte dos africânderes, os negros não se interessam por ele e, por conseguinte, desconhecem suas regras. Mandela cria o programa “Um time, um país” para que os atletas ensinem os estudantes das favelas a praticá-lo. Os atletas reagem negativamente a princípio, mas acabam fazendo sua parte para atrair os jovens. E o rúgbi começa a promover a coesão social, a cimentar a nova nação idealizada por Mandela.

Na Copa, porém, o sucesso do time sul-africano é mais que duvidoso. Mandela, com seu histórico de perseverança e superação nos longos anos de prisão, inspirado por um ideal e um poema, recusa-se a dar a guerra por perdida antes da batalha e faz o que pode para que o Springbok seja o campeão.

Para motivar ainda mais o capitão do time, Mandela dá-lhe uma cópia do poema Invictus, que lhe serviu de inspiração nos tempos de cárcere. Escrito pelo inglês William Ernest Henley, o poema tem um fecho poderoso: “Sou o senhor do meu destino, o comandante da minha alma”.

Eastwood aproveita-se do clima de instabilidade política para criar dois momentos de grande suspense, com reversão de expectativa. No primeiro caso, quando Mandela faz sua caminhada matinal por ruas desertas, a alternância de planos que o mostram andando com os guarda-costas e de planos de um carro em movimento, sobre o qual não se tem a mínima informação, sugere a possibilidade de atentado terrorista.

No segundo caso, um homem branco surge do nada para estudar o estádio da partida final, ora examinando-o de dentro, ora espreitando-o a distância com binóculo. Na hora do jogo, um avião se aproxima perigosamente do estádio, e o homem reaparece dentro dele como piloto. O assombro que domina o estádio e agita os seguranças de Mandela produz arrepios no espectador.

Há momentos no filme que são quase mágicos, como as cenas em que se dá a interação entre brancos e negros, tornando viável o plano de Mandela. Em tais momentos, entra a música sul-africana, com sua alegria e ritmo contagiante – e a emoção dispara. Esse é, aliás, o filme mais emocionante de Clint Eastwood, que nunca apela para truques baratos ou melodramáticos. E tudo conduz para o grande clímax, quando os torcedores vibram na mesma intensidade, independentemente da cor da pele.


Aos mais vividos é quase impossível ver Invictus sem se lembrar de algum filme de John Ford. Como Audazes e Malditos, por exemplo, no qual um sargento negro da cavalaria, acusado por crimes que não cometeu, tem suas qualidades morais destacadas em cenas revividas por testemunhos no tribunal. Ford, como poucos, sabia injetar emoção nos momentos certos e sem apelação.

Histórias edificantes, como a de Invictus, eram uma das especialidades de John Ford. Pode-se até imaginar Eastwood se perguntando, ao ler o roteiro: Como Mr. Ford, se vivo estivesse, faria este filme? Embora discípulo confesso de Sergio Leone e Don Siegel, aos quais dedicou Os Imperdoáveis, a influência de Ford sobre ele é mais que natural, até porque o seu filme predileto é uma obra-prima do gigante irlandês, Como Era Verde Meu Vale.

Renovador da principal corrente do cinema norte-americano, Clint Eastwood conquistou admiração e respeito mundo afora. É preciso reconhecer: ele é quase tão bom quanto John Ford.

(Foto: http://www.cinemaeafins.com/)
(Texto publicado pelo semanário Jornal Opção, edição de 21 a 27 de fevereiro de 2010, e pelo saite Revista Bula.)

Era uma vez em 25 de abril de 2010

DOROTHY PROVINE (75 anos, de enfisema pulmonar), atriz norte-americana que atuou em apenas uma dúzia de filmes, em pouco mais de dez anos de carreira, mas deixou sua marca de comediante em três filmes memoráveis: Deu a Louca no Mundo (It's a Mad Mad Mad Mad World, 1963), como a mulher de Milton Berle, Um Amor de Vizinho (Good Neighbor Sam, 1964), como a mulher de Jack Lemmon, e A Corrida do Século (The Great Race, 1965), como a cantora Lily Olay. Estava aposentada desde 1969, após se casar com o diretor Robert Day, agora viúvo, com quem teve um filho. Nasceu Michele Dorothy Provine em 20 de janeiro de 1935, em Deadwood, Dakota do Sul.
(Foto: http://www.connect.in.com/)

28 de abril de 2010

Era uma vez em 28 de abril de 2010

FURIO SCARPELLI (90 anos, de insuficiência cardíaca), roteirista italiano que se manteve em atividade durante meio século; participou da fase áurea da comédia italiana, a partir dos anos 1950, escrevendo para diretores do porte de Mario Monicelli, Os Eternos Desconhecidos (I soliti ignoti, 1958), O Incrível Exército de Brancaleone (L'armata Brancaleone, 1966); Alberto Lattuada, O Mafioso (Mafioso, 1962); Pietro Germi, Seduzida e Abandonada (Sedotta e abbandonata, 1964); Sergio Leone, Três Homens em Conflito (Il buono, il brutto, il cattivo, 1966); Dino Risi, Este Crime Chamado Justiça (In nome del popolo italiano, 1971); Ettore Scola, Nós Que Nos Amávamos Tanto (C'eravamo tanto amati, 1974), O Baile (Le bal, 1983). Nasceu em 16 de dezembro de 1919, em Roma. Deixou viúva e dois filhos.

22 de abril de 2010

Vera Cruz de volta com filme sobre seu passado glorioso

Afinal, uma boa notícia para o cinema brasileiro. A Companhia Cinematográfica Vera Cruz, que não produzia filmes há 33 anos, anunciou seu retorno às atividades. O filme LB Persona contará a história da produção daquela que foi a obra mais importante da Vera Cruz, O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto.

LB Persona vai combinar linguagem documental com imagens ficcionais, e será dirigido por Galileu Garcia, que foi assistente de direção de LB em O Cangaceiro. E LB será vivido pelo ator Milton Levy.
Além de ganhar vários prêmios internacionais, O Cangaceiro ainda mantém a glória de ser o filme brasileiro mais visto fora do Brasil em todos os tempos.
O último filme realizado nos estúdios da Vera Cruz, que ficam em São Bernardo do Campo (SP), foi Paixão e Sombras (1977), de Walter Hugo Khouri.

20 de abril de 2010

Era uma vez em 17 de abril de 2010

DEDE ALLEN (86 anos, de derrame cerebral), montadora norte-americana, considerada uma das mais criativas de Hollywood; seu talento está evidenciado em filmes como Marcado pela Sarjeta (The Hustler, 1961), Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas (Bonnie and Clyde, 1967), Serpico (Serpico, 1973), Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon, 1975), que lhe valeu o prêmio BAFTA de melhor montagem, Duelo de Gigantes (The Missouri Breaks, 1976), Reds (Reds, 1981) e Garotos Incríveis (Wonder Boys, 2000). Recebeu vários prêmios pela carreira, inclusive o do sindicato de montadores de Hollywood.


Dados biográficos: Dorothea Corothers Allen nasceu em 3 de dezembro de 1923, em Cleveland, Ohio. Era mãe do mixador de som Tom Fleishman, frequentemente creditado nos filmes de Martin Scorsese.