31 de março de 2007

O eterno brilho das estrelas

Em enquete realizada na internet, em 21-03-07, para saber qual das maiores lendas femininas do cinema, entre as dez primeiras do ranking do American Film Institute, deixou mais saudade nos cinéfilos, a eleita foi Audrey Hepburn.
A seguir, o resultado da votação:
1ª) Audrey Hepburn....... 32,05%
2ª) Katharine Hepburn.. 22,4%
3ª) Marilyn Monroe....... 14,9%
4ª) Ingrid Bergman........ 10,8%
5ª) Judy Garland............ 8,1%
As demais, por ordem decrescente de preferência, são: Bette Davis, Elizabeth Taylor (a única viva, mas ausente das telas de cinema desde 1994), Marlene Dietrich, Greta Garbo, Joan Crawford. Votaram 19.049 internautas.
Comentário: Audrey Hepburn foi eleita, em 2006, "a mulher mais bonita de todos os tempos", pelas leitoras da revista norte-americana New Woman.

(Crédito da foto: www.mymovies.it)

30 de março de 2007

Duelo de gigantes: Viacom x Google

A revista Forbes divulgou em seu saite, na última quarta-feira, 28, que a Viacom (controladora da Paramount) está processando o Google e sua subsidiária YouTube para receber US$ 1 bi de ressarcimento por direitos autorais. Enquanto alguns analistas suspeitam que o processo seria mera tátita, "ploy", da Viacom para conseguir um acordo favorável do YouTube, outros acreditam na possibilidade de o caso acabar no tribunal mesmo. Segundo a revista, ambas as empresas dispõem de recursos suficientes para levar a questão a julgamento. A Viacom estaria com mais de US$ 700 mi "in cash", enquanto o Google teria mais de US$ 11 bi à disposição. É briga de cachorro grande.

Jane Fonda sentiu culpa ao ganhar seu 1º Oscar

A atriz Jane Fonda ganhou seu primeiro Oscar num momento em que era ferrenha ativista contra a Guerra do Vietnã. Entretanto, ao receber o prêmio, por sua atuação no filme Klute -- O passado condena (1971), ela não fez qualquer comentário político, ao contrário do que se esperava, a exemplo de outros ganhadores ao longo da história da premiação. Agora já se sabe o motivo de seu comportamento discreto, na ocasião. Em recente entrevista a Robert Osborne, do canal norte-americano TCM, ela revelou que seu pai, o lendário ator Henry Fonda, aconselhou-a a evitar comentários políticos em seu discurso. E confessou que teve sentimento de culpa, por ser premiada antes do pai: "Eu me dei conta de que eu tinha ganhado um Oscar e que meu pai nunca o havia ganho. Eu chorei muito. Parecia realmente uma injustiça."

(Crédito da foto: www.americanphoto.co.jp)

28 de março de 2007

Marlon Brando faz muita falta

Em enquete realizada em 20-03-07, para saber qual o ator norte-americano faz mais falta, entre os dez melhor classificados no ranking do American Film Institute, votaram 23.059 internautas e a escolha recaiu em Marlon Brando.
Eis o resultado da votação:
1º) Marlon Brando......... 27,3% dos votos
2º) James Stewart.......... 24,1%
3º) Cary Grant................ 15,0%
4º) Humphrey Bogart.... 12,8%
5º) Charlie Chaplin......... 9,1%
Os demais votados, por ordem decrescente das preferências, foram: Henry Fonda, Fred Astaire, Clark Gable, Spencer Tracy e James Cagney. Todos eles só estão vivos nos filmes.

(Crédito da foto: www.mondo-exotica.net)

27 de março de 2007

Mais uma estrela na Calçada da Fama

Halle Berry, que já ganhou o Oscar de melhor atriz, por sua atuação no filme A última ceia (2001), vai ser homenageada com uma estrela na Calçada da Fama. Sua estrela será a 2.333ª e ficará bem em frente ao Kodak Theatre, local onde acontece a cerimônia de entrega do Oscar. A inauguração está prevista para a próxima semana.

(Crédito da foto: www.bbc.co.uk)

26 de março de 2007

Filmes raros e antigos de graça

Filmes cujos direitos autorais caíram em domínio público ou expiraram estão disponíveis para "download" gratuito ou visualização em tempo real, na internet. Tudo dentro da lei, sem nenhum risco de acusação de pirataria.
São três as vias que dão acesso tanto a clássicos como O fantasma da ópera (1925) quanto a deliciosas comédias com Cary Grant e até a raridades européias e asiáticas:
1) o Veoh, talvez o serviço mais bem organizado;
2) o Emol, considerado um tanto bagunçado, é o caminho certo para relíquias do cinema e raridades exóticas;
3) o Public Domain Torrents dá acesso, através do software/protocolo Bittorrent, a "download" legalizado de filmes para se ver no DVD, no iPod e até no Playstation Portátil.
No caso do Veoh, exige-se um rápido e gratuito cadastro. O Emol oferece três opções de qualidade: baixa, média e original; na "baixa", a imagem não é boa; na "média", como o termo indica, há melhor nitidez; e na "original", o arquivo é grande e o filme pode ser guardado no computador ou gravado em DVD.
(Fonte: Webinsider)
(Na foto, Lon Chaney como o fantasma da ópera. Crédito: www.cinemaria.it)

25 de março de 2007

Frases que o tempo consagrou

O American Film Institute elegeu, há algum tempo, as 100 frases de diálogo mais antológicas do cinema. O filme E o vento levou (1939) teve três frases escolhidas, uma das quais pegou o primeiro lugar do ranking. Vão a seguir as frases em inglês, com a respectiva posição classificatória, a tradução e a indicação do momento do filme em que são pronunciadas:

) "Frankly, my dear, I don't give a damn." (Francamente, querida, eu não ligo a mínima.)
Obs.: Última fala de Clark Gable.

31ª) "After all, tomorrow is another day." (Afinal, amanhã é outro dia.)
Obs.: Última fala de Vivien Leigh.

59ª) "As God is my witness, I'll never be hungry again." (Com Deus por testemunha, eu nunca mais passarei fome.)
Obs.: Última fala da primeira parte do filme (Vivien Leigh).

(Crédito da foto: www.archinect.com)

21 de março de 2007

Era uma vez em 17 de março de 2007

FREDDIE FRANCIS (89 anos, de causa não divulgada), cinematografista inglês; seu primeiro trabalho foi como assistente de câmera, em 1937, mas só no segundo filme, quando fotografou a parte da África de Covardia (1947), sua carreira começou para valer; foi operador de câmera de 16 filmes, até 1956; nesse mesmo ano, passou a ser diretor de fotografia, atuando em filmes como Almas em leilão (1959), Filhos e amantes (1960), que lhe deu o primeiro Oscar, O homem elefante (1980), Tempo de glória (1989), que lhe deu o segundo e último Oscar, Cabo do medo (1991) e 27 outros, até 1999; a partir de 1962 passou a dirigir também, especializando-se em filmes de terror: Paranóico (1963), O monstro de Frankenstein (1964), Terrível pesadelo (1965), Drácula, o perfil do diabo (1968), e daí para pior, completando 28 filmes em 1987. Ganhou quatro prêmios de melhor fotografia da Sociedade Britânica de Cinematografistas e dois outros, além de oito prêmios honorários (life achievement), sempre por seu trabalho como fotógrafo, bem entendido.

(Crédito da foto: www.stopklatka.pal)

China combate pirataria

A loja Ka de Club, de Xangai, famosa por seu estoque de DVDs pirateados, foi multada por um tribunal local. A corte sentenciou que a loja vendeu ilegalmente DVDs de O senhor dos anéis e Os incríveis, multando-a em 3.200 dólares. O consultor jurídico da Motion Picture Association na Ásia, Frank Rittman, declarou-se desapontado com a insignificância do valor estabelecido pela sentença, segundo noticiou o jornal londrino Financial Times, na terça-feira, 20.

20 de março de 2007

Era uma vez em 15 de março de 2007

STUART ROSENBERG (79 anos, de ataque cardíaco), cineasta norte-americano que teve a sorte de contar com a presença de Paul Newman em quatro de seus filmes: Rebeldia indomável (1967), seu melhor filme, A sala dos espelhos (1970), Meu nome é Jim Kane (1972) e A piscina mortal (1975); seu filme Question 7 (1961), nunca exibido no Brasil, ganhou dois prêmios no Festival de Berlim: OCIC, concedido pela Igreja Católica, e o de melhor filme apropriado para os jovens; seu último trabalho foi My Heroes Have Always Been Cowboys (1991); sua carreira foi mais extensa na TV, onde começou e que lhe deu um Emmy.
Curiosidade: Embora Rosenberg não tenha revelado maior talento como diretor, Paul Newman fez a seguinte declaração a seu respeito: "Ele era tão bom quanto qualquer um com quem eu tenha trabalhado".
(Crédito da foto: www.americanas.com)

18 de março de 2007

Uma lição de cinema de Clint Eastwood

Um bom diretor consegue detectar, por intuição, as possibilidades de um bom roteiro e emprega todo seu talento no sentido de melhor servi-lo. Isto é o que se vê no filme Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood. Todos os recursos técnicos e humanos foram usados para contar, da forma mais precisa possível, sem malabarismos, o drama dos soldados japoneses que lutaram em Iwo Jima.

A fotografia do filme é um caso à parte. A câmera raramente se move. Limita-se a mostrar o comportamento daqueles que vão perder a batalha, como um espectador impassível. Dentro de cavernas e túneis, às vezes trepida, para ampliar o efeito das explosões sobre os abrigos. Quando sai, é para mostrar a superioridade do inimigo, em homens e armas, enquadrando o espaço circundante, quando possível, de jeito a realçar seu lado sinistro, ameaçador.

O diretor optou pela adulteração da cor, aproximando-se do preto e branco, com realce apenas da cor vermelha, por processo digital, nos detalhes da farda, na bandeira japonesa, no sangue dos feridos e no fogo dos lança-chamas e das explosões. Os focos de luz que iluminam os atores foram posicionados na horizontal, em parte para simular a luz natural que penetra nos abrigos, em parte para dar a impressão de que as personagens são espectros. Tanto que a mesma iluminação foi usada também nos momentos em que os soldados saem dos abrigos.

A trilha sonora é quase toda constituída de sons da batalha. A música é usada muito discretamente. Às vezes, quando o bombardeio dá uma trégua, ouve-se um delicado dedilhar no piano. Ela só ganha mais presença nas cenas em flash-back de Kuribayashi nos Estados Unidos.

A história, narrada do ponto de vista do soldado Saigo, tem uma segunda instância narrativa no general Kuribayashi. O primeiro escreve cartas para sua jovem esposa; o segundo, para o casal de filhos e a mulher.

Ninguém, em momento algum, tem a ilusão de que possa ganhar a batalha. Saigo diz, logo no início, que seria melhor entregar a ilha aos norte-americanos, pois ela "fede, é quente, cheia de insetos e não tem água".

Assim que chega à ilha, o general Kuribayashi se põe a traçar uma nova estratégia para a defesa da ilha, com o intuito de resistir às investidas do inimigo pelo maior tempo possível. Ele prevê que, após tomarem posse de Iwo Jima, os norte-americanos irão usá-la como base para atacar o seu país. Por isso, está empenhado em manter o domínio da ilha até o último homem. Além de seu dever para com a pátria, preocupa-o o que possa acontecer a seus filhos. "Se os nossos filhos tiverem mais um dia de paz, terá valido a pena o dia defendido", justifica-se.

O general é informado, antes de a invasão ter início, de que não poderá contar com o apoio nem da força aérea nem da marítima, que acabam de sofrer sérios reveses. E no curso da batalha, as dificuldades se sucedem. Metralhadoras destroçadas não podem ser repostas, e a munição vai aos poucos se esgotando. Quando os invasores tomam o monte Suribachi, entra em cena um inimigo interno da alma japonesa. O coronel Adachi, responsável pela defesa do monte, resolve cometer suicídio e exige que seus subordinados façam o mesmo, em nome da honra. Vários se matam, usando granadas, e as explosões são brutais.

O pelotão comandado pelo tenente-coronel Nishi recolhe um soldado norte-americano ferido. Nishi, que sabe inglês, conversa com ele amistosamente. Conta-lhe que competiu nas Olimpíadas de Los Angeles de 1932 e ficou amigo do casal de estrelas do cinema Mary Pickford e Douglas Fairbanks. O soldado morre, em conseqüência dos ferimentos, e Nishi pega o papel que ele tem na mão. É uma carta de sua mãe, que dirige ao filho palavras de consolo e de incentivo para que ele faça o que deve ser feito. Ao ficar cego numa explosão, Nishi se despede de seus subordinados, que partem em busca de novo abrigo, encorajando-os com frases que leu na carta do soldado morto.

Depois de vários dias sem água e comida, dois soldados decidem se render ao inimigo, por terem ouvido dizer que os norte-americanos dão água e comida aos que se rendem. De fato, logo recebem cada qual um copo d'água e se sentem bem. Mas o pelotão, ao se deslocar, os deixa sob a guarda de soldados impiedosos.

Quando cai ferido, o general Kuribayashi decide se auto-sacrificar e pede a Saigo que o enterre, para que seu corpo não seja encontrado. Após cumprir o que prometera ao general, Saigo é feito prisioneiro. E, quando vê a arma com que o general se matara presa ao cinto de um norte-americano, ele se unfurece e brande a pá que ainda tem nas mãos, tentando, com as energias que lhe restam, atingir os inimigos. Até que é derrubado e posto fora de combate. No final, porém, fica-se sabendo que ele foi poupado.

Embora o filme seja a expressão da idéia de que a guerra é uma estupidez inútil, pode ser que Eastwood tenha aproveitado a oportunidade para expor seu ponto de vista sobre a conduta de um soldado no campo de batalha. Os dois únicos soldados que são mostrados como possíveis sobreviventes não se renderam. Além de Saigo, outro japonês pode ter sido poupado. Ele perdeu a esperança de sair vivo, mas tem a intenção de destruir um tanque inimigo com ele. Pendura no corpo algumas minas, borra o rosto com o sangue de um morto e se deita, como se morto estivesse, à espera de que um tanque passe sobre ele. Mas acaba sendo aprisionado. Os valentes, sem dúvida, merecem viver.

Para um diretor de Hollywood, havia o risco de resvalar para a antipatia aos japoneses, que eram os inimigos, ou para o sentimentalismo fácil, já que enfoca os perdedores. Mas o veterano Eastwood conseguiu equilibrar-se sobre uma linha tênue, em terreno mais que minado. Mostrou os japoneses como seres humanos sensíveis ou heróicos, sem omitir os aspectos negativos de sua cultura à época. Não é pouco, mesmo contando com a ajuda de uma roteirista japonesa.

Do alto de seus 76 anos, o diretor realizou a síntese entre o bem e o mal para visitar os fantasmas de Iwo Jima com os olhos da compaixão. E o resultado é surpreendente. Filmes como esse, que causam impacto, provocam mossa, estão se tornando cada vez mais raros. Pior para o cinema.
(Texto publicado pelo semanário Jornal Opção, de Goiânia, edição de 11 a 17 de março de 2007. Acesse: www.jornalopcao.com.br)

(Crédito da foto: expresso.clix.pt)

'Babel' na China

O filme Babel, do mexicano Alejandro González Iñárritu, estreou na China na última segunda-feira, 12. Antes, porém, sofreu cortes de cerca de cinco minutos, em cenas consideradas "sexualmente explícitas demais" pelos censores chineses. As cenas castradas são aquelas em que uma jovem japonesa -- interpretada por Rinko Kikuchi, indicada ao Oscar -- tenta seduzir um homem mais velho, afastando a saia e mostrando-lhe a genitália. O governo chinês só permite a exibição de 20 filmes estrangeiros por ano. E desde que cortadas as cenas de violência, de sexo ou politicamente polêmicas.
(Crédito da foto: www.alarm-alarm.com)

14 de março de 2007

Era uma vez em 12 de março de 2007

BETTY HUTTON (86 anos, de causa não divulgada), cantora e atriz norte-americana, que estreou em 1939, num curta-metragem, e se tornou uma das mais requisitadas atrizes de musicais e comédias, a exemplo de Papai por acaso (1944), A tentação da sereia (1944), Brasa viva (1949), Bonita e valente (1950) e Nasci para bailar (1950), em que foi parceira de Fred Astaire; uma raridade em sua carreira foi o gênero drama, como O maior espetáculo da terra (1952) e O amor chegou com a primavera (1957), com o qual se despediu do cinema, após 21 filmes. Ganhou os prêmios Golden Apple, em 1944, como a atriz mais cooperativa; Photoplay, em 1950, como a mais popular estrela feminina, por Bonita e valente, além de um estrela na Calçada da Fama.

(Crédito da foto: www.filmforum.org)

13 de março de 2007

Era uma vez em 10 de março de 2007

RICHARD JENI (49 anos, de suicídio), compositor, roteirista, produtor e, sobretudo, ator norte-americano, que trabalhou mais para a TV; no cinema, estreou em pequeno papel de Bird (1988), de Clint Eastwood, e apareceu em dois outros filmes apenas, um dos quais foi O máscara (1994), com Jim Carrey. Admirado como comediante, recebeu o Prêmio da Comédia Americana, em 1993, como o mais engraçado comediante masculino.

(Crédito da foto: http://www.voy.com/)

10 de março de 2007

Tarantino, cineasta amador

O cineasta norte-americano Quentin Tarantino, que completará 44 anos no próximo dia 27, rejeita a idéia de que seja um diretor profissional. Ele tem na realização de filmes um hobby e não um trabalho. Embora dirija filmes há 20 anos, ele se recusa a participar do Sindicato dos Diretores, declarando: "Prefiro continuar na minha condição de amador".

(Crédito da foto: www.icicom.up.pt)

9 de março de 2007

Assim pensava Paulo Francis 3

[Graham] Greene não diz palavra sobre a contribuição de [Orson] Welles ao filme [O terceiro homem], uma fala expressiva que [Andrew] Sarris considera niilista, aquela em que ele diz que os Borgias governaram a Itália por 30 anos, com guerras e o diabo, e houve a Renascença, enquanto que os suíços tiveram 500 anos de amor fraternal e produziram o cuco. A fala não consta do 'script' de Greene (que ele publicou como noveleta). Mas Welles, que a deve ter inventado, ganhou mais fama por esse papel do que por 'Cidadão Kane', digo, como ator.
(Folha de S. Paulo, 06-02-88)

E em 'O Terceiro Homem', sua aparição maravilhosa numa entrada de rua em Viena, com zítara, gato, luzes do diretor Carol Reed e sua cara de lua, irônica e detaché. Falando nisso, quem escreveu que os suíços em 500 anos de paz produziram só o cuco não foi Welles, foi Graham Greene, autor do 'script'.
(Folha de S. Paulo, Revista d, 21-10-90)

Que bobagem Orson Welles diz em O terceiro homem, The third man, estragando o script de Graham Greene. Fala que em quinhentos anos de paz os suíços só produziram o cuco. Os suíços produziram Rousseau, que é a raiz de todo o pensamento revolucionário, fonte e origem do conceito pós-religioso de utopia. E Calvino, o pensador religioso mais influente depois de Jesus Cristo.
(O Estado de S. Paulo, 20-05-93)

Rodando o botão pelos cabos, dou com "O terceiro homem". Orson Welles, no elevador, pontifica para Joseph Cotten que a criatividade humana vem de conflitos. A Itália, sob Borgias e Medicis, gerou a Renascença. Já na Suíça, continua Welles, "Harry Lime", 500 anos de paz, deu o cuco. Cinéfilos têm muito orgulho dessa "filosofada" de um dos seus ícones. A Suíça deu Jean-Jacques Rousseau, que é o pensador humanista mais revolucionário que já existiu. (...) Suíço é também Calvino, o pensador religioso mais influente depois de São Paulo, apóstolo.
(O Globo, 10-07-94)

O que disse a respeito Orson Welles: Tudo o que lhes quero dizer, é que escrevi inteiramente o papel de Harry Lime, porque me pus a pensar nessa personagem procedendo por piadas. Não sou o autor da anedota do cuco, tirei-a duma peça húngara. Agora, sabem, cada peça húngara é o plágio de outra peça húngara, a quem atribuir a paternidade dessa anedota? Lembro-me de ter ouvido essa piada na minha infância, não exatamente a mesma, mas quase. Vêem que é uma piada muito velha. E o mais engraçado é que o relógio cuco é fabricado na Floresta Negra, não na Suíça.
(Entrevista a André Bazin, Charles Bitsch e Jean Domarchi, publicada nos Cahiers du Cinéma nº 87, setembro de 1958)

(Crédito da foto: www.sergiosakall.com.br)

6 de março de 2007

John Wayne para todos os gostos

As divisões de vídeo da Warner Bros. e da Paramount se uniram para uma inciativa sem precedentes. Vão lançar, de uma só vez, 48 filmes de John Wayne. O dia escolhido foi 22 de maio, por ser, dizem, a data do centésimo aniversário de nascimento do ator. Serão 34 filmes da Warner Home Video e 14 da Paramount Home Entertainment. O anúncio foi feito na segunda-feira, 5.
Comentário: Um evento comercial dessa magnitude só é possível por causa do apelo que a figura de John Wayne continua tendo junto ao público norte-americano. Seu nome ficou em 3º lugar, na última enquete Harris, entre as estrelas preferidas dos cinéfilos dos Estados Unidos. A enquete Harris é realizada anualmente. John Wayne nasceu em 26 de maio de 1907.

(Crédito da foto: www.sheilaomalley.com)

4 de março de 2007

Desconstruindo a guerra

Na primeira cena de A Conquista da Honra, (Flags of Our Fathers, 2006), Clint Eastwood dá o tom do filme. A câmera gira espetacularmente em volta de um soldado perdido em terreno arrasado, ouvindo vozes de soldados mortos chamando pelo enfermeiro. Em seguida se esclarece que a imagem é a expressão do pesadelo do enfermeiro John Bradley, sobrevivente da batalha de Iwo Jima. O filme se propõe a desconstruir a guerra, mas usando de toda a parafernália tecnológica que torne a matança fotogênica. Convém ter presente que Steven Spielberg é um dos produtores do filme.

Com um roteiro engenhoso nas mãos, extraído do livro homônimo da dupla James Bradley, filho de John, e Ron Powers, Eastwood articula duas narrativas paralelas. De um lado, os esforços de James para reconstituir a história do pai, de outro, a trajetória de três soldados que participam de uma campanha de arrecadação de fundos. E, intercaladas sabiamente ao longo do filme, cenas da batalha de Iwo Jima, reconstituídas com efeitos visuais e sonoros exuberantes.

Um detalhe do filme, em especial, evidencia o domínio que Eastwood tem da técnica cinematográfica. Quando a tropa desembarca em Iwo Jima, ele mostra as armas japonesas sendo posicionadas, sem que se veja quem as está manejando. Depois ele muda o ângulo da câmera para mostrar, do ponto de vista dos japoneses, os estragos na tropa norte-americana provocados pelas rajadas de metralhadora e pelos disparos de canhão.

Produzido no momento em que os Estados Unidos estão atolados no areal do Iraque, o filme parece ter sido feito justamente para servir como uma ducha de água fria no ânimo do povo norte-americano. Aqui, vê-se um soldado evaporar numa explosão; ali, aparece uma cabeça sem o corpo; acolá, um grupo é vítima de fogo-amigo. Eastwood não se esqueceu nem da locutora da rádio alemã a fazer insinuações sobre a conduta das esposas deixadas sós em casa. Para coroar tudo, a farsa da fabricação de heróis e o cinismo dos vendedores de bônus de guerra.

O foco da trama é uma foto de seis soldados levantando a bandeira norte-americana no ponto mais alto da ilha de Iwo Jima, o monte Suribachi. A foto ganha o mundo na primeira página dos jornais, e, então, os chefes militares têm a idéia de pegar os três sobreviventes do grupo -- René Gagnon, Ira Hayes e John Bradley -- e mover uma campanha nacional de arrecadação de fundos para financiar a guerra. Mas o filme se encarrega de desmontar, gradativamente, toda a fantasia construída em torno da foto e dos supostos heróis que nela aparecem.

Desde o início, o filme coloca a questão da influência das imagens nos destinos de uma guerra. Ao ser entrevistado por James Bradley, um sabichão diz que foi graças à tal foto que os Estados Unidos derrotaram o Japão, assim como a Guerra do Vietnã foi perdida por causa de uma foto -- aquela do vietnamita indefeso tendo a cabeça trespassada por uma bala. Bobagem. É evidente que foto nenhuma tem tanto poder. É delírio de quem vive da manipulação de imagens.

Já que a premissa do filme é que os Estados Unidos derrotaram os japoneses, na II Guerra Mundial, graças à exploração habilidosa de uma foto, Eastwood, espertamente, encaixou uma "explicação" para a derrota no Vietnã, usando o reverso do argumento. Se colar, o governo Bush poderia alegar que o atoleiro no Iraque é decorrente daquelas vexaminosas fotos de Abu Ghraib.

Para resumir a ópera, a personagem do filho do enfermeiro opina: "Herói é algo que nós construímos, é algo de que precisamos". Bela filosofia de botequim. Uma leitura mais atenta do filme pode conduzir a outra conclusão. As crises de consciência de Ira Hayes, que explicam sua bebedeira, decorrem do fato de ele considerar heróis somente os companheiros que morreram na batalha. Ele chega a viajar 2 mil quilômetros só para contar ao pai de um soldado morto que seu filho estava no grupo que levantou a bandeira. E John Bradley vive atormentado, até o instante de sua morte, pela lembrança da perda do amigo Iggy, que evaporou durante a batalha.

Com isso, chega-se a uma das frases-rótulo ("tagline", em inglês) usadas para divulgar o filme nos Estados Unidos: "Every soldier stands beside a hero", traduzida no Brasil para: "Ao lado de cada soldado há um herói". A idéia do filme, deduz-se, é que só são heróis os mortos. O que se contrapõe ao que pensava Samuel Fuller, veterano da II Guerra, que fez sua súmula sobre a guerra no filme Agonia e Glória (1980). Para ele, o único heroísmo na guerra é sobreviver.

Mas A conquista da honra parece tangenciar uma questão interssante. Talvez o problema da imagem do herói esteja na dificuldade de se dar um rosto ao heroísmo que sem dúvida se faz presente na guerra. Uma batalha em que a proporção de mortos foi da ordem de três japoneses para um norte-americano teve certamente seus heróis. E não se pode negar que as imagens têm um papel a cumprir no teatro da guerra. Se o uso da foto da bandeira no monte Suribachi serviu para incentivar a população norte-americana a tirar o escorpião do bolso e entregar os dólares necessários num momento crucial da guerra, foi bem feito. Afinal, na guerra, como no amor, vale tudo.
(Texto publicado pelo semanário Jornal Opção, de Goiânia, edição de 25-02 a 03-03-2007. Acesse: http://www.jornalopcao.com.br/)


(Crédito da foto: http://www.bomdiariopreto.com.br/)

2 de março de 2007

Era uma vez em 1º de março de 2007

CARVALHINHO (79 anos, de parada cardíaca), ator brasileiro, que estreou no cinema na comédia Caídos do céu (1946), mas só teve uma segunda chance em Com jeito vai (1957), quando mergulhou direto na chanchada; raramente teve oportunidade em uma produção mais ambiciosa, como As duas faces da moeda (1969), de Domingos de Oliveira; como seu forte era a comédia, foram muitas pornochanchadas e alguns filmes dos Trapalhões, até a fonte secar, com A boca do prazer (1984); só voltou ao cinema em Irma Vap -- O retorno (2006), para se despedir; ao todo, foram 27 filmes.

(Crédito da foto: gazetaonline.globo.com)

1 de março de 2007

Paramount fará filmes para o DVD

O mercado norte-americano de DVD, cujas vendas atingiram a cifra de 16,6 bilhões de dólares em 2006, já pode sustentar a produção de filmes. A Paramount, um dos estúdios mais importantes de Hollywood, decidiu criar uma divisão para produzir filmes a serem lançados diretamente em DVD, sem passar pelas salas de cinema. A unidade será dirigida por Louis Feola, que teve experiência com esse tipo de trabalho na Universal. A Paramount pretende lançar no mercado continuações ("sequels" e "prequels") de grandes sucessos do cinema, recorrendo ao sistema de franquia.

27 de fevereiro de 2007

Lei de Murphy

O ator Eddie Murphy escafedeu-se da cerimônia do Oscar, após perder o prêmio para Alan Arkin, na categoria "ator coadjuvante". Murphy concorria pelo filme Dreamgirls -- Em busca de um sonho, e era o favorito, por ter ganho o Globo de Ouro e a láurea do Sindicato dos Atores da Tela. De início, ele tentou disfarçar seu desapontamento, declarando à publicação Us Weekly: "Está ótimo. Acontece. Está certo." Mas, em seguida, saiu com a namorada e não voltou mais.
Comentário: Trata-se da primeira vez que o ator, de 45 anos, foi indicado ao Oscar. Ele devia mirar-se no exemplo de Martin Scorsese, que só botou a mão na estueta agora, na sexta indicação, aos 64 anos, e ainda viu vantagem nisso.

(Crédito da foto: www.insidesocal.com).

Scorsese dá lição de humildade

O diretor Martin Scorsese acha que foi bom não ter ganho o Oscar no começo da carreira, porque o prêmio poderia tê-lo levado a mudar sua maneira de fazer filmes. Eis o que ele declarou, em inglês, seguido de uma tentativa de tradução: "I've just been used to not winning. It's about getting the pictures made. But when you win something, you appreciate it. (...) Good thing I didn't get before, because maybe it would have changed the kind of movies I would have made. (...) I'm glad it's taken this long. It's been worth it." Isto, em português, significa mais ou menos o seguinte: "Eu me acostumei a não ser vitorioso. Estou por aí aprendendo a fazer filmes. Mas quando a gente conquista algo, a gente gosta (...) Foi benéfico eu não ter ganho [o Oscar] antes, porque talvez tivesse mudado o tipo de filmes que eu tenho feito. (...) Estou feliz que tenha demorado todo esse tempo. Valeu a pena."
Comentário: Ele sabe do que está falando. Muita gente talentosa perde a cabeça quando atinge o ápice da carreira muito cedo. Diz o vulgo que a formiga, quando quer se perder, cria asas.

(Crédito da foto: www.stuff.co.nz)

26 de fevereiro de 2007

Shyamalan: carreira por água abaixo

Enquanto aqueles que foram aquinhoados pelo Oscar vivem seu momento de glória, há os que sofrem o constrangimento de serem considerados os piores do cinema norte-americano. O prêmio Razzie (Framboesa de Ouro) de pior atriz foi para Sharon Stone, pela segunda vez, e o de pior filme, para Instinto selvagem 2, estrelado por ela, que acumulou ainda os prêmios de pior roteiro e pior continuação. M. Night Shyamalan, que já recebeu da crítica, equivocadamente, o título de discípulo de Hitchcock, foi duplamente agraciado, como pior diretor e pior ator coadjuvante, ambos pelo flme A dama na água. Na categoria pior ator foram agraciados os irmãos Shawn Wayans e Marlon Wayans, que protagonizam o filme O pequenino, título que se revelou profético. A premiação foi divulgada no sábado, 24.
(Crédito da foto: www.americanas.com)

César 2007: os melhores filmes

No sábado, 24, saiu o resultado do mais importante prêmio do cinema francês, o César. Lady Chatterley, produção da Bélgica/França/Reino Unido, dirigida por Pascale Ferran, ficou com o troféu de melhor filme, enquanto Pequena Miss Sunshine, produção norte-americana independente, ganhou o de melhor filme estrangeiro.

(Crédito da foto: allofest.blogs.allocine.fr)

Oscar 2007: Scorsese na cabeça

A cerimônia de entrega do Oscar transcorreu no último domingo, 25, e os principais premiados foram:
1) Melhor filme: Os infiltrados
2) Melhor diretor: Martin Scorsese (Os infiltrados)
3) Melhor ator: Forest Whitaker (O último rei da Escócia)
4) Melhor atriz: Helen Mirren (A rainha)
5) Melhor ator coadjuvante: Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
6) Melhor atriz coadjuvante: Jennifer Hudson (Dreamgirls - Em busca de um sonho)
7) Melhor roteiro original: Pequena Miss Sunshine - Michael Arndt
8) Melhor roteiro adaptado: Os infiltrados - William Monahan
9) Melhor fotografia: Dreamgirls - Em busca de um sonho - Guillermo Navarro
10) Melhor montagem: Os infiltrados - Thelma Schoonmaker
11) Melhor direção de arte: O labirinto do fauno - Eugenio Caballero, Pilar Revuelta
12) Melhor figurino: Maria Antonieta - Milena Canonero
13) Melhor trilha musical: Babel - Gustavo Santaolalla
14) Melhor canção: Uma verdade inconveniente - Melissa Etheridge ("I Need to Wake Up")
15) Melhor maquiagem: O labirinto do fauno - David Marti, Montse Ribé
16) Melhores efeitos especiais visuais: Piratas do Caribe - O baú da morte
17) Melhor edição de som: Cartas de Iwo Jima
18) Melhor mixagem de som: Dreamgirls - Em busca de uma sonho
19) Melhor filme em língua estrangeira: A vida dos outros (Alemanha)
20) Melhor documentário de longa-metragem: Uma verdade inconveniente.

Comentário: O grande vencedor foi o filme Os infiltrados, de Martin Scorsese, que levou quatro dos cinco prêmios a que foi indicado, inclusive os de filme e diretor; Martin Scorsese recebeu, finalmente, a láurea que a Academia estava lhe devendo há bastante tempo, embora seu filme, desta vez, não seja tão bom quanto Touro indomável (1980) e Os bons companheiros (1990), pelos quais também foi indicado. O compositor italiano Ennio Morricone, que já foi indicado cinco vezes, sem sucesso, foi homenageado por Clint Eastwood, que lhe entregou um Oscar especial pela carreira. E a ex-atriz e ex-produtora Sherry Lansing ganhou o prêmio humanitário Jean Hersholt, por seu trabalho em favor dos doentes de câncer.
(Crédito da foto: www.1poko.com)

25 de fevereiro de 2007

A volta de Fred & Ginger

Está sendo montado em Londres, tendo a Broadway como destino final, um musical baseado nos filmes da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers. Dancing the Night Away é coreografado por Gillian Lynne, que tem no currículo sucessos como Cats e O fantasma da ópera. Fred e Ginger dançaram juntos em 10 filmes: Voando para o Rio (1933), A alegre divorciada (1934), Roberta (1935), O picolino (1935), Nas águas da esquadra (1936), Ritmo louco (1936), Vamos dançar? (1937), Dance comigo (1938), A história de Irene Castle e Vernon (1939) e Ciúme, sinal de amor (1949).
(Crédito da foto: profile.myspace.com)

24 de fevereiro de 2007

Os vencedores do 'Independent Spirit'

Foi divulgada hoje, 24, a premiação do Independent Spirit, o prêmio do cinema independente norte-americano. E os principais premiados foram:
1) Melhor filme: Pequena Miss Sunshine
2) Melhor atriz: Shareeka Epps (Half Nelson)
3) Melhor ator: Ryan Gosling (Half Nelson)
4) Melhor atriz coadjuvante: Frances McDormand (Amigas com dinheiro)
5) Melhor ator coadjuvante: Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
6) Melhor diretor: Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine)
7) Melhor roteiro: Obrigado por fumar - Jason Reitman
8) Melhor primeiro roteiro: O labirinto do fauno - Guillermo Navarro.
Comentário: Pode-se ver que o filme Pequena Miss Sunshine foi o grande vencedor, ficando com as láureas de filme e diretor e, de quebra, a de ator coadjuvante, para Alan Arkin. É bom não esquecer que ele concorre ao Oscar nessas mesmas categorias, exceto na de melhor diretor, para sossego de Martin Scorsese. Amanhã será o dia da onça beber água.

(Crédito da foto: www.movieguide.com.br)

21 de fevereiro de 2007

Os preferidos da crítica francesa

Na última terça-feira, 20, foi divulgada a premiação do Sindicato dos Críticos de Cinema da França. O filme Medos Privados em Lugares Públicos (Coeurs, 2006), de Alain Resnais, foi considerado o melhor filme francês. E Volver (Idem, 2006), do espanhol Pedro Almodóvar, ficou com a láurea de melhor filme estrangeiro.
(Crédito da foto: http://www.cine32.com/)

Era uma vez em 19 de fevereiro de 2007

JANET BLAIR (85 anos, de pneumonia), atriz norte-americana; estreou no cinema em 1941 e atuou em quatro filmes B, até Rosalind Russell indicá-la para fazer sua irmã em Solteira às soltas (1942); apareceu mais em musicais, como Canta, coração (1943), e comédias, como O eterno pretendente (1944); após seu 14º filme, Coração de leão (1948), a Columbia a dispensou e ela trocou o cinema pelo teatro e a TV; voltou ao cinema em O grande vigarista (1957) e atuou em outros quatro filmes até 1976.

(Crédito da foto: claudia79.tripod.com)

Era uma vez em 15 de fevereiro de 2007

DANIEL MCDONALD (46 anos, de câncer no cérebro), ator norte-americano, que estreou no cinema em Onde os garotos estão (1984) e atuou em outros oito filmes, sempre como coadjuvante. Teve carreira mais expressiva na TV e no teatro (Broadway).

19 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 15 de fevereiro de 2007

RAY EVANS (92 anos, de ataque cardíaco), compositor norte-americano; compôs canções para 17 filmes, de 1947 a 2003, entre os quais Cigana feiticeira (1947), Missão de vingança (1950), que lhe deu um Oscar, pela canção "Mona Lisa", A montanha dos sete abutres (1951), Janela indiscreta (1954), A flor do pântano (1957) e A história de James Dean (1957), documentário de Robert Altman; canções suas já foram usadas na trilha de mais de cem filmes, a exemplo de O valente treme-treme (1948), que lhe deu outro Oscar, pela canção "Buttons and Bows", Crepúsculo dos deuses (1950), Sangue por glória (1952), O homem que sabia demais (1956), que lhe deu o terceiro e último Oscar, pela canção "Que será, será", O poderoso chefão (1972) e Donnie Brasco (1997).
Curiosidade: Jay Livingston (1915-2001), com quem dividiu os prêmios, foi seu parceiro de toda a vida.

(Crédito da foto: www.songwritershalloffame.org)

Berlim 2007: os premiados

O Urso de Ouro, principal honraria do Festival de Berlim, foi concedido ao filme O casamento de Tuya, do diretor chinês Wang Quan'an. O israelense natural dos EUA Joseph Cedar ficou com a láurea de melhor diretor, pelo drama de guerra Beaufort. O prêmio de melhor ator foi para Julio Chavez (El Otro) e o de melhor atriz, para Nina Ross (Yella). O filme O bom pastor, dirigido pelo ator Robert De Niro, foi eleito como melhor Contribuição Artística.
(Crédito da foto: www.chinadaily.com.cn)

15 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 14 de fevereiro de 2007

CARLOS COIMBRA (81 anos, de aneurisma da aorta), cineasta brasileiro; dirigiu 15 filmes e montou 29; escreveu o roteiro, dirigiu e montou alguns dos mais importantes filmes do ciclo do cangaço: A morte comanda o cangaço (1961), Lampião, o rei do cangaço (1964), Cangaceiros de Lampião (1967) e Corisco, o diabo loiro (1969); dirigiu de chanchada, Se meu dólar falasse (1970), a superprodução histórica, Independência ou morte (1972); fez a montagem do clássico O pagador de promessas (1962); seu último filme foi Os campeões (1982), que ele também produziu.
Curiosidade: Seus filmes não tinham outro objetivo senão contar uma boa história e agradar ao público, por isso jamais ganharam prêmios, embora A morte comanda o cangaço tenha sido selecionado para o Festival de Berlim.
(Crédito da foto: www.2001video.com.br)

Era uma vez em 12 de fevereiro de 2007

PETER ELLENSHAW (93 anos, de causa não divulgada), desenhista norte-americano; fez desenhos de cena (matte paint) para filmes entre 1935 e 1990, na maioria das vezes para produções da Disney, como A ilha do tesouro (1950), Vinte mil léguas submarinas (1954), Pollyanna (1960) e Dick Tracy (1990), mas também, eventualmente, de outros estúdios, como Quo vadis (1951) e Spartacus (1960); fez efeitos especiais visuais para 13 filmes da Disney, de 1959 a 1974, a exemplo de Mary Poppins (1964), que lhe deu um Oscar, Se meu fusca falasse (1968) e A ilha no topo do mundo (1974); dirigiu apenas um filme: A Tour of the West (1955), documentário de curta-metragem.
Curiosidade: Matte paint ou matte painting, também chamado de glass shot ou matte shot, é um truque (mais comum do que se pode pensar) do tempo em que não existia o computador; pintava-se em vidro transparente uma paisagem ou o seu complemento e filmava-se com a pintura diante da câmera, combinando-a com o cenário real para prolongar ou enriquecer o visual do que se queria mostrar; um exemplo claro disso encontra-se no filme E o vento levou, quando se vê o chão da cidade de Atlanta coberto de cadáveres e soldados feridos; a parte superior da tela, que inclui o prolongamento das casas da rua, é pintura. O truque exigia muita maestria do desenhista, que precisava fazer o desenho harmonizar-se perfeitamente com a parte real do quadro. Dessa forma, muitos filmes mostraram castelos ou cidades que nunca existiram, sem o trabalho e os custos que seriam necessários para construí-los.

14 de fevereiro de 2007

Omar Sharif condenado por agressão

O ator Omar Sharif, mais conhecido como o protagonista do filme Doutor Jivago (1965), foi condenado na última terça-feira, 13, a dois anos de prisão e a fazer 15 horas de terapia para controlar a raiva, por ter agredido um manobrista de origem guatemalteca. A pena de prisão ele cumprirá em liberdade condicional e a da terapia ele poderá cumprir em seus país, o Egito.
No dia 11 de junho de 2005, o ator se enfureceu e deu um murro em Juan Luis Ochoa Anderson, manobrista de um restaurante de Los Angeles, que se recusou a aceitar gorjeta em euros. Além da agressão física, Sharif o insultou, chamando-o de "mexicano estúpido".
O magistrado da Corte Superior de Beverly Hills estabeleceu ainda que o ator, de 74 anos, se mantenha a uma distância de 100 jardas (91,4 m) da vítima, das testemunhas e do restaurante onde ocorreu o incidente.
Uma nova audiência foi marcada para 18 de abril para definir a indenização a ser paga à vítima, que, segundo o advogado do ator, está pleiteando 17 mil dólares pelo nariz quebrado.
(Crédito da foto: www.mittelbayerische.de)

13 de fevereiro de 2007

Prêmio do Sindicato dos Roteiristas

No último domingo, 11, saiu a premiação do Sindicato dos Roteiristas da América. E os premiados foram Michael Arndt, na categoria roteiro original, por Pequena Miss Sunshine, e William Monahan, na categoria roteiro adaptado, por Os infiltrados.
Com isso, ambos os filmes reforçam suas posições na disputa pelo Oscar de melhor filme, no próximo dia 25.

(Na imagem, Martin Scorsese, sentado, por ocasião das filmagens de Os infiltrados.)
(Crédit da foto: www.cinecultist.com)

12 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 9 de fevereiro de 2007

IAN RICHARDSON (72 anos, de causa não divulgada), ator inglês nascido na Escócia; estreou no cinema em um filme de título quilométrico, mas que pode ser resumido em Marat/Sade (1967), dirigido pela lendária figura do teatro inglês Peter Brook; atuou em 26 outros, como Sonho de uma noite de verão (1968), O homem de La Mancha (1972), Brazil, o filme (1985) e M. Butterfly (1993). Sua extensa carreira na TV lhe deu três diferentes prêmios de melhor ator.
Curiosidade: Ao receber o BAFTA de melhor atriz, por sua atuação no filme A rainha, Helen Mirren dedicou o prêmio a Richardson, dizendo que ele foi um "mentor" para ela no começo da carreira. Ela o teve como companheiro de elenco em seu segundo filme: Sonho de uma noite de verão (1968).
(Crédito da foto: www.theage.com)

Era uma vez em 6 de fevereiro de 2007

FRANKIE LANE (93 anos, de ataque cardíaco), cantor e compositor norte-americano; cantou a canção-título de seis faroestes dos anos 1950, três dos quais estão entre os melhores da década: Homem sem rumo (1955), Sem lei e sem alma (1957) e Galante e sanguinário (1957); interpretou canções da trilha musical de 19 filmes, de 1949 a 2004; estrelou Sorria para a vida (1955) e Ele riu por último (1956), os dois primeiros filmes dirigidos por Blake Edwards, e atuou em dois outros musicais. Seu trabalho na TV lhe deu uma estrela na Calçada da Fama.
Curiosidade: Filho de imigrantes sicilianos, seu nome verdadeiro era Francesco Paolo Lo Vecchio; recebeu vários epítetos elogiosos ao longo da carreira, um dos quais era Sr. Ritmo.

(Crédito da foto: www.susanmccray.com)

BAFTA 2007: os premiados

Aconteceu no último domingo, 11, a cerimônia de premiação da British Academy of Film and Television Arts, BAFTA, o mais importante prêmio do cinema britânico. E os premiados foram:
1) Melhor filme: A rainha
2) Prêmio Alexander Korda para filme britânico destaque de 2006: O último rei da Escócia
3) Melhor ator: Forest Whitaker (O último rei da Escócia)
4) Melhor atriz: Helen Mirren (A rainha)
5) Melhor ator coadjuvante: Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
6) Melhor atriz coadjuvante: Jennifer Hudson (Dreamgirls -- Em busca de um sonho)
7) Prêmio David Lean para melhor direção: Paul Greengrass (Vôo United 93)
8) Melhor roteiro original: Pequena Miss Sunshine - Michael Arndt
9) Melhor roteiro adaptado: O último rei da Escócia - Peter Morgan, Jeremy Brock
10) Melhor fotografia: Filhos da esperança - Emmanuel Lubezki
11) Melhor montagem: Vôo United 93 - Clare Douglas, Richard Pearson, Christopher Rouse
12) Melhor desenho da produção: Filhos da esperança - Simon Wakefield, Jim Clay, Jennifer Williams
13) Melhor figurino: O labirinto do fauno - Lala Huete
14) Prêmio Anthony Asquith para melhor música: Babel - Gustavo Santaolalla
15) Melhor maquiagem/penteados: O labirinto do fauno
16) Melhor som: 007 -- Cassino Royale
17) Melhor realização em efeitos especiais visuais: Piratas do Caribe -- O baú da morte
18) Melhor filme em língua estrangeira: O labirinto do fauno.

Comentário: Esperava-se que o filme A rainha fosse melhor aquinhoado, já que havia sido indicado em 10 categorias; só ficou com os prêmios de melhor filme e de melhor atriz. Caso semelhante foi o de 007 -- Cassino Royale, que concorria a nove prêmios, mas conquistou apenas unzinho, e pífio, o de melhor som. Repetiu-se o que já vinha ocorrendo em outras premiações, ultimamente: a distribuição dos prêmios entre os concorrentes. Isto pode significar que, em geral, os filmes apresentam um alto nível de qualidade ou o contrário. Depende do ponto de vista.
(Crédito da foto: www.cinemacomrapadura.com.br)

8 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 8 de fevereiro de 2007

OZUALDO CANDEIAS (84 anos, de insuficiência respiratória), cineasta brasileiro que fez de tudo um pouco no cinema: fotógrafo, roteirista, ator, produtor -- de seus próprios filmes ou de outros diretores; sua estréia no longa de ficção se deu com A margem (1967), um marco do cinema da Boca do Lixo, de São Paulo; A herança (1970) recebeu menção especial da Associação de Críticos de Arte de São Paulo; A opção (1981) ganhou o Leopardo de Bronze do Festival de Locarno, Suiça; e seu último filme, O vigilante (1992), conquistou o prêmio especial do júri do Festival de Brasília.
Curiosidade: Seu filme Meu nome é Tonho (1969) era um divertido faroeste tupiniquim. A TV Globo (Jornal Nacional) noticiou que ele tinha 88 anos.

(Crédito da foto: verdesmares.globo.com)

Era uma vez em 8 de fevereiro de 2007

ANNA NICOLE SMITH (39 anos, de overdose acidental), atriz norte-americana; estreou no cinema em pequeno papel no filme A roda da fortuna (1994), dos irmãos Coen, e ganhou notoriedade no filme seguinte, Corra que a polícia vem aí 33 1/3 (1994), pelo qual foi aquinhoada com o prêmio Framboesa de Ouro de pior nova estrela do ano; encerrou sua escassa carreira no cinema com Illegal Aliens (2006), que também produziu.
Curiosidade: Ela foi eleita a Playmate de 1993 da revista Playboy. Inicialmente, divulgou-se que a causa da morte teria sido "colapso".
(Crédito da foto: www.celebripets.com)

7 de fevereiro de 2007

Novos filmes em velho technicolor

Velhos filmes em technicolor já podem ser restaurados e gerar cópias mais nítidas e realistas do que as originais. O que tornou isto possível é o processo digital de restauração chamado Ultra Resolution, inventado pelas irmãs norte-americanas Karen Perlmutter e Sharon Perlmutter, que alinha com precisão as imagens de cada fotograma dos três negativos originais.
Como se sabe, o sistema technicolor que vigorou entre 1932 e 1954 era bastante complicado. Requeria o uso de câmera especial, que filmava com três fitas. Grosso modo, cada fita captava uma das cores básicas, advindas dos filtros correspondentes: vermelho, verde e azul. O problema decorrente é que a ação do tempo deforma, diferentemente, cada suporte de celulóide e dificulta o ajustamento dos fotogramas, o que é necessário para se tirar cópias em que os quadros saiam exatos. Agora, graças ao Ultra Resolution, o problema foi resolvido.
O primeiro filme de longa-metragem, nesse sistema, foi Vaidade e beleza (Becky Sharp, 1935) e o último, Sangue mestiço (Firefox, 1955).

(Na foto, Karen Perlmutter. Crédito: www.emeconline.com)

6 de fevereiro de 2007

Assim pensava Paulo Francis 2

Sem falar da imensa apelação que é Cape Fear [Cabo do medo], uma desgraça para a raça humana (em inglês, rima), como escreveu Terence Rafferty, no New Yorker, e pichadíssimo também aqui.
(O Estado de S. Paulo, 19-04-92)

...Juliette Lewis, a que foi seviciada em "Cape Fear" [Cabo do medo], aquela nojeira.
(O Globo, 10-09-92)

Woody [Allen] vai sobre Juliette Lewis, a menina seviciada pelo gnomo Scorsese em "Cape Fear" [Cabo do medo].
(O Globo, 24-09-92)

Scorsese é o mais ousado cineasta vivo. Quando os críticos pararem de bajular A marca da maldade, Touch of evil, de Orson Welles, talvez percebam que Cabo do medo, Cape Fear, é um clássico do horror.
(O Estado de São Paulo, 23-05-93)

(Crédito da foto: www.interfilmes.com)

Era uma vez em 31 de janeiro de 2007

LEE BERGERE (88 anos, de causa não divulgada), ator norte-americano com longa carreira na TV, mas cujo trabalho no cinema ficou restrito a dois filmes: Bob, Carol, Ted e Alice (1969) e Time Trackers (1989). Estava inativo desde 1989.

5 de fevereiro de 2007

Scorsese é o melhor segundo o sindicato dos diretores

Martin Scorsese foi eleito o melhor diretor de 2006 pelo Sindicato dos Diretores da América, pelo filme Os infiltrados. Esta é a primeira vez que ele recebe o galardão de seus pares, embora tenha sido indicado seis vezes anteriormente. Os outros concorrentes eram: Alejandro González Iñárritu (Babel), Bill Condon (Dreamgirls -- Em busca de um sonho), Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine) e Stephen Frears (A rainha). Premiação foi anunciada no último sábado, 3.

(Crédito da foto: http://www.angolaxyami.com/)

3 de fevereiro de 2007

Era uma vez em 1º de fevereiro de 2007

GIAN CARLO MENOTTI (95 anos, de causa não divulgada), compositor italiano, que dirigiu apenas um filme, Il Medium (1951), adaptação de sua ópera homônima, que recebeu o prêmio de melhor filme lírico no Festival de Cannes. Ganhou o prêmio Pulitzer em 1950, pela ópera O cônsul, e em 1954, por O santo da rua Bleecker.

Curiosidade: Em 1951, Menotti foi incumbido pela rede norte-americna NBC de escrever a primeira ópera para a TV: Amahl e os visitantes da noite, que conquistou o prêmio televisivo George Foster Peabody.
(Crédito da foto: www.time.com)