1 de outubro de 2011

'Os malefícios da dublagem', por Pablo Villaça

Quem vai ao cinema já notou o significativo aumento do número de cópias dubladas dos filmes. Pelo prejuízo que a dublagem acarreta à fruição estética de um filme, a novidade vem causando profundo desagrado nos amantes da sétima arte. Eu mesmo me recuso a ver filmes dublados. Deixei de ver "Planeta dos Macacos: A Origem", por exemplo, porque as poucas cópias com som original e legendadas só estavam passando nos cinemas que frequento em sessões noturnas, quando não vou ao cinema. Mas logo, logo o filme estará no mercado em DVD ou Blu-ray e eu poderei vê-lo como me convém.
Por isso, gostei muito do texto "Os malefícios da dublagem", que Pablo Villaça publicou no dia 30 de agosto de 2011, em seu blogue Diário de Bordo. Concordo inteiramente com seus argumentos, embora ele tenha aqui e ali se excedido um pouco na linguagem (ele mesmo o reconheceu e fez o registro de sua reconsideração), coisa que não diminui em nada a força de seus argumentos.
Para conhecimento dos nossos leitores, transcrevemos integralmente o texto de Pablo Villaça, esperando que ele não se sinta prejudicado com o nosso empréstimo. De todo modo, nos comprometemos a deletar esta postagem em caso de reclamação.

"Na última sexta-feira, O Planeta dos Macacos: A Origem chegou aos cinemas brasileiros com um anúncio preocupante feito pela Fox: o filme seria lançado com mais cópias dubladas do que legendadas em nossas salas. Reparem que estamos falando de um longa com classificação indicativa '12 anos' e que, portanto, esta decisão nada tem a ver com o conceito de torná-lo 'acessível' aos espectadores mais jovens. Não, a ideia era atender a um público adulto que rechaça legendas - não por problemas físicos (falarei disto adiante), mas por simples preguiça de ler. Sim, os defensores da dublagem usam argumentos dos mais diversos (que contestarei abaixo), mas, no fundo, a questão é uma só: preferem a comodidade de assistir a um filme que não os obrigue a praticar o que aprenderam na alfabetização. Afinal, se já fugiram das bibliotecas, por que deveriam ser encurralados por letras nas salas de cinema?

"Obviamente que os dublófilos não assumem isto, mas, pessoalmente, jamais encontrei alguém que tivesse o hábito da leitura e reclamasse de legendas. Assim, perceber que são estes espectadores medíocres e preguiçosos que estão sendo levados em consideração pelas distribuidoras, passando a moldar a experiência cinematográfica de todos aqueles que de fato amam esta Arte, é algo que me revolta absurdamente. Especialmente quando observo que, em sua defesa, apresentam os mais estapafúrdios argumentos - e antes de explicar por que a dublagem é nociva aos filmes, irei me deter nas 'defesas' apresentadas por este contingente pró-mutilação.

"1) E quem não sabe ler? Não tem direito de ir ao cinema?

"Além de estúpido, este é um argumento repleto de cinismo, usando a população analfabeta do país como desculpa para defender sua própria preguiça de ler. Aqui a questão é simples: seja por questões culturais, sociais ou simplesmente econômicas (quem não sabe ler geralmente não tem o melhor dos salários), arrisco-me a dizer que menos de 0,01% daqueles que vão às salas de cinema são analfabetos. Justificar a necessidade de dublagem em filmes exibidos nas telonas através do argumento da 'acessibilidade' é uma besteira - e mesmo que um grupo significativo de iletrados tivesse o hábito de conferir os lançamentos da semana, isto não justificaria a desproporcionalidade crescente entre cópias dubladas e legendadas.

"O fato é que pessoas sem educação formal têm acesso aos filmes normalmente pela TV aberta - onde 100% das produções são dubladas. Assim, é justo dizer que esta parcela da população já está sendo mais do que atendida - especialmente considerando que praticamente todos os lançamentos em DVD já vêm com a opção da dublagem (e a palavra-chave aqui é 'opção'). Considerando que estas são as formas economicamente mais acessíveis de se assistir a filmes de todas as épocas, gêneros e países, é incontestável que a população analfabeta (seja este analfabetismo real ou funcional) não está sendo excluída do acesso à Sétima Arte - e eu, como amante do Cinema, jamais defenderia que isto ocorresse.

"2) E os deficientes visuais? Não podem ir ao cinema?

"Claro que podem. Mas, novamente, não creio ser justo que uma minoria absoluta seja responsável por moldar a maneira com que a maioria irá experimentar os filmes. Além disso, há duas questões complexas relacionadas ao tema: em primeiro lugar, há o fato óbvio de que Cinema é uma mídia visual. Há ótimos projetos de áudio-descrição em vigor, mas estes envolvem salas específicas em sessões específicas - exatamente como deveriam ser. Sim, ainda têm pouco alcance, apoio e divulgação, mas a saída não é a dublagem - ao contrário, já que esta não resolve a questão fundamental de explicar ao espectador cego o que está ocorrendo na tela. Neste sentido, aliás, a simples dublagem é um obstáculo para os deficientes visuais, já que as distribuidoras podem alegar que já atendem a esta comunidade através do áudio em português, deixando de investir na produção de trilhas de áudio-descrição.

"Há, também, o fato de que a experiência de ir ao Cinema é única justamente em função do mergulho sensorial oferecido pela sala - e, neste, o mais importante reside justamente no tamanho da tela e da imagem. Ora, para o deficiente visual, este é um fator nulo por definição, o que torna curiosa a insistência daqueles que os usam como desculpa para a dublagem. Por outro lado, os mesmos que defendem ferrenhamente o acesso dos deficientes visuais acabam ignorando sem dó alguma uma outra parcela importante da população: os deficientes auditivos. Na última semana, não por coincidência, recebemos email de uma leitora surda que reclamava justamente da oferta cada vez menor de cópias legendadas que permitiam sua ida às salas de exibição - sendo que, pela própria natureza do Cinema, faz infinitamente mais sentido facilitar o acesso dos deficientes auditivos aos filmes em tela grande do que o dos deficientes visuais. Sim, seria ótimo se todos pudessem ser atendidos - mas, repito, a solução para os deficientes visuais reside não na dublagem, mas na audio-descrição.

"3) Pobrezinhos dos dubladores! Você quer tomar o ganha-pão da categoria? Além disso, temos os melhores dubladores do mundo!

"Jamais questionei a competência de nossos dubladores - ao contrário: em várias ocasiões, afirmei que temos, sim, alguns dos melhores profissionais do ramo. Além disso, em vários textos elogiei os trabalhos de figuras como Guilherme Briggs e Garcia Junior, chegando até mesmo a publicar um texto defendendo a reserva de mercado para os profissionais do ramo, que vêm perdendo papéis para 'celebridades' de maneira vergonhosa. Porém, por mais que reconheça o talento destes profissionais, há algo que, por melhor que sejam, eles jamais conseguirão contornar: o fato de que a dublagem, por natureza, distorce, deforma e prejudica a obra de arte original - especialmente tratando-se de longas envolvendo atores de carne-e-osso (explicarei as razões a seguir).

"Além disso, não se preocupem com os dubladores: o que não falta a eles é trabalho. Séries de tevê, animações (para cinema e televisão) e praticamente todas as produções lançadas em home video contam com suas versões dubladas - e jamais me coloquei contra a opção de que estas trilhas em português façam parte dos discos. Aliás, o que ocorre é justamente o contrário: como um número cada vez maior de projetos vem recebendo versões dubladas, o que ocorre é uma verdadeira enxurrada de trabalhos, obrigando os estúdios de dublagem a se desdobrarem para atender a demanda - o que resulta em uma qualidade cada vez mais duvidosa das trilhas em português.

"Aliás, aproveito para reafirmar o cinismo daqueles que defendem a dublagem usando a desculpa do 'mercado de trabalho dos dubladores': por que não se manifestam com relação aos salários dos professores? Ou dos médicos da rede pública? Ou dos garis? Vocês realmente acham que convencem alguém com este falso altruísmo? Menos hipocrisia, por favor.

"4) As legendas 'atrapalham' o filme.

"Deixei este 'argumento' por último por considerá-lo o mais estúpido de todos. Em primeiro lugar, o óbvio: então as legendas atrapalham a apreciação do filme, mas ouvir uma voz completamente diferente da original e em absoluta falta de sincronia com os movimentos labiais é algo que não incomoda? Mesmo? Há quem realmente seja capaz de alegar que a legenda seja uma distração maior do que a dublagem, do que ouvir, sei lá, o Bruce Willis falando com sotaque paulista e dizendo 'Pombas!'?

"Sinceramente, eu poderia encerrar por aqui, mas irei além: só se atrapalha com a legenda quem não tem o hábito da leitura. (Antes que alguém cite os deficientes visuais: ler item 2.) Meu filho Luca, que tem apenas oito anos de idade, já vem assistindo a filmes legendados há pelo menos um ano - e com cada vez mais naturalidade e facilidade. Assistiu a Harry Potter 7.2 nada menos do que quatro vezes nos cinemas e, em todas as ocasiões, em sua versão legendada - por opção. Também conferiu desta maneira O Planeta dos Macacos e uma infinidade de outros títulos em DVD e blu-ray - de Quanto Mais Quente Melhor a Banzé no Oeste, passando por Assassinato por Morte, Star Trek e a série Alien. E riu, sentiu medo e aproveitou cada filme ao máximo, sem se importar com as legendas.

"Aos oito anos de idade.

"Ora, sou um pai coruja como qualquer outro, mas jamais me atreveria a dizer que Luca tem superpoderes que o tornam mais apto a ler legendas do que espectadores com 15, 20, 30 ou 40 anos de idade.

"O mesmo vale para mim: não apenas leio as legendas como faço anotações durante os filmes - e qualquer um que leia meus textos será obrigado a reconhecer que, concordando ou não com o que escrevi, sou suficientemente capaz de absorver o que está na tela a ponto de citar exemplos específicos de movimentos de câmera, cortes, detalhes de fotografia, gestos de atores e assim por diante. E, sim, leio as legendas mesmo quando domino a língua original (se estiver assistindo a um filme brasileiro com legendas em português, não consigo evitar acompanhá-las).

"Assim, quando ouço/leio alguém dizer que as legendas 'atrapalham' a compreensão do filme ou a plena 'apreciação das imagens', imediatamente faço uma anotação mental e coloco a pessoa na prateleira daquelas que simplesmente não têm o hábito da leitura e que, por preguiça intelectual, querem obrigar todo o resto da população a abandonar as letras. Quer defender a dublagem? Ao menos use uma desculpa que não denuncie algo triste sobre seus hábitos culturais.

"Repito: oito anos de idade.

"No entanto, não sou simplesmente contra a dublagem; sou também entusiasmadamente a favor da manutenção da língua original nas produções de cada país. E por algumas razões fundamentais:

"1) A qualidade técnica:

"Faça um teste: ao assistir a um filme dublado que traga parte do áudio original (numa canção ou através de personagens que conversam numa língua diferente daquela usada pelo protagonista), feche os olhos e preste atenção no som. Percebeu a diferença? Claro que sim. Aliás, você teria percebido mesmo ao manter os olhos abertos, já que a disparidade é gigante.

"Isto se deve a uma questão técnica tão importante para o Cinema que a Academia criou uma categoria especial para premiá-la no Oscar: a da mixagem de som (ou Melhor Som).

"Cada filme envolve, em sua pós-produção, um trabalho árduo e extremamente detalhista de combinação das diversas trilhas que trazem os vários elementos sonoros da produção: os diálogos, os ruídos, as trilhas incidentais e instrumentais e até mesmo o som ambiente, do silêncio, de cada set. Esta mixagem requer um estudo delicadissimo do nível preciso de cada faixa em cada segundo de projeção - um trabalho que, nas versões dubladas, tem seu equilíbrio arruinado quando os estúdios brasileiros atiram uma destas faixas fora para substituí-la pela versão em português.

"Não acredita? Então coloque um DVD no seu player e repasse cenas inteiras em suas versões originais e brasileiras; se não perceber a diferença gritante da mixagem em cada uma delas, consulte urgentemente um otorrino.

"2) A suspensão da descrença:

"Já é suficientemente difícil, para o espectador, aceitar Ryan Reynolds como um patrulheiro espacial que, graças a um anel presenteado por um alienígena moribundo, torna-se capaz de viajar pelo universo e de criar objetos a partir de energia verde enquanto veste um collant digital. No entanto, somos capazes de comprar estes absurdos na maior parte do tempo graças a um contrato psicológico que firmamos com cada filme: o da suspensão da descrença. Basicamente, nos dispomos a aceitar os absurdos atirados em nossa direção a fim de que sejamos capazes de mergulhar na história - mas pedimos, em troca, que as produções mantenham seus artifícios intactos para que nada nos traga de volta à realidade durante a experiência.

"E é por isso, por exemplo, que somos imediatamente atirados para fora da narrativa quando vemos o boom (microfone) no alto da tela, já que este é o equivalente de receber um tapa no rosto e ouvir um grito de 'Isto é só um filme, idiota!'. (A propósito: em 99% das vezes que isto acontece, o erro é do projecionista; reclame com o gerente da sala para que a janela de projeção seja ajustada corretamente e o boom fique fora de quadro.)

"Agora imaginem ouvir Bill Murray abrindo a boca apenas para ouvirmos a voz de Wesley Snipes. Que é a mesma de Will Smith. Que é idêntica à de Kevin Spacey. Que também sai da garganta de Samuel L. Jackson. Que a divide com Danny Glover, Alfred Molina, Ed Harris e Denzel Washington. (No caso, todos dublados por Márcio Simões.) Ou o que dizer da experiência de ouvir Bruce Willis se comunicando com a mesma voz durante anos apenas para, subitamente, descobri-lo com um som completamente diferente a partir de 2006, quando seu dublador oficial (Newton da Matta) faleceu?

"Mais: confesso ter mais facilidade em aceitar Schwarzenegger matando 270 pessoas com um único tiro do que ouvi-lo soltando um 'Seu filho da mãe!', um 'Ora, bolas!' ou mesmo um 'Mermão' carioquíssimo enquanto pratica seu genocídio particular. Isto para não mencionar o fato óbvio de que as palavras que saem de sua boca são completamente destoantes de seus movimentos labiais, ressaltando de maneira inegável a irrealidade do que está ocorrendo na tela. Aliás, este é um 'detalhe' (e coloco entre aspas por ser tudo, menos um 'detalhe') tão importante que os animadores dedicam centenas de horas de trabalho cuidadoso à ilustração de cada fonema empregado pelos dubladores de seus personagens - justamente para que, mesmo acompanhando as aventuras de um panda ninja, não questionemos por que seus lábios não seguem os sons emitidos por sua boca.

"E a dublagem em outra língua diferente da original simplesmente mata este esforço e dificulta exponencialmente a tão importante suspensão da descrença.

"3) O trabalho do ator:

"Atuar é criar um personagem. Isto envolve um profundo trabalho de composição e estudo envolvendo meses de pesquisas, ensaios, laboratórios e tentativas para que o intérprete descubra não só a psicologia de seu personagem, mas também a maneira com que este se move, gesticula e... fala. Ouçam, por exemplo, o registro rígido, duro, da voz de Meryl Streep em Dúvida e comparem-no à leveza de sua expressão vocal em Mamma Mia! ou ao pedantismo escutado em O Diabo Veste Prada. Tentem dissociar o professor Snape da dicção venenosa, estudada, calculada, empregada por Alan Rickman na série Harry Potter. Percebam como Sean Penn, em Milk, exibe uma afetação milimetricamente estudada em seus diálogos, ocultando-a quando seu personagem quer passar uma imagem mais séria para a mídia e o eleitorado. Assista ao clímax de Coração Satânico e tente ignorar a rouquidão desesperada de Mickey Rourke.

"Agora ouça as versões dubladas e perceba a disparidade provocada pela diferença entre os meses dedicados pelos atores originais aos seus personagens e as poucas horas (se muito!) que os dubladores brasileiros tiveram para gravar seus diálogos.

"Se ainda assim você mantiver que a dublagem não deturpa a obra, então não precisa de um otorrino, mas de um psiquiatra.

"Aceitar a dublagem é aceitar pegar todo o trabalho de composição de um ator, selecionar uma parte fundamental deste e atirá-la fora, substituindo-a por um elemento criado sem estudo, sem cuidado e com pressa. É dizer que não há problema em se alterar as cores de Lição de Anatomia, de Rembrandt, ou de O Grito, de Munch, desde que os "desenhos" sejam mantidos na íntegra. Ora, nenhuma forma de arte seria submetida a uma deturpação destas - e perceber que algo assim é visto com naturalidade no Cinema é uma prova inconteste da persistente falta de prestígio e respeito que a Sétima Arte enfrenta desde seus primórdios.

"É por esta razão, também, que considero as dublagens de animações como algo um pouco mais fácil de aceitar: afinal, ali estamos substituindo todo o trabalho de um ator pelo de outro. Sim, na maior parte das vezes o cuidado na composição não é o mesmo (Luciano Huck gravou todo o seu péssimo trabalho em Enrolados em apenas 4 ou 5 horas), mas ao menos não temos um resultado digno do monstro de Frankenstein. (Sim, ainda há a questão dos movimentos labiais, mas considerando toda a artificialidade da própria técnica, que foge do realismo, é um problema menor.) Já aceitar a dublagem em produções com atores de carne-e-osso (live action) é, por todas as razões descritas acima, algo que considero inadmissível em alguém que realmente ama Cinema.

"E aí mantenho o que já escrevi neste blog e no twitter tantas vezes: você pode até gostar de ver filmes, mas se defende a dublagem - sinto muito -, não pode afirmar que ama a Sétima Arte. Uma coisa é precisar do áudio alternativo (como no caso de crianças pequenas ou de indivíduos com problemas visuais); outra é dizer que o prefere. Se prefere, má notícia: você não apenas não ama o Cinema como ainda o prejudica.

"Ir ao cinema para ver um filme em tela grande é um gesto de amor ao Cinema. E perceber que as distribuidoras brasileiras querem afastar este público das salas é algo deprimente - e pior: contando, em seu crime contra a Sétima Arte, com a complacência do público. A ideia é simples: 'lancemos muitas cópias dubladas; eles podem até não gostar, mas pagarão o ingresso assim mesmo'. A saída? Quando a cópia for dublada, boicote o filme. Busque a versão legendada ou espere pelo DVD/Blu-ray. Acredite: conferir a cópia dublada é o mesmo que comer carne estragada apenas para dizer que foi a um churrasco.

"Diga 'não' à dublagem nos cinemas. A Sétima Arte merece seu apoio."

24 de setembro de 2011

Festival de San Sebastián premia 'Los pasos dobles'

O filme espanhol "Los pasos dobles", de Isaki Lacuesta, ganhou a Concha de Ouro de melhor filme da 59ª edição do Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, Espanha. O filme brasileiro "Histórias que Só Existem Quando Lembradas", de Julia Murat, ficou com uma menção especial do prêmio Horizontes Latinos.
A seguir, a lista dos principais premiados:
1 - Melhor filme: "Los pasos dobles" (Espanha, 2011), de Isaki Lacuesta
2 - Melhor diretor: Filippos Tsitos, por "Adikos kosmos" (Grécia/Alemanha, 2011)
3 - Melhor atriz: María León, por "La voz dormida" (Espanha, 2011)
4 - Melhor ator: Antonis Kafetzopoulos, por "Adikos kosmos"
5 - Prêmio especial do júri: "Le Skylab" (França, 2011), de Julie Delpy
6 - Melhor roteiro: Hirokazu Koreeda, por "Kiseki" (Japão, 2011)
7 - Melhor fotografia: Ulf Brantas, por "Happy End" (Suécia, 2011)
8 - Prêmio honorário Donostia: Glenn Close, atriz americana
9 - Prêmio Horizontes Latinos: "Las acacias" (Argentina/Espanha, 2011), de Pablo Giorgelli
10 - Prêmio do público: "O Artista" (The Artist, França, 2011), de Michel Hazanavicius
11 - Menções especiais: "Histórias que Só Existem Quando Lembradas" (Argentina/Brasil/França, 2011), de Júlia Murat, e "Miss Bala" (México, 2011), de Gerardo Naranjo
12 - Prêmio Cinema em Construção: "7 cajas" (Paraguai, 2011), de Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori
13 - Prêmio da juventude: "Wild Bill" (Reino Unido, 2011), de Dexter Fletcher.

21 de setembro de 2011

Hollywood: novas regras para divulgação dos concorrentes ao Oscar

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood modificou as regras sobre a divulgação de filmes ou profissionais candidatos ao Oscar. As novidades dizem respeito principalmente à organização de eventos e à forma como os membros da Academia assistem aos filmes.

Antes que se faça o anúncio dos indicados, pode-se realizar qualquer tipo de evento para apresentar os filmes a membros da Academia. Após o anúncio, porém, não se poderá servir comida nem bebida em evento em que seja projetado filme para convidados votantes do Oscar.

Não há limite para o número de sessões para membros da Academia. Porém, os profissionais envolvidos na produção do filme só podem participar de dois desses eventos, no máximo. Esta é uma novidade, pois, anteriomente, era vedado o convite de votantes para projeções em que os profissionais participassem.

Durante o período de votação, será vedado o comparecimento de membros da Academia a eventos em que se homenageie ou se promova filme ou profissional indicado, exceto se houver a projeção do filme ou se se tratar de evento sancionado pela Academia.

As novas normas são favoráveis à projeção dos filmes em cinema. A distribuição de cópias digitais dos filmes indicados aos membros da Academia deve atender a exigências de como deve ser o pacote e o material que acompanha o filme.

Os membros da Academia não podem mais fazer campanha (nem a favor, nem contra) nas redes sociais para os indicados. A não observância dessa norma pode significar a expulsão da entidade.

A 84ª cerimônia de entrega dos Oscars está prevista para 26 de fevereiro, em Los Angeles.

17 de setembro de 2011

100 melhores comédias segundo o saite TimeOut

O saite TimeOut, de Londres, publicou recentemente sua relação das 100 melhores comédias de todos os tempos. As escolhas teriam sido feitas por mais de 200 especialistas em cinema, TV e comédia. Mas, quando se observa que na lista consta uma única comédia francesa e nenhuma italiana, apenas um filme de Charles Chaplin, ainda assim em 89º lugar, e nenhum de Jerry Lewis (foto), fica evidente que os ditos especialistas não conhecem o cinema suficientemente. Por fim, a presença de 18 filmes dos anos 2000 para cá, tempos reconhecidamente desfavoráveis para comédia, contra a de apenas nove de anos anteriores a 1950, nota-se que os tais especialistas carecem do verdadeiro senso de humor.
A seguir, a lista completa, na ordem invertida da classificação:
100 – "Mudança de Hábito" (Sister Act, EUA, 1992), de Emile Ardolino
99 – "Carry On Screaming!" (Sem título no Brasil, Reino Unido, 1966), de Gerald Thomas
98 – "Brazil – O Filme" (Brazil, Reino Unido, 1985), de Terry Gilliam
97 – "Swingers – Curtindo a Noite" (Swingers, EUA, 1996), de Doug Liman
96 – "Sem Taça Não Tem Graça" (BASEketball, EUA, 1998), de David Zucker
95 – "A Nova Transa da Pantera Cor-de-Rosa" (The Pink Panther Strikes Again, Reino Unido/EUA, 1976), de Blake Edwards
94 – "Fuga à Meia-Noite" (Midnight Run, EUA, 1988), de Martin Brest
93 – "Este Mundo É um Hospício" (Arsenic and Old Lace, EUA, 1944), de Frank Capra
92 – "Nuts in May" (Episódio de série de TV, Reino Unido, 1976), de Mike Leigh
91 – "Com a Bola Toda" (Dodgeball: A True Underdog Story, EUA/ Alemanha, 2004), de Rawson Marshall Thurber
90 – "Meninas Malvadas" (Mean Girls, EUA/Canadá, 2004), de Mark Waters
89 – "O Grande Ditador" (The Great Dictator, EUA, 1940), de Charles Chaplin
88 – "Arthur – O Milionário Sedutor" (Arthur, EUA, 1981), de Steve Gordon
87 – "Um Peixe Chamado Wanda" (A Fish Called Wanda, EUA/Reino Unido, 1988), de Charles Crichton
86 – "As Férias do Sr. Hulot" (Les vacances de Monsieur Hulot, França, 1953), de Jacques Tati
85 – "Clube dos Pilantras" (Caddyshack, EUA, 1980), de Harold Ramis
84 – "Heróis Fora de Órbita" (Galaxy Quest, EUA, 1999), de Dean Parisot
83 – "Contrastes Humanos" (Sullivan’s Travels, EUA, 1941), de Preston Sturges
82 – "A Pantera Cor-de-Rosa" (The Pink Panther, EUA, 1963), de Blake Edwards
81 – "Arizona Nunca Mais" (Raising Arizona, EUA, 1987), de Joel e Ethan Coen
80 – "O Homem Que Perdeu a Hora" (Clockwise, Reino Unido, 1986), de Christopher Morahan
79 – "Missão Madrinha de Casamento" (Bridesmaids, EUA, 2011), de Paul Feig
78 – "Pequena Miss Sunshine" (Little Miss Sunshine, EUA, 2006), de Jonathan Dayton
77 – "Loucos de Dar Nó" (Stir Crazy, EUA, 1980), de Sidney Poitier
76 – "Dias Incríveis" (Old School, EUA, 2003), de Todd Phillips
75 – "Bananas" (Idem, EUA, 1971), de Woody Allen
74 – "Quatro Casamentos e Um Funeral" (Four Wedddings and a Funeral, Reino Unido, 1994), de Mike Newell
73 – "Um Convidado Bem Trapalhão" (The Party, EUA, 1968), de Blake Edwards
72 – "O Diabo É Meu Sócio" (Bedazzled, Reino Unido, 1967), de Stanley Donen
71 – "Broadway Danny Rose" (Idem, EUA, 1984), de Woody Allen
70 – "A General" (The General, EUA, 1926), de Clyde Bruckman e Buster Keaton
69 – "O Balconista" (Clerks., EUA, 1994), de Kevin Smith
68 – "O Rei da Comédia" (The King of Comedy, EUA, 1983), de Martin Scorsese
67 – "Jejum de Amor" (His Girl Friday, EUA, 1940), de Howard Hawks
66 – "O Clube dos Cafajestes" (Animal House, EUA, 1978), de John Landis
65 – "Um Duende em Nova York" (Elf, EUA/Alemanha, 2003), de Jon Fraveau
64 – "Um Príncipe em Nova York" (Coming to America, EUA, 1988), de John Landis
63 – "Kingpin - Estes Loucos Reis do Boliche" (Kingpin, EUA, 1996), de Peter e Bobby Farrelly
62 – "Chumbo Grosso" (Hot Fuzz, Reino Unido/França/EUA, 2007), de Edgar Wright
61 – "Os Excêntricos Tenenbaums" (The Royal Tenenbaums, EUA, 2001), de Wes Anderson
60 – "O Dorminhoco" (Sleeper, EUA, 1973), de Woody Allen
59 – "Um Maluco no Golfe" (Happy Gilmore, EUA, 1996), de Dennis Dugan
58 – "Monty Python - O Sentido da Vida" (Monty Python’s The Meaning of Life, Reino Unido, 1983), de Terry Jones
57 – "Se Beber, Não Case!" (The Hangover, EUA/Alemanha, 2009), de Todd Phillips
56 – "Uma Noite na Ópera" (A Night at the Opera, EUA, 1935), de Sam Wood
55 – "Ace Ventura – Um Detetive Diferente" (Ace Ventura: Pet Detective, EUA, 1994), de Tom Shadyac
54 – "Os Irmãos Cara de Pau" (The Blues Brothers, EUA, 1980), de John Landis
53 – "Dois Caipiras Ladinos" (Way Out West, EUA, 1937), de James W. Horne
52 – "O Jovem Frankenstein" (Young Frankenstein, EUA, 1974), de Mel Brooks
51 – "Os Safados" (Dirty Rotten Scoundrels, EUA, 1988), de Frank Oz
50 – "Harry & Sally - Feitos Um para o Outro" (When Harry Met Sally…, EUA, 1989), de Rob Reiner
49 – "A Última Noite de Bóris Grushenko" (Love and Death, França/ EUA, 1975), de Woody Allen
48 – "Sonhos de um Sedutor" (Play It Again, Sam, EUA, 1972), de Herbert Ross
47 – "Se Meu Apartamento Falasse" (The Apartment, EUA, 1960), de Billy Wilder
46 – "Ensina-me a Viver" (Harold and Maude, EUA, 1971), de Hal Ashby
45 – "Como Enlouquecer Seu Chefe" (Office Space, EUA, 1999), de Mike Judge
44 – "Férias Frustradas" (Vacation, EUA, 1983), de Harold Ramis
43 – "Tootsie" (Idem, EUA, 1982), de Sydney Pollack
42 – "Quinteto da Morte" (The Ladykillers, Reino Unido, 1955), de Alexander Mackendrick
41 – "Um Estranho Casal" (The Odd Couple, EUA, 1968), de Gene Saks
40 – "Três Amigos!" (Three Amigos!, EUA, 1986), de John Landis
39 – "Esperando o Sr. Guffman" (Waiting for Guffman, EUA, 1996), de Christopher Guest
38 – "Napoleon Dynamite" (Idem, EUA, 2004), de Jared Hess
37 – "Top Secret – Superconfidencial" (Top Secret!, EUA/Reino Unido, 1984), de Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker
36 – "As Oito Vítimas" (Kind Hearts and Coronets, Reino Unido, 1949), de Robert Hamer
35 – "Zoolander" (Sem título no Brasil, EUA/Austrália/Alemanha, 2001), de Ben Stiller
34 – "Austin Powers – 000 Um Agente Nada Discreto" (Austin Powers: International Man of Mystery, EUA/Alemanha, 1997), de Jay Roach
33 – "In the Loop" (Sem título no Brasil, Reino Unido, 2009), de Armando Iannucci
32 – "O Médico Erótico" (The Man with Two Brains, EUA, 1983), de Carl Reiner
31 – "A Princesa Prometida" (The Princess Bride, EUA, 1987), de Rob Reiner
30 – "Primavera para Hitler" (The Producers, EUA, 1968), de Mel Brooks
29 – "Três É Demais" (Rushmore, EUA, 1998), de Wes Anderson
28 – "Quanto Mais Idiota Melhor" (Wayne’s World, EUA, 1992), de Penelope Spheeris
27 – "Quem Vai Ficar com Mary?" (There’s Something About Mary, EUA, 1998), Peter e Bobby Farrelly
26 – "O Melhor do Show" (Best in Show, EUA, 2000), de Christopher Guest
25 – "The Castle" (Sem título no Brasil, Austrália, 1997), de Rob Sitch
24 – "Four Lions" (Sem título no Brasil, Reino Unido, 2010), de Chris Morris
23 – "Os Caça-Fantasmas" (Ghost Busters, EUA, 1984), de Ivan Reitman
22 – "Debi & Loide – Dois Idiotas em Apuros" (Dumb & Dumber, EUA, 1994), de Peter e Bobby Farrelly
21 – "Antes Só do que Mal Acompanhado" (Planes, Trains & Automobiles, EUA, 1987), de John Hughes
20 – "Trocando as Bolas" (Trading Places, EUA, 1983), de John Landis
19 – "South Park: Maior, Melhor e sem Cortes" (South Park: Bigger, Longer & Uncut, EUA, 1999), de Trey Parker
18 – "Corra Que a Polícia Vem Aí!" (The Naked Gun: From the Files of Police Squad!, EUA, 1988), de David Zucker
17 – "O Diabo a Quatro" (Duck Soup, EUA, 1933), de Leo McCarey
16 – "Todo Mundo Quase Morto" (Shaun of the Dead, Reino Unido/ França/EUA, 2004), de Edgar Wright
15 – "Banzé no Oeste" (Blazing Saddles, EUA, 1974), de Mel Brooks
14 – "Dr. Fantástico" (Dr. Strangelove, Reino Unido, 1964), de Stanley Kubrick
13 – "O Grande Lebowski" (The Big Lebowski, EUA/Reino Unido, 1998), de Joel e Ethan Coen
12 – "Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América" (Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, EUA, 2006), de Larry Charles
11 – "Team America – Detonando o Mundo" (Team America: World Police, EUA/Alemanha, 2004), de Trey Parker
10 – "O Panaca" (The Jerk, EUA, 1979), de Carl Reiner
9 – "Quanto Mais Quente Melhor" (Some Like It Hot, EUA, 1959), de Billy Wilder
8 – "Feitiço do Tempo" (Groundhog Day, EUA, 1993), de Harold Ramis
7 – "Os Desajustados" (Withnail & I, Reino Unido, 1987), de Bruce Robinson
6 – "O Âncora – A Lenda de Ron Burgundy" (Anchorman: The Legend of Ron Burgundy, EUA, 2004), de Adam McKay
5 – "Monty Python em Busca do Cálice Sagrado" (Monty Python and the Holy Grail, Reino Unido, 1975), de Terry Gilliam e Terry Jones
4 – "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (Annie Hall, EUA, 1977), de Woody Allen
3 – "A Vida de Brian" (Life of Brian, Reino Unido, 1979), de Terry Jones
2 – "Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu" (Airplane!, EUA, 1980), de Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker
1 – "O Ocaso de uma Lenda" ou "Isto É Spinal Tap" (This Is Spinal Tap, EUA, 1984), de Rob Reiner.

11 de setembro de 2011

CLIFF ROBERTSON (1923-2011), ator

O ator americano Cliff Robertson morreu no dia 10 de setembro de causas naturais, aos 88 anos.
Robertson ganhou notoriedade por interpretar o tenente John F. Kennedy em "O Herói do PT-109" (PT 109, 1963), por escolha do próprio Kennedy quando presidente dos Estados Unidos.
Entre seus filmes mais importantes estão "Férias de Amor" (Picnic, 1955), "A Lei dos Marginais" (Underworld U.S.A., 1961), "Vassalos da Ambição" (The Best Man, 1964) e "Os Dois Mundos de Charly" (Charly, 1968), pelo qual ganhou o Oscar de melhor ator.
Ultimamente ele marcou presença como Ben Parker nos filmes "Homem-Aranha" (Spider-Man, 2002), "Homem-Aranha 2" (Spider-Man 2, 2004) e "Homem-Aranha 3" (Spider-Man 3, 2007). Ganhou diversos prêmios pela carreira em festivais de cinema americanos, além de uma estrela na Calçada da Fama.
Clifford Parker Robertson III nasceu em 9 de setembro de 1925, em La Jolla, Califórnia. Seus dois casamentos terminaram em divórcio: o primeiro com a atriz Cynthia Stone (1926-1988) e o segundo com a atriz Dina Merrill. Tinha uma filha de cada casamento.

10 de setembro de 2011

Veneza 2011: filme russo ganha o Leão de Ouro

O filme russo "Fausto", de Aleksander Sokurov, foi o grande vencedor do 68ª Mostra de Cinema de Veneza. O grande prêmio do júri, que é o segundo mais importante do festival, ficou com o filme italiano "Terraferma", de Emanuele Crialese.
A seguir, a lista dos principais vencedores do festival:
1 - Melhor filme: "Fausto" (Faust, Rússia, 2010), de Aleksander Sokurov
2 - Melhor diretor: Shangjun Cai, por "People Mountain People Sea" (Ren Shan Ren Hai, Hong Kong/China)
3 - Prêmio especial do júri: "Terraferma" (Itália/França, 2011), de Emanuele Crialese
4 - Melhor ator: Michael Fassbender, por "Shame" (Reino Unido, 2011), de Steve McQueen
5 - Melhor atriz: Deannie Yip, por "A Simple Life" (Tao jie, Hong Kong, 2011), de Ann Hui
6 - Melhor roteiro: Giorgos Lanthimos e Efthymis Filippou, por "Alpeis" (Grécia, 2011), de Giorgos Lanthimos
7 - Intérprete revelação: Shôta Sometani e Fumi Nikaidô, por "Himizu" (Japão, 2011), de Shion Sono
8 - Contribuição artística: Robbie Ryan, pela fotografia de "O Morro dos Ventos Uivantes" (Wuthering Heights, Reino Unido, 2011), de Andrea Arnold.

7 de setembro de 2011

Michael Douglas vai receber prêmio que tem o nome de seu próprio pai, Kirk Douglas

O ator Michael Douglas (foto), de 66 anos, vai receber o prêmio Kirk Douglas pela Excelência no Cinema, em reconhecimento à sua carreira, no Festival Internacional de Cinema de Santa Bárbara, na Califórnia.

Vencedor do Oscar por seu papel em "Wall Street - Poder e Cobiça" (Wall Street, 1987), o ator receberá o prêmio das mãos de seu próprio pai, Kirk Douglas. O lendário ator que empresta seu nome ao prêmio tem 94 anos e fez uma brilhante carreira em Hollywood, tendo atuado em mais de 70 filmes.

Em comunicado divulgado pelo festival de Santa Bárbara, Kirk Douglas qualificou Michael como seu "ator e produtor favorito", embora tivesse confessado anteriormente que preferia que o filho fosse advogado.

"Esperava que ele não se saísse bem [atuando]. Assim, poderia ter alguma chance para fazer com que ele se esquecesse disso. No entanto, não foi o que aconteceu", afirmou Kirk Douglas, que viu seu filho interpretar pela primeira vez no teatro da universidade de Santa Bárbara.

O prêmio Kirk Douglas já foi concedido aos atores Harrison Ford e John Travolta e ao diretor Quentin Tarantino.

A sexta edição do prêmio será realizada em 13 de outubro, no hotel Four Seasons Resort Santa Barbara The Biltmore, de Santa Bárbara. A premiação também arrecadará fundos para financiar a próxima edição do festival de cinema da cidade, previsto para os dias 26 de janeiro a 5 de fevereiro de 2012.

5 de setembro de 2011

Os mais severos insultos de cineastas para cineastas

É surpreendente o que diretores de cinema dizem uns dos outros, revelando quão venenosas são as suas línguas. O roteirista e diretor americano Jason Bailey recolheu 30 opiniões que cineastas emitiram sobre outros cineastas e as divulgou no saite FlavorWire em 10-08-11. São verdadeiros insultos. O texto em inglês foi descoberto pelo Prof. Oto Vale, que também nos ajudou a desatar alguns dos nós mais complicados da tradução.

1 – François Truffaut sobre Michelangelo Antonioni:

“Antonioni é o único diretor importante sobre o qual não tenho nada bom para dizer. Ele me entedia; é tão solene e sem graça.”

2 – Ingmar Bergman sobre Michelangelo Antonioni:

“Fellini, Kurosawa e Buñuel movem-se no mesmo campo tal como Tarkovsky. Antonioni estava a caminho, mas expirou, sufocado por seu próprio tédio.”

3 – Ingmar Bergman sobre Orson Welles:

“Para mim ele é simplesmente uma fraude. É vazio. Não é interessante. É estéril. ‘Cidadão Kane’, do qual tenho uma cópia – é o preferido de todos os críticos, sempre no topo de todas as enquetes realizadas, mas eu o acho totalmente enfadonho. Antes de mais nada, as atuações são ruins. O prestígio que o filme angariou é absolutamente inacreditável.”

4 – Ingmar Bergman sobre Jean-Luc Godard:

“Eu nunca consegui extrair nada de seus filmes. Eles são mal construídos, uma falsificação intelectual, e completamente estéreis. Cinematograficamente desinteressantes e infinitamente aborrecidos. Godard é um chato. Ele tem feito filmes para os críticos. Um dos filmes, ‘Masculino-Feminino’, foi filmado aqui na Suécia. Era exageradamente tedioso.”

5 – Orson Welles sobre Jean-Luc Godard:

“Seus dons como diretor são imensos. Eu apenas não posso levá-lo muito a sério como pensador – e é aí que nós parecemos nos divergir, porque ele se leva a sério. Sua mensagem é o que o preocupa atualmente, e, como a maioria das mensagens em filmes, poderia ser escrita na cabeça de um alfinete.”

6 – Werner Herzog sobre Jean-Luc Godard:

“Alguém como Godard é para mim uma fraude intelectual quando comparado a um bom filme de kung-fu.”

7 – Jean-Luc Godard sobre Quentin Tarantino:

“Tarantino deu à sua produtora o nome de um dos meus filmes. Ele teria feito melhor dando-me algum dinheiro.”

8 – Harmony Korine sobre Quentin Tarantino:

“Quentin Tarantino parece se preocupar demais com os filmes dos outros. Quero dizer, com a apropriação dos filmes dos outros, como num liquidificador. Eu acho que é, tipo, muito divertido na hora em que estou vendo, mas depois, sei não, há um vazio ali. Algumas das referências são simplistas, apenas cultura pop.”

9 – Nick Bloomfield sobre Quentin Tarantino:

“É como assistir à fantasia de violência e sexo de um colegial, na qual Quentin Tarantino estaria se masturbando em seu quarto enquanto a mãe está fazendo a comida dele no andar de baixo. Só que desta vez ele tem Harvey Weinstein atrás dele e está em um milhão de telas.”

10 – Spike Lee sobre Quentin Tarantino (e a “n-palavra” em seus roteiros):

“Eu não sou contra a palavra [nigger], e eu a uso, mas não excessivamente. E algumas pessoas falam dessa maneira. Mas Quentin é obcecado com essa palavra. O que ele quer que se faça – um negro honorário?”

11 – Spike Lee sobre Tyler Perry:

“Temos um presidente negro, e agora remontamos a Mantan Moreland [ator comediante negro, 1902-1973] e Sleep ‘n’ Eat [apelido do ator negro Willie Best, 1913-1962]?”

12 – Tyler Perry sobre Spike Lee:

“Spike que vá para o inferno! Pode publicar isso… Spike precisa calar a maldita boca!”

13 – Clint Eastwood sobre Spike Lee:

“Um cara como ele devia calar a boca.”

14 – Jacques Rivette sobre Stanley Kubrick:

“Kubrick é uma máquina, um mutante, um marciano. Ele não tem qualquer sentimento humano. Mas é ótimo quando a máquina filma outras máquinas, como em ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’.”

15 – Jacques Rivette sobre James Cameron (e Steven Spielberg):

“Cameron não é nocivo, não é um idiota como [Steven] Spielberg. Ele quer ser o novo [Cecil B.] DeMille. Infelizmente, ele não consegue sair de um saco de papel.”

16 – Jean-Luc Godard sobre Steven Spielberg:

“Eu não o conheço pessoalmente. Não acho que seus filmes são realmente bons.”

17 – Alex Cox sobre Steven Spielberg:

“Spielberg não é um cineasta, é um confeiteiro.”

18 – Tim Burton sobre Kevin Smith (depois que Smith, de brincadeira, acusou Burton de roubar o final de ‘O Planeta dos Macacos’ de uma história em quadrinhos de Smith):

“Quem me conhece sabe que eu nunca leria uma história em quadrinhos. E eu especialmente jamais leria qualquer coisa criada por Kevin Smith.”

19 – Kevin Smith sobre Tim Burton (em resposta a “nunca leria uma história em quadrinhos”):

“O que, para mim, justifica aquela droga de ‘Batman’.”

20 – Kevin Smith sobre Paul Thomas Anderson (especialmente o filme ‘Magnolia’):

“Eu nunca vou revê-lo, mas vou conservá-lo comigo. Vou deixá-lo exatamente sobre a minha mesa, como um lembrete permanente de que a empáfia é a qualidade mais desinteressante de uma pessoa ou de seu trabalho.”

21 – David Gordon Green sobre Kevin Smith:

“Ele criou uma espécie de olimpíada especial para o cinema. Os filmes simplesmente rebaixaram o padrão. Estou certo de que seus pais estão orgulhosos; [mas] não é nada que me leve a comprar ingresso para ver.”

22 – Vincent Gallo sobre Spike Jonze:

“Ele é a maior fraude por aí. Se você levá-lo a uma festa, ele vai ser a pessoa menos interessante na festa, a pessoa que não sabe nada. Ele não diz nada engraçado, interessante, inteligente... Ele é um pedaço de merda de porco.”

23 – Vincent Gallo sobre Martin Scorsese:

“Eu não trabalharia para Martin Scorsese nem por 10 milhões de dólares. Ele não fez um bom filme em 25 anos. Eu nunca trabalharia com um egomaníaco que já era.”

24 – Vincent Gallo sobre Sofia (e Francis Ford) Coppola:

“Sofia Coppola gosta de qualquer sujeito que tem o que ela quer. Se ela quer ser fotógrafa, ela vai transar com um fotógrafo. Se ela quer ser cineasta, ela vai transar com um cineasta. Ela é uma parasita tal como era o porco do seu pai.”

25 – Vincent Gallo sobre Abel Ferrara:

“Abel Ferrara era uma grande piada quando eu atuei em ‘Os Chefões’, ele nunca estava no set. Ele estava no meu quarto tentando roubar minha carteira.”

26 – Werner Herzog sobre Abel Ferrara:

“Eu não faço ideia de quem seja Abel Ferrara. Mas deixe-o lutar contra os moinhos de vendo... Nunca vi um filme dele. Não faço ideia de quem ele seja. Ele é italiano? É francês? Quem é ele?”

27 – David Cronenberg sobre M. Night Shyamalan:

“Eu odeio aquele cara! A próxima pergunta.”

28 – Alan Parker sobre Peter Greenaway (especificamente o filme ‘The Draughtsman’s Contact’):

“Uma carrada de presunção desprezível.”

29 – Ken Russell sobre Sir Richard Attenborough:

“Sir Richard ‘estou-indo-atacar-o-establishment-cinquenta-anos-após-ele-estar-morto’ Attenborough é culpado de caricatura, um senso de autossatisfação às direitas, e repetição que solapa o impacto do filme.”

30 – Uwe Boll sobre Michael Bay:

“Eu não sou um retardado como Michael Bay.”

23 de agosto de 2011

JOHN HOWARD DAVIES (1939-2011), ator

O ator infantil britânico John Howard Davies morreu em 22 de agosto, de câncer, aos 72 anos.
Davies era ainda criança quando foi escolhido para interpretar o papel-título no filme "Oliver Twist" (1948), de David Lean. Em consequência do sucesso do filme, atuou em três outros filmes que não foram lançados no Brasil. Com o fim da carreira de ator, ele fez de tudo um pouco, como vender tapetes, vender óleo lubrificante etc.
Na rede de TV BBC, para a qual entrou em 1966 como assistente de produção, ele se tornou um produtor e diretor de sucesso.
John Howard Davis nasceu em 9 de março de 1939, em Londres. Era filho do roteirista Jack Davies (1913-1994).

19 de agosto de 2011

RAOUL RUIZ (1941-2011), diretor

O diretor chileno Raoul Ruiz morreu hoje em Paris, de infecção pulmonar, aos 70 anos.
Realizador prolífero, Ruiz já havia feito uma dezena de longas-metragens no Chile até 1973, quando (em consequência do golpe militar que derrubou o governo Salvador Allende, de quem era conselheiro cinematográfico) exilou-se na França, onde trocou seu prenome Raúl pela forma francesa Raoul.
Da sua filmografia franceza destacam-se "As Três Coroas do Marinheiro" (Les trois couronnes du matelot, 1983), "Três Vidas & Uma Só Morte" (Trois vies & une seule mort, 1996) e "O Tempo Redescoberto" (Le temps retrouvé, 1999), adaptação do último volume da obra "Em Busca do Tempo Perdido", de Marcel Proust.
Em Portugal, ele realizou "Mistérios de Lisboa" (2010), adaptado do romance homônimo de Camilo Castelo Branco, que lhe valeu o prêmio de melhor diretor no Festival de San Sebastián, Espanha, e o prêmio da crítica na Mostra Internacional de São Paulo.
Raúl Ernesto Ruiz Pino nasceu em 25 de julho de 1941, em Puerto Montt, Chile. Deixou viúva a montadora de vários de seus filmes Valeria Sarmiento.

14 de agosto de 2011

Festival de Gramado 2011: a lista dos vencedores

A 39ª edição do Festival de Gramado encerrou-se onte à noite(13/8), e os vencedores da parte brasileira foram "Uma Longa Viagem", de Lúcia Murat, e "Riscado", de Gustavo Pizzi. O primeiro ficou com os Kikitos de melhor filme e melhor ator para Caio Blat, e o segundo levou os prêmios de melhor direção, melhor atriz e melhor roteiro. O filme argentino "Medianeras - Buenos Aires da Era do Amor Digital" foi eleito o melhor da parte latino-americana.
A seguir, a relação dos vencedores na categoria longa-metragem:

A) Cinema brasileiro:
1 - Melhor filme: "Uma Longa Viagem" (2011), de Lucia Murat
2 - Melhor diretor: Gustavo Pizzi, por "Riscado" (2010)
3 - Melhor ator: Caio Blat, por "Uma Longa Viagem"
4 - Melhor atriz: Karine Teles, por "Riscado"
5 - Melhor roteiro: Gustavo Pizzi e Karine Teles, por "Riscado"
6 - Melhor fotografia: "Roberto Henkin, por "O Carteiro" (2011)
7 - Melhor montagem: Leonardo Sette, por "As Hiper-Mulheres" (2011)
8 - Prêmio especial do júri: "As Hiper-Mulheres", de Leonardo Sette, Carlos Fausto e Takumã Kuikuro.

B) Cinema latino-americano:
1 - Melhor filme "Medianeras - Buenos Aires da Era do Amor Digital" (Medianeras, Argentina/Espanha/Alemanha, 2011), de Gustavo Taretto
2 - Melhor diretor: Gustavo Taretto, por "Medianeras - Buenos Aires da Era do Amor Digital" e Sebastián Hiriart, por "A tiro de piedra" (México, 2010)
3 - Melhor ator: Gabino Rodríguez, por "A tiro de piedra"
4 - Melhor atriz: Margarida Rosa de Francisco, por "Garcia" (Colômbia/Brasil, 2010)
5 - Melhor roteiro: Sebastián Hiriart e Gabino Rodríguez, por "A tiro de piedra"
6 - Melhor fotografia: Serguei Saldívar Tanaka, por "La lección de pintura" (Chile, 2011)
7 - Prêmio especial do júri: "Las malas intenciones" (Peru/Argentina/Alemanha, 2011), de Rosario Garcia-Montero.

7 de agosto de 2011

FRANCESCO QUINN (1963-2011), ator

O ator americano Francesco Quinn morreu de parada cardíaca no dia 5 de agosto, em Malibu, aos 48 anos.
Francesco estreou no cinema em um filme de grande sucesso, "Platoon" (Idem, 1986). Depois atuou em mais de duas dezenas de filmes descartáveis, exceto alguma rara produção mais ambiciosa como "Um Amor do Passado" (A Star for Two, 1993) e "Transformers - O Lado Oculto da Lua" (Transformers: Dark of the Moon, 2011).
Seu último trabalho no cinema foi no filme italiano "Roma nuda", que se encontra em fase de pós-produção.
Francesco Daniele Quinn nasceu em 22 de março de 1963, em Roma. Era filho do ator Anthony Quinn (1915-2001) e da atriz Jolanda Addolori. Era divorciado e tinha um casal de filhos gêmeos.

3 de agosto de 2011

ÍTALO ROSSI (1931-2011), ator

O ator brasileiro Ítalo Rossi morreu no dia 2 de agosto, no Rio de Janeiro, de problemas respiratórios. Tinha 80 anos.
Ítalo era um dos mais importantes atores brasileiros do teatro, embora atuasse também no cinema e na tevê.
Ele estreou no cinema em "Uma Vida para Dois" (1953) e atuou em outros 20 filmes, entre eles "Esquina da Ilusão" (1953), de Ruggero Jacobbi, "Cara a Cara" (1967), de Júlio Bressane, "O Bravo Guerreiro" (1969), de Gustavo Dahl, e "Sexo com Amor?" (2008), de Wolf Maya, que foi seu último filme.
Em 1989, ele ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Gramado, pelo filme "Doida Demais" (1989).
Ítalo Balbo Di Fratti Coppola Rossi nasceu em 19 de janeiro de 1931, em Botucatu (SP).

Descoberto na Nova Zelândia filme perdido de Hitchcock

Foi descoberto nos Arquivos Cinematográficos da Nova Zelândia o filme britânico "The White Shadow" (1923), dirigido por Graham Cutts e que teve a participação de Alfred Hitchcock como roteirista, diretor de arte, assistente de direção e montador.
Trata-se de um melodrama estrelado por Betty Compson (foto), famosa na época, que fez os papéis de duas irmãs gêmeas, uma boa e a outra má.
O material pertencia ao empresário cinematográfico e colecionador neozelandês Jack Murtagh. Após a sua morte, em 1989, seu neto enviou as fitas ao arquivo para conservação.
A notícia só não é melhor porque o filme não está completo: de um total de seis rolos, foram encontrados apenas os três primeiros.

25 de julho de 2011

MICHAEL CACOYANNIS (1922-2011), diretor

O cineasta greco-cipriota Michael Cacoyannis morreu hoje, em Atenas, aos 89 anos.
Cacoyannis é mais conhecido pelo filme "Zorba, o Grego" (Alexis Zorbas, 1964), com Anthony Quinn, mas ele dirigiu outros ótimos filmes, especialmente três baseados em tragédias clássicas de Eurípedes: "Electra, a Vingadora" (Ilektra, 1962), "As Troianas" (The Trojan Women, 1971) e "Iphigenia" (Ifigeneia, 1977).
Nasceu Mihalis Kakogiannis em 11 de junho de 1922, em Limassol, Chipre.

23 de julho de 2011

LINDA CHRISTIAN (1923-2011), atriz

A atriz americana Linda Christian morreu ontem de câncer, em Palm Springs, aos 87 anos.
Por sua beleza, Linda foi apelidada pela revista americana Life de Bomba Anatômica. Ela participou de diversos filmes em Hollywood, entre eles "Tarzan e as Sereias" (Tarzan and the Mermaids, 1948) e "O Amor, Sempre o Amor" (The Happy Time, 1952).
A partir do final dos anos 1950 ela, que falava sete idiomas, passou para o cinema europeu, atuando em filmes como "Passageiro de Última Hora" (Abschied von den Wolken, 1959), "Gente Muito Importante" (The V.I.P.s, 1963) e Os Bravos da Arena" (Il momento della verità, 1965).
Linda foi a primeira "Bond girl", no telefilme "Casino Royale" (1954).
Nascida Blanca Rosa Henrietta Stella Welter Vorhauer em 13 de novembro de 1923, em Tampico, México. Foi casada com o ator Tyrone Power (1914-1958), com quem teve duas filhas, as atrizes Taryn Power e Romina Power; e com o ator Edmund Purdom (1924-2009).

20 de julho de 2011

No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939), de John Ford


Ainda no início do filme, quando a diligência parte de Tonto rumo a Lordsburg, quase todo o background do enredo e das personagens já está posto. John Ford, o diretor do filme, sabia fazer isto com muita competência e economia de meios.

Sabe-se, por exemplo, que Gerônimo e seu bando de índios renegados estão atacando propriedades de colonos; que o fora-da-lei Luke Plummer encontra-se em Lordsburg; que Ringo Kid escapou da prisão e, provavelmente, também se dirige para lá, a fim de vingar o assassinato, cometido por Plummer, de seu pai e seu irmão.

Desde Bisbee, o ponto inicial da linha, a diligência traz dois passageiros que prosseguirão até Lordsburg: Lucy Mallory, mulher de um oficial da Cavalaria, e Peacock, vendedor itinerante de uísque.

Em Tonto, outros passageiros embarcam: a prostituta Dallas, expulsa da cidade pelas megeras da Liga da Lei e da Ordem; o médico alcoólatra Josiah Boone, expulso pela senhoria por não pagar o aluguel; Hatfield, notório jogador profissional, que conhece a sra. Mallory e resolve acompanhá-la para protegê-la; e o banqueiro Gatewood, que acaba de roubar seu próprio banco.

O xerife de Tonto, Curly, responsável pela recaptura de Ringo, ao ser informado por Buck, o cocheiro, de que Plummer está em Lordsburg, deduz que Ringo também deve estar indo para lá e assume a função de guarda da diligência. O que ele não imagina é que Ringo precisou abandonar seu cavalo e está à espera da diligência. De Tonto, a diligência parte acompanhada de uma patrulha da Cavalaria.

Uma vez completa a lotação, após o embarque de Ringo, os passageiros se dividem em dois subgrupos: de um lado, os párias sociais Ringo, Dallas e dr. Boone; do outro, Lucy, Hatfield e Gatewood, representantes da elite emproada. Nesta divisão, Peacock não se inclui por ser de uma categoria à parte, sensato e conciliador, mais parecido com um clérigo.

À medida que a diligência avança pela paisagem deslumbrante do Monument Valley, os passageiros se conciliam em duplas, segundo suas afinidades: Ringo e Dallas, o par romântico: Lucy e seu protetor Hatfield, herdeiros da aristocracia sulista; dr. Boone e seu fornecedor de uísque, Peacock. Nesta forma de associação, fica sobrando Gatewood, que não tem a simpatia de ninguém.

A viagem é pontuada por vários episódios, uns pitorescos, outros dramáticos. Merece destaque a entrada em cena de Ringo, certamente uma das mais espetaculares da história do cinema. A diligência segue sem problemas à vista quando se ouve um tiro. Os soldados da Cavalaria estão distanciados, atravessando um riacho. De repente, John Wayne aparece à beira da estrada, com a sela numa mão e um rifle na outra. E, num movimento tão rápido que o cameraman nem consegue manter o foco, a câmera avança até ter seu rosto em close-up. Depois que Ringo embarca, a Cavalaria toma outro destino, deixando a diligência desprotegida.

Na parada para o almoço, em Dry Fork, John Ford exibe sua expertise na mise-en-scène. Enquanto o dr. Boone bebe no balcão com Billy Pickett, chefe do posto e seu camarada de armas nos tempos da Guerra da Secessão, Lucy se senta à cabeceira da mesa, tendo Gatewood por perto. Ringo percebe a timidez de Dallas, que se mantém afastada, e a convida a se sentar ao lado dele. Ela aceita o convite e se senta próximo de Lucy, o que não é bem visto por esta nem por Hatfield, que arranja uma desculpa e leva sua protegida para a outra ponta da mesa. Gatewood os acompanha.

Nessa cena, que serve principalmente para explicitar a rejeição aos párias pelos representantes da elite, Peacock nada tem a fazer. Num instante é visto de costas, olhando pela janela, depois desaparece.

Outra cena excepcional é a da apresentação dos índios. Posicionada no alto, a câmera enquadra a diligência, que avança ao longe no fundo do vale. A distância faz a diligência parecer muito pequena e frágil. Num chicote (movimento panorâmico muito rápido), a câmera gira e, ao som de uma fanfarra de grande impacto, enquadra o grupo de índios sobre o penhasco, observando a diligência com frieza. O que se temia desde o início acontece: a diligência está ao alcance dos índios.

O filme é rico em fontes de humor. Uma delas é o cocheiro gorducho, cuja covardia e voz esganiçada não combinam com seu porte físico avantajado; além disso, ele está sempre pensando em comida ou reclamando dos parentes da sua mulher. Outra fonte, obviamente, é o médico bebum. Também Chris, o gerente do posto em Apache Wells, cuja mulher índia foge na sua égua de estimação, para o seu desespero – não pela mulher, mas pela égua, que, nas duras condições do oeste, tinha importância capital.

O filme não contém apenas um clímax, como é usual, mas dois. O primeiro se dá na perseguição à diligência pelos índios, quando os viajantes penam um bocado para se defenderem, e que constitui uma das sequências mais emocionantes da história do faroeste. Afinal, são salvos pela Cavalaria. O último clímax tem lugar no duelo noturno em Lordsburg, entre Ringo e os irmãos Plummer.

Se bem que o filme não faça referência explícita à época em que se passa a história, pode-se inferir qual seja pela presença de Gerônimo, personagem real. Foragido da reserva de São Carlos em 1881, ele liderou ataques contra os brancos na fronteira dos Estados Unidos com o México até 1886, quando foi recapturado e passou a viver sob vigilância até sua morte. Portanto, o enredo do filme se encaixa no período entre 1881 e 1886.

Este foi o primeiro filme de John Ford a ter locações no Monument Valley, que se tornou desde então a geografia imaginária de vários de seus faroestes: nove ao todo. A viagem da diligência dura dois dias e se situa inteiramente dentro desse magnífico vale, cuja extensão não chega a 50 km.

Por tudo que encerra de engenhoso e belo, o filme recebeu um julgamento insuperável do crítico francês Jean Mitry. No seu livro sobre John Ford, publicado em 1954, ele disse que No Tempo das Diligências “é uma das obras mais perfeitas do cinema”.

15 de julho de 2011

Festival de Paulínea tomado por 'Febre do Rato'

No Festival de Paulínea, encerrado ontem, o filme "Febre do Rato" foi o grande vencedor. Conquistou oito prêmios, inclusive os de melhor filme pelo júri e pela crítica.
Os prêmios foram anunciados por Marina Person e Rubens Ewald Filho.
A seguir, a lista completa dos longas-metragens premiados:

A - Júri oficial:
1 - Melhor filme (ficção): "Febre do Rato", de Cláudio Assis
2 - Melhor documentário: "Rock Brasília - Era de Ouro", de Vladimir Carvalho
3 - Melhor diretor (ficção): Selton Mello, por "O Palhaço"
4 - Melhor diretor (documentário): Maíra Bühler e Matias Mariani, por "Ela Sonhou Que Eu Morri"
5 - Melhor ator: Irandhir Santos, por "Febre do Rato"
6 - Melhor atriz: Nanda Costa, por "Febre do Rato"
7 - Melhor ator coadjuvante: Moacir Franco, por "O Palhaço"
8 - Melhor atriz coadjuvante: María Pujalte, por "Onde Está a Felicidade?"
9 - Melhor roteiro: Selton Mello e Marcelo Vindicatto, por "O Palhaço"
10 - Melhor fotografia: Walter Carvalho, por "Febre do Rato"
11 - Melhor montagem: Karen Harley, por "Febre do Rato"
12 - Melhor som: Gabriela Cunha, Daniel Turini e Fernando Henna, por "Trabalhar Cansa"
13 - Melhor direção de arte: Renata Pinheiro, por "Febre do Rato"
14 - Melhor trilha musical: Jorge du Peixe, por "Febre do Rato"
15 - Melhor figurino: Kika Lopes, por "O Palhaço"
16 - Prêmio especial do júri: "Trabalhar Cansa"

B - Júri popular:
1 - Melhor filme (ficção): Carlos Alberto Riccelli, por "Onde Está a Felicidade?"
2 - Melhor documentário: "À Margem do Xingu - Vozes Não Consideradas", de Damià Puig

C - Júri da crítica:
1 - Melhor filme (ficção): "Febre do Rato"
2 - Melhor documentário: "Uma Longa Viagem", de Lúcia Murat.

4 de julho de 2011

ANNA MASSEY (1937-2011), atriz

A atriz britânica Anna Massey morreu de câncer no dia 3 de julho, aos 73 anos.
Ela estreou no cinema em "Um Crime por Dia" (Gideon's Day, 1958), dirigido por seu padrinho John Ford.
Entre seus filmes mais importantes estão "A Tortura do Medo" (Peeping Tom, 1960), "Frenesi" (Frenzy, 1972), "Um Pequeno Romance" (A Little Romance, 1979), "Montanhas da Lua" (Mountains of the Moon, 1990) e "O Operário" (The Machinist, 2004).
Anna Raymond Massey nasceu em 11 de agosto de 1937, em West Sussex, Inglaterra. Em 2005 ela recebeu da rainha Elizabeth II o título de Comandante da Ordem do Império Britânico. Era filha dos atores Raymond Massey e Adrienne Allen, irmã do ator Daniel Massey (1933-1998) e mãe do escritor David Huggins.

3 de julho de 2011

O Brasil visto por Hollywood

Tradicionalmente, as relações entre o Brasil e Hollywood não ficam bem na fita. Os projetos de filmes com locações aqui muitas vezes falharam. Em 1942, Orson Welles veio filmar seu ambicioso documentário “It’s All True”, que deu em nada.

As filmagens de “The Americano” (1955), no Mato Grosso, tiveram de ser suspensas por falta de dinheiro. A equipe foi repatriada e concluiu por lá mesmo o filme, até hoje inédito no Brasil, felizmente.

Em 1956, o diretor Samuel Fuller visitou o Mato Grosso em busca de locações para o filme “Tigrero”, cujo elenco seria encabeçado por John Wayne. A produção não se viabilizou devido ao alto custo de um seguro de vida para o ator.

Mais recentemente, filmaram aqui enredos situados em fictas republiquetas sul-americanas. É o caso de “Luar sobre Parador” (Moon Over Parador, 1988), de Paul Mazursky, e “Os Mercenários” (The Expendables, 2010), de Sylvester Stallone. Mas para enredo situado aqui, filmagem no México; caso de “Amazônia em Chamas” (The Burning Season, 1994), telefilme sobre Chico Mendes.

Hoje, parece que a situação está mudando. O Rio de Janeiro acaba de fornecer o cenário para “Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio” (Fast Five, 2011) e o desenho animado “Rio” (Idem, 2011), dirigido pelo carioca Carlos Saldanha e que é sucesso em todo o mundo.

Nos filmes de Hollywood, a imagem do Brasil tem sido a de esconderijo de criminosos. Por exemplo, em “Acorrentados” (The Defiant Ones, 1958), Tony Curtis e Sidney Poitier são dois prisioneiros que fogem acorrentados um ao outro. Numa cena em que Curtis tenta partir a corrente com uma pedra, ele fala de suas aspirações e conclui: “Irei para o Rio e nunca serei encontrado. Nunca serei encontrado”.

No clássico “Bonequinha de Luxo” (Breakfast at Tiffany's, 1961) acontece algo ainda mais curioso. Em Nova York, o brasileiro José da Silva Pereira, com o cabelo empastado ao estilo “latin lover”, vai a uma festa no apartamento da garota de programa Holly Golightly, cujos convidados não são o que aparentam.

Interpretado pelo espanhol José Luis de Villalonga, José é um tipo desconfiado, sempre pronto para escapar. Ao ver Paul Varjak atender ao telefone, ele logo quer saber do que se trata: é o vizinho que reclama do barulho e ameaça chamar a polícia. Só de ouvir a palavra “polícia” José já quer cair fora. E, assim que a polícia chega, ele e Varjak vazam pela escada de incêndio.

Embora só apareça em duas cenas, José tem participação importante na trama, porque Holly, à caça de um marido rico, topa vir para o Brasil com ele. Numa das cenas, José e Holly portam cada qual uma bandarilha, aquele espeto que se usa nas touradas.

Disposta a casar com um brasileiro, Holly resolve aprender português. Numa visita, Varjak a encontra ouvindo uma aula gravada e pergunta que língua é aquela. Ela diz que é o português, “uma língua muito complicada, que tem quatro mil verbos irregulares”. A voz da gravação tem o inconfundível sotaque de... Portugal.

Por Holly se envolver em escândalo que vai parar nas manchetes, José decide terminar o romance por meio de um telegrama. Após ler a mensagem de José, Varjak diz a Holly que nunca acreditou que ela “tivesse inclinação para ser a rainha dos pampas”.

Como se vê, o filme faz uma confusão dos diabos com a imagem do Brasil, enfiando no mesmo balaio Espanha, México, Portugal, Argentina. E mais. Pode-se intuir que Holly está tão desesperada por um marido rico que aceita casar até com um pilantra brasileiro. E se José vive correndo da polícia, sua alegação no telegrama de que está agindo em defesa do seu nome e da sua família soa como pura ironia – potencializada pela fala de Holly de que será a mulher do futuro presidente do Brasil.

Na comédia “Primavera para Hitler” (The Producers, 1968) há outro exemplo. Um produtor da Broadway está na pindaíba porque há tempos não consegue emplacar um sucesso. Seu guarda-livros sugere-lhe tomar emprestado um milhão de dólares e aplicar só 60 mil na montagem de uma peça, para embolsar a diferença. O produtor agarra-se com ele e, eufórico, se põe a dançar e a tagarelar sobre o golpe. Por fim, diz: “Com nosso milhão, nós voamos para o Rio de Janeiro”. Até quando vamos dar motivos para Hollywood queimar o nosso filme!

28 de junho de 2011

ELAINE STEWART (1929-2011), atriz

A atriz americana Elaine Stewart morreu no dia 27 de junho, em sua casa em Beverly Hills, aos 82 anos.
Tendo começado a carreira como modelo, ela estreou no cinema fazendo uma ponta em uma comédia da dupla Jerry Lewis e Dean Martin, "O Marujo Foi na Onda" (Sailor Beware, 1952). Entre 1952 e 1964, quando se aposentou, Elaine atuou em 22 filmes, entre eles "Assim Estava Escrito" (The Bad and the Beautiful, 1952), "Dá-me Tua Mão" (Take the High Ground!, 1953), "A Lenda dos Beijos Perdidos" (Brigadoon, 1954), "A Passagem da Noite" (Night Passage, 1957) e "O Rei dos Facínoras" (The Rise and Fall of Legs Diamond, 1960).
Nasceu Elsy Steiberg em 31 de maio de 1929, em Montclair, Nova Jersey. Deixou viúvo o produtor de TV Merrill Heatter, seu segundo marido.

27 de junho de 2011

MARGARET TYZACK (1931-2011), atriz

A atriz britânica Margaret Tyzack morreu de câncer, no dia 25 de junho, aos 79 anos.
Margaret estreou no cinema em "Por Detrás da Máscara" (Behind the Mask, 1958) e atuou em 22 filmes, até 2011. Mas será lembrada principalmente pelos papéis que desempenhou em dois filmes de Stanley Kubrick, "2001: Uma Odisseia no Espaço" (2001: A Space Odyssey, 1968) e "Laranja Mecânica" (A Clockwork Orange, 1971), e em dois de Woody Allen, "Match Point" (Idem, 2005) e "Scoop - O Grande Furo" (Scoop, 2006).
Margaret Maud Tyzack nasceu em 9 de setembro de 1931, em Londres. Seu trabalho no teatro lhe rendeu os prêmios Olivier e Tony.

GUSTAVO DAHL (1938-2011), cineasta

O cineasta brasileiro Gustavo Dahl morreu de infarto, no dia 26 de junho, em Trancoso (BA), aos 72 anos. Ele nasceu na Argentina e naturalizou-se brasileiro.
Dahl começou a trabalhar na Cinemateca Brasileira em 1958, antes de ir estudar em Roma no Centro Experimental de Cinematografia. Nos anos 1970, ele foi superintendente de comercialização da Embrafilme, período em que reformulou a área de distribuição da empresa. Depois, foi presidente da Associação Brasileira de Cineastas e, ainda, presidente do Concine.
No fim dos anos 1990, Dahl propôs a criação de uma Secretaria Nacional de Política Audiovisual, ligada à Presidência da República. Em 2002, com a criação da Ancine, foi nomeado seu primeiro diretor-presidente. Ultimamente, era gerente do Centro Técnico Audiovisual do Ministério da Cultura.
Como cineasta, esteve vinculado ao Cinema Novo e dirigiu seis filmes, dentre eles "O Bravo Guerreiro" (1969), "Uirá, um Índio em Busca de Deus" (1973) e "Tensão no Rio" (1982); os demais são documentários. E fez a montagem de, entre outros filmes, "A Grande Cidade" (1970), de Carlos Diegues, e "O Rei dos Milagres" (1971), de Joel Barcellos.
Como crítico e ensaísta, ele foi um dos teóricos do Cinema Novo.
Gustavo Dahl nasceu em 8 de outubro de 1938, em Buenos Aires.

24 de junho de 2011

PETER FALK (1927-2011), ator

O ator americano Peter Falk, que sofria do Mal de Alzheimer desde 2005, morreu no dia 23 de junho, em Beverly Hills. Tinha 83 anos.
Falk ficou mais conhecido como o detetive Columbo da série de TV. Sua carreira começou em 1957, na TV, que o ocupava a maior parte do tempo, mas ainda assim atuou em alguns filmes importantes como "Jornada Tétrica" (Wind Across the Everglades, 1958), de Nicholas Ray, "Robin Hood de Chicago" (Robin and the 7 Hoods, 1964), de Gordon Douglas, e "A Corrida do Século" (The Great Race, 1965), de Blake Edwards.
A partir do final da década de 1960, a situação se inverteu, surgindo-lhe mais oportunidades no cinema que na TV; e ele atuou nos filmes "Os Maridos" (Husbands, 1970) e "Uma Mulher Sob Influência" (A Woman Under the Influence, 1970), ambos de John Cassavetes, "Assassinato por Morte" (Murder by Death, 1976), de Robert Moore, "Asas do Desejo" (Der Himmel über Berlin, 1987), de Wim Wenders, e "A Princesa Prometida" (The Princess Bride, 1987), de Rob Reiner.
Ele era um ator talentoso tanto para a comédia como para o drama; ganhou vários prêmios, nacionais e até internacionais, por seu trabalho na TV.
Peter Michael Falk nasceu em 16 de setembro de 1927 em Nova York. Deixou viúva a atriz Shera Danese e dois filhos que teve com a mulher do primeiro casamento.

20 de junho de 2011

WILZA CARLA (1935-2011), atriz

A atriz brasileira Wilza Carla morreu no dia 18, no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Tinha 75 anos e sofria de problemas cardíacos e diabete. Foi enterrada no Rio de Janeiro, em jazigo da família.
Wilza era muito conhecida por causa da sua silhueta volumosa. Ela estreou no cinema no filme "Chico Viola Não Morreu" (1955) e sua filmografia conta mais de 40 filmes. Passou pela chanchada carioca, em filmes como "Trabalhou Bem, Genival" (1955) e "Tem Boi na Linha" (1957), e pela pornochanchada paulista, em filmes como "Mais ou Menos Virgem" (1973) e "As Eróticas Profissionais" (1977). Mas marcou presença também em produções de prestígio como "Macunaíma" (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, "Os Herdeiros" (1970), de Carlos Diegues, e "Os Pastores da Noite" (1979), de Marcel Camus.
Wilza Carla nasceu em 29 de outubro de 1935, em Niterói (RJ), e tinha uma filha.

18 de junho de 2011

Trindade (GO) perdeu a chance de ser o berço do cinema goiano

Em Goiás, o nascimento do cinema ficou marcado por frustrações. Nos anos 50, a atriz Cici Pinheiro acalentou o sonho de fazer um filme sobre o Anhanguera, e não passou do sonho. Depois, em 1962, um grupo de amigos de Trindade conseguiu passar do sonho à prática, mas por muito pouco não finalizou seu projeto.

A ideia partiu do fotógrafo amador Arlindo Batista da Silva, filho do proprietário do Cine Mara, que recebeu o apoio do agrimensor Sebastião Prates de Oliveira (Zizinho), do professor Goiany Prates de Oliveira, irmão de Zizinho, e de Reinaldo Silva, eletricista e projecionista do Cine Mara.

Zizinho, Arlindo e Reinaldo desenvolveram a história sobre um romeiro da Festa do Divino Pai Eterno, que acontece em Trindade todo ano em julho. Goiany foi a São Paulo comprar película virgem e alugar uma câmera profissional de 35 mm.

Após as filmagens e a revelação do material, o filme foi montado com o título provisório de “Romaria do Pai Eterno”. E, pela descrição que Reinaldo Silva faz de alguns enquadramentos e cortes, nota-se que havia na concepção uma criatividade surpreendente.

O filme começava com imagens da cidade, antes de entrar em cena o romeiro, vivido por Francisco Honório. Primeiro, apareciam seus pés, caminhando por uma trilha. Os pés chegavam a uma junção com outra trilha, onde apareciam os pés de outro homem (Reinaldo). Então a câmera se elevava para mostrar, de costas, os dois caminhantes aproximando-se de uma porteira. Em seguida, eles passavam por um carro de boi e, mais adiante, por uma fila de tais carros.

O romeiro entrava em Trindade e se deslumbrava diante de tudo que via: multidões nas ruas, barraquinhas, bancas de jogos, parque de diversão, circo.

Em um cruzamento de ruas, um guarda comandava o trânsito de pessoas e automóveis. No momento em que o guarda estirava o braço para conter o fluxo de veículos, a câmera acompanhava seu gesto e continuava a girar até enquadrar a multidão atravessando a rua.
Com um palhaço de pernas de pau que anunciava o espetáculo do circo foram feitas duas tomadas (ida e volta) passando-se entre as pernas dele.

Por fim, o romeiro chegava à igreja (o antigo santuário), diante da qual havia um lambe-lambe. De um plano das mãos do fotógrafo ajeitando a cabeça do fotografado, cortava-se para as mãos de um romeiro colocando uma cabeça de cera entre os ex-votos. Criou-se, portanto, um belo raccord por semelhança, anos antes daquele com o osso e a nave espacial em “2001: Uma Odisseia no Espaço”.

Dentro da igreja, o romeiro se ajoelhava para rezar. Aí, cortava-se para a imagem do Pai Eterno, a única colorida, que fechava o filme.

As ideias mais brilhantes devem ser creditadas a Zizinho, que estudara arquitetura no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, embora não se saiba se concluiu o curso.

As filmagens foram realizadas sempre à luz do dia. Para as tomadas aproximadas ou no interior da igreja usaram-se rebatedores improvisados: estandes de cartazes do cinema revestidos de papel-alumínio.

Zizinho assumiu a fotografia. A cronometragem das tomadas ficou a cargo de Benedito Cordeiro, e a claquete foi acionada por Rojão. A revelação do negativo foi feita em São Paulo aos cuidados de Goiany, que também escreveu o texto da narração, que não chegou a ser gravada, com contribuições dos demais.

Os custos da produção foram bancados pelos quatro cavalheiros, tendo Arlindo e Zizinho arcado com a maior parte das despesas.

Por medida de economia, dispensou-se a tiragem de copião. A montagem do negativo foi feita por Reinaldo, usando a enroladeira e a coladeira do Cine Mara. Chegou-se a dois rolos de filme, dos quais se tirou uma cópia que só foi projetada para os envolvidos na produção.

Por se tratar de principiantes, só o fato de terem obtido material para um filme de dois rolos, sem perder uma tomada sequer, era uma façanha espantosa.

Entretanto, na hora da finalização, Arlindo e Zizinho se desentenderam por ninharia. Zizinho queria dar crédito a um rapaz que participou das filmagens, carregando tralhas pesadas, mas Arlindo foi do contra. Por causa dessa desinteligência todo o trabalho deu em nada. O filme ficou na lata até se deteriorar. E Trindade perdeu a primazia de ser o berço do cinema goiano.

8 de junho de 2011

JORGE SEMPRÚN (1923-2011), roteirista

O escritor e roteirista espanhol Jorge Semprún morreu no dia 7 de junho, em Paris, aos 87 anos. A causa da morte não foi divulgada.
Nas décadas de 1960 e 70, Semprún foi um importante roteirista de filmes com temática política; escreveu os roteiros de dois filmes de Alain Resnais, "A Guerra Acabou" (La guerre est finie, 1966) e "Stavisky" (Idem, 1974), e participou dos roteiros de três filmes de Costa-Gavras, "Z" (Idem, 1969), "A Confissão" (L'aveu, 1970) e "Seção Especial de Justiça" (Section espéciale, 1975).
Jorge Maura Semprún nasceu em 10 de dezembro de 1923, em Madri. Com a tomada do poder na Espanha pelo ditador Francisco Franco, era ainda adolescente quando partiu para o exílio na França. Em 1943, por participar da Resistência Francesa contra a ocupação alemã, foi preso e enviado a Buchenwald, onde permaneceu até o fim da guerra. Foi ministro da Cultura da Espanha de 1988-1991, no governo de Felipe González. Era pai do ator e diretor Jaime Semprun (1947-2010).

3 de junho de 2011

JAMES ARNESS (1923-2011), ator

O ator americano James Arness morreu hoje de causas naturais, aos 88 anos.
Por ele ser um varapau de 2,01 m de altura, quase sempre era preciso que a atriz que contracenava com ele subisse em um estrado, ou que ele se colocasse num plano mais baixo que o dela.
Arness estreou no cinema em "Ambiciosa" (The Farmer's Daughter, 1947). Embora fosse talentoso e de boa aparência, ficou restrito a papéis menores, sobretudo em faroestes. Entre seus melhores filmes estão "Caravana de Bravos" (Wagon Master, 1950), "Império do Pavor" (Horizons West, 1952), "Geleiras do Inferno" (Island in the Sky, 1953), "Caminhos Ásperos" (Hondo, 1953) e "O Mundo em Perigo" (Them!, 1954).
No cinema ele só estrelou o faroeste menor "Atirar para Matar" (Gun the Man Down, 1959). Mas, no final dos anos 1950, passou de armas e bagagem para a TV a fim de protagonizar a duradoura série de faroeste "Gusmoke" (1955-1975).
Ganhou uma estrela na Calçada da Fama por seu trabalho na TV.
Nasceu James King Aurness em 26 de maio de 1923, em Minneapolis, Minnesota. Recebeu várias medalhas por sua participação na II Guerra Mundial. Era irmão do ator Peter Graves (1926-2010) e amigo de John Wayne (1907-1979). Foi casado com a atriz Virginia Chapman (1921-1977), com quem teve três filhos. Deixou viúva a mulher do segundo casamento.

2 de junho de 2011

Estrelas da era de ouro de Hollywood ainda vivas

Quando Elizabeth Taylor morreu, em março último, houve quem dissesse que sua morte representou o fim de uma era do cinema. Diante de afirmação tão peremptória, resolvemos conferir e, em uma pesquisa ligeira, encontramos um número considerável de grandes estrelas ainda vivas que tiveram dias de glória entre as décadas de 1930 e 1950, período considerado a era de ouro de Hollywood.

A seguir, listamos várias delas, agregando informações sucintas sobre a importância e a situação atual de cada uma. Todos os filmes mencionados são de anos anteriores a 1960.

Olivia de Havilland – Foi parceira de Errol Flynn em nove filmes, inclusive em "As Aventuras de Robin Hood", e ainda teve presença marcante em "E o Vento Levou". Ganhou dois Oscars. Divorciada duas vezes, aposentou-se em 1988 e vive em Paris.

Joan Fontaine – Não teve tanta sorte como sua irmã Olivia de Havilland, mas estrelou dois clássicos de Alfred Hitchcock: "Rebecca, a Mulher Inesquecível" e "Suspeita", pelo qual ganhou um Oscar. Quatro vezes divorciada e aposentada desde 1994, reside em Carmel, Califórnia.

Esther Williams – Excelente nadadora, que estrelou filmes musicais aquáticos, subgênero criado especialmente para ela, como "A Filha de Netuno" e "A Rainha do Mar". Aposentada desde 1963, vive com seu quarto marido em Beverly Hills, Califórnia, onde ambos têm uma bem-sucedida fábrica de roupas de banho.

Deanna Durbin – Começou no cinema ainda adolescente e fez sucesso em filmes musicais como "Louca por Música". Aos 21 anos era a mulher com o mais alto salário nos Estados Unidos. Ganhou um Oscar especial. Abandonou a carreira em 1948, no ápice da fama. Viúva do terceiro marido, vive na França.

Doris Day – Cantora que estrelou ótimos musicais como "Ardida como Pimenta" e "Ama-me ou Esquece-me" e dramas como "O Homem que Sabia Demais". Entrou na lista das 100 maiores estrelas da revista "Premiere" americana. Divorciada quatro vezes e aposentada desde 1973, reside em Carmel, Califórnia, onde tem uma fundação para defesa dos animais de estimação.

Eleanor Parker – Bela e talentosa, fez par com Kirk Douglas em "Chaga de Fogo" e com Charlton Heston em "A Selva Nua". Aposentada desde 1991, vive com seu quarto marido em Palm Springs, Califórnia.

Eva Marie Saint – Ter sido a namorada de Marlon Brando em "Sindicato de Ladrões", que lhe rendeu um Oscar, de Cary Grant em "Intriga Internacional" já seria o suficiente. Seu último filme é de 2006. Reside em Santa Mônica, Califórnia, com seu primeiro e único marido.

Lauren Bacall – Começou no cinema pelo alto, em "Uma Aventura na Martinica", seduzindo Humphrey Bogart no filme e na vida real. Entrou na lista das maiores estrelas, das mais sexies, das lendárias e até das pessoas mais belas do mundo. Ganhou dois Oscars honorários. Divorciada do segundo marido, continua ativa no cinema.

Vera Miles – Uma das atrizes preferidas de Alfred Hitchcock, de quem estrelou "O Homem Errado", e de John Ford, que a incluiu no elenco de "Rastros de Ódio". Aposentou-se em 1995. Após três divórcios, leva vida discreta e se recusa até a dar entrevista.

Carroll Baker – Estrelou "Boneca de Carne", de Elia Kazan, e apareceu em "Assim Caminha a Humanidade", de George Stevens. Aposentada desde 2003 e viúva do terceiro marido, reside em Londres.

Leslie Caron – Era bailarina quando foi convidada por Gene Kelly para dançar com ele em "Sinfonia de Paris". Dançou também com Fred Astaire em "Papai Pernilongo". Seu último trabalho, para a televisão, foi em 2006. Três vezes divorciada, continua a ter um pé na França e o outro nos Estados Unidos.

Debbie Reynolds – Teve seu grande momento ao lado de Gene Kelly em "Cantando na Chuva". Foi vítima de Elizabeth Taylor, que lhe roubou o marido Eddie Fisher. Mais tarde as duas se reconciliaram publicamente, no telefilme “O Eterno Brilho das Estrelas”. Três vezes divorciada, continua ativa no cinema.

Kim Novak – Dona de um sex-appeal fenomenal, ela seduziu William Holden em "Férias de Amor", Frank Sinatra em "O Homem do Braço de Ouro" e James Stewart em "Um Corpo que Cai". Entrou na lista das 100 estrelas mais sexies da revista Empire. Aposentada desde 1991, dedica-se à pintura e à escultura. Vive com o segundo marido, veterinário que cria cavalos e lhamas, em uma fazenda no Oregon.

A lista poderia prosseguir com Lizabeth Scott e Shirley Temple e Angela Lansbury e Shirley Temple e Joanne Woodward e Felicia Farr e Shirley MacLaine e...

1 de junho de 2011

No Grande Prêmio do Cinema Brasileiro nenhuma surpresa

A 10ª premiação da Academia Brasileira de Cinema, acontecida ontem, não apresentou nenhuma surpresa. O filme "Tropa de Elite 2" conquistou oito troféus pela votação do júri, mais o da escolha do público.
A seguir, a lista dos longas-metragens vencedores:

1 - Melhor filme:
a) Pelo júri: "Tropa de Elite 2" (2010)
b) Pelo público: "Tropa de Elite 2"
2 - Melhor documentário:
a) Pelo júri: "O Homem que Engarrafava Nuvens" (2009)
b) Pelo público: "Dzi Croquettes" (2009)
3 - Melhor direção: José Padilha, por "Tropa de Elite 2"
4 - Melhor atriz: Glória Pires, por "Lula, o Filho do Brasil" (2009)
5 - Melhor ator: Wagner Moura, por "Tropa de Elite 2"
6 - Melhor atriz coadjuvante: Cássia Kiss, por "Chico Xavier" (2010)
7 - Melhor ator coadjuvante: André Mattos, por "Tropa de Elite 2", e Caio Blat, por "As Melhores Coisas do Mundo" (2010)
8 - Melhor filme infantil: "Eu e Meu Guarda-Chuva"
9 - Melhor fotografia: Lula Carvalho, por "Tropa de Elite 2"
10 - Melhor direção de arte: Adrian Cooper, por "Quincas Berro D'Água" (2010)
11 - Melhor figurino: Kika Lopes, por "Quincas Berro D'Água"
12 - Melhor maquiagem: Rose Verçosa, por "Chico Xavier"
13 - Melhores efeitos visuais: Darren A. Bell, Geoff D. E. Scott e Renato Tilhe, por "Nosso Lar" (2010)
14 - Melhor montagem:
a) Ficção: Daniel Rezende, por "Tropa de Elite 2"
b) Documentário: Raphael Alvarez, por "Dzi Croquettes"
15 - Melhor som: Alessandro Laroca, Armando Torres Jr. e Leandro Lima, por "Tropa de Elite 2"
16 - Melhor trilha musical: Guto Graça Mello, por "O Homem que Engarrafava Nuvens"
17 - Melhor trilha musical original: Jaques Morelenbaum, por "Olhos Azuis" (2009)
18 - Melhor roteiro original: Bráulio Mantovani e José Padilha, por "Tropa de elite 2"
19 - Melhor roteiro adaptado: Marcos Bernstein, por "Chico Xavier"
20 - Melhor filme estrangeiro: "O Segredo dos Seus Olhos" (El secreto de sus ojos, Argentina/Espanha, 2009), de Juan José Campanella.

23 de maio de 2011

Cannes 2011: a lista dos premiados

A 64ª edição do Festival de Cannes, encerrada ontem (domingo, 22 de maio) deu a Palma de Ouro ao filme "A Árvore da Vida", de Terence Malick.
A seguir, a relação dos longas-metragens premiados:

a) Mostra competitiva:
1 - Melhor filme: "A Árvore da Vida" (The Tree of Life, EUA, 2011), de Terence Malick
2 - Melhor diretor: Nicolas Windig Refn, por "Drive" (EUA, 2011)
3 - Melhor atriz: Kirsten Dunst, por "Melancolia" (Melancholia, Dinamarca/Suécia/França/Alemanha, 2011)
4 - Melhor ator: Jean Dujardin, por "O Artista" (The Artist, França, 2011)
5 - Melhor roteiro: Joseph Cedar, por "Footnote" (Hearat Shulayim, Israel, 2011)
6 - Prêmio do júri: "Polisse" (França, 2011), de Maïwenn
7 - Grande prêmio: "O Garoto de Bicicleta" (Le gamin au vélo, Bélgica/França/Itália, 2011), de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, e "Era Uma Vez na Anatólia" (Bir Zamanlar Anadolu'da, Turquia/Bósnia e Herzegóvina, 2011), de Nuri Bilge Ceylan
8 - Prêmio Câmera de Ouro (diretor estreante): Pablo Giorgelli, por "Las acacias" (Argentina/Espanha, 2011)

b) Mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar):
1 - Melhor filme: "Arirang" (Coreia do Sul, 2011), de Kim Ki-duk, e "Half Auf Freier Strecke" (Alemanha, 2011), de Andreas Dresen
2 - Melhor diretor: Mohammad Rasoulof, por "Be Omid é didar" (Irã, 2011)
3 - Prêmio especial do júri: "Elena" (2011), de Andrey Zvyagintsev
4 - Prêmio do júri da mostra: "L'exercice de l'Etat" (2011), de Pierre Schoeller, e "Be Omid é didar"

c) Outros prêmios:
1 - Prêmio Fipresci (da crítica internacional): "Le Havre" (2011), de Aki Kaurismaki
2 - Prêmio do júri ecumênico: "This Must Be the Place" (2011), de Paolo Sorrentino
3 - Prêmio da crítica internacional (Mostra Semana da Crítica): "Take Shelter" (2011), de Jeff Nichols
4 - Prêmio da Sociedade de Autores e Compositores da França e da Confederação Internaciona (Mostra Quinzena de Realizadores): "Les géants" (2011), de Bouli Lanners
5 - Prêmio da juventude: "A Pele que Habito" (La piel que habito, Espanha, 2011), de Pedro Almodóvar.

21 de maio de 2011

DANA WYNTER (1931-2011), atriz

A atriz americana Dana Wynter morreu no dia 5 de maio, em Ojai, Califórnia, de insuficiência cardíaca congestiva. Tinha 79 anos.
Ela estreou no cinema em 1951, no Reino Unido, mas no ano seguinte já estava em Hollywood, atuando no filme "O Pirata Sangrento" (The Crimson Pirate, 1952). Depois de estrelar o cult de ficção científica "Vampiros de Almas" (Invasion of the Body Snatchers, 1956), sua carreira tomou um impulso que durou alguns anos, quando estrelou filmes como "Sangue sobre a Terra" (Something of Value, 1957), "Afundem o Bismarck" (Sink the Bismarck!, 1960) e "A Lista de Adrian Messenger" (The List of Adrian Messenger, 1963). Depois deste, enterrou-se na TV, com raras participações em filmes, um dos quais foi "Aeroporto" (Airport, 1970). Sua última aparição no cinema foi na produção franco-italiana "O Selvagem" (Le sauvage, 1975).
Nasceu Dagmar Winter em 8 de junho de 1931, em Berlim, Alemanha, mas foi criada na Inglaterra. Era divorciada e tinha um filho.

8 de maio de 2011

Filme 'El infierno' é consagrado como o melhor do cinema mexicano

A 53ª premiação da Academia Mexicana de Artes e Ciências Cinematográficas aconteceu no último sábado, 7 de maio, e o filme "El infierno" recebeu nada menos que nove troféus Ariel de Ouro.
A seguir, a lista dos ganhadores:
1 - Melhor filme: "El infierno"
2 - Melhor diretor: Luis Estrada, por "El infierno"
3 - Melhor ator: Damián Alcázar, por "El infierno"
4 - Melhor atriz: Mónica del Carmen, por "Año bisiesto"
5 - Melhor ator coadjuvante: Joaquín Cosio, por "El infierno"
6 - Melhor atriz coadjuvante: Ofelia Medina, por "Las buenas hierbas"
7 - Melhor roteiro: Augusto Mendoza e Diego Luna, por "Abel"
8 - Melhor fotografia: Rodrigo Prieto, por "Biutiful"
9 - Melhor montagem: Mariana Rodríguez, por "El infierno"
10 - Melhor trilha musical: Alejandro Giacomán, por "Hidalgo, la historia jamás contada"
11 - Melhor som: "El infierno"
12 - Melhor desenho de arte: Salvador Parra e María José Pizarro, por "El infierno"
13 - Melhor maquiagem: Roberto Ortiz, por "El infierno"
14 - Melhores efeitos especiais: Alejandro Vázquez, por "El infierno"
15 - Melhores efeitos visuais: Alejandro Valle, por "Las buenas hierbas"
16 - Melhor documentário: "La historia en la mirada", de José Ramón Mikelajáurequi.

7 de maio de 2011

Cine PE 2011 divulga a lista dos premiados

O 15º Cine PE, o festival de cinema de Recife, divulgou hoje a relação dos premiados. O filme mais premiado foi "Estamos Juntos", que arrebatou sete troféus.
A seguir, a lista dos vencedores na categoria longa-metragem:
1 - Melhor Filme: "Estamos Juntos", de Toni Venturi
2 - Melhor diretor: Toni Venturi, por "Estamos Juntos"
3 - Melhor ator: Caco Ciocler, por "Família Vende Tudo"
4 - Melhor atriz: Leandra Leal, por "Estamos Juntos" e Marisol Ribeiro, por "Família Vende Tudo"
5 - Melhor atriz Coadjuvante: Ana Miranda, por "Vamos Fazer um Brinde"
6 - Melhor ator Coadjuvante: Robson Nunes, por "Família Vende Tudo"
7 - Melhor roteiro: Hilton Lacerda, por "Estamos Juntos"
8 - Melhor fotografia: Lula Carvalho, por "Estamos Juntos"
9 - Melhor montagem: Marcio Hashimoto, por "Estamos Juntos"
10 - Melhor trilha musical: Arrigo Barnabé, por "Família Vende Tudo"
11 - Melhor direção de arte: Alain Fresnot e Fábio Goldfard, por "Família Vende Tudo"
12 - Prêmio especial do júri: "JMB, o Famigerado", de Luci Alcantara
13 - Melhor filme (júri popular): "JMB, o Famigerado"
14 - Prêmio da crítica: "Estamos Juntos"
15 - Troféu Gilberto Freyre: "Vamos Fazer um Brinde".