24 de abril de 2007

As últimas loucuras de Mel Brooks

O musical The Producers, versão para a Broadway do filme Primavera para Hitler (The Producers, 1968), de Mel Brooks, chegou ao fim depois de mais de 2.500 apresentações. No último dia, após o espetáculo vespertino, o próprio Mel Brooks subiu ao palco do Teatro St. James, em Nova Iorque, para falar à platéia. Simpático, disse: "Nós tivemos seis anos de brincadeiras e alegrias, 'frolic and joy', e vocês foram um público tão bom que nos proporcionou um rico último espetáculo". O Teatro St. James deverá apresentar, em seguida, a versão musical de outro filme de Brooks, O jovem Frankenstein (Young Frankenstein, 1974).

(Crédito da foto: www.pcagreatperformances.org)

23 de abril de 2007

Festival de Cinema Pobre de Cuba

Encerrou-se no último domingo, 22, em Gibara, Holguín, Cuba, o 5º Festival de Cinema Pobre. O filme mexicano Noticias lejanas (2004), de Ricardo Benet, foi considerado o melhor longa-metragem, arrebatando ainda os prêmios de melhor ator, para David Aarón Estrada, e de melhor fotografia. Las cruces de poblado proximo (2006), filme de estréia na direção do guatemalteco Rafael Rosal, ficou com o prêmio especial Pobreza Zero. O prêmio de melhor documentário foi para Voyage en sol majeur, do francês Giori Lazarevski. A diretora Verica Patrnogic, de Sérvia e Montenegro, teve seu curta-metragem Motion Report (2004) eleito como a melhor obra de ficção realizada por mulher. A jornalista brasileira Mariana Vitarelli Alessi também recebeu sua honraria, pelo documentário 2001: Uma odisséia à brasileira (2006), o Prêmio Telesur, que alia o valor de 5.000 dólares a um convênio para exibição da obra na rede de TV Telesur.
(Na foto, Ricardo Benet recebe o prêmio de melhor filme, por Noticias lejanas, no Festival de Mar del Plata 2006. Crédito da foto: www.esmas.com)

22 de abril de 2007

Ad perpetuam rei memoriam 2

Conforme prometido, no último sábado, 21, os amigos retornaram para assistirmos ao segundo filme da trilogia da cavalaria de John Ford. E foi mais uma sessão divertida, rodando Legião invencível (She Wore a Yellow Ribbon, 1949), o único filme em cores da trilogia. E como ficou belo o Monument Valley em technicolor, digno do Oscar de fotografia colorida que recebeu.
(Noutro momento, com mais tempo, comentaremos o filme.)

20 de abril de 2007

Era uma vez em 19 de abril de 2007

JEAN-PIERRE CASSEL (74 anos, de causa não divulgada), ator francês; estreou no cinema em 1953, mas sua primeira chance como protagonista só ocorreu no 13º filme, O Gozador (Le farceur, 1960), comédia de Phillipe de Broca; este diretor lhe deu outras boas oportunidades, em Brincando de Amor (Les jeux de l'amour, 1960), O Amante de Cinco Dias (L'Amant de cinq jours, 1961) e O Irresistível Gozador (Un monsieur de compagnie, 1964); outro prestigiado diretor francês, Claude Chabrol, também lhe deu bons papéis, especialmente em Trágica Separação (La rupture, 1970) e Assassinas Diabólicas (La cérémonie, 1995); trabalhou nos filmes que encerrariam a carreira de duas lendas do cinema francês: Cyrano et d'Artagnan (1964), de Abel Gance, e As Festas do Coração (Les fêtes galantes, 1965), de René Clair; atuou ainda sob o comando de cineastas da estirpe de Luis Buñuel, em O Discreto Charme da Burguesia (Le charme discret de la bourgeoisie, 1972); de Richard Lester, em Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers, 1973) e outros; de Sidney Lumet, em O Assassinato no Expresso Oriente (Murder on the Orient Express, 1974); e de Robert Altman, em Vincent & Theo (1990) e Prêt-à-porter (Idem, 1994); teve a sorte de ser objeto do amor, na tela, de estrelas como Jean Seberg, Brigitte Bardot, Catherine Deneuve, Stéphane Audran.

Curiosidade: Tendo trabalhado em mais de 100 filmes, além de extensa folha de serviços para a TV, o ator só ganhou um único prêmio, o de melhor atuação para o elenco de Prêt-à-porter, concedido pelo Conselho Nacional da Crítica dos Estados Unidos. Era pai do ator Vincent Cassel e da atriz Cécile Cassel.
(Crédito da foto: http://www.linternaute.com/)

Cannes 2007: concorrentes anunciados

O filme que vai abrir o Festival de Cannes, no dia 26 de maio, será Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights), do chinês Wong Kar Wai, premiado como melhor diretor em 1997. Foram selecionados 22 filmes para a mostra competitiva, entre os quais estão Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country for Old Men), dos irmãos Ethan e Joel Coen (Joel tem três prêmios de direção e um de filme), Zodiac (Idem), de David Fincher, We Own the Night, de James Gray, e Paranoid Park (Idem), de Gus Van Sant (já premiado por direção e filme). O cineasta sérvio Emir Kusturica (várias vezes premiado) vai competir com Promise Me This. O filme Grindhouse, que reúne trabalhos de Quentin Tarantino, Robert Rodriguez e de três outros diretores, não foi selecionado, como se esperava, mas será representado pela parte de Tarantino, À Prova de Morte (Death Proof), que está sendo estendida para 1h50min.

Crédito da foto: http://www.filmweb.pl/)

19 de abril de 2007

Era uma vez em 17 de abril de 2007

KITTY CARLISLE (96 anos, de insuficiência cardíaca), cantora lírica norte-americana, que teve um caso com o cinema, aparecendo em nove filmes ao longo da vida, o mais importante dos quais é Uma noite na ópera (A Night in the Opera, 1935), comédia clássica com os irmãos Marx; sua estréia foi em Segue o espetáculo (Murder at the Vanities, 1934); atuou ainda em Demônio louro (She Loves Me Not, 1934), com Bing Crosby, e A era do rádio (Radio Days, 1987), de Woody Allen; apareceu como ela mesma em Um sonho em Hollywood (Hollywood Canteen, 1944) e Prenda-me se foz capaz (Catch Me If You Can, 2002), de Steven Spielberg. Ganhou uma estrela na Calçada da Fama.

Curiosidade: Sua carreira mais importante foi a de cantora, na ópera e no teatro. Em 1991, recebeu do governo dos Estados Unidos a comenda National Medal of Arts (Medalha Nacional das Artes). Era viúva do famoso teatrólogo Moss Hart (1904-1961), que conheceu num jantar na casa de Lillian Hellman.(Na foto, Kitty em seu primeiro filme. Crédito: www.pbs.org)

O feitiço contra o feiticeiro

Consumidores norte-americanos que compraram filmes em Blu-ray DVD, lançados pela Sony Pictures Home Entertainment, a exemplo de 007 -- Cassino Royale (Casino Royale, 2007), À procura da felicidade (The Pursuit of Happyness, 2007) e Mais estranho que a ficção (Stranger Than Fiction, 2007), entre outros, tiveram problema para rodar os discos em certos aparelhos, inclusive em alguns fabricados pela própria Sony. A fonte do problema, que já foi descoberta, está no sistema de proteção contra a cópia. Esse sistema contém um atualizador que atua continuamente, de acordo com as normas que o regem, para causar o descarrilhamento de potenciais gravadores e impedir a pirataria. A Sony já providenciou a chamada ("recall") dos compradores e está fazendo a troca dos DVDs com problema, sem despesas para os consumidores.

18 de abril de 2007

Beijo causa furor no país do Kama Sutra

O ator Richard Gere abraçou a atriz indiana Shilpa Shetty em público e a beijou no rosto várias vezes, enquanto ela manifestava discreta reação à sua conduta. O que isso tem de mais? Nada, é verdade, se a cena tivesse acontecido no ocidente. Mas Gere estava na Índia, mais precisamente em Nova Délhi, no último domingo, 15, participando de uma campanha contra a AIDS. A cena foi transmitida pela TV e, em fotos, estampada na primeira página dos jornais. As imagens provocaram a ira dos fundamentalistas hindus, que organizaram protestos em várias cidades indianas. Multidões queimaram fotos dos atores e, em pelo menos uma cidade, gritaram "Abaixo Shilpa Shetty!" A questão é que na Índia a manifestação de afeto em público é um verdadeiro tabu, tipificado como crime. E os atores, nessas alturas, já foram indiciados por atentado ao pudor.

Comentário: Shilpa é uma atriz famosa em seu país, pela grande quantidade de filmes que lá realizou, na chamada Bollywood, e atualmente participa de produções hollywoodianas. Gere se converteu ao budismo tibetano em 1984.
(Crédito das fotos: http://www.allposters.com/ / i.indiafm.com)

Era uma vez em 17 de abril de 2007

NAIR BELLO (75 anos, de falência múltipla dos órgãos), atriz brasileira nascida em São Paulo; fez sua estréia no filme Liana, a pecadora (1951) e atuou em apenas outros cinco filmes: Simão, o caolho (1952), de Alberto Cavalcanti, Os apavorados (1962), com Oscarito, Tô na tua, ô bicho (1971), com Costinha, Das tripas coração (1982), de Ana Carolina, e Fogo e paixão (1988), da dupla Marcio Kogan e Isay Weinfeld. Sua folha de serviços para a TV é consideravelmente maior.

Curiosidade: A atriz sofreu uma parada cardíaca no dia 11 de novembro; a equipe de socorro conseguiu reanimá-la, com massagem cardíaca, mas nunca mais saiu do hospital, onde passou por um período de relativa melhora.
(Crédito da foto: www.folha.uol.com.br)

OMC: China responde aos EUA

Na última terça-feira, 17, a China apresentou sua defesa, na Organização Mundial do Comércio (OMC), em resposta à reclamação dos Estados Unidos de que ela tem falhado no combate à pirataria de bens protegidos por direitos autorais. O chinês Yi Xintian, representante do State Intellectual Property Office (Escritório de Estado da Propriedade Intelectual), disse que seu país "tem feito tremendos esforços e tomado muitas providências em defesa dos direitos da propriedade intelectual". Ele argumentou que a pirataria é um problema internacional que afeta muitos países. E lembrou a existência de estudos indicando que o Canadá é responsável pela produção do maior número de DVDs contrabandeados. A China, assegurou ele, destruiu 73 milhões de cópias ilegais de DVDs, CDs, softwares e livros em 2006.

(Crédito da foto: www.fieam.org.br)

17 de abril de 2007

Era uma vez em 10 de abril de 2007

JACK WILLIAMS (85 anos, de causas naturais), dublê (stuntman) norte-americano; começou como ator, em 1933, em dois curta-metragens, mas sua verdadeira carreira, a de dublê, teve início em A carga da brigada ligeira (The Charge of the Light Brigade, 1936) e encerrou-se em As loucas aventuras de James West (Wild Wild West, 1999); entre um extremo e outro, foram mais 84 filmes, tais como E o vento levou (Gone with the Wind, 1939), Sangue de herói (Fort Apache, 1948), Região do ódio (The Far Country, 1954), Onde começa o inferno (Rio Bravo, 1959), Spartacus (Idem, 1960), Os profissionais (The Professionals, 1966) e Meu ódio será sua herança (The Wild Bunch, 1969); paralelamente ao trabalho de dublê, continuou a interpretar pequenos papéis, em filmes nos quais era dublê ou não: Sonhei com você (I'll See You in My Dreams, 1951), só ator, O homem do oeste (Man of the West, 1958), só ator, O Álamo (The Alamo, 1960), O homem que matou o facínora (The Man Who Shot Liberty Valance, 1962), Revanche selvagem (The Scalphunters, 1968); sua habilidade em cenas com montaria explicam sua presença constante em faroestes de John Ford, Howard Hawks, Anthony Mann e Sam Peckinpah. Em 1999, recebeu o prêmio Golden Boot, concedido aos grandes do faroeste, e, em 2005, ganhou uma estrela na Calçada do Western, em Newhall-Santa Clarita, Califórnia.

Curiosidade: Jack era considerado o melhor dublê-cavaleiro de Hollywood, por causa da perfeição que conseguia nas quedas de cavalo, em cenas de luta e de batalha. Sua especialidade era fazer o cavalo empinar sobre as patas traseiras e cair de lado, como que projetado sob o cavaleiro, sem provocar danos em nenhum dos dois. Nos anos 1940 e 50, quando estava em sua melhor forma, só trabalhava com seu próprio cavalo, Coco, por ele treinado. Aprendeu a montar ainda criança, com o pai, um caubói das planícies de Montana, e com a mãe, uma campeã de rodeios e dublê pioneira. Seu primeiro trabalho de risco teria sido aos quatro anos, no filme The Flaming Forest (1926), sendo lançado de um cavalo para outro.
(Na foto, o dublê em 2005, já aposentado e sem nem uma cicatriz. Crédito: www.scvhistory.com)

Nicole Kidman é condecorada na Austrália

A atriz Nicole Kidman foi aquinhoada com a mais alta honraria civil da Austrália, na última sexta-feira, 13, por seu trabalho no cinema e, também, por seu empenho em promover a saúde das mulheres. A comenda Companion of the Order of Australia, que ela recebeu, é concedida a cidadãos com "eminentes feitos e méritos do mais alto grau em benefício da Austrália ou da humanidade como um todo". Nicole foi condecorada no palácio do governo (Government House), em Camberra. Entusiasmada, ela declarou: "It's a pat on the back, which as a little girl is something you dream of." (Tradução: "É um grande elogio, algo com que a gente sonha como se fosse uma garotinha".).

Curiosidade: Nicole Kidman nasceu no Havaí de pais australianos.
(Crédito da foto: iheartcelebs.wordpress.com)

16 de abril de 2007

Era uma vez em 7 de abril de 2007

BARRY NELSON (89 anos, de causa não divulgada), ator norte-americano; estreou no cinema em filme da série Thin Man: A sombra dos acusados (Shadow of the Thin Man, 1941); foram 18 filmes até 1948, mas só estrelou três, um dos quais No caminho de Burma (A Yank on the Burma Road, 1942); apareceu em A estrada proibida (Johnny Eager, 1942), Olhos da noite (Eyes of the Night, 1942), A comédia humana (The Human Comedy, 1943) e Encontro nos céus (Winged Victory, 1944); nos anos 1950 passou a se dedicar à TV e ao teatro, atuando em apenas sete filmes desde então, entre os quais, Mary, Mary (Idem, 1962), Aeroporto (Airport, 1970) e, o último, O iluminado (The Shining, 1980), de Kubrick. Por seu trabalho na TV, ganhou uma estrela na Calçada da Fama.

Curiosidade: Barry Nelson, que ia completar 90 anos nesta data, foi o primeiro ator a interpretar James Bond, numa adaptação para a TV do livro Cassino Royale, apresentada ao vivo em 1954. Uma gravação do programa, em cinescópio, foi descoberta em 1981, possibilitando sua inclusão no DVD do filme Cassino Royale (Casino Royale, 1967), lançado nos Estados Unidos.
(Crédito da foto: www.archivo007.com).

13 de abril de 2007

Era uma vez em 11 de abril de 2007

KURT VONNEGUT JR. (84 anos, de lesões provocadas por uma queda), escritor norte-americano, que recorreu à ficção científica, à sátira e ao humor negro, para transmitir sua visão nada otimista do mundo; deixou 19 romances e dezenas de contos, peças e ensaios; escreveu o roteiro do filme Feliz aniversário, Wanda June (1971), baseado numa peça sua; teve outras sete obras suas transformadas em filmes, o mais famoso dos quais é Matadouro 5 (1972); foi ator em três filmes: De volta às aulas (1986), onde aparece como ele mesmo, Vítima do passado (1996) e Almoço dos campeões (1999), os dois últimos baseados em obras suas.

Curiosidade: Veterano condecorado da II Guerra, Vonnegut foi capturado pelos alemães na Batalha do Bulge, em dezembro de 1944, e sobreviveu ao bombardeio de Dresden. Sofreu de depressão por quase a vida toda, e em 1985 tentou o suicídio.
(Crédito da foto: www.wdog.com)

Vem aí mais uma refilmagem

Vivemos na era das refilmagens. E o produtor italiano Dino De Laurentiis, atualmente radicado nos Estados Unidos, anuncia que planeja refilmar Barbarella (1968), que ele mesmo produziu. A "rainha das galáxias" foi interpretada pela jovem e bela Jane Fonda, e o diretor francês Roger Vadim soube explorar o sex-appeal da sua então mulher, como já fizera com a "ex" Brigitte Bardot. Na época de seu lançamento nos cinemas, Barbarella encantou o público com seu visual deslumbrante (para a época) e seu erotismo ousado -- Jane Fonda faz amor tocando nas mãos de John Phillip Law. O filme custou por volta de US$ 9 mi e amealhou apenas US$ 5,5 mi no mercado norte-americano. Mas, por causa do sucesso que fez no resto do mundo, não deve ter dado prejuízo. Se fosse um fracasso financeiro, como se propaga, De Laurentiis certamente não estaria interessado em refilmá-lo. Barbarella nasceu nos quadrinhos, pelas mãos do desenhista francês Jean-Claude Forest.
Curiosidade: O nome da banda de rock inglesa Duran Duran foi emprestado da personagem interpretada no filme por Milo O'Shea, que tortura as pessoas com música, tocando um órgão bizarro.
(Crédito da foto: www.folha.uol.com.br)

Era uma vez em 11 de abril de 2007

ROSCOE LEE BROWNE (81 anos, de câncer), ator norte-americano, que fez sua estréia no cinema, em 1962, em filme independente; a partir de 1964 passou a atuar também em grandes produções, como O poder negro (1968), de Jules Dassin, Topázio (1969), de Hitchcock, A libertação de L. B. Jones (1970), último filme de William Wyler, O último brilho do crepúsculo (1977) e Perigosamente juntos (1986); seu derradeiro trabalho foi em Deu a louca em Hollywood (2007); foram 35 filmes como ator, mas também emprestou sua voz para desenhos animados; pelo único faroeste em que apareceu, Os cowboys (1972), ganhou o Bronze Wrangler (Vaqueiro de Bronze) da Western Heritage (Herança do Western). Trabalhou duas vezes mais para a TV, que lhe deu dois prêmios: o Emmy, em 1986, e o Image, em 1988.

(Crédito da foto: www.filmweb.pl)

12 de abril de 2007

Vendas de DVDs de alta definição decepcionam

Até agora, poucos filmes lançados em HD DVD e Blu-ray DVD foram bem no mercado norte-americano. Enquanto 007 -- Cassino Royale (2006), Os infiltrados (2006), Batman Begins (2005) e Superman -- O retorno (2006) puxaram as vendas para cima, outros títulos não atingiram nem a marca das 200 cópias. Em semana de meados de março, quando 007 -- Cassino Royale liderava a lista dos dez mais vendidos no formato, com 28.233 unidades, apenas outro filme vendeu acima de 3.000, enquanto os restantes venderam menos de 2.000, com os três do final da lista vendendo menos de 1.000. As informações são do saite HighDefDigest.com.

(Crédito da foto: www.estadao.com.br)

Festival de Cannes em 60 anos de cobertura

O Festival de Cannes criou um arquivo online com mais de 1.500 clips da cobertura do evento pela TV em 60 anos. Os clips estão disponíveis no acervo do Instituto Nacional de Audio-visual (INA) e poderão ser vistos online, sem ônus, via streaming software, ou baixados, se o interessado preferir, também de graça. O presidente do INA, Emmanuel Hoog, ao dar a notícia, profetizou: "Nenhum outro festival tem uma facilidade como esta. Nós achamos que será um sucesso". Voilà!

(Na imagem, Catherine Deneuve desfila em Cannes. Crédito da foto: www.bbc.co.uk)

O cinema francês vive bom momento

O filme Piaf -- Um hino ao amor (La Môme, 2007), de Olivier Dahan, já arrecadou a vistosa soma de US$ 40 mi, só no mercado francês, desde seu lançamento, ocorrido em 14 de fevereiro. Trata-se de uma biografia da cantora francesa Edith Piaf. O sucesso comercial do filme, aliado ao de Taxi 4 (2007), roteirizado por Luc Besson, impulsionou o cinema francês a conquistar mais de 58% do mercado local. O jornal norte-americano Daily Variety, que deu a notícia, informou que o filme de Hollywood que conseguiu o melhor resultado na França, em 2007, foi Uma noite no museu (2006), que não passou dos US$ 17,6 mi.
(Crédito da foto: http://www.art.com/)

11 de abril de 2007

Negócio da China para Hollywood

Os Estados Unidos entraram com representação contra a China na Organização Mundial do Comércio (OMC), sob a acusação de pirataria. Ao mesmo tempo, formalizaram objeções às restrições chinesas à entrada de filmes estrangeiros. Segundo o Bloomberg News, que antecipou a notícia na última sexta-feira, 6, o economista Stephen Green, que trabalha em Xangai para a empresa Standard Chattered, teria afirmado que os Estados Unidos acreditam que a China "transgrediu regras com as quais concordou", quando foi admitida na OMC em 2002. Os produtores de filmes norte-americanos há muito reclamam das restrições da China à exibição de filmes estrangeiros no país. Eles alegam que essas restrições são a verdadeira causa da contrafação, já que muitos filmes de Hollywood só podem ser vistos em DVDs piratas.
Comentário: Tem sido divulgado que o governo chinês só permite a exibição de 20 filmes estrangeiros a cada ano. Sabe-se que os Estados Unidos tiveram um déficit comercial com a China, em 2006, superior a US 300 bi.

10 de abril de 2007

Era uma vez em 6 de abril de 2007

LUIGI COMENCINI (90 anos, de causa não divulgada), diretor e roteirista italiano, mestre da comédia à italiana; começou no documentário, em 1937, mas, passado o interregno da guerra, seu terceiro filme já foi uma bela comédia: É proibido roubar (1948); dirigiu as maiores beldades italianas dos anos 50 aos 70: Eleonora Rossi Drago, em Janelas fechadas (1950); Silvana Pampanini e Sophia Loren, em Mercado de mulheres (1953); Gina Lollobrigida, em Pão, amor e fantasia (1953), que ganhou o Urso de Prata, em Berlim, e o tornou conhecido internacionalmente, e Pão, amor e ciúme (1954); Giorgia Moll, em Esses maridos (1957); Anna-Maria Ferrero, em As surpresas do amor (1959); Claudia Cardinale, em A garota de Bube (1963); Silvana Mangano, em Semeando a ilusão (1972), uma inteligente sátira política, também com Bette Davis; Laura Antonelli, em Trágica decadência (1974), e Stefania Sandrelli, em Delito de amor (1974); participou, como roteirista, de produções neo-realistas marcantes, como O moinho do Pó (1949), de Alberto Lattuada, e A cidade se defende (1951), de Pietro Germi; dos prêmios que recebeu, merecem destaque ainda um especial, do Festival de Moscou, pelo filme Regresso ao lar (1960), e dois honorários do Festival de Veneza.
(Crédito da foto: www.pagine70.com)
Curiosidades: Após a II Guerra, Comencini escreveu crítica de cinema para os periódicos L'Avanti e Il Tempo. Suas filhas Cristina e Francesca são também cineastas. O jornal italiano La Repubblica noticiou em seu saite, sob a manchete "Morreu o diretor Luigi Comencini, pai da comédia italiana", que ele partiu "depois de uma longa doença suportada com coragem e discrição".

Programão da Semana Santa

O programa de maior audiência da televisão norte-americana, na noite do último sábado, 7, tem mais de meio século. O filme Os dez mandamentos (1956), de Cecil B. DeMille, exibido pela rede ABC, atraiu 7,87 milhões de telespectadores, batendo todos os outros programas. Mas a audiência foi menor do que a obtida pelo filme nos anos anteriores, quando a exibição ocorria no domingo de Páscoa. (Crédito da foto: www.klepsidra.net)

8 de abril de 2007

Ad perpetuam rei memoriam

Na última sexta-feira, 6, tivemos a honra de receber em casa alguns bons amigos: João Carlos Taveira, Erinaldo, Robson Corrêa de Araújo avec Da. Maria José. Reunir amigos é sempre uma alegria; depois da família, eles são a maior dádiva da vida. E que tal assistir a um filme? Para um cinéfilo, qualquer reunião fica mais interessante com um filme divertido.

Diante da dificuldade de escolha, já que o filme deveria interessar a todos, sem privilegiar o gosto de ninguém em particular, alguém sugeriu um faroeste. Ora, faroeste lembra John Ford, o mestre do gênero e, por extensão, do próprio cinema. Então, era melhor que fosse um faroeste de John Ford. Mas o maior cineasta norte-americano realizou várias obras capitais do gênero, inclusive a chamada trilogia da cavalaria. E foi Da. Maria José quem decidiu a questão, ao propor o primeiro filme da trilogia. Assim, Sangue de Herói (1948) foi posto a rodar.

O título que o filme recebeu no Brasil, à época de seu lançamento nos cinemas, era Sangue de heróis. No plural. Sem fazer justiça à história narrada nem guardar a menor relação com o título original, além de prometer heróis a mancheias, o que passa longe do propósito do filme. Por isso, a Warner Bros. fez bem ao eliminar o plural do título brasileiro, quando lançou o DVD.

O título original é Fort Apache, que dá uma idéia precisa do conteúdo do filme. Pois se trata mesmo de um forte, um posto avançado do exército norte-americano, no tempo da chamada Guerra dos Índios. E a palavra "apache" remete ao Velho Oeste e à nação indígena com esse nome, que está no centro da atenção da cavalaria ao longo de todo o filme. Mas heroísmo, decididamente, não é o tema do filme.

John Ford escolheu uma história perfeita para o seu propósito. Embora sem a menor referência à batalha de Little Big Horn, o filme indubitavelmente foi inspirado na ação do general Custer no fatídico episódio, contra os índios liderados por Touro Sentado e Cavalo Louco. Tal como o tenente-coronel Thursday, vivido no filme por Henry Fonda, Custer deve ter sido arrogante e inconseqüente ao atacar a aldeia dos índios sioux e cheyennes, nas proximidades do rio Little Big Horn, no território de Montana, naquele 25 de junho de 1876. Do destacamento comandado por Custer -- 211 militares e três civis -- ninguém escapou. Ou melhor: sobreviveu apenas o cavalo Comanche, que pertencia ao capitão Miles Keogh.

No filme, o cenário é o Arizona, representado na paisagem do Monument Valley, sempre do lado de Utah, como o diretor preferia. Em vez de sioux e cheyennes, temos os apaches, que eram da região. No lugar de Touro Sentado e Cavalo Louco, os líderes apaches chiricahua Cochise e Gerônimo. Diretor pra lá de talentoso, Ford usa de todos os recursos da mise-en-scène para criticar a conduta do tenente-coronel Thursday, sem perder a elegância e o senso de espetáculo. Ao mesmo tempo, através do capitão York, interpretado por John Wayne, faz a defesa dos índios, além de mostrar Cochise com a maior dignidade e cheio de razão, fazendo o primeiro pronunciamento em defesa dos interesses indígenas da história de Hollywood.

Do começo ao fim, Sangue de Herói não poupa a mentalidade beligerante contra os índios, que reinava no exército ianque, e defende intransigentemente os interesses indígenas, de forma pouco explícita, é verdade, mas sistemática, como nenhum outro filme o fez, em qualquer tempo. Tudo deságua na indiscutível vitória dos índios, tal qual na batalha de Little Big Horn. John Ford não faz concessões.

O filme não traz o registro, no seu início, como era usual nos faroestes, do ano em que se passa a história. A principal razão, certamente, se deve ao fato de o episódio retratado ser absolutamente fictício, não havendo razão para atribuir-lhe a chancela de evento histórico. Trata-se, na realidade, de uma metáfora alusiva à batalha de Little Big Horn, que, por sua vez, não poderia ser filmada com a visão crítica que Ford imprimiu à história, por causa das implicações políticas óbvias.

Entretanto, não seria difícil enquadrar o conteúdo de Sangue de Herói no contexto da Guerra dos Índios. Vejamos. No filme, Cochise está fugido da reserva e refugiado em território mexicano com sua gente. Como se sabe, ele foi aprisionado em 1871 e levado para a reserva de Tularosa, no Novo México, de onde fugiu no início de 1872. Depois da negociação de um novo tratado, mais favorável aos apaches, ele se rendeu e foi recolhido a uma reserva no Arizona, no final de 1872, onde permaneceu até sua morte, em 1874. Portanto, sem sombra de dúvida, a história do filme pode ser situada no ano de 1872.

A sessão foi muito divertida, com risadas sem conta, que Ford era mestre também em provocar o riso da platéia. Houve até quem confessasse a vontade de aplaudir, ao fim do filme. Na despedida, amigos manifestaram o desejo de que a sessão venha a ser a primeira de uma série. E os dois outros filmes da trilogia da cavalaria são um convite em aberto para que esse desejo se concretize. Amizade e cinema combinam tão bem como queijo e goiabada.

(Na imagem, três sargentos do Forte Apache; a partir da esquerda: Mulcahy (Victor McLaglen), Schattuck (Jack Penncik) e Quincannon (Dick Foran)).
(Crédito da foto: http://www.videodetective.com/)

7 de abril de 2007

Tribeca 2007: aquecimento global em foco

A 6ª edição do Tribeca Film Festival, de Nova Iorque, terá início no próximo dia 25. Desta vez, a abertura não terá um filme de grande produção, ou com elenco estelar, como é usual nos festivais. Conforme anúncio feito na última quinta-feira, 5, o evento começará com a exibição de sete curta-metragens sobre o aquecimento global, apresentados pelo ex-vice-presidente norte-americano Al Gore.

Comentário: Depois do sucesso de Uma verdade inconveniente (2006), que arrebatou dois Oscars, a cruzada de Al Gore contra o aquecimeno global parece ter entrado na ordem do dia. Como essa questão é mesmo grave, antes tarde do que nunca.
(Na foto, Al Gore. Crédito: www.filmweb.com)

6 de abril de 2007

Robson Corrêa de Araújo expõe na Embracine

O fotógrafo brasiliense Robson Corrêa de Araújo está com a exposição Um segundo por favor no Hall da Embracine, na Casa Park, Brasília. A exposição, que teve início em 17 de janeiro, vai até o dia 14 de abril. Ainda há tempo, portanto, de visitá-la. Os cliques interessam especialmente aos cinéfilos, porque foram feitos durante as filmagens do documentário brasiliense O vaqueiro voador (2006), de Manfredo Caldas.

Comentário: As fotos de Robson são sempre um show à parte, por causa de seu olhar surpreendente e de seu agudo senso de composição. Imperdível!
(Imagens: fotos de Robson Corrêa, colhidas no saite www.embracine.com.br)

Cannes 2007: Scorsese na tribuna

O cineasta norte-americano Martin Scorsese, que acaba de ganhar o Oscar de melhor diretor, terá agenda cheia no Festival de Cannes, em maio. Ele vai 1) proferir uma aula magna, "master class", sobre a direção de filmes, para estudantes de cinema; 2) apresentar o prêmio Camera d'Or (Câmera de Ouro), destinado ao melhor filme de diretor estreante; 3) anunciar a criação da World Cinema Foundation, fundação consagrada à preservação e restauração de filmes clássicos; 4) conceder entrevista à imprensa para divulgar seu mais novo filme, Shine a Light, um documentário sobre os Rolling Stones.
Comentário: Scorsese já foi agraciado com o prêmio máximo de Cannes, a Palma de Ouro, pelo filme Taxi Driver -- Motorista de táxi (1976).
(Crédito da foto: baggy.org.uk)

5 de abril de 2007

Era uma vez em 4 de abril de 2007

BOB CLARK (65 anos, de acidente de carro), diretor, produtor e roteirista norte-americano, que trabalhou também no Canadá; dirigiu seu primeiro filme aos 24 anos, com apoio dos amigos; no início, se aventurava pelos gêneros drama, crime, mistério, guerra, que às vezes mesclava com horror; conseguiu bons resultados com Assassinato por decreto (1979) e Tributo (1980), para depois megulhar na comédia porcina, com Porky's -- A casa do amor e do riso (1982) e Porky's II -- O dia seguinte, e, em seguida, alçar seu mais alto vôo, em Uma história de Natal (1983), que conquistou dois prêmios Genie (direção e roteiro), o mais importante do cinema canadense, e se tornou cult; com Now & Forever (2002), abiscoitou os prêmios do júri e da crítica, no Festival de Atlantic City, e o de melhor filme canadense, no Festival de Toronto.

(Crédito da foto: www.tandeminstructors.com)

1 de abril de 2007

Orson Welles: uma luz no fim do túnel

O filme The Other Side of the Wind (1972), que Orson Welles deixou inacabado, poderá ser terminado, finalmente. A informação foi divulgada pelo diretor Peter Bogdanovich, na última sexta-feira, 30, ao receber um prêmio honorário no Florida Film Festival, de Orlando. O jornal New York Sun, que publicou a notícia, informou que Bogdanovich disse ter conseguido um acordo para completar o filme com uma "bem conhecida rede de TV a cabo" -- que se presume seja a Showtime, que já manifestou interesse no projeto. O filme está guardado num cofre climatizado, em Paris, há mais de 30 anos. Welles morreu antes de concluir a montagem, e os negativos permanecem no centro de uma disputa legal entre os financiadores do filme e o espólio do diretor. A produção é franco-iraniana. Em 2002, Bogdanovich já dizia que havia esperança de o filme ser concluído.

(Na imagem, Orson Welles ladeado por John Huston e Peter Bogdanovich, que aparecem no filme, em foto da época das filmagens.)
(Crédito da foto: www.senseofcinema.com)

Os 10 filmes de maior bilheteria

Os dez filmes de maior bilheteria da história, no mercado norte-americano, são:
1) E o vento levou (1939) - US$ 1.293.085.600,00
2) Guerra nas estrelas (1977) - US$ 1.193.965.400.00
3) A noviça rebelde (1965) - US$ 911.458.400,00
4) E.T. -- O extra-terrestre (1982) - US$ 838.400.000,00
5) Os dez mandamentos (1956) - US$ 838.400,00
6) Titanic (1997) - US$ 821.413.700,00
7) Tubarão (1975) - US$ 819.704.400,00
8) Doutor Jivago (1965) - US$ 794.466.900,00
9) O exorcista (1973) - US$ 707.639.500,00
10) Branca de Neve e os sete anões (1937) - US$ 691.600.000,00
Os valores foram atualizados até 2006.

(Crédito da foto: www2.uol.com.br)

31 de março de 2007

O eterno brilho das estrelas

Em enquete realizada na internet, em 21-03-07, para saber qual das maiores lendas femininas do cinema, entre as dez primeiras do ranking do American Film Institute, deixou mais saudade nos cinéfilos, a eleita foi Audrey Hepburn.
A seguir, o resultado da votação:
1ª) Audrey Hepburn....... 32,05%
2ª) Katharine Hepburn.. 22,4%
3ª) Marilyn Monroe....... 14,9%
4ª) Ingrid Bergman........ 10,8%
5ª) Judy Garland............ 8,1%
As demais, por ordem decrescente de preferência, são: Bette Davis, Elizabeth Taylor (a única viva, mas ausente das telas de cinema desde 1994), Marlene Dietrich, Greta Garbo, Joan Crawford. Votaram 19.049 internautas.
Comentário: Audrey Hepburn foi eleita, em 2006, "a mulher mais bonita de todos os tempos", pelas leitoras da revista norte-americana New Woman.

(Crédito da foto: www.mymovies.it)

30 de março de 2007

Duelo de gigantes: Viacom x Google

A revista Forbes divulgou em seu saite, na última quarta-feira, 28, que a Viacom (controladora da Paramount) está processando o Google e sua subsidiária YouTube para receber US$ 1 bi de ressarcimento por direitos autorais. Enquanto alguns analistas suspeitam que o processo seria mera tátita, "ploy", da Viacom para conseguir um acordo favorável do YouTube, outros acreditam na possibilidade de o caso acabar no tribunal mesmo. Segundo a revista, ambas as empresas dispõem de recursos suficientes para levar a questão a julgamento. A Viacom estaria com mais de US$ 700 mi "in cash", enquanto o Google teria mais de US$ 11 bi à disposição. É briga de cachorro grande.

Jane Fonda sentiu culpa ao ganhar seu 1º Oscar

A atriz Jane Fonda ganhou seu primeiro Oscar num momento em que era ferrenha ativista contra a Guerra do Vietnã. Entretanto, ao receber o prêmio, por sua atuação no filme Klute -- O passado condena (1971), ela não fez qualquer comentário político, ao contrário do que se esperava, a exemplo de outros ganhadores ao longo da história da premiação. Agora já se sabe o motivo de seu comportamento discreto, na ocasião. Em recente entrevista a Robert Osborne, do canal norte-americano TCM, ela revelou que seu pai, o lendário ator Henry Fonda, aconselhou-a a evitar comentários políticos em seu discurso. E confessou que teve sentimento de culpa, por ser premiada antes do pai: "Eu me dei conta de que eu tinha ganhado um Oscar e que meu pai nunca o havia ganho. Eu chorei muito. Parecia realmente uma injustiça."

(Crédito da foto: www.americanphoto.co.jp)

28 de março de 2007

Marlon Brando faz muita falta

Em enquete realizada em 20-03-07, para saber qual o ator norte-americano faz mais falta, entre os dez melhor classificados no ranking do American Film Institute, votaram 23.059 internautas e a escolha recaiu em Marlon Brando.
Eis o resultado da votação:
1º) Marlon Brando......... 27,3% dos votos
2º) James Stewart.......... 24,1%
3º) Cary Grant................ 15,0%
4º) Humphrey Bogart.... 12,8%
5º) Charlie Chaplin......... 9,1%
Os demais votados, por ordem decrescente das preferências, foram: Henry Fonda, Fred Astaire, Clark Gable, Spencer Tracy e James Cagney. Todos eles só estão vivos nos filmes.

(Crédito da foto: www.mondo-exotica.net)

27 de março de 2007

Mais uma estrela na Calçada da Fama

Halle Berry, que já ganhou o Oscar de melhor atriz, por sua atuação no filme A última ceia (2001), vai ser homenageada com uma estrela na Calçada da Fama. Sua estrela será a 2.333ª e ficará bem em frente ao Kodak Theatre, local onde acontece a cerimônia de entrega do Oscar. A inauguração está prevista para a próxima semana.

(Crédito da foto: www.bbc.co.uk)

26 de março de 2007

Filmes raros e antigos de graça

Filmes cujos direitos autorais caíram em domínio público ou expiraram estão disponíveis para "download" gratuito ou visualização em tempo real, na internet. Tudo dentro da lei, sem nenhum risco de acusação de pirataria.
São três as vias que dão acesso tanto a clássicos como O fantasma da ópera (1925) quanto a deliciosas comédias com Cary Grant e até a raridades européias e asiáticas:
1) o Veoh, talvez o serviço mais bem organizado;
2) o Emol, considerado um tanto bagunçado, é o caminho certo para relíquias do cinema e raridades exóticas;
3) o Public Domain Torrents dá acesso, através do software/protocolo Bittorrent, a "download" legalizado de filmes para se ver no DVD, no iPod e até no Playstation Portátil.
No caso do Veoh, exige-se um rápido e gratuito cadastro. O Emol oferece três opções de qualidade: baixa, média e original; na "baixa", a imagem não é boa; na "média", como o termo indica, há melhor nitidez; e na "original", o arquivo é grande e o filme pode ser guardado no computador ou gravado em DVD.
(Fonte: Webinsider)
(Na foto, Lon Chaney como o fantasma da ópera. Crédito: www.cinemaria.it)

25 de março de 2007

Frases que o tempo consagrou

O American Film Institute elegeu, há algum tempo, as 100 frases de diálogo mais antológicas do cinema. O filme E o vento levou (1939) teve três frases escolhidas, uma das quais pegou o primeiro lugar do ranking. Vão a seguir as frases em inglês, com a respectiva posição classificatória, a tradução e a indicação do momento do filme em que são pronunciadas:

) "Frankly, my dear, I don't give a damn." (Francamente, querida, eu não ligo a mínima.)
Obs.: Última fala de Clark Gable.

31ª) "After all, tomorrow is another day." (Afinal, amanhã é outro dia.)
Obs.: Última fala de Vivien Leigh.

59ª) "As God is my witness, I'll never be hungry again." (Com Deus por testemunha, eu nunca mais passarei fome.)
Obs.: Última fala da primeira parte do filme (Vivien Leigh).

(Crédito da foto: www.archinect.com)

21 de março de 2007

Era uma vez em 17 de março de 2007

FREDDIE FRANCIS (89 anos, de causa não divulgada), cinematografista inglês; seu primeiro trabalho foi como assistente de câmera, em 1937, mas só no segundo filme, quando fotografou a parte da África de Covardia (1947), sua carreira começou para valer; foi operador de câmera de 16 filmes, até 1956; nesse mesmo ano, passou a ser diretor de fotografia, atuando em filmes como Almas em leilão (1959), Filhos e amantes (1960), que lhe deu o primeiro Oscar, O homem elefante (1980), Tempo de glória (1989), que lhe deu o segundo e último Oscar, Cabo do medo (1991) e 27 outros, até 1999; a partir de 1962 passou a dirigir também, especializando-se em filmes de terror: Paranóico (1963), O monstro de Frankenstein (1964), Terrível pesadelo (1965), Drácula, o perfil do diabo (1968), e daí para pior, completando 28 filmes em 1987. Ganhou quatro prêmios de melhor fotografia da Sociedade Britânica de Cinematografistas e dois outros, além de oito prêmios honorários (life achievement), sempre por seu trabalho como fotógrafo, bem entendido.

(Crédito da foto: www.stopklatka.pal)

China combate pirataria

A loja Ka de Club, de Xangai, famosa por seu estoque de DVDs pirateados, foi multada por um tribunal local. A corte sentenciou que a loja vendeu ilegalmente DVDs de O senhor dos anéis e Os incríveis, multando-a em 3.200 dólares. O consultor jurídico da Motion Picture Association na Ásia, Frank Rittman, declarou-se desapontado com a insignificância do valor estabelecido pela sentença, segundo noticiou o jornal londrino Financial Times, na terça-feira, 20.

20 de março de 2007

Era uma vez em 15 de março de 2007

STUART ROSENBERG (79 anos, de ataque cardíaco), cineasta norte-americano que teve a sorte de contar com a presença de Paul Newman em quatro de seus filmes: Rebeldia indomável (1967), seu melhor filme, A sala dos espelhos (1970), Meu nome é Jim Kane (1972) e A piscina mortal (1975); seu filme Question 7 (1961), nunca exibido no Brasil, ganhou dois prêmios no Festival de Berlim: OCIC, concedido pela Igreja Católica, e o de melhor filme apropriado para os jovens; seu último trabalho foi My Heroes Have Always Been Cowboys (1991); sua carreira foi mais extensa na TV, onde começou e que lhe deu um Emmy.
Curiosidade: Embora Rosenberg não tenha revelado maior talento como diretor, Paul Newman fez a seguinte declaração a seu respeito: "Ele era tão bom quanto qualquer um com quem eu tenha trabalhado".
(Crédito da foto: www.americanas.com)

18 de março de 2007

Uma lição de cinema de Clint Eastwood

Um bom diretor consegue detectar, por intuição, as possibilidades de um bom roteiro e emprega todo seu talento no sentido de melhor servi-lo. Isto é o que se vê no filme Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood. Todos os recursos técnicos e humanos foram usados para contar, da forma mais precisa possível, sem malabarismos, o drama dos soldados japoneses que lutaram em Iwo Jima.

A fotografia do filme é um caso à parte. A câmera raramente se move. Limita-se a mostrar o comportamento daqueles que vão perder a batalha, como um espectador impassível. Dentro de cavernas e túneis, às vezes trepida, para ampliar o efeito das explosões sobre os abrigos. Quando sai, é para mostrar a superioridade do inimigo, em homens e armas, enquadrando o espaço circundante, quando possível, de jeito a realçar seu lado sinistro, ameaçador.

O diretor optou pela adulteração da cor, aproximando-se do preto e branco, com realce apenas da cor vermelha, por processo digital, nos detalhes da farda, na bandeira japonesa, no sangue dos feridos e no fogo dos lança-chamas e das explosões. Os focos de luz que iluminam os atores foram posicionados na horizontal, em parte para simular a luz natural que penetra nos abrigos, em parte para dar a impressão de que as personagens são espectros. Tanto que a mesma iluminação foi usada também nos momentos em que os soldados saem dos abrigos.

A trilha sonora é quase toda constituída de sons da batalha. A música é usada muito discretamente. Às vezes, quando o bombardeio dá uma trégua, ouve-se um delicado dedilhar no piano. Ela só ganha mais presença nas cenas em flash-back de Kuribayashi nos Estados Unidos.

A história, narrada do ponto de vista do soldado Saigo, tem uma segunda instância narrativa no general Kuribayashi. O primeiro escreve cartas para sua jovem esposa; o segundo, para o casal de filhos e a mulher.

Ninguém, em momento algum, tem a ilusão de que possa ganhar a batalha. Saigo diz, logo no início, que seria melhor entregar a ilha aos norte-americanos, pois ela "fede, é quente, cheia de insetos e não tem água".

Assim que chega à ilha, o general Kuribayashi se põe a traçar uma nova estratégia para a defesa da ilha, com o intuito de resistir às investidas do inimigo pelo maior tempo possível. Ele prevê que, após tomarem posse de Iwo Jima, os norte-americanos irão usá-la como base para atacar o seu país. Por isso, está empenhado em manter o domínio da ilha até o último homem. Além de seu dever para com a pátria, preocupa-o o que possa acontecer a seus filhos. "Se os nossos filhos tiverem mais um dia de paz, terá valido a pena o dia defendido", justifica-se.

O general é informado, antes de a invasão ter início, de que não poderá contar com o apoio nem da força aérea nem da marítima, que acabam de sofrer sérios reveses. E no curso da batalha, as dificuldades se sucedem. Metralhadoras destroçadas não podem ser repostas, e a munição vai aos poucos se esgotando. Quando os invasores tomam o monte Suribachi, entra em cena um inimigo interno da alma japonesa. O coronel Adachi, responsável pela defesa do monte, resolve cometer suicídio e exige que seus subordinados façam o mesmo, em nome da honra. Vários se matam, usando granadas, e as explosões são brutais.

O pelotão comandado pelo tenente-coronel Nishi recolhe um soldado norte-americano ferido. Nishi, que sabe inglês, conversa com ele amistosamente. Conta-lhe que competiu nas Olimpíadas de Los Angeles de 1932 e ficou amigo do casal de estrelas do cinema Mary Pickford e Douglas Fairbanks. O soldado morre, em conseqüência dos ferimentos, e Nishi pega o papel que ele tem na mão. É uma carta de sua mãe, que dirige ao filho palavras de consolo e de incentivo para que ele faça o que deve ser feito. Ao ficar cego numa explosão, Nishi se despede de seus subordinados, que partem em busca de novo abrigo, encorajando-os com frases que leu na carta do soldado morto.

Depois de vários dias sem água e comida, dois soldados decidem se render ao inimigo, por terem ouvido dizer que os norte-americanos dão água e comida aos que se rendem. De fato, logo recebem cada qual um copo d'água e se sentem bem. Mas o pelotão, ao se deslocar, os deixa sob a guarda de soldados impiedosos.

Quando cai ferido, o general Kuribayashi decide se auto-sacrificar e pede a Saigo que o enterre, para que seu corpo não seja encontrado. Após cumprir o que prometera ao general, Saigo é feito prisioneiro. E, quando vê a arma com que o general se matara presa ao cinto de um norte-americano, ele se unfurece e brande a pá que ainda tem nas mãos, tentando, com as energias que lhe restam, atingir os inimigos. Até que é derrubado e posto fora de combate. No final, porém, fica-se sabendo que ele foi poupado.

Embora o filme seja a expressão da idéia de que a guerra é uma estupidez inútil, pode ser que Eastwood tenha aproveitado a oportunidade para expor seu ponto de vista sobre a conduta de um soldado no campo de batalha. Os dois únicos soldados que são mostrados como possíveis sobreviventes não se renderam. Além de Saigo, outro japonês pode ter sido poupado. Ele perdeu a esperança de sair vivo, mas tem a intenção de destruir um tanque inimigo com ele. Pendura no corpo algumas minas, borra o rosto com o sangue de um morto e se deita, como se morto estivesse, à espera de que um tanque passe sobre ele. Mas acaba sendo aprisionado. Os valentes, sem dúvida, merecem viver.

Para um diretor de Hollywood, havia o risco de resvalar para a antipatia aos japoneses, que eram os inimigos, ou para o sentimentalismo fácil, já que enfoca os perdedores. Mas o veterano Eastwood conseguiu equilibrar-se sobre uma linha tênue, em terreno mais que minado. Mostrou os japoneses como seres humanos sensíveis ou heróicos, sem omitir os aspectos negativos de sua cultura à época. Não é pouco, mesmo contando com a ajuda de uma roteirista japonesa.

Do alto de seus 76 anos, o diretor realizou a síntese entre o bem e o mal para visitar os fantasmas de Iwo Jima com os olhos da compaixão. E o resultado é surpreendente. Filmes como esse, que causam impacto, provocam mossa, estão se tornando cada vez mais raros. Pior para o cinema.
(Texto publicado pelo semanário Jornal Opção, de Goiânia, edição de 11 a 17 de março de 2007. Acesse: www.jornalopcao.com.br)

(Crédito da foto: expresso.clix.pt)

'Babel' na China

O filme Babel, do mexicano Alejandro González Iñárritu, estreou na China na última segunda-feira, 12. Antes, porém, sofreu cortes de cerca de cinco minutos, em cenas consideradas "sexualmente explícitas demais" pelos censores chineses. As cenas castradas são aquelas em que uma jovem japonesa -- interpretada por Rinko Kikuchi, indicada ao Oscar -- tenta seduzir um homem mais velho, afastando a saia e mostrando-lhe a genitália. O governo chinês só permite a exibição de 20 filmes estrangeiros por ano. E desde que cortadas as cenas de violência, de sexo ou politicamente polêmicas.
(Crédito da foto: www.alarm-alarm.com)

14 de março de 2007

Era uma vez em 12 de março de 2007

BETTY HUTTON (86 anos, de causa não divulgada), cantora e atriz norte-americana, que estreou em 1939, num curta-metragem, e se tornou uma das mais requisitadas atrizes de musicais e comédias, a exemplo de Papai por acaso (1944), A tentação da sereia (1944), Brasa viva (1949), Bonita e valente (1950) e Nasci para bailar (1950), em que foi parceira de Fred Astaire; uma raridade em sua carreira foi o gênero drama, como O maior espetáculo da terra (1952) e O amor chegou com a primavera (1957), com o qual se despediu do cinema, após 21 filmes. Ganhou os prêmios Golden Apple, em 1944, como a atriz mais cooperativa; Photoplay, em 1950, como a mais popular estrela feminina, por Bonita e valente, além de um estrela na Calçada da Fama.

(Crédito da foto: www.filmforum.org)

13 de março de 2007

Era uma vez em 10 de março de 2007

RICHARD JENI (49 anos, de suicídio), compositor, roteirista, produtor e, sobretudo, ator norte-americano, que trabalhou mais para a TV; no cinema, estreou em pequeno papel de Bird (1988), de Clint Eastwood, e apareceu em dois outros filmes apenas, um dos quais foi O máscara (1994), com Jim Carrey. Admirado como comediante, recebeu o Prêmio da Comédia Americana, em 1993, como o mais engraçado comediante masculino.

(Crédito da foto: http://www.voy.com/)

10 de março de 2007

Tarantino, cineasta amador

O cineasta norte-americano Quentin Tarantino, que completará 44 anos no próximo dia 27, rejeita a idéia de que seja um diretor profissional. Ele tem na realização de filmes um hobby e não um trabalho. Embora dirija filmes há 20 anos, ele se recusa a participar do Sindicato dos Diretores, declarando: "Prefiro continuar na minha condição de amador".

(Crédito da foto: www.icicom.up.pt)

9 de março de 2007

Assim pensava Paulo Francis 3

[Graham] Greene não diz palavra sobre a contribuição de [Orson] Welles ao filme [O terceiro homem], uma fala expressiva que [Andrew] Sarris considera niilista, aquela em que ele diz que os Borgias governaram a Itália por 30 anos, com guerras e o diabo, e houve a Renascença, enquanto que os suíços tiveram 500 anos de amor fraternal e produziram o cuco. A fala não consta do 'script' de Greene (que ele publicou como noveleta). Mas Welles, que a deve ter inventado, ganhou mais fama por esse papel do que por 'Cidadão Kane', digo, como ator.
(Folha de S. Paulo, 06-02-88)

E em 'O Terceiro Homem', sua aparição maravilhosa numa entrada de rua em Viena, com zítara, gato, luzes do diretor Carol Reed e sua cara de lua, irônica e detaché. Falando nisso, quem escreveu que os suíços em 500 anos de paz produziram só o cuco não foi Welles, foi Graham Greene, autor do 'script'.
(Folha de S. Paulo, Revista d, 21-10-90)

Que bobagem Orson Welles diz em O terceiro homem, The third man, estragando o script de Graham Greene. Fala que em quinhentos anos de paz os suíços só produziram o cuco. Os suíços produziram Rousseau, que é a raiz de todo o pensamento revolucionário, fonte e origem do conceito pós-religioso de utopia. E Calvino, o pensador religioso mais influente depois de Jesus Cristo.
(O Estado de S. Paulo, 20-05-93)

Rodando o botão pelos cabos, dou com "O terceiro homem". Orson Welles, no elevador, pontifica para Joseph Cotten que a criatividade humana vem de conflitos. A Itália, sob Borgias e Medicis, gerou a Renascença. Já na Suíça, continua Welles, "Harry Lime", 500 anos de paz, deu o cuco. Cinéfilos têm muito orgulho dessa "filosofada" de um dos seus ícones. A Suíça deu Jean-Jacques Rousseau, que é o pensador humanista mais revolucionário que já existiu. (...) Suíço é também Calvino, o pensador religioso mais influente depois de São Paulo, apóstolo.
(O Globo, 10-07-94)

O que disse a respeito Orson Welles: Tudo o que lhes quero dizer, é que escrevi inteiramente o papel de Harry Lime, porque me pus a pensar nessa personagem procedendo por piadas. Não sou o autor da anedota do cuco, tirei-a duma peça húngara. Agora, sabem, cada peça húngara é o plágio de outra peça húngara, a quem atribuir a paternidade dessa anedota? Lembro-me de ter ouvido essa piada na minha infância, não exatamente a mesma, mas quase. Vêem que é uma piada muito velha. E o mais engraçado é que o relógio cuco é fabricado na Floresta Negra, não na Suíça.
(Entrevista a André Bazin, Charles Bitsch e Jean Domarchi, publicada nos Cahiers du Cinéma nº 87, setembro de 1958)

(Crédito da foto: www.sergiosakall.com.br)

6 de março de 2007

John Wayne para todos os gostos

As divisões de vídeo da Warner Bros. e da Paramount se uniram para uma inciativa sem precedentes. Vão lançar, de uma só vez, 48 filmes de John Wayne. O dia escolhido foi 22 de maio, por ser, dizem, a data do centésimo aniversário de nascimento do ator. Serão 34 filmes da Warner Home Video e 14 da Paramount Home Entertainment. O anúncio foi feito na segunda-feira, 5.
Comentário: Um evento comercial dessa magnitude só é possível por causa do apelo que a figura de John Wayne continua tendo junto ao público norte-americano. Seu nome ficou em 3º lugar, na última enquete Harris, entre as estrelas preferidas dos cinéfilos dos Estados Unidos. A enquete Harris é realizada anualmente. John Wayne nasceu em 26 de maio de 1907.

(Crédito da foto: www.sheilaomalley.com)

4 de março de 2007

Desconstruindo a guerra

Na primeira cena de A Conquista da Honra, (Flags of Our Fathers, 2006), Clint Eastwood dá o tom do filme. A câmera gira espetacularmente em volta de um soldado perdido em terreno arrasado, ouvindo vozes de soldados mortos chamando pelo enfermeiro. Em seguida se esclarece que a imagem é a expressão do pesadelo do enfermeiro John Bradley, sobrevivente da batalha de Iwo Jima. O filme se propõe a desconstruir a guerra, mas usando de toda a parafernália tecnológica que torne a matança fotogênica. Convém ter presente que Steven Spielberg é um dos produtores do filme.

Com um roteiro engenhoso nas mãos, extraído do livro homônimo da dupla James Bradley, filho de John, e Ron Powers, Eastwood articula duas narrativas paralelas. De um lado, os esforços de James para reconstituir a história do pai, de outro, a trajetória de três soldados que participam de uma campanha de arrecadação de fundos. E, intercaladas sabiamente ao longo do filme, cenas da batalha de Iwo Jima, reconstituídas com efeitos visuais e sonoros exuberantes.

Um detalhe do filme, em especial, evidencia o domínio que Eastwood tem da técnica cinematográfica. Quando a tropa desembarca em Iwo Jima, ele mostra as armas japonesas sendo posicionadas, sem que se veja quem as está manejando. Depois ele muda o ângulo da câmera para mostrar, do ponto de vista dos japoneses, os estragos na tropa norte-americana provocados pelas rajadas de metralhadora e pelos disparos de canhão.

Produzido no momento em que os Estados Unidos estão atolados no areal do Iraque, o filme parece ter sido feito justamente para servir como uma ducha de água fria no ânimo do povo norte-americano. Aqui, vê-se um soldado evaporar numa explosão; ali, aparece uma cabeça sem o corpo; acolá, um grupo é vítima de fogo-amigo. Eastwood não se esqueceu nem da locutora da rádio alemã a fazer insinuações sobre a conduta das esposas deixadas sós em casa. Para coroar tudo, a farsa da fabricação de heróis e o cinismo dos vendedores de bônus de guerra.

O foco da trama é uma foto de seis soldados levantando a bandeira norte-americana no ponto mais alto da ilha de Iwo Jima, o monte Suribachi. A foto ganha o mundo na primeira página dos jornais, e, então, os chefes militares têm a idéia de pegar os três sobreviventes do grupo -- René Gagnon, Ira Hayes e John Bradley -- e mover uma campanha nacional de arrecadação de fundos para financiar a guerra. Mas o filme se encarrega de desmontar, gradativamente, toda a fantasia construída em torno da foto e dos supostos heróis que nela aparecem.

Desde o início, o filme coloca a questão da influência das imagens nos destinos de uma guerra. Ao ser entrevistado por James Bradley, um sabichão diz que foi graças à tal foto que os Estados Unidos derrotaram o Japão, assim como a Guerra do Vietnã foi perdida por causa de uma foto -- aquela do vietnamita indefeso tendo a cabeça trespassada por uma bala. Bobagem. É evidente que foto nenhuma tem tanto poder. É delírio de quem vive da manipulação de imagens.

Já que a premissa do filme é que os Estados Unidos derrotaram os japoneses, na II Guerra Mundial, graças à exploração habilidosa de uma foto, Eastwood, espertamente, encaixou uma "explicação" para a derrota no Vietnã, usando o reverso do argumento. Se colar, o governo Bush poderia alegar que o atoleiro no Iraque é decorrente daquelas vexaminosas fotos de Abu Ghraib.

Para resumir a ópera, a personagem do filho do enfermeiro opina: "Herói é algo que nós construímos, é algo de que precisamos". Bela filosofia de botequim. Uma leitura mais atenta do filme pode conduzir a outra conclusão. As crises de consciência de Ira Hayes, que explicam sua bebedeira, decorrem do fato de ele considerar heróis somente os companheiros que morreram na batalha. Ele chega a viajar 2 mil quilômetros só para contar ao pai de um soldado morto que seu filho estava no grupo que levantou a bandeira. E John Bradley vive atormentado, até o instante de sua morte, pela lembrança da perda do amigo Iggy, que evaporou durante a batalha.

Com isso, chega-se a uma das frases-rótulo ("tagline", em inglês) usadas para divulgar o filme nos Estados Unidos: "Every soldier stands beside a hero", traduzida no Brasil para: "Ao lado de cada soldado há um herói". A idéia do filme, deduz-se, é que só são heróis os mortos. O que se contrapõe ao que pensava Samuel Fuller, veterano da II Guerra, que fez sua súmula sobre a guerra no filme Agonia e Glória (1980). Para ele, o único heroísmo na guerra é sobreviver.

Mas A conquista da honra parece tangenciar uma questão interssante. Talvez o problema da imagem do herói esteja na dificuldade de se dar um rosto ao heroísmo que sem dúvida se faz presente na guerra. Uma batalha em que a proporção de mortos foi da ordem de três japoneses para um norte-americano teve certamente seus heróis. E não se pode negar que as imagens têm um papel a cumprir no teatro da guerra. Se o uso da foto da bandeira no monte Suribachi serviu para incentivar a população norte-americana a tirar o escorpião do bolso e entregar os dólares necessários num momento crucial da guerra, foi bem feito. Afinal, na guerra, como no amor, vale tudo.
(Texto publicado pelo semanário Jornal Opção, de Goiânia, edição de 25-02 a 03-03-2007. Acesse: http://www.jornalopcao.com.br/)


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