15 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 14 de fevereiro de 2007

CARLOS COIMBRA (81 anos, de aneurisma da aorta), cineasta brasileiro; dirigiu 15 filmes e montou 29; escreveu o roteiro, dirigiu e montou alguns dos mais importantes filmes do ciclo do cangaço: A morte comanda o cangaço (1961), Lampião, o rei do cangaço (1964), Cangaceiros de Lampião (1967) e Corisco, o diabo loiro (1969); dirigiu de chanchada, Se meu dólar falasse (1970), a superprodução histórica, Independência ou morte (1972); fez a montagem do clássico O pagador de promessas (1962); seu último filme foi Os campeões (1982), que ele também produziu.
Curiosidade: Seus filmes não tinham outro objetivo senão contar uma boa história e agradar ao público, por isso jamais ganharam prêmios, embora A morte comanda o cangaço tenha sido selecionado para o Festival de Berlim.
(Crédito da foto: www.2001video.com.br)

Era uma vez em 12 de fevereiro de 2007

PETER ELLENSHAW (93 anos, de causa não divulgada), desenhista norte-americano; fez desenhos de cena (matte paint) para filmes entre 1935 e 1990, na maioria das vezes para produções da Disney, como A ilha do tesouro (1950), Vinte mil léguas submarinas (1954), Pollyanna (1960) e Dick Tracy (1990), mas também, eventualmente, de outros estúdios, como Quo vadis (1951) e Spartacus (1960); fez efeitos especiais visuais para 13 filmes da Disney, de 1959 a 1974, a exemplo de Mary Poppins (1964), que lhe deu um Oscar, Se meu fusca falasse (1968) e A ilha no topo do mundo (1974); dirigiu apenas um filme: A Tour of the West (1955), documentário de curta-metragem.
Curiosidade: Matte paint ou matte painting, também chamado de glass shot ou matte shot, é um truque (mais comum do que se pode pensar) do tempo em que não existia o computador; pintava-se em vidro transparente uma paisagem ou o seu complemento e filmava-se com a pintura diante da câmera, combinando-a com o cenário real para prolongar ou enriquecer o visual do que se queria mostrar; um exemplo claro disso encontra-se no filme E o vento levou, quando se vê o chão da cidade de Atlanta coberto de cadáveres e soldados feridos; a parte superior da tela, que inclui o prolongamento das casas da rua, é pintura. O truque exigia muita maestria do desenhista, que precisava fazer o desenho harmonizar-se perfeitamente com a parte real do quadro. Dessa forma, muitos filmes mostraram castelos ou cidades que nunca existiram, sem o trabalho e os custos que seriam necessários para construí-los.

14 de fevereiro de 2007

Omar Sharif condenado por agressão

O ator Omar Sharif, mais conhecido como o protagonista do filme Doutor Jivago (1965), foi condenado na última terça-feira, 13, a dois anos de prisão e a fazer 15 horas de terapia para controlar a raiva, por ter agredido um manobrista de origem guatemalteca. A pena de prisão ele cumprirá em liberdade condicional e a da terapia ele poderá cumprir em seus país, o Egito.
No dia 11 de junho de 2005, o ator se enfureceu e deu um murro em Juan Luis Ochoa Anderson, manobrista de um restaurante de Los Angeles, que se recusou a aceitar gorjeta em euros. Além da agressão física, Sharif o insultou, chamando-o de "mexicano estúpido".
O magistrado da Corte Superior de Beverly Hills estabeleceu ainda que o ator, de 74 anos, se mantenha a uma distância de 100 jardas (91,4 m) da vítima, das testemunhas e do restaurante onde ocorreu o incidente.
Uma nova audiência foi marcada para 18 de abril para definir a indenização a ser paga à vítima, que, segundo o advogado do ator, está pleiteando 17 mil dólares pelo nariz quebrado.
(Crédito da foto: www.mittelbayerische.de)

13 de fevereiro de 2007

Prêmio do Sindicato dos Roteiristas

No último domingo, 11, saiu a premiação do Sindicato dos Roteiristas da América. E os premiados foram Michael Arndt, na categoria roteiro original, por Pequena Miss Sunshine, e William Monahan, na categoria roteiro adaptado, por Os infiltrados.
Com isso, ambos os filmes reforçam suas posições na disputa pelo Oscar de melhor filme, no próximo dia 25.

(Na imagem, Martin Scorsese, sentado, por ocasião das filmagens de Os infiltrados.)
(Crédit da foto: www.cinecultist.com)

12 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 9 de fevereiro de 2007

IAN RICHARDSON (72 anos, de causa não divulgada), ator inglês nascido na Escócia; estreou no cinema em um filme de título quilométrico, mas que pode ser resumido em Marat/Sade (1967), dirigido pela lendária figura do teatro inglês Peter Brook; atuou em 26 outros, como Sonho de uma noite de verão (1968), O homem de La Mancha (1972), Brazil, o filme (1985) e M. Butterfly (1993). Sua extensa carreira na TV lhe deu três diferentes prêmios de melhor ator.
Curiosidade: Ao receber o BAFTA de melhor atriz, por sua atuação no filme A rainha, Helen Mirren dedicou o prêmio a Richardson, dizendo que ele foi um "mentor" para ela no começo da carreira. Ela o teve como companheiro de elenco em seu segundo filme: Sonho de uma noite de verão (1968).
(Crédito da foto: www.theage.com)

Era uma vez em 6 de fevereiro de 2007

FRANKIE LANE (93 anos, de ataque cardíaco), cantor e compositor norte-americano; cantou a canção-título de seis faroestes dos anos 1950, três dos quais estão entre os melhores da década: Homem sem rumo (1955), Sem lei e sem alma (1957) e Galante e sanguinário (1957); interpretou canções da trilha musical de 19 filmes, de 1949 a 2004; estrelou Sorria para a vida (1955) e Ele riu por último (1956), os dois primeiros filmes dirigidos por Blake Edwards, e atuou em dois outros musicais. Seu trabalho na TV lhe deu uma estrela na Calçada da Fama.
Curiosidade: Filho de imigrantes sicilianos, seu nome verdadeiro era Francesco Paolo Lo Vecchio; recebeu vários epítetos elogiosos ao longo da carreira, um dos quais era Sr. Ritmo.

(Crédito da foto: www.susanmccray.com)

BAFTA 2007: os premiados

Aconteceu no último domingo, 11, a cerimônia de premiação da British Academy of Film and Television Arts, BAFTA, o mais importante prêmio do cinema britânico. E os premiados foram:
1) Melhor filme: A rainha
2) Prêmio Alexander Korda para filme britânico destaque de 2006: O último rei da Escócia
3) Melhor ator: Forest Whitaker (O último rei da Escócia)
4) Melhor atriz: Helen Mirren (A rainha)
5) Melhor ator coadjuvante: Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
6) Melhor atriz coadjuvante: Jennifer Hudson (Dreamgirls -- Em busca de um sonho)
7) Prêmio David Lean para melhor direção: Paul Greengrass (Vôo United 93)
8) Melhor roteiro original: Pequena Miss Sunshine - Michael Arndt
9) Melhor roteiro adaptado: O último rei da Escócia - Peter Morgan, Jeremy Brock
10) Melhor fotografia: Filhos da esperança - Emmanuel Lubezki
11) Melhor montagem: Vôo United 93 - Clare Douglas, Richard Pearson, Christopher Rouse
12) Melhor desenho da produção: Filhos da esperança - Simon Wakefield, Jim Clay, Jennifer Williams
13) Melhor figurino: O labirinto do fauno - Lala Huete
14) Prêmio Anthony Asquith para melhor música: Babel - Gustavo Santaolalla
15) Melhor maquiagem/penteados: O labirinto do fauno
16) Melhor som: 007 -- Cassino Royale
17) Melhor realização em efeitos especiais visuais: Piratas do Caribe -- O baú da morte
18) Melhor filme em língua estrangeira: O labirinto do fauno.

Comentário: Esperava-se que o filme A rainha fosse melhor aquinhoado, já que havia sido indicado em 10 categorias; só ficou com os prêmios de melhor filme e de melhor atriz. Caso semelhante foi o de 007 -- Cassino Royale, que concorria a nove prêmios, mas conquistou apenas unzinho, e pífio, o de melhor som. Repetiu-se o que já vinha ocorrendo em outras premiações, ultimamente: a distribuição dos prêmios entre os concorrentes. Isto pode significar que, em geral, os filmes apresentam um alto nível de qualidade ou o contrário. Depende do ponto de vista.
(Crédito da foto: www.cinemacomrapadura.com.br)

8 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 8 de fevereiro de 2007

OZUALDO CANDEIAS (84 anos, de insuficiência respiratória), cineasta brasileiro que fez de tudo um pouco no cinema: fotógrafo, roteirista, ator, produtor -- de seus próprios filmes ou de outros diretores; sua estréia no longa de ficção se deu com A margem (1967), um marco do cinema da Boca do Lixo, de São Paulo; A herança (1970) recebeu menção especial da Associação de Críticos de Arte de São Paulo; A opção (1981) ganhou o Leopardo de Bronze do Festival de Locarno, Suiça; e seu último filme, O vigilante (1992), conquistou o prêmio especial do júri do Festival de Brasília.
Curiosidade: Seu filme Meu nome é Tonho (1969) era um divertido faroeste tupiniquim. A TV Globo (Jornal Nacional) noticiou que ele tinha 88 anos.

(Crédito da foto: verdesmares.globo.com)

Era uma vez em 8 de fevereiro de 2007

ANNA NICOLE SMITH (39 anos, de overdose acidental), atriz norte-americana; estreou no cinema em pequeno papel no filme A roda da fortuna (1994), dos irmãos Coen, e ganhou notoriedade no filme seguinte, Corra que a polícia vem aí 33 1/3 (1994), pelo qual foi aquinhoada com o prêmio Framboesa de Ouro de pior nova estrela do ano; encerrou sua escassa carreira no cinema com Illegal Aliens (2006), que também produziu.
Curiosidade: Ela foi eleita a Playmate de 1993 da revista Playboy. Inicialmente, divulgou-se que a causa da morte teria sido "colapso".
(Crédito da foto: www.celebripets.com)

7 de fevereiro de 2007

Novos filmes em velho technicolor

Velhos filmes em technicolor já podem ser restaurados e gerar cópias mais nítidas e realistas do que as originais. O que tornou isto possível é o processo digital de restauração chamado Ultra Resolution, inventado pelas irmãs norte-americanas Karen Perlmutter e Sharon Perlmutter, que alinha com precisão as imagens de cada fotograma dos três negativos originais.
Como se sabe, o sistema technicolor que vigorou entre 1932 e 1954 era bastante complicado. Requeria o uso de câmera especial, que filmava com três fitas. Grosso modo, cada fita captava uma das cores básicas, advindas dos filtros correspondentes: vermelho, verde e azul. O problema decorrente é que a ação do tempo deforma, diferentemente, cada suporte de celulóide e dificulta o ajustamento dos fotogramas, o que é necessário para se tirar cópias em que os quadros saiam exatos. Agora, graças ao Ultra Resolution, o problema foi resolvido.
O primeiro filme de longa-metragem, nesse sistema, foi Vaidade e beleza (Becky Sharp, 1935) e o último, Sangue mestiço (Firefox, 1955).

(Na foto, Karen Perlmutter. Crédito: www.emeconline.com)

6 de fevereiro de 2007

Assim pensava Paulo Francis 2

Sem falar da imensa apelação que é Cape Fear [Cabo do medo], uma desgraça para a raça humana (em inglês, rima), como escreveu Terence Rafferty, no New Yorker, e pichadíssimo também aqui.
(O Estado de S. Paulo, 19-04-92)

...Juliette Lewis, a que foi seviciada em "Cape Fear" [Cabo do medo], aquela nojeira.
(O Globo, 10-09-92)

Woody [Allen] vai sobre Juliette Lewis, a menina seviciada pelo gnomo Scorsese em "Cape Fear" [Cabo do medo].
(O Globo, 24-09-92)

Scorsese é o mais ousado cineasta vivo. Quando os críticos pararem de bajular A marca da maldade, Touch of evil, de Orson Welles, talvez percebam que Cabo do medo, Cape Fear, é um clássico do horror.
(O Estado de São Paulo, 23-05-93)

(Crédito da foto: www.interfilmes.com)

Era uma vez em 31 de janeiro de 2007

LEE BERGERE (88 anos, de causa não divulgada), ator norte-americano com longa carreira na TV, mas cujo trabalho no cinema ficou restrito a dois filmes: Bob, Carol, Ted e Alice (1969) e Time Trackers (1989). Estava inativo desde 1989.

5 de fevereiro de 2007

Scorsese é o melhor segundo o sindicato dos diretores

Martin Scorsese foi eleito o melhor diretor de 2006 pelo Sindicato dos Diretores da América, pelo filme Os infiltrados. Esta é a primeira vez que ele recebe o galardão de seus pares, embora tenha sido indicado seis vezes anteriormente. Os outros concorrentes eram: Alejandro González Iñárritu (Babel), Bill Condon (Dreamgirls -- Em busca de um sonho), Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine) e Stephen Frears (A rainha). Premiação foi anunciada no último sábado, 3.

(Crédito da foto: http://www.angolaxyami.com/)

3 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 1º de fevereiro de 2007

GIAN CARLO MENOTTI (95 anos, de causa não divulgada), compositor italiano, que dirigiu apenas um filme, Il Medium (1951), adaptação de sua ópera homônima, que recebeu o prêmio de melhor filme lírico no Festival de Cannes. Ganhou o prêmio Pulitzer em 1950, pela ópera O cônsul, e em 1954, por O santo da rua Bleecker.

Curiosidade: Em 1951, Menotti foi incumbido pela rede norte-americna NBC de escrever a primeira ópera para a TV: Amahl e os visitantes da noite, que conquistou o prêmio televisivo George Foster Peabody.
(Crédito da foto: www.time.com)

2 de fevereiro de 2007

Festival do filme noir

O 5º Festival do Filme Noir City teve início na última sexta-feira, 26, no Castro Theater, em São Francisco, Califórnia. A abertura se deu com o filme Entre dois fogos (1948), de Anthonny Mann. A atriz Marsha Hunt, 89 anos, convidada especialmente para a ocasião, subiu ao palco para falar ao público e disse que na época em que faziam esse tipo de filme o termo 'noir' não havia sido cunhado ainda. Ela é a única sobrevivente do elenco encabeçado por Dennis O'Keefe e Claire Trevor.
O heterogênio público, composto de pessoas de variadas extrações sociais e faixas etárias, praticamente lotou as mais de 1.400 poltronas do cinema e aplaudiu com entusiasmo ao final da sessão.
O evento surgiu da iniciativa do escritor Eddie Muller, aficionado do filme noir. Ele teve a idéia de criar o festival no intuito de chamar a atenção para a Film Noir Foundation, que ele dirige e que trabalha para restaurar os filmes do gênero.
O festival vai até o dia 4 de fevereiro. (Fonte: The New York Times, 29-01-2007)

(Crédito da foto: www.booksnbytes.com)

1 de fevereiro de 2007

Assim pensava Paulo Francis

Fui ver "Empire of the Sun", Império do Sol, "de" Steven Spielberg. Li o livro de J. G. Ballard, em que em geral não toco porque especialista em "science fiction" e cansei do gênero com H. G. Wells (...). O filme é como comida chinesa. Meia hora depois você está com fome. Spielberg adora máquinas, o que ele faz de um Mustang (caça americano na Segunda Guerra) é o que imaginamos da mulher amada em nossos sonhos. Há maquinária praca, cenas de massa etc. A ambivalência moral de Ballard, nem sombra. (...) Spielberg quer ser levado a sério. Ganhar o prêmio da academia. (...) Mas "Empire of the Sun" não é a porcaria habitual. É alto "kitsch".
(Folha de S. Paulo, 17-12-87)

Se eu tivesse de escolher um filme como crítico de cinema (...), considerando qualidade e a saúde da indústria, "Império do Sol", de Steven Spielberg, seria o premiado. Não é que eu tenha gostado muito. Mas é como um desastre de rua ou incêndio. "Tu" olha. Spielberg conseguiu pôr mais extras em Xangai do que deveria haver de gente na cidade nos anos 40 (...). É o que chamam um espetáculo. E Spielberg é fascinado, como eu, por aviões de combate da Segunda Guerra, como o Mustang, p-51 e o Zero, que transforma em máquinas-deuses, dando a cada um uma iluminação e uma presença que nos (a mim pelo menos) fazem bem. O romance de J. G. Ballard, "Empire of the Sun", é bem mais sutil e realista (...). O fato é que Spielberg tem um fetiche por objetos, máquinas, em especial. Ele fotografa coisas com efeitos especiais do escambau. (...) O filme é coisas, explendidamente fotografadas.
(Folha de S. Paulo, 31-12-87)

E "Império do Sol" é um filme respeitável, adulto, em que Spielberg consegue mesclar seu fascínio por máquinas, tecnologia, com a amargura do romance de J. G. Ballard. É talvez um tanto cansativo, porque excessivo como espetáculo (poderia ser reduzido uns 15 minutos), mas Spielberg tirou o seu "brevet" como cineasta.
(Folha de S. Paulo, 03-03-88)

(Crédito da foto: www.americanas.com)

31 de janeiro de 2007

Era uma vez em 30 de janeiro de 2007

SIDNEY SHELDON (89 anos, de pneumonia), escritor norte-americano, autor de roteiros de filmes como O solteirão cobiçado (1947), pelo qual ganhou o Oscar; participou do roteiro de outras comédias como O meninão (1955) e O rei do laço (1956), com a dupla Dean Martin e Jerry Lewis, e de musicais como Desfile de Páscoa (1948), prêmio do Sidicato dos Roteiristas, Ciúme, sinal de amor (1949), último filme da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers, Romance carioca (1950), em que atuou Carmen Miranda, e Bonita e valente (1950), prêmio do Sindicato dos Roteiristas; livros seus viraram filmes: O outro lado da meia-noite (1977), A herdeira (1979) e A outra face (1984); dirigiu três filmes, entre os quais O palhaço que não ri (1957), baseado na vida de Buster Keaton. Seu trabalho como produtor de TV lhe rendeu uma estrela na Calçada da Fama.
(Crédito da foto: www.bookreporter.com)

Era uma vez em 27 de janeiro de 2007

BOB CARROLL JR. (87 anos, de causa não divulgada), roteirista norte-americano; participou do roteiro do filme I Love Lucy (1953), que deu origem à série de TV homônima, para a qual trabalhou a maior parte de sua vida, e do filme Os seus, os meus, os nossos (1968, refilmado em 2005); ganhou um prêmio honorário (life achievement) do Sindicato de Roteiristas da América, por seu trabalho na TV.

30 de janeiro de 2007

O santo nome de Beethoven em vão

A vida de um gênio do quilate de Beethoven, ainda que destituída de grandes emoções, se excluída sua obra, deve ser uma tentação para cineastas às voltas com a falta de assunto. A idéia do filme O segredo de Beethoven, de Agnieszka Holland, pode ter surgido nessa circunstância.
O título brasileiro, que nada tem a ver com o original, Copying Beethoven, não podia ser mais infeliz. O único segredo da vida dele, na verdade, foi um caso de amor com mulher a que chamou numa carta de Amada Imortal.

O filme se inicia com a morte de Beethoven e, em seguida, retoma sua vida ao tempo em que ele compunha a Nona Sinfonia e, supostamente, a Grande Fuga do Quarteto em si bemol maior op. 130. O ator Ed Harris, que o retrata com razoável competência, apresenta um Beethoven com problemas de audição, mas ainda capaz de dialogar com desenvoltura.

Diante da perspectiva de realizar um grande concerto para estrear sua sinfonia, Beethoven resolve aceitar que alguém o auxilie na formidável tarefa. Assim Anna Holz, jovem estudante do Conservatório Musical de Viena, se torna sua copista e se revela a melhor colaboradora que ele podia desejar.

Anna se empenha tanto em sua função que acaba conhecendo a Nona tão bem quanto o próprio compositor. E como ele já tem dificuldade para ouvir os instrumentos, ela se oferece para ajudá-lo na hora da regência. Durante o concerto, posicionada fora da visão da platéia, ela faz os gestos que ele repete para a orquestra. Com esse arranjo estapafúrdio (o segredo, do título), o concerto é bem-sucedido e o filme chega ao desfecho, dando a falsa impressão de ter acompanhado Beethoven até seus últimos dias.

Vamos aos fatos. O concerto em que se deu a estréia da Nona Sinfonia aconteceu em 7 de maio de 1824 e a morte de Beethoven, em 26 de março de 1827. Desde 1818, com o agravamento da surdez, ele havia adotado os Livros de Conversação, para se comunicar com os interlocutores através da escrita. No concerto real, ele apenas marcou o tempo e folheou a partitura. A regência de fato ficou a cargo do violinista Schuppanzigh e do Kapellmeister Umlauf, que teve a cautela de advertir o coro e a orquestra para ignorar os gestos do compositor. E o Quarteto op. 130, do qual inicialmente fez parte a Grande Fuga op. 133, foi composto entre julho e novembro de 1825. Beethoven continuou criando grande música até novembro de 1826 e seu último trabalho foi um novo finale para o Quarteto op. 130.

A despeito de ser descarada obra de ficção, que não merecia estampar o santo nome de Beethoven no título, o filme oferece divertimento de uma certa qualidade, especialmente graças à brilhante síntese da Nona Sinfonia, regida pelo veterano maestro inglês Christopher Hogwood.
Isto é tudo que se pode dizer, em consideração ao direito de escolha da cada um.
(Crédito da foto: epipoca.uol.com.br)

Os premiados do Sundance

Saiu no último sábado, 27, em Park City, Utah, a premiação do festival de Robert Redford. O filme Padre Nuestro, de Christopher Zalla, recebeu o grande prêmio do júri de melhor filme dramático e Grace Is Gone, de James C. Strouse, foi honrado com o prêmio do público, na mesma categoria. Já o prêmio de melhor documentário, do júri, foi para a produção Brasil/EUA Manda bala, de Jason Kohn, enquanto Hear and Now, de Irene Taylor Brodsky, ficou com o prêmio do público.

29 de janeiro de 2007

Prêmios do Sindicato dos Atores

A cerimônia de entrega dos prêmios do Sindicato dos Atores da Tela aconteceu dia 28 de janeiro. E os premiados foram:
1) Elenco: Pequena Miss Sunshine
2) Ator: Forest Whitaker (O último rei da Escócia)
3) Atriz: Helen Mirren (A rainha)
4) Ator coadjuvante: Eddie Murphy (Dreamgirls - Em busca de um sonho)
5) Atriz coadjuvante: Jennifer Hudson (Dreamgirls)
6) Prêmio honorário (life achievement): Julie Andrews.
Comentário: Os atores e atrizes premiados repetiram exatamente a premiação do Globo de Ouro; isso pode ser um sinal de que já estão com o Oscar garantido. O filme Pequena Miss Sunshine reforçou ainda mais sua posição como candidato ao Oscar de melhor filme; caso a Academia queira estimular as produções de baixo orçamento, ele tem tudo para ser o escolhido.

(Crédito da foto: www.fox.es)

28 de janeiro de 2007

Sessão nostalgia: Os nibelungos

No último sábado, 27, o poeta Salomão Sousa e dona Francisca receberam amigos para assistir, em seu home theater, a dois filmes alemães de Fritz Lang: Os nibelungos: A morte de Siegfried (1924) e Os nibelungos: A vingança de Kriemhild (1924), nas versões originais e restauradas. Uma sessão com filmes de mais de 80 anos evoca o nascimento da sétima arte, recobrindo-se de ineludível nostalgia.

Enfrentaram a maratona cinematográfica de quase cinco horas o poeta João Carlos Taveira, o fotógrafo e poeta Robson Corrêa de Araújo, com sua respectiva campeã de ciclismo Maria José, o homem de sete instrumentos Erinaldo e, claro, este velho cinéfilo.
O fato de os filmes serem mudos, sonorizados apenas por eficiente trilha musical, permitiu que cada espectador fizesse observações no instante em que a cena se desenrolava. E havia muito a comentar, dada a excelência das obras, dignas da mais desbragada adjetivação.
A lenda que inspirou Os nibelungos é pródiga de aventuras e dramas humanos. A trajetória de Siegfried tem início quando ele recebe ensinamentos para forjar uma espada incomum. Com ela, ele conseguirá matar o dragão que se interpõe no seu caminho rumo ao reino de Worms, onde vive a adorável Kriemhild. Subseqüentemente, ele derrota um feiticeiro e se apossa de um elmo que lhe permite ficar invisível, o que lhe será de grande valia na tarefa que terá de cumprir para conquistar a mão de Kriemhild. Depois desenrolam-se as conseqüências de equívocos cometidos por ele ou por aqueles que o cercam na corte, que culminam com a sua morte. Na segunda parte, seguem-se as artimanhas da viúva para vingar a morte do marido, numa série de expedientes a que ela recorre para cumprir seu objetivo exclusivo, que a obceca e consome o restante de sua vida. Tudo é apresentado numa seqüência de cantos que um menestrel narra enquanto tange seu alaúde.
O visual dos filmes é de uma riqueza impressionante: a fotografia, primorosa, explora os extremos constrastes, como era usual na escola expressionista, e recorre a enquadramentos rigorosamente estudados; o desempenho dos atores é precioso, dentro do estilo da época; os figurinos e a cenografia são deslumbrantes; e o grafismo das estampas de cortinas, indumentárias, escudos e objetos de cena fascina por sua variedade, que parece inesgotável.
O clima reinante ao longo da sessão era de sincera admiração pela magnificência da mise-en-scène e dos roteiros, estes a cargo da então mulher de Lang, Thea von Harbou, que contou com a colaboração do marido no do primeiro filme. Se alguém tinha alguma dúvida a respeito da genialidade de Fritz Lang, ela foi dissipada de uma vez por todas.
(A imagem é do filme A morte de Siegfried. Crédito da foto: daily.greencine.com)

26 de janeiro de 2007

Estacionamento proibido é mais grave

TORONTO - A maioria dos norte-americanos considera o download e distribuição ilegais de filmes de Hollywood como crimes comparáveis a pequenas infrações no trânsito, informou a Hollywood Reporter, citando pesquisa.

Apenas 40% dos entrevistados pelo instituto de pesquisa Toronto Solutions Research Group concordam que baixar da internet filmes com direitos autorais é um "crime muito grave".

Essa cifra contradiz com os 78% que disseram que roubar um DVD de uma loja era um crime muito grave.

"Este é um efeito Robin Hood. A maioria das pessoas entende que as celebridades e os estúdios já são ricos e como resultado pensam que o download de filmes não é uma grande coisa", disse Kaan Yigit, diretor de estudos do Solutions Research Group.

A pesquisa revelou que 59% dos norte-americanos entrevistados consideravam estacionar em local proibido um crime mais sério do que o download de filmes.

Yigit disse que os atuais serviços de download oficiais e os novos que entrarem no mercado terão que ser mais flexíveis para convencerem os consumidores a pagarem pelas cópias. "De outra forma, o compartilhamento de arquivo continuará prosperando", disse ele.

A pesquisa Digital Life America entrevistou cerca de 2.600 norte-americanos entre junho e setembro do ano passado.

Fonte: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/012007/26012007-0.shl


25 de janeiro de 2007

O duelo Scorsese x Eastwood visto pelos ingleses

Os ingleses acreditam que o filme Os infiltrados tem mais chance de abiscoitar o Oscar de melhor filme. Pelo menos é o que se pode deduzir da cotação do filme na casa de apostas londrina Ladbrokes, que só paga 10 por 11 aos apostadores no filme de Martin Scorsese. O filme Babel, de Alejandro González Iñárritu, vem logo atrás, cotado a 9 por 4. O grande azarão é Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood, cotado a 12 por 1.

Piratas do Canadá

O país onde mais se pirateia filmes é a China. Certo? Errado. A 20th Century-Fox calcula que cerca de 50% dos filmes pirateados saem do Canadá, a maior parte procedente de Montreal, noticiou o jornal canadense Ottawa Citizen na terça-feira, 23. Segundo o periódico, a Fox já advertiu os exibidores de Montreal de que, caso nenhuma medida seja tomada para reprimir as cópias ilegais, vai retardar o lançamento de novos títulos na cidade.

24 de janeiro de 2007

Audrey Hepburn: ideal de beleza

A atriz Audrey Hepburn (1929-1993), famosa por sua magreza, parece ter-se tornado o ideal de beleza das mulheres norte-americanas deste começo de século. Ela foi eleita em 2006 a "mulher mais bonita de todos os tempos", pelas leitoras da revista New Woman. Informação extraída de Time.com de 20 de janeiro (aniversário de falecimento da atriz).
(Crédito da foto: www.20minutos.es)

23 de janeiro de 2007

Oscar 2007: os indicados

Os indicados ao Oscar nas principais categorias são:

1 ) Melhor filme:
a - Pequena Miss Sunshine
b - Babel
c - Os infiltrados
d - Cartas de Iwo Jima
e - A rainha

2) Melhor diretor:
a - Martin Scorsese (Os infiltrados)
b - Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima)
c - Paul Greengrass (Vôo United 93)
d - Alejandro González Iñárritu (Babel)
e - Stephen Frears (A rainha)

3) Melhor atriz:
a - Meryl Streep (O diabo veste Prada)
b - Penelope Cruz (Volver)
c - Kate Winslet (Pecados íntimos)
d - Judi Dench (Notas sobre um escândalo)
e - Helen Mirren (A rainha)

4) Melhor ator:
a - Leonardo DiCaprio (Diamante de sangue)
b - Forest Whitaker (O último rei da Escócia)
c - Peter O'Toole (Venus)
d - Will Smith (À procura da felicidade)
e - Ryan Gosling (Half Nelson)

5) Melhor atriz coadjuvante:
a - Adriana Barraza (Babel)
b - Cate Blanchett (Notas sobre um escândalo)
c - Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine)
d - Jennifer Hudson (Dreamgirls -- Em busca de um sonho)
e - Rinko Kikuchi (Babel)

6) Melhor ator coadjuvante:
a - Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
b - Jackie Earle Haley (Pecados íntimos)
c - Djimon Hounsou (Diamante de sangue)
d - Eddie Murphy (Dreamgirls -- Em busca de um sonho)
e - Mark Wahlberg (Os infiltrados)

7) Melhor roteiro original:
a - Babel (Guillermo Arriaga)
b - Cartas de Iwo Jima (Iris Yamashita e Paul Haggis)
c - Pequena Miss Sunshine (Michael Arndt)
d - O labirinto do fauno (Guillermo del Toro)
e - A rainha (Peter Morgan)

8) Melhor roteiro adaptado:
a - Borat (Sacha Baron Cohen, Anthony Hines, Peter Baynham, Dan Mazer e Todd Phillips)
b - Filhos da esperança (Alfonso Cuarón, Timothy J. Sexton, David Arata, Mark Fergus e Hawk Ostby)
c - Os infiltrados (William Monahan)
d - Pecados íntimos (Todd Field e Tom Perrotta)
e - Notas sobre um escândalo (Patrick Marber)

9) Melhor fotografia:
a - A dália negra (Vilmos Zsigmond)
b - Filhos da esperança (Emmanuel Lubezki)
c - O ilusionista (Dick Pope)
d - O labirinto do fauno (Guillermo Navarro)
e - O grande truque (Wally Pfister)

10) Melhor montagem:
a - Babel (Stephen Mirrione e Douglas Crise)
b - Diamante de sangue (Steven Rosenblum)
c - Filhos da esperança (Alex Rodríguez e Alfonso Cuarón)
d - Os infiltrados (Thelma Schoonmaker)
e - Vôo United 93 (Clare Douglas, Christopher Rouse e Richard Pearson)

11) Melhor direção de arte:
a - Dreamgirls -- Em busca de um sonho (John Myhre e Nancy Haigh)
b - O bom pastor (Jeannine Oppewall, Gretchen Rau e Leslie E. Rollins)
c - O labirinto do fauno (Eugenio Caballero e Pilar Revuelta)
d - Piratas do Caribe -- O baú da morte (Rick Heinrichs e Cheryl A. Carasik)
e - O grande truque (Nathan Crowley e Julie Ochipinti)

12) Melhor figurino:
a - A maldição da flor dourada (Yee Chung Man)
b - O diabo veste Prada (Patricia Field)
c - Dreamgirls -- Em busca de um sonho (Sharen Davis)
d - Maria Antonieta (Milena Canonero)
e - A rainha (Consolata Boyle)

13) Melhor trilha musical:
a - Babel (Gustavo Santaolalla)
b - O segredo de Berlim (Thomas Newman)
c - Notas sobre um escândalo (Philip Glass)
d - O labirinto do fauno (Javier Navarrete)
e - A rainha (Alexandre Desplat).

Comentário: Dreamgirls -- Em busca de um sonho teve oito indicações, mas ficou fora das principais categorias e três indicações são para uma mesma categoria: "melhor canção". Babel, de Alejandro González Iñárritu, vem a seguir com sete indicações, sendo duas na categoria "melhor atriz coadjuvante". Diferentemente do que se pensava, o filme Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood, ainda que falado em japonês, concorre na categoria "melhor filme" e em três outras. Os infiltrados, de Martin Scorsese, recebeu cinco indicações, uma a mais que o filme de Eastwood. Mas isso não facilita nada a vida de Scorsese, que, além de ter Eastwood em seus calcanhares, tem o filme de Iñárritu e Pequena Miss Sunshine lhe fazendo marolas. Vai ser uma boa oportunidade para ele tirar a prova dos nove com relação à estima que lhe devotam os membros da Academia. Se não ganhar desta vez, ainda que fique eventualmente com o prêmio de melhor filme, Scorsese pode tirar o cavalo da chuva. Aí, quem sabe, talvez um dia, um Oscarzinho honorário.

Hollywood: os piores de 2006

Foram indicados ao prêmio Razzie (Framboesa de Ouro) de piores do cinema norte-americano em 2006:

1) Filmes:
a) Instinto selvagem 2
b) BloodRayne
c) A dama na água
d) The Wicker Man
e) Little Man

2) Atores:
a) irmãos Shawn e Marlon Wayans (Little Man)
b) Rob Schneider (Little Man)
c) Nicolas Cage (The Wicker Man)
d) Larry the Cable Guy (Larry the Cable Guy: Health Inspector)
e) Tim Allen (The Santa Clause 3: The Escape Clause, The Shappy Dog e Zoom)

3) Atrizes:
a) Sharon Stone (Instinto selvagem 2)
b) Jessica Simpson (Employee of the Month)
c) Lindsay Lohan (Just My Luck)
d) Kristanna Loken (BloodRyne)
e) irmãs Hilary e Haylie Duff (Material Girls).

Comentário: Sharon Stone já foi agraciada com o prêmio Razzie de pior atriz duplamente, pelos filmes O especialista (1994) e Intersection - Uma escolha, uma renúncia (1994).

22 de janeiro de 2007

A outra volta de Sean Connery

O quarto filme de Indiana Jones, ainda sem título, poderá ter Sean Connery novamente como o pai de Harrison Ford. Em entrevista a Scotland on Sunday, o veterano ator admitiu que foi abordado por George Lucas e que está considerando seriamente essa possibilidade. Disse que nada foi decidido porque ainda não teve acesso ao roteiro. "Tudo vai depender do roteiro", concluiu Connery, que já se considerava aposentado. Seu último trabalho para o cinema foi no filme A liga extraordinária (2003), que o deixou frustrado por causa dos conflitos que teve com o diretor Stephen Norrington.
Comentário: Não deixa de ser curioso o fato de o ator concordar em voltar a fazer um papel, quando já se declarara aposentado em agosto último. Depois de conquistar fama e fortuna interpretando James Bond, ele se recusou a continuar fazendo o mesmo papel. Mas acabou convencido a estrelar mais um filme da série, 007 -- Nunca mais outra vez (1983), cujo título original, sugerido por sua mulher, Micheline, ironizava sua atitude de voltar atrás na decisão que havia tomado: Never Say Never Again (nunca diga nunca outra vez).

(Crédito da foto: www.canmag.com)

Era uma vez em 19 de janeiro de 2007

FRANCISCO PETRÔNIO (83 anos, de infecção generalizada), cantor brasileiro, que fez uma única aparição no cinema, no filme Senhora (1976), de Geraldo Vietri, baseado no romance homônimo de José de Alencar; apresentou programas musicais nas TVs Globo e Cultura.
Curiosidade: Na década de 1960, ficou conhecido nas rádios como "a voz de veludo".

(Crédito da foto: www.icd.com.br)

Oscar 2007: um nanico no páreo

Saiu no último sábado o premiado do Sindicato dos Produtores da América. O filme Pequena Miss Sunshine, que custou a pechincha de US$ 12 mi, foi eleito o melhor filme de 2006. Os outros indicados eram: Babel (US$ 25 mi), Dreamgirls - Em busca de um sonho (US$ 70 mi), Os infiltrados (US$ 90 mi) e A rainha (orçamento não divulgado).

Comentário: Nos últimos 17 anos, 11 filmes que ganharam o Oscar de melhor filme haviam conquistado o prêmio do Sindicato dos Produtores. Há também o registro de que Pequena Miss Sunshine tenha custado ainda menos: US$ 8 mi.
(Crédito da foto: movies.yahoo.com)

20 de janeiro de 2007

007: James Jones ou Indiana Bond?

Para quem não via um filme de James Bond desde 007 contra o foguete da morte (1979), até que 007 -- Cassino Royale é uma boa surpresa. Tem tudo que se espera de um filme do gênero: ação e suspense, romance e turismo, um enredo cheio de reviravoltas e com pitadas de humor, além de efeitos visuais em profusão.

Todo mundo sabe que as aventuras de James Bond surgiram em plena "guerra fria", período histórico em que EUA e URRS, após a II Guerra Mundial, retaliavam-se sem uma formal declaração de beligerância. E os filmes caíram no goto do público justo porque exploravam os conflitos entre as duas superpotências. Uma das falas mais inteligentes de 007 -- Cassino Royale aponta com precisão para esse tempo tenebroso e para os filmes de Bond da época. É proferida pela chefe do serviço de inteligência britânico, M, vivida pela ótima Judi Dench. Ao fazer comentários sobre a perda de importância de seu trabalho, ela dispara: "Tenho saudade da guerra fria". Bela ironia.

Os produtores do filme, na verdade, conseguiram emplacar um assunto da hora, que aparece todo dia nas manchetes: o terrorismo internacional. Foram felizes também ao encontrar um ator com as qualidades indispensáveis para o novo rumo que imprimem à história. Daniel Craig não exala a virilidade de Sean Connery nem possui o refinamento de Roger Moore, mas tem o porte físico que lembra Schwarzenegger e a energia de Harrison Ford. E o seu rosto não chamaria a atenção de ninguém no meio da multidão. Poderia ser o cara da porta ao lado de qualquer um.

É interessante observar a influência que certos filmes exercem sobre outros. Hoje, ninguém tem dúvida de que Intriga internacional (1959), de Hitchcock, serviu de referência para os primeiros filmes de James Bond. Depois, na década de 1980, surgiu a trilogia de Indiana Jones, criação da dupla George Lucas e Steven Spielberg, que deixou a série do agente 007 comendo poeira. Eles pegaram o dinamismo de James Bond e o levaram ao paroxismo. No terceiro filme da trilogia passaram recibo do que era inegável. Escalaram Sean Connery, o mais memorável intérprete de Bond, para o papel de pai de Indiana.

Quem vê 007 -- Cassino Royale percebe de cara a influência dos filmes de Indiana Jones. Quando o filme começa, com correrias em cenário de país do terceiro mundo, o espectador se pergunta se não errou de sala e entrou numa que esteja exibindo a última aventura de Indiana. E não demora para aparecerem cenas que remetem diretamente a Caçadores da arca perdida (1981).

A eletrizante seqüência em que Bond luta contra um terrorista, que dirige um caminhão em alta velocidade, é visivelmente inspirada naquela em que Indiana enfrenta soldados nazistas em um caminhão em disparada. Só não é tão emocionante nem tão bem decupada quanto a que a inspirou. O espaço em que ocorre, um aeroporto, não permitiria muitas variações além de topadas com tudo que se pode ter no aeroporto.

Com 144 minutos, o filme ficou mais longo que o esperado. Mas os roteiristas souberam dosar a história, dando a impressão de que o fim chega ao cabo de duas horas, quando o melhor ainda está por vir. Até a famosa fala "Meu nome é Bond, James Bond", que todo filme tem de ter, foi adiada para o último momento e dita em contexto hilariante.

Essa adaptação do livro Cassino Royale, de Ian Fleming, nada tem a ver com o filme homônimo de 1967, que era uma paródia desbragada, com vários comediantes no papel de James Bond. Mas também tinha seu charme.
(Crédito da foto: http://www.gamespot.com/)

Faroeste com reflexão

O filme Os profissionais (1966), de Richard Brooks, além de ser um excelente faroeste, oferece momentos de reflexão. Um diálogo em especial encanta os filósofos. É travado por Jesus Raza (Jack Palance), que quer recuperar a mulher, Maria (Claudia Cardinale), e Bill Dolworth (Burt Lancaster), que tem o compromisso de impedi-lo, custe o que custar, bloqueando sua passagem. Ambos estão protegidos dos tiros do outro, mas próximos o bastante para que possam ouvir o que o outro fala.
Raza: Você sabe, claro, que um de nós deve morrer.
Dolworth: Talvez nós dois.
Raza: Morrer por dinheiro é tolice.
Dolworth: Morrer por uma mulher é mais tolice ainda. Qualquer mulher. Até ela.
Raza: Por quanto tempo você pensa que vai nos deter aqui?
Dolworth: Algumas horas. Depois, o que acontecer aqui não importa. Ela será a Sra. Joe Grant novamente.
Raza: Mas isso não mudará nada. Ela é minha mulher. Antes. Agora. Sempre.
Dolworth: Nada é para sempre. A não ser a morte. Pergunte a Fierro. Pergunte a Francisco. Pergunte àqueles no cemitério dos anônimos. (Fierro e Francisco eram companheiros de Raza, que Dolworth acabara de matar.)
Raza: Eles morreram por algo em que acreditavam.
Dolworth: A revolução? Quando os tiros cessam, os mortos são enterrados e os políticos assumem, tudo acaba sendo uma coisa só: uma causa perdida.
Raza: Então? Você quer a perfeição ou nada. É muito romântico, compadre. A Revolução é como um grande caso de amor. No começo ela é uma deusa, uma causa sagrada. Mas todo caso de amor tem um inimigo terrível.
Dolworth: O tempo.
Raza: Nós a vemos como ela é. A Revolução não é uma deusa, mas uma prostituta. Ela nunca foi pura nem santa nem perfeita. Então, fugimos. Encontramos outra amante, outra causa. Casos rápidos, sórdidos. Luxúria, mas não amor. Paixão, mas não compaixão. Sem amor, sem uma causa, não somos nada. (Pausa.) Continuamos porque acreditamos. Partimos porque estamos desiludidos. Voltamos porque estamos perdidos. Morremos porque estamos engajados.

Comentário: É mesmo um belo filme, com grandes momentos. Esse diálogo, reproduzido assim, não faz justiça ao filme em si. Bom mesmo é ver os dois grandes atores dizendo as falas, a situação tensa em que se encontram, num desfiladeiro em pleno deserto, e a astúcia de cada um para cumprir seu objetivo. Não é todo dia que se pode ver um filme como esse.

(Crédito da foto: img.tesco.com)

19 de janeiro de 2007

Hamlet redescoberto

Na última terça-feira, 16, o Festival de Berlim divulgou que pretende exibir o filme alemão Hamlet (1921), produzido e estrelado por Asta Nielsen. Filmado em preto e branco, o filme foi colorido na pós-produção. A versão colorida estava perdida e foi redescoberta recentemente. Segundo a notícia liberada pelo festival, o filme causou controvérsia, à época de seu lançamento, por causa das liberdades tomadas na adaptação da peça de Shakespeare. Exemplo: "Para assegurar a sucessão ao trono, a Rainha da Dinamarca faz a filha passar por rapaz, por meio de disfarces". A atriz dinamarquesa Asta Nielsen interpreta Hamlet.
(Crédito da foto: silentladies.com)

As preferências da crítica

As premiações de 20 associações de críticos de cinema dos EUA dão uma idéia do que poderá acontecer na corrida ao Oscar 2007.

1) Sociedade de Críticos de Filme Online
a - Melhor filme: Vôo United 93
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz : Helen Mirren (A rainha)
d - Melhor ator: Forest Whitaker (O último rei da Escócia)

2) Sociedade Nacional de Críticos de Filme
a - Melhor filme: O labirinto do fauno
b - Melhor diretor: Paul Greengrass (Vôo United 93)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

3) Círculo de Críticos de Filme de Kansas City
a - Melhor filme: Vôo United 93
b - Melhor diretor: Paul Greengrass (Vôo United 93)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

4) Associação de Críticos de Filme de Austin
a - Melhor filme: Vôo United 93
b - Melhor diretor: Alfonso Cuarón (Filhos da esperança)
c - Melhor atriz: Ellen Page (Hard Candy)
d - Melhor ator: Leonardo DiCaprio (Os infiltrados)

5) Críticos de Filme Afro-Americanos
a - Melhor filme: Dreamgirls - Em busca de um sonho
b - Melhor diretor: Bill Condon (Dreamgirls)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

6) Associação de Críticos de Filme de Utah
a- Melhor filme: Vôo United 93
b - Melhor diretor: Alfonso Cuarón (Filhos da esperança)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Sacha Baron Cohen (Borat)

7) Círculo de Críticos de Filme de Oklahoma
a - Melhor filme: Vôo United 93
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

8) Associação de Críticos de Filme de Chicago
a - Melhor filme : Os infiltrados
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

9) Círculo de Críticos de Filme da Flórida
a - Melhor Filme: Os infiltrados
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

10) Sociedade de Críticos de Filme de San Diego
a - Melhor filme: Cartas de Iwo Jima
b - Melhor diretor: Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Ken Takakura (Riding Alone for Thousands of Miles)

11) Sociedade de Críticos de Filme de Phoenix
a - Melhor filme: Vôo United 93
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

12) Associação de Críticos de Filme de Dallas-Fort Worth
a - Melhor filme: Vôo United 93
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

13) Sociedade de Críticos de Filme de Las Vegas
a - Melhor filme: Os infiltrados
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

14) Associação de Críticos do Sudeste
a - Melhor filme: Os infiltrados
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

15) Círculo de Críticos de Filme de São Francisco
a - Melhor filme: Pecados íntimos
b - Melhor diretor: Paul Greengrass (Vôo United 93)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Sacha Baron Cohen

16) Círculo de Críticos de Filme de Washington, DC
a - Melhor filme: Vôo United 93
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

17) Sociedade de Críticos de Filme de Boston
a - Melhor filme: Os infiltrados
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

18) Círculo de Críticos de Filme de Nova Iorque
a - Melhor filme: Vôo United 93
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

19) Associação de Críticos de Filme de Los Angeles
a - Melhor filme: Cartas de Iwo Jima
b - Melhor diretor: Paul Greengrass (Vôo United 93)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker e Sacha Baron Cohen

20) Conselho Nacional da Crítica
a - Melhor filme: Cartas de Iwo Jima
b - Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
c - Melhor atriz: Helen Mirren
d - Melhor ator: Forest Whitaker

Comentário: Nessas premiações, Martin Scorsese ganhou de goleada de Clint Eastwood: 12 x 1. A questão é que, em Los Angeles, onde fica Hollywood, e em duas outras cidades da Califórnia, San Diego e São Francisco, nem Scorsese nem seu filme foi premiado. E pior: em San Diego, Eastwood ficou com o prêmio de melhor diretor; e seu filme Cartas de Iwo Jima ganhou o de melhor filme, o que se repetiu em Los Angles. A essa altura, Scorsese já deve estar com a barba de molho, ao pensar no Oscar, porque, embora a expectativa seja de que Cartas de Iwo Jima venha a concorrer na categoria "filme em língua estrangeira", Eastwood certamente será indicado para o prêmio de melhor diretor. Aí é que mora o perigo. A Academia deixou de premiar Scorsese, quando concorreu por Touro indomável (1980), um filme admirável, para premiar Robert Redford por um filme que desapareceu sem deixar traço.

John Wayne não morreu

Anualmente, através da Enquete Harris, os cinéfilos norte-americanos elegem as estrelas de sua preferência. Na última pesquisa, as mais votadas foram:
1 - Denzel Washington
2 - Tom Hanks
3 - John Wayne
4 - Clint Eastwood
5 - Julia Roberts
6 - Will Smith
7 - Johnny Depp
8 - Mel Gibson
9 - George Clooney
10 - Harrison Ford.
Comentário: John Wayne, que aparece em terceiro lugar, faleceu em 1979. Julia Roberts e Will Smith ficaram empatados em 5º lugar. Tom Hanks vinha liderando o ranking nos últimos anos.

(Crédito da foto: adorocinema.cidadeinternet.com.br)

18 de janeiro de 2007

Era uma vez em 17 de janeiro de 2007

ART BUCHWALD (81 anos, de falência dos rins), jornalista e escritor norte-americano; escreveu o roteiro do filme Presente de grego (1960) e diálogos adicionais, em inglês, para o filme Play time -- Tempo de diversão (1967), do cineasta e comediante francês Jacques Tati, e apareceu em três documentários; ganhou o prêmio Pulitzer, por seus comentários políticos.
Curiosidade: Em 1983, vendeu à Paramount um esboço de história, com o nome de "King for a Day", que serviu de base para o filme O rei de Nova York (1988), que rendeu mais de US$ 100 mi, sem que lhe fosse paga qualquer participação nos lucros; ele processou o estúdio, que alegou ter tido prejuízo com o filme, mas a Justiça lhe deu ganho de causa e uma indenização de US$ 900 mil; a Paramount recorreu da sentença e o caso foi resolvido em acordo entre as partes.
Crédito da foto: www.whrc.org)