20 de julho de 2011

No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939), de John Ford


Ainda no início do filme, quando a diligência parte de Tonto rumo a Lordsburg, quase todo o background do enredo e das personagens já está posto. John Ford, o diretor do filme, sabia fazer isto com muita competência e economia de meios.

Sabe-se, por exemplo, que Gerônimo e seu bando de índios renegados estão atacando propriedades de colonos; que o fora-da-lei Luke Plummer encontra-se em Lordsburg; que Ringo Kid escapou da prisão e, provavelmente, também se dirige para lá, a fim de vingar o assassinato, cometido por Plummer, de seu pai e seu irmão.

Desde Bisbee, o ponto inicial da linha, a diligência traz dois passageiros que prosseguirão até Lordsburg: Lucy Mallory, mulher de um oficial da Cavalaria, e Peacock, vendedor itinerante de uísque.

Em Tonto, outros passageiros embarcam: a prostituta Dallas, expulsa da cidade pelas megeras da Liga da Lei e da Ordem; o médico alcoólatra Josiah Boone, expulso pela senhoria por não pagar o aluguel; Hatfield, notório jogador profissional, que conhece a sra. Mallory e resolve acompanhá-la para protegê-la; e o banqueiro Gatewood, que acaba de roubar seu próprio banco.

O xerife de Tonto, Curly, responsável pela recaptura de Ringo, ao ser informado por Buck, o cocheiro, de que Plummer está em Lordsburg, deduz que Ringo também deve estar indo para lá e assume a função de guarda da diligência. O que ele não imagina é que Ringo precisou abandonar seu cavalo e está à espera da diligência. De Tonto, a diligência parte acompanhada de uma patrulha da Cavalaria.

Uma vez completa a lotação, após o embarque de Ringo, os passageiros se dividem em dois subgrupos: de um lado, os párias sociais Ringo, Dallas e dr. Boone; do outro, Lucy, Hatfield e Gatewood, representantes da elite emproada. Nesta divisão, Peacock não se inclui por ser de uma categoria à parte, sensato e conciliador, mais parecido com um clérigo.

À medida que a diligência avança pela paisagem deslumbrante do Monument Valley, os passageiros se conciliam em duplas, segundo suas afinidades: Ringo e Dallas, o par romântico: Lucy e seu protetor Hatfield, herdeiros da aristocracia sulista; dr. Boone e seu fornecedor de uísque, Peacock. Nesta forma de associação, fica sobrando Gatewood, que não tem a simpatia de ninguém.

A viagem é pontuada por vários episódios, uns pitorescos, outros dramáticos. Merece destaque a entrada em cena de Ringo, certamente uma das mais espetaculares da história do cinema. A diligência segue sem problemas à vista quando se ouve um tiro. Os soldados da Cavalaria estão distanciados, atravessando um riacho. De repente, John Wayne aparece à beira da estrada, com a sela numa mão e um rifle na outra. E, num movimento tão rápido que o cameraman nem consegue manter o foco, a câmera avança até ter seu rosto em close-up. Depois que Ringo embarca, a Cavalaria toma outro destino, deixando a diligência desprotegida.

Na parada para o almoço, em Dry Fork, John Ford exibe sua expertise na mise-en-scène. Enquanto o dr. Boone bebe no balcão com Billy Pickett, chefe do posto e seu camarada de armas nos tempos da Guerra da Secessão, Lucy se senta à cabeceira da mesa, tendo Gatewood por perto. Ringo percebe a timidez de Dallas, que se mantém afastada, e a convida a se sentar ao lado dele. Ela aceita o convite e se senta próximo de Lucy, o que não é bem visto por esta nem por Hatfield, que arranja uma desculpa e leva sua protegida para a outra ponta da mesa. Gatewood os acompanha.

Nessa cena, que serve principalmente para explicitar a rejeição aos párias pelos representantes da elite, Peacock nada tem a fazer. Num instante é visto de costas, olhando pela janela, depois desaparece.

Outra cena excepcional é a da apresentação dos índios. Posicionada no alto, a câmera enquadra a diligência, que avança ao longe no fundo do vale. A distância faz a diligência parecer muito pequena e frágil. Num chicote (movimento panorâmico muito rápido), a câmera gira e, ao som de uma fanfarra de grande impacto, enquadra o grupo de índios sobre o penhasco, observando a diligência com frieza. O que se temia desde o início acontece: a diligência está ao alcance dos índios.

O filme é rico em fontes de humor. Uma delas é o cocheiro gorducho, cuja covardia e voz esganiçada não combinam com seu porte físico avantajado; além disso, ele está sempre pensando em comida ou reclamando dos parentes da sua mulher. Outra fonte, obviamente, é o médico bebum. Também Chris, o gerente do posto em Apache Wells, cuja mulher índia foge na sua égua de estimação, para o seu desespero – não pela mulher, mas pela égua, que, nas duras condições do oeste, tinha importância capital.

O filme não contém apenas um clímax, como é usual, mas dois. O primeiro se dá na perseguição à diligência pelos índios, quando os viajantes penam um bocado para se defenderem, e que constitui uma das sequências mais emocionantes da história do faroeste. Afinal, são salvos pela Cavalaria. O último clímax tem lugar no duelo noturno em Lordsburg, entre Ringo e os irmãos Plummer.

Se bem que o filme não faça referência explícita à época em que se passa a história, pode-se inferir qual seja pela presença de Gerônimo, personagem real. Foragido da reserva de São Carlos em 1881, ele liderou ataques contra os brancos na fronteira dos Estados Unidos com o México até 1886, quando foi recapturado e passou a viver sob vigilância até sua morte. Portanto, o enredo do filme se encaixa no período entre 1881 e 1886.

Este foi o primeiro filme de John Ford a ter locações no Monument Valley, que se tornou desde então a geografia imaginária de vários de seus faroestes: nove ao todo. A viagem da diligência dura dois dias e se situa inteiramente dentro desse magnífico vale, cuja extensão não chega a 50 km.

Por tudo que encerra de engenhoso e belo, o filme recebeu um julgamento insuperável do crítico francês Jean Mitry. No seu livro sobre John Ford, publicado em 1954, ele disse que No Tempo das Diligências “é uma das obras mais perfeitas do cinema”.

15 de julho de 2011

Festival de Paulínea tomado por 'Febre do Rato'

No Festival de Paulínea, encerrado ontem, o filme "Febre do Rato" foi o grande vencedor. Conquistou oito prêmios, inclusive os de melhor filme pelo júri e pela crítica.
Os prêmios foram anunciados por Marina Person e Rubens Ewald Filho.
A seguir, a lista completa dos longas-metragens premiados:

A - Júri oficial:
1 - Melhor filme (ficção): "Febre do Rato", de Cláudio Assis
2 - Melhor documentário: "Rock Brasília - Era de Ouro", de Vladimir Carvalho
3 - Melhor diretor (ficção): Selton Mello, por "O Palhaço"
4 - Melhor diretor (documentário): Maíra Bühler e Matias Mariani, por "Ela Sonhou Que Eu Morri"
5 - Melhor ator: Irandhir Santos, por "Febre do Rato"
6 - Melhor atriz: Nanda Costa, por "Febre do Rato"
7 - Melhor ator coadjuvante: Moacir Franco, por "O Palhaço"
8 - Melhor atriz coadjuvante: María Pujalte, por "Onde Está a Felicidade?"
9 - Melhor roteiro: Selton Mello e Marcelo Vindicatto, por "O Palhaço"
10 - Melhor fotografia: Walter Carvalho, por "Febre do Rato"
11 - Melhor montagem: Karen Harley, por "Febre do Rato"
12 - Melhor som: Gabriela Cunha, Daniel Turini e Fernando Henna, por "Trabalhar Cansa"
13 - Melhor direção de arte: Renata Pinheiro, por "Febre do Rato"
14 - Melhor trilha musical: Jorge du Peixe, por "Febre do Rato"
15 - Melhor figurino: Kika Lopes, por "O Palhaço"
16 - Prêmio especial do júri: "Trabalhar Cansa"

B - Júri popular:
1 - Melhor filme (ficção): Carlos Alberto Riccelli, por "Onde Está a Felicidade?"
2 - Melhor documentário: "À Margem do Xingu - Vozes Não Consideradas", de Damià Puig

C - Júri da crítica:
1 - Melhor filme (ficção): "Febre do Rato"
2 - Melhor documentário: "Uma Longa Viagem", de Lúcia Murat.

4 de julho de 2011

ANNA MASSEY (1937-2011), atriz

A atriz britânica Anna Massey morreu de câncer no dia 3 de julho, aos 73 anos.
Ela estreou no cinema em "Um Crime por Dia" (Gideon's Day, 1958), dirigido por seu padrinho John Ford.
Entre seus filmes mais importantes estão "A Tortura do Medo" (Peeping Tom, 1960), "Frenesi" (Frenzy, 1972), "Um Pequeno Romance" (A Little Romance, 1979), "Montanhas da Lua" (Mountains of the Moon, 1990) e "O Operário" (The Machinist, 2004).
Anna Raymond Massey nasceu em 11 de agosto de 1937, em West Sussex, Inglaterra. Em 2005 ela recebeu da rainha Elizabeth II o título de Comandante da Ordem do Império Britânico. Era filha dos atores Raymond Massey e Adrienne Allen, irmã do ator Daniel Massey (1933-1998) e mãe do escritor David Huggins.

3 de julho de 2011

O Brasil visto por Hollywood

Tradicionalmente, as relações entre o Brasil e Hollywood não ficam bem na fita. Os projetos de filmes com locações aqui muitas vezes falharam. Em 1942, Orson Welles veio filmar seu ambicioso documentário “It’s All True”, que deu em nada.

As filmagens de “The Americano” (1955), no Mato Grosso, tiveram de ser suspensas por falta de dinheiro. A equipe foi repatriada e concluiu por lá mesmo o filme, até hoje inédito no Brasil, felizmente.

Em 1956, o diretor Samuel Fuller visitou o Mato Grosso em busca de locações para o filme “Tigrero”, cujo elenco seria encabeçado por John Wayne. A produção não se viabilizou devido ao alto custo de um seguro de vida para o ator.

Mais recentemente, filmaram aqui enredos situados em fictas republiquetas sul-americanas. É o caso de “Luar sobre Parador” (Moon Over Parador, 1988), de Paul Mazursky, e “Os Mercenários” (The Expendables, 2010), de Sylvester Stallone. Mas para enredo situado aqui, filmagem no México; caso de “Amazônia em Chamas” (The Burning Season, 1994), telefilme sobre Chico Mendes.

Hoje, parece que a situação está mudando. O Rio de Janeiro acaba de fornecer o cenário para “Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio” (Fast Five, 2011) e o desenho animado “Rio” (Idem, 2011), dirigido pelo carioca Carlos Saldanha e que é sucesso em todo o mundo.

Nos filmes de Hollywood, a imagem do Brasil tem sido a de esconderijo de criminosos. Por exemplo, em “Acorrentados” (The Defiant Ones, 1958), Tony Curtis e Sidney Poitier são dois prisioneiros que fogem acorrentados um ao outro. Numa cena em que Curtis tenta partir a corrente com uma pedra, ele fala de suas aspirações e conclui: “Irei para o Rio e nunca serei encontrado. Nunca serei encontrado”.

No clássico “Bonequinha de Luxo” (Breakfast at Tiffany's, 1961) acontece algo ainda mais curioso. Em Nova York, o brasileiro José da Silva Pereira, com o cabelo empastado ao estilo “latin lover”, vai a uma festa no apartamento da garota de programa Holly Golightly, cujos convidados não são o que aparentam.

Interpretado pelo espanhol José Luis de Villalonga, José é um tipo desconfiado, sempre pronto para escapar. Ao ver Paul Varjak atender ao telefone, ele logo quer saber do que se trata: é o vizinho que reclama do barulho e ameaça chamar a polícia. Só de ouvir a palavra “polícia” José já quer cair fora. E, assim que a polícia chega, ele e Varjak vazam pela escada de incêndio.

Embora só apareça em duas cenas, José tem participação importante na trama, porque Holly, à caça de um marido rico, topa vir para o Brasil com ele. Numa das cenas, José e Holly portam cada qual uma bandarilha, aquele espeto que se usa nas touradas.

Disposta a casar com um brasileiro, Holly resolve aprender português. Numa visita, Varjak a encontra ouvindo uma aula gravada e pergunta que língua é aquela. Ela diz que é o português, “uma língua muito complicada, que tem quatro mil verbos irregulares”. A voz da gravação tem o inconfundível sotaque de... Portugal.

Por Holly se envolver em escândalo que vai parar nas manchetes, José decide terminar o romance por meio de um telegrama. Após ler a mensagem de José, Varjak diz a Holly que nunca acreditou que ela “tivesse inclinação para ser a rainha dos pampas”.

Como se vê, o filme faz uma confusão dos diabos com a imagem do Brasil, enfiando no mesmo balaio Espanha, México, Portugal, Argentina. E mais. Pode-se intuir que Holly está tão desesperada por um marido rico que aceita casar até com um pilantra brasileiro. E se José vive correndo da polícia, sua alegação no telegrama de que está agindo em defesa do seu nome e da sua família soa como pura ironia – potencializada pela fala de Holly de que será a mulher do futuro presidente do Brasil.

Na comédia “Primavera para Hitler” (The Producers, 1968) há outro exemplo. Um produtor da Broadway está na pindaíba porque há tempos não consegue emplacar um sucesso. Seu guarda-livros sugere-lhe tomar emprestado um milhão de dólares e aplicar só 60 mil na montagem de uma peça, para embolsar a diferença. O produtor agarra-se com ele e, eufórico, se põe a dançar e a tagarelar sobre o golpe. Por fim, diz: “Com nosso milhão, nós voamos para o Rio de Janeiro”. Até quando vamos dar motivos para Hollywood queimar o nosso filme!

28 de junho de 2011

ELAINE STEWART (1929-2011), atriz

A atriz americana Elaine Stewart morreu no dia 27 de junho, em sua casa em Beverly Hills, aos 82 anos.
Tendo começado a carreira como modelo, ela estreou no cinema fazendo uma ponta em uma comédia da dupla Jerry Lewis e Dean Martin, "O Marujo Foi na Onda" (Sailor Beware, 1952). Entre 1952 e 1964, quando se aposentou, Elaine atuou em 22 filmes, entre eles "Assim Estava Escrito" (The Bad and the Beautiful, 1952), "Dá-me Tua Mão" (Take the High Ground!, 1953), "A Lenda dos Beijos Perdidos" (Brigadoon, 1954), "A Passagem da Noite" (Night Passage, 1957) e "O Rei dos Facínoras" (The Rise and Fall of Legs Diamond, 1960).
Nasceu Elsy Steiberg em 31 de maio de 1929, em Montclair, Nova Jersey. Deixou viúvo o produtor de TV Merrill Heatter, seu segundo marido.

27 de junho de 2011

MARGARET TYZACK (1931-2011), atriz

A atriz britânica Margaret Tyzack morreu de câncer, no dia 25 de junho, aos 79 anos.
Margaret estreou no cinema em "Por Detrás da Máscara" (Behind the Mask, 1958) e atuou em 22 filmes, até 2011. Mas será lembrada principalmente pelos papéis que desempenhou em dois filmes de Stanley Kubrick, "2001: Uma Odisseia no Espaço" (2001: A Space Odyssey, 1968) e "Laranja Mecânica" (A Clockwork Orange, 1971), e em dois de Woody Allen, "Match Point" (Idem, 2005) e "Scoop - O Grande Furo" (Scoop, 2006).
Margaret Maud Tyzack nasceu em 9 de setembro de 1931, em Londres. Seu trabalho no teatro lhe rendeu os prêmios Olivier e Tony.

GUSTAVO DAHL (1938-2011), cineasta

O cineasta brasileiro Gustavo Dahl morreu de infarto, no dia 26 de junho, em Trancoso (BA), aos 72 anos. Ele nasceu na Argentina e naturalizou-se brasileiro.
Dahl começou a trabalhar na Cinemateca Brasileira em 1958, antes de ir estudar em Roma no Centro Experimental de Cinematografia. Nos anos 1970, ele foi superintendente de comercialização da Embrafilme, período em que reformulou a área de distribuição da empresa. Depois, foi presidente da Associação Brasileira de Cineastas e, ainda, presidente do Concine.
No fim dos anos 1990, Dahl propôs a criação de uma Secretaria Nacional de Política Audiovisual, ligada à Presidência da República. Em 2002, com a criação da Ancine, foi nomeado seu primeiro diretor-presidente. Ultimamente, era gerente do Centro Técnico Audiovisual do Ministério da Cultura.
Como cineasta, esteve vinculado ao Cinema Novo e dirigiu seis filmes, dentre eles "O Bravo Guerreiro" (1969), "Uirá, um Índio em Busca de Deus" (1973) e "Tensão no Rio" (1982); os demais são documentários. E fez a montagem de, entre outros filmes, "A Grande Cidade" (1970), de Carlos Diegues, e "O Rei dos Milagres" (1971), de Joel Barcellos.
Como crítico e ensaísta, ele foi um dos teóricos do Cinema Novo.
Gustavo Dahl nasceu em 8 de outubro de 1938, em Buenos Aires.

24 de junho de 2011

PETER FALK (1927-2011), ator

O ator americano Peter Falk, que sofria do Mal de Alzheimer desde 2005, morreu no dia 23 de junho, em Beverly Hills. Tinha 83 anos.
Falk ficou mais conhecido como o detetive Columbo da série de TV. Sua carreira começou em 1957, na TV, que o ocupava a maior parte do tempo, mas ainda assim atuou em alguns filmes importantes como "Jornada Tétrica" (Wind Across the Everglades, 1958), de Nicholas Ray, "Robin Hood de Chicago" (Robin and the 7 Hoods, 1964), de Gordon Douglas, e "A Corrida do Século" (The Great Race, 1965), de Blake Edwards.
A partir do final da década de 1960, a situação se inverteu, surgindo-lhe mais oportunidades no cinema que na TV; e ele atuou nos filmes "Os Maridos" (Husbands, 1970) e "Uma Mulher Sob Influência" (A Woman Under the Influence, 1970), ambos de John Cassavetes, "Assassinato por Morte" (Murder by Death, 1976), de Robert Moore, "Asas do Desejo" (Der Himmel über Berlin, 1987), de Wim Wenders, e "A Princesa Prometida" (The Princess Bride, 1987), de Rob Reiner.
Ele era um ator talentoso tanto para a comédia como para o drama; ganhou vários prêmios, nacionais e até internacionais, por seu trabalho na TV.
Peter Michael Falk nasceu em 16 de setembro de 1927 em Nova York. Deixou viúva a atriz Shera Danese e dois filhos que teve com a mulher do primeiro casamento.

20 de junho de 2011

WILZA CARLA (1935-2011), atriz

A atriz brasileira Wilza Carla morreu no dia 18, no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Tinha 75 anos e sofria de problemas cardíacos e diabete. Foi enterrada no Rio de Janeiro, em jazigo da família.
Wilza era muito conhecida por causa da sua silhueta volumosa. Ela estreou no cinema no filme "Chico Viola Não Morreu" (1955) e sua filmografia conta mais de 40 filmes. Passou pela chanchada carioca, em filmes como "Trabalhou Bem, Genival" (1955) e "Tem Boi na Linha" (1957), e pela pornochanchada paulista, em filmes como "Mais ou Menos Virgem" (1973) e "As Eróticas Profissionais" (1977). Mas marcou presença também em produções de prestígio como "Macunaíma" (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, "Os Herdeiros" (1970), de Carlos Diegues, e "Os Pastores da Noite" (1979), de Marcel Camus.
Wilza Carla nasceu em 29 de outubro de 1935, em Niterói (RJ), e tinha uma filha.

18 de junho de 2011

Trindade (GO) perdeu a chance de ser o berço do cinema goiano

Em Goiás, o nascimento do cinema ficou marcado por frustrações. Nos anos 50, a atriz Cici Pinheiro acalentou o sonho de fazer um filme sobre o Anhanguera, e não passou do sonho. Depois, em 1962, um grupo de amigos de Trindade conseguiu passar do sonho à prática, mas por muito pouco não finalizou seu projeto.

A ideia partiu do fotógrafo amador Arlindo Batista da Silva, filho do proprietário do Cine Mara, que recebeu o apoio do agrimensor Sebastião Prates de Oliveira (Zizinho), do professor Goiany Prates de Oliveira, irmão de Zizinho, e de Reinaldo Silva, eletricista e projecionista do Cine Mara.

Zizinho, Arlindo e Reinaldo desenvolveram a história sobre um romeiro da Festa do Divino Pai Eterno, que acontece em Trindade todo ano em julho. Goiany foi a São Paulo comprar película virgem e alugar uma câmera profissional de 35 mm.

Após as filmagens e a revelação do material, o filme foi montado com o título provisório de “Romaria do Pai Eterno”. E, pela descrição que Reinaldo Silva faz de alguns enquadramentos e cortes, nota-se que havia na concepção uma criatividade surpreendente.

O filme começava com imagens da cidade, antes de entrar em cena o romeiro, vivido por Francisco Honório. Primeiro, apareciam seus pés, caminhando por uma trilha. Os pés chegavam a uma junção com outra trilha, onde apareciam os pés de outro homem (Reinaldo). Então a câmera se elevava para mostrar, de costas, os dois caminhantes aproximando-se de uma porteira. Em seguida, eles passavam por um carro de boi e, mais adiante, por uma fila de tais carros.

O romeiro entrava em Trindade e se deslumbrava diante de tudo que via: multidões nas ruas, barraquinhas, bancas de jogos, parque de diversão, circo.

Em um cruzamento de ruas, um guarda comandava o trânsito de pessoas e automóveis. No momento em que o guarda estirava o braço para conter o fluxo de veículos, a câmera acompanhava seu gesto e continuava a girar até enquadrar a multidão atravessando a rua.
Com um palhaço de pernas de pau que anunciava o espetáculo do circo foram feitas duas tomadas (ida e volta) passando-se entre as pernas dele.

Por fim, o romeiro chegava à igreja (o antigo santuário), diante da qual havia um lambe-lambe. De um plano das mãos do fotógrafo ajeitando a cabeça do fotografado, cortava-se para as mãos de um romeiro colocando uma cabeça de cera entre os ex-votos. Criou-se, portanto, um belo raccord por semelhança, anos antes daquele com o osso e a nave espacial em “2001: Uma Odisseia no Espaço”.

Dentro da igreja, o romeiro se ajoelhava para rezar. Aí, cortava-se para a imagem do Pai Eterno, a única colorida, que fechava o filme.

As ideias mais brilhantes devem ser creditadas a Zizinho, que estudara arquitetura no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, embora não se saiba se concluiu o curso.

As filmagens foram realizadas sempre à luz do dia. Para as tomadas aproximadas ou no interior da igreja usaram-se rebatedores improvisados: estandes de cartazes do cinema revestidos de papel-alumínio.

Zizinho assumiu a fotografia. A cronometragem das tomadas ficou a cargo de Benedito Cordeiro, e a claquete foi acionada por Rojão. A revelação do negativo foi feita em São Paulo aos cuidados de Goiany, que também escreveu o texto da narração, que não chegou a ser gravada, com contribuições dos demais.

Os custos da produção foram bancados pelos quatro cavalheiros, tendo Arlindo e Zizinho arcado com a maior parte das despesas.

Por medida de economia, dispensou-se a tiragem de copião. A montagem do negativo foi feita por Reinaldo, usando a enroladeira e a coladeira do Cine Mara. Chegou-se a dois rolos de filme, dos quais se tirou uma cópia que só foi projetada para os envolvidos na produção.

Por se tratar de principiantes, só o fato de terem obtido material para um filme de dois rolos, sem perder uma tomada sequer, era uma façanha espantosa.

Entretanto, na hora da finalização, Arlindo e Zizinho se desentenderam por ninharia. Zizinho queria dar crédito a um rapaz que participou das filmagens, carregando tralhas pesadas, mas Arlindo foi do contra. Por causa dessa desinteligência todo o trabalho deu em nada. O filme ficou na lata até se deteriorar. E Trindade perdeu a primazia de ser o berço do cinema goiano.

8 de junho de 2011

JORGE SEMPRÚN (1923-2011), roteirista

O escritor e roteirista espanhol Jorge Semprún morreu no dia 7 de junho, em Paris, aos 87 anos. A causa da morte não foi divulgada.
Nas décadas de 1960 e 70, Semprún foi um importante roteirista de filmes com temática política; escreveu os roteiros de dois filmes de Alain Resnais, "A Guerra Acabou" (La guerre est finie, 1966) e "Stavisky" (Idem, 1974), e participou dos roteiros de três filmes de Costa-Gavras, "Z" (Idem, 1969), "A Confissão" (L'aveu, 1970) e "Seção Especial de Justiça" (Section espéciale, 1975).
Jorge Maura Semprún nasceu em 10 de dezembro de 1923, em Madri. Com a tomada do poder na Espanha pelo ditador Francisco Franco, era ainda adolescente quando partiu para o exílio na França. Em 1943, por participar da Resistência Francesa contra a ocupação alemã, foi preso e enviado a Buchenwald, onde permaneceu até o fim da guerra. Foi ministro da Cultura da Espanha de 1988-1991, no governo de Felipe González. Era pai do ator e diretor Jaime Semprun (1947-2010).

3 de junho de 2011

JAMES ARNESS (1923-2011), ator

O ator americano James Arness morreu hoje de causas naturais, aos 88 anos.
Por ele ser um varapau de 2,01 m de altura, quase sempre era preciso que a atriz que contracenava com ele subisse em um estrado, ou que ele se colocasse num plano mais baixo que o dela.
Arness estreou no cinema em "Ambiciosa" (The Farmer's Daughter, 1947). Embora fosse talentoso e de boa aparência, ficou restrito a papéis menores, sobretudo em faroestes. Entre seus melhores filmes estão "Caravana de Bravos" (Wagon Master, 1950), "Império do Pavor" (Horizons West, 1952), "Geleiras do Inferno" (Island in the Sky, 1953), "Caminhos Ásperos" (Hondo, 1953) e "O Mundo em Perigo" (Them!, 1954).
No cinema ele só estrelou o faroeste menor "Atirar para Matar" (Gun the Man Down, 1959). Mas, no final dos anos 1950, passou de armas e bagagem para a TV a fim de protagonizar a duradoura série de faroeste "Gusmoke" (1955-1975).
Ganhou uma estrela na Calçada da Fama por seu trabalho na TV.
Nasceu James King Aurness em 26 de maio de 1923, em Minneapolis, Minnesota. Recebeu várias medalhas por sua participação na II Guerra Mundial. Era irmão do ator Peter Graves (1926-2010) e amigo de John Wayne (1907-1979). Foi casado com a atriz Virginia Chapman (1921-1977), com quem teve três filhos. Deixou viúva a mulher do segundo casamento.

2 de junho de 2011

Estrelas da era de ouro de Hollywood ainda vivas

Quando Elizabeth Taylor morreu, em março último, houve quem dissesse que sua morte representou o fim de uma era do cinema. Diante de afirmação tão peremptória, resolvemos conferir e, em uma pesquisa ligeira, encontramos um número considerável de grandes estrelas ainda vivas que tiveram dias de glória entre as décadas de 1930 e 1950, período considerado a era de ouro de Hollywood.

A seguir, listamos várias delas, agregando informações sucintas sobre a importância e a situação atual de cada uma. Todos os filmes mencionados são de anos anteriores a 1960.

Olivia de Havilland – Foi parceira de Errol Flynn em nove filmes, inclusive em "As Aventuras de Robin Hood", e ainda teve presença marcante em "E o Vento Levou". Ganhou dois Oscars. Divorciada duas vezes, aposentou-se em 1988 e vive em Paris.

Joan Fontaine – Não teve tanta sorte como sua irmã Olivia de Havilland, mas estrelou dois clássicos de Alfred Hitchcock: "Rebecca, a Mulher Inesquecível" e "Suspeita", pelo qual ganhou um Oscar. Quatro vezes divorciada e aposentada desde 1994, reside em Carmel, Califórnia.

Esther Williams – Excelente nadadora, que estrelou filmes musicais aquáticos, subgênero criado especialmente para ela, como "A Filha de Netuno" e "A Rainha do Mar". Aposentada desde 1963, vive com seu quarto marido em Beverly Hills, Califórnia, onde ambos têm uma bem-sucedida fábrica de roupas de banho.

Deanna Durbin – Começou no cinema ainda adolescente e fez sucesso em filmes musicais como "Louca por Música". Aos 21 anos era a mulher com o mais alto salário nos Estados Unidos. Ganhou um Oscar especial. Abandonou a carreira em 1948, no ápice da fama. Viúva do terceiro marido, vive na França.

Doris Day – Cantora que estrelou ótimos musicais como "Ardida como Pimenta" e "Ama-me ou Esquece-me" e dramas como "O Homem que Sabia Demais". Entrou na lista das 100 maiores estrelas da revista "Premiere" americana. Divorciada quatro vezes e aposentada desde 1973, reside em Carmel, Califórnia, onde tem uma fundação para defesa dos animais de estimação.

Eleanor Parker – Bela e talentosa, fez par com Kirk Douglas em "Chaga de Fogo" e com Charlton Heston em "A Selva Nua". Aposentada desde 1991, vive com seu quarto marido em Palm Springs, Califórnia.

Eva Marie Saint – Ter sido a namorada de Marlon Brando em "Sindicato de Ladrões", que lhe rendeu um Oscar, de Cary Grant em "Intriga Internacional" já seria o suficiente. Seu último filme é de 2006. Reside em Santa Mônica, Califórnia, com seu primeiro e único marido.

Lauren Bacall – Começou no cinema pelo alto, em "Uma Aventura na Martinica", seduzindo Humphrey Bogart no filme e na vida real. Entrou na lista das maiores estrelas, das mais sexies, das lendárias e até das pessoas mais belas do mundo. Ganhou dois Oscars honorários. Divorciada do segundo marido, continua ativa no cinema.

Vera Miles – Uma das atrizes preferidas de Alfred Hitchcock, de quem estrelou "O Homem Errado", e de John Ford, que a incluiu no elenco de "Rastros de Ódio". Aposentou-se em 1995. Após três divórcios, leva vida discreta e se recusa até a dar entrevista.

Carroll Baker – Estrelou "Boneca de Carne", de Elia Kazan, e apareceu em "Assim Caminha a Humanidade", de George Stevens. Aposentada desde 2003 e viúva do terceiro marido, reside em Londres.

Leslie Caron – Era bailarina quando foi convidada por Gene Kelly para dançar com ele em "Sinfonia de Paris". Dançou também com Fred Astaire em "Papai Pernilongo". Seu último trabalho, para a televisão, foi em 2006. Três vezes divorciada, continua a ter um pé na França e o outro nos Estados Unidos.

Debbie Reynolds – Teve seu grande momento ao lado de Gene Kelly em "Cantando na Chuva". Foi vítima de Elizabeth Taylor, que lhe roubou o marido Eddie Fisher. Mais tarde as duas se reconciliaram publicamente, no telefilme “O Eterno Brilho das Estrelas”. Três vezes divorciada, continua ativa no cinema.

Kim Novak – Dona de um sex-appeal fenomenal, ela seduziu William Holden em "Férias de Amor", Frank Sinatra em "O Homem do Braço de Ouro" e James Stewart em "Um Corpo que Cai". Entrou na lista das 100 estrelas mais sexies da revista Empire. Aposentada desde 1991, dedica-se à pintura e à escultura. Vive com o segundo marido, veterinário que cria cavalos e lhamas, em uma fazenda no Oregon.

A lista poderia prosseguir com Lizabeth Scott e Shirley Temple e Angela Lansbury e Shirley Temple e Joanne Woodward e Felicia Farr e Shirley MacLaine e...

1 de junho de 2011

No Grande Prêmio do Cinema Brasileiro nenhuma surpresa

A 10ª premiação da Academia Brasileira de Cinema, acontecida ontem, não apresentou nenhuma surpresa. O filme "Tropa de Elite 2" conquistou oito troféus pela votação do júri, mais o da escolha do público.
A seguir, a lista dos longas-metragens vencedores:

1 - Melhor filme:
a) Pelo júri: "Tropa de Elite 2" (2010)
b) Pelo público: "Tropa de Elite 2"
2 - Melhor documentário:
a) Pelo júri: "O Homem que Engarrafava Nuvens" (2009)
b) Pelo público: "Dzi Croquettes" (2009)
3 - Melhor direção: José Padilha, por "Tropa de Elite 2"
4 - Melhor atriz: Glória Pires, por "Lula, o Filho do Brasil" (2009)
5 - Melhor ator: Wagner Moura, por "Tropa de Elite 2"
6 - Melhor atriz coadjuvante: Cássia Kiss, por "Chico Xavier" (2010)
7 - Melhor ator coadjuvante: André Mattos, por "Tropa de Elite 2", e Caio Blat, por "As Melhores Coisas do Mundo" (2010)
8 - Melhor filme infantil: "Eu e Meu Guarda-Chuva"
9 - Melhor fotografia: Lula Carvalho, por "Tropa de Elite 2"
10 - Melhor direção de arte: Adrian Cooper, por "Quincas Berro D'Água" (2010)
11 - Melhor figurino: Kika Lopes, por "Quincas Berro D'Água"
12 - Melhor maquiagem: Rose Verçosa, por "Chico Xavier"
13 - Melhores efeitos visuais: Darren A. Bell, Geoff D. E. Scott e Renato Tilhe, por "Nosso Lar" (2010)
14 - Melhor montagem:
a) Ficção: Daniel Rezende, por "Tropa de Elite 2"
b) Documentário: Raphael Alvarez, por "Dzi Croquettes"
15 - Melhor som: Alessandro Laroca, Armando Torres Jr. e Leandro Lima, por "Tropa de Elite 2"
16 - Melhor trilha musical: Guto Graça Mello, por "O Homem que Engarrafava Nuvens"
17 - Melhor trilha musical original: Jaques Morelenbaum, por "Olhos Azuis" (2009)
18 - Melhor roteiro original: Bráulio Mantovani e José Padilha, por "Tropa de elite 2"
19 - Melhor roteiro adaptado: Marcos Bernstein, por "Chico Xavier"
20 - Melhor filme estrangeiro: "O Segredo dos Seus Olhos" (El secreto de sus ojos, Argentina/Espanha, 2009), de Juan José Campanella.

23 de maio de 2011

Cannes 2011: a lista dos premiados

A 64ª edição do Festival de Cannes, encerrada ontem (domingo, 22 de maio) deu a Palma de Ouro ao filme "A Árvore da Vida", de Terence Malick.
A seguir, a relação dos longas-metragens premiados:

a) Mostra competitiva:
1 - Melhor filme: "A Árvore da Vida" (The Tree of Life, EUA, 2011), de Terence Malick
2 - Melhor diretor: Nicolas Windig Refn, por "Drive" (EUA, 2011)
3 - Melhor atriz: Kirsten Dunst, por "Melancolia" (Melancholia, Dinamarca/Suécia/França/Alemanha, 2011)
4 - Melhor ator: Jean Dujardin, por "O Artista" (The Artist, França, 2011)
5 - Melhor roteiro: Joseph Cedar, por "Footnote" (Hearat Shulayim, Israel, 2011)
6 - Prêmio do júri: "Polisse" (França, 2011), de Maïwenn
7 - Grande prêmio: "O Garoto de Bicicleta" (Le gamin au vélo, Bélgica/França/Itália, 2011), de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, e "Era Uma Vez na Anatólia" (Bir Zamanlar Anadolu'da, Turquia/Bósnia e Herzegóvina, 2011), de Nuri Bilge Ceylan
8 - Prêmio Câmera de Ouro (diretor estreante): Pablo Giorgelli, por "Las acacias" (Argentina/Espanha, 2011)

b) Mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar):
1 - Melhor filme: "Arirang" (Coreia do Sul, 2011), de Kim Ki-duk, e "Half Auf Freier Strecke" (Alemanha, 2011), de Andreas Dresen
2 - Melhor diretor: Mohammad Rasoulof, por "Be Omid é didar" (Irã, 2011)
3 - Prêmio especial do júri: "Elena" (2011), de Andrey Zvyagintsev
4 - Prêmio do júri da mostra: "L'exercice de l'Etat" (2011), de Pierre Schoeller, e "Be Omid é didar"

c) Outros prêmios:
1 - Prêmio Fipresci (da crítica internacional): "Le Havre" (2011), de Aki Kaurismaki
2 - Prêmio do júri ecumênico: "This Must Be the Place" (2011), de Paolo Sorrentino
3 - Prêmio da crítica internacional (Mostra Semana da Crítica): "Take Shelter" (2011), de Jeff Nichols
4 - Prêmio da Sociedade de Autores e Compositores da França e da Confederação Internaciona (Mostra Quinzena de Realizadores): "Les géants" (2011), de Bouli Lanners
5 - Prêmio da juventude: "A Pele que Habito" (La piel que habito, Espanha, 2011), de Pedro Almodóvar.

21 de maio de 2011

DANA WYNTER (1931-2011), atriz

A atriz americana Dana Wynter morreu no dia 5 de maio, em Ojai, Califórnia, de insuficiência cardíaca congestiva. Tinha 79 anos.
Ela estreou no cinema em 1951, no Reino Unido, mas no ano seguinte já estava em Hollywood, atuando no filme "O Pirata Sangrento" (The Crimson Pirate, 1952). Depois de estrelar o cult de ficção científica "Vampiros de Almas" (Invasion of the Body Snatchers, 1956), sua carreira tomou um impulso que durou alguns anos, quando estrelou filmes como "Sangue sobre a Terra" (Something of Value, 1957), "Afundem o Bismarck" (Sink the Bismarck!, 1960) e "A Lista de Adrian Messenger" (The List of Adrian Messenger, 1963). Depois deste, enterrou-se na TV, com raras participações em filmes, um dos quais foi "Aeroporto" (Airport, 1970). Sua última aparição no cinema foi na produção franco-italiana "O Selvagem" (Le sauvage, 1975).
Nasceu Dagmar Winter em 8 de junho de 1931, em Berlim, Alemanha, mas foi criada na Inglaterra. Era divorciada e tinha um filho.

8 de maio de 2011

Filme 'El infierno' é consagrado como o melhor do cinema mexicano

A 53ª premiação da Academia Mexicana de Artes e Ciências Cinematográficas aconteceu no último sábado, 7 de maio, e o filme "El infierno" recebeu nada menos que nove troféus Ariel de Ouro.
A seguir, a lista dos ganhadores:
1 - Melhor filme: "El infierno"
2 - Melhor diretor: Luis Estrada, por "El infierno"
3 - Melhor ator: Damián Alcázar, por "El infierno"
4 - Melhor atriz: Mónica del Carmen, por "Año bisiesto"
5 - Melhor ator coadjuvante: Joaquín Cosio, por "El infierno"
6 - Melhor atriz coadjuvante: Ofelia Medina, por "Las buenas hierbas"
7 - Melhor roteiro: Augusto Mendoza e Diego Luna, por "Abel"
8 - Melhor fotografia: Rodrigo Prieto, por "Biutiful"
9 - Melhor montagem: Mariana Rodríguez, por "El infierno"
10 - Melhor trilha musical: Alejandro Giacomán, por "Hidalgo, la historia jamás contada"
11 - Melhor som: "El infierno"
12 - Melhor desenho de arte: Salvador Parra e María José Pizarro, por "El infierno"
13 - Melhor maquiagem: Roberto Ortiz, por "El infierno"
14 - Melhores efeitos especiais: Alejandro Vázquez, por "El infierno"
15 - Melhores efeitos visuais: Alejandro Valle, por "Las buenas hierbas"
16 - Melhor documentário: "La historia en la mirada", de José Ramón Mikelajáurequi.

7 de maio de 2011

Cine PE 2011 divulga a lista dos premiados

O 15º Cine PE, o festival de cinema de Recife, divulgou hoje a relação dos premiados. O filme mais premiado foi "Estamos Juntos", que arrebatou sete troféus.
A seguir, a lista dos vencedores na categoria longa-metragem:
1 - Melhor Filme: "Estamos Juntos", de Toni Venturi
2 - Melhor diretor: Toni Venturi, por "Estamos Juntos"
3 - Melhor ator: Caco Ciocler, por "Família Vende Tudo"
4 - Melhor atriz: Leandra Leal, por "Estamos Juntos" e Marisol Ribeiro, por "Família Vende Tudo"
5 - Melhor atriz Coadjuvante: Ana Miranda, por "Vamos Fazer um Brinde"
6 - Melhor ator Coadjuvante: Robson Nunes, por "Família Vende Tudo"
7 - Melhor roteiro: Hilton Lacerda, por "Estamos Juntos"
8 - Melhor fotografia: Lula Carvalho, por "Estamos Juntos"
9 - Melhor montagem: Marcio Hashimoto, por "Estamos Juntos"
10 - Melhor trilha musical: Arrigo Barnabé, por "Família Vende Tudo"
11 - Melhor direção de arte: Alain Fresnot e Fábio Goldfard, por "Família Vende Tudo"
12 - Prêmio especial do júri: "JMB, o Famigerado", de Luci Alcantara
13 - Melhor filme (júri popular): "JMB, o Famigerado"
14 - Prêmio da crítica: "Estamos Juntos"
15 - Troféu Gilberto Freyre: "Vamos Fazer um Brinde".

4 de maio de 2011

JACKIE COOPER (1922-2011), ator

O ator americano Jackie Cooper morreu no dia 3 de maio, em Santa Mônica, Califórnia, aos 88 anos. A causa da morte não foi divulgada, embora tenha sido noticiado que ele passara mal e fora internado em um hospital de Beverly Hills.
Cooper começou sua carreira no cinema ainda criança, em 1929. Entre seus filmes mais importantes estão "O Campeão" (The Champ, 1931), refilmado por Franco Zeffirelli, "A Ilha do Tesouro" (Treasure Island, 1934) e "A Volta de Frank James" (The Return of Frank James, 1940).
A partir de 1949 ele migrou para a TV e suas aparições no cinema rarearam, embora tenha assumido o papel de Perry White na série de filmes do Super-Homem, desde "Superman - O Filme" (Superman, 1978) até "Superman IV - Em Busca da Paz" (Superman IV: The Quest for Peace, 1987).
Sua última aparição no cinema foi em "Ensina-me a Querer" (Surrender, 1987).
Entre 1956 e 1989, Cooper foi também um ativo diretor para a TV, função que lhe rendeu dois prêmios Emmy.
Por seu trabalho no cinema, ele ganhou uma estrela na Calçada da Fama.
John Cooper Jr. nasceu em 15 de setembro de 1922, em Los Angeles. Era viúvo da mulher do terceiro casamento, com quem teve três filhos. Tinha outro filho do primeiro casamento, com a atriz June Horne (1917-1993).

3 de maio de 2011

YVETTE VICKERS (1928-2010), atriz

A atriz americana Yvette Vickers foi encontrada morta em sua casa em Beverly Hills no dia 27 de abril de 2011.
Achado por uma vizinha que estranhou a grande quantidade de correspondência em frente à casa, seu corpo já estava em estado de mumificação. Vickers teria problema de alcoolismo e vivia reclusa.
A polícia não sabe dizer quando ela morreu, mas vizinhos seus acreditam que possa ter sido entre seis meses e um ano atrás. Uma autópsia concluiu que ela morreu de problemas cardíacos. Tinha entre 81 e 82 anos.
Vickers era mais conhecida por ter atuado no filme B de ficção científica "A Mulher de 15 Metros" (Attack of the 50 foot Woman, 1958), que se tornou cult. Ela interpreta a amante do marido cuja mulher cresce até atingir 50 pés de altura, após ter um encontro com alienígenas. Como era traída pelo marido, ela se aproveita do tamanho para se vingar dele. O filme mereceu uma refilmagem no telefilme com a Daryl Hannah "Quinze Metros de Mulher" (Attack of the 50 ft. Woman, 1993).
Além de outros filmes B de terror, Vickers atuou também em filmes como "Atalho para o Inferno" (Short Cut to Hell, 1957) e "O Indomado" (Hud, 1963).
Nasceu Iola Yvette Vedder em 26 de agosto de 1928, em Kansas City, Missouri. Teve três casamentos breves que terminaram em divórcio.

24 de abril de 2011

MARIE-FRANCE PISIER (1944-2011), atriz

A atriz francesa Marie-France Pisier morreu na madrugada deste domingo, em Saint-Cyr-sur-Mer, sudeste da França, aos 66 anos.
Marie-France foi descoberta por François Truffaut, que buscava uma adolescente para fazer par com Jean-Pierre Léaud, em "Antoine e Colette" (Antoine et Colette, 1962). Ela repetiu o papel de Colette em "Beijos Proibidos" (Baisers volés, 1968) e em "Amor em Fuga" (L'amour en fuite, 1979), última aventura de Antoine Doinel, alter ego de Truffaut.
Ela atuou também em "O Fantasma da Liberdade" (Le fantôme de la liberté, 1974), de Luis Buñuel.
Ganhou três prêmios César (o mais importante do cinema francês) de melhor atriz coadjuvante, por "Primo, Prima" (Cousin cousine, 1975), de Jean-Charles Tacchella, "Memórias de uma Mulher de Sucesso" (Souvenirs d'en France, 1975) e "Barocco - O Jardim do Suplício" (Barocco, 1976), os dois últimos de André Téchiné.
Marie-France Pisier nasceu em 10 de maio de 1944, em Dalat, Vietnã, onde seu pai era governador. Deixou viúvo o marido do segundo casamento e uma filha do primeiro.

23 de abril de 2011

KEVIN JARRE (1954-2011), roteirista

O roteirista americano Kevin Jarre morreu de ataque cardíaco em Santa Mônica, Califórnia, no dia 3 de abril, mas sua morte só foi revelada pela família neste fim de semana. Tinha 56 anos.
Jarre escreveu os roteiros dos weterns "Tempo de Glória" (Glory, 1989) e "Tombstone - A Justiça Está Chegando" (Tombstone, 1993), e participou dos roteiros de "Inimigo Íntimo" (The Devil's Own, 1997) e "A Múmia" (The Mummy, 1999).
Ele começou a dirigir "Tombstone...", mas foi substituído por George P. Cosmatos; da parte que dirigiu, foram aproveitadas no filme as cenas com Charlton Heston.
Kevin Jarre nasceu em 6 de agosto de 1954, em Detroit, Michigan. Era filho do compositor de trilhas para o cinema Maurice Jarre (1924-2009) e da atriz Laura Devon (1931-2007).

Bravura Indômita, filme de Joel e Ethan Coen


Os filmes de faroeste, um gênero em que Hollywood já foi prolífera, são hoje uma raridade, o que os torna ainda mais apreciáveis. O último que nos chega é Bravura Indômita (True Grit, 2010), refilmagem do clássico homônimo de 1969. Os irmãos Joel e Ethan Coen, diretores e roteiristas do novo filme, disseram que se basearam apenas no livro de Charles Portis e nunca viram o filme original.

Se eles temem uma comparação entre os dois filmes, podem ficar tranquilos. Seu filme não se sai mal do cotejo. E, embora o arcabouço da história seja o mesmo, existem muitas diferenças entre as duas versões. Como não dá para tratar aqui de todas as mudanças, enfocaremos as mais evidentes.

Nas cenas principais, ainda que estas aconteçam de modo semelhante e em espaços análogos nos dois filmes, quase tudo funciona diferentemente. Notam-se inclusive inversões, como no caso do tapa-olho do xerife Rooster Cogburn, agora no olho direito. Além disso, os irmãos Coen capricharam mais nos detalhes. Sua “mis-en-scène” tem uma sintonia mais fina que a de Henry Hathaway, o diretor do filme original.

Na versão dos Coen a história é narrada por Mattie Ross já idosa, enquanto o primeiro filme não tinha narrador explícito. Também se investiu mais no humor, distribuindo-o entre as várias personagens, enquanto no outro filme ele era quase uma exclusividade de John Wayne, que fez do ranzinza Rooster Cogburn uma deliciosa autoparódia.

O estilo de humor dos Coen inclui situações e tipos estranhos. Na busca pelo assassino do pai da garota Mattie no vasto Território Indígena, Cogburn e a garota encontram um homem enforcado. O corpo pende a uns dez metros do chão. Por que um enforcamento em árvore tão alta? Eles se fazem esta pergunta, mas não têm uma explicação. Nem o filme a tem, aliás. É só uma graça típica dos Coen.

E já que o humor negro é uma das preferências deles, os gracejos com o enforcado não param por aí. O morto vira objeto de um comércio macabro. Um índio que passa leva o cadáver para usá-lo nalguma barganha. Vai-se o índio, e logo surge um tipo vestido com pele de urso, conduzindo o corpo comprado do índio. Apresentando-se como dentista, médico e veterinário do Território Indígena, ele diz que extraiu do morto o que lhe interessava e quer vendê-lo a Cogburn.

Também com fins humorísticos, supostamente, várias personagens falam como se estivessem com uma batata na boca, a começar de Cogburn. E talvez seja uma brincadeira com a ideia de Velho Oeste o aumento expressivo de personagens idosas, em comparação com as existentes no filme original.

A versão de Henry Hathaway tinha como ponto alto o duelo a cavalo, no qual Cogburn, com a rédea presa nos dentes, enfrenta quatro bandidos com um rifle na mão direita e um revólver na esquerda. A cena continha uma curiosidade: um plano de John Wayne foi invertido para se obter o que em linguagem técnica se chama “raccord” de direção. Ou seja: uma imagem de John Wayne atirando à direita foi editada ao contrário para indicar que seu disparo atinge um bandido que cai à sua esquerda. Por conta da inversão, subitamente suas armas trocam de mãos e o tapa-olho aparece do lado direito.

No novo filme a cena ficou ainda mais esmerada. Mas o ponto alto passou a ser a cavalgada de Cogburn com Mattie picada de cobra, em busca de socorro médico, até a completa exaustão do animal. Essa sequência, magistralmente fotografada e editada, merece figurar entre as mais belas da história do faroeste.

O filme original tinha um elenco notável, mas deixou a desejar em relação ao policial LaBoeuf, sofrivelmente encarnado pelo cantor Glen Campbell. Dizem que ele ganhou o papel porque o estúdio precisava de um cantor de sucesso que interpretasse a canção-tema para ajudar na promoção do filme.

Os Coen acertaram na mosca entregando o papel a Matt Damon, que fez de LaBoeuf um parceiro à altura para Cogburn. LaBoeuf ainda ganhou saídas e entradas em cena que aumentaram a complexidade dramática em alguns momentos-chave. Outro tiro certo foi terem escolhido Hailee Steinfeld, uma boa atriz de 14 anos, para viver Mattie Ross com a mesma idade. O problema da vez ficou com o protagonista. Jeff Bridges é um bom ator, ninguém nega isso, mas para John Wayne ainda não nasceu substituto.

18 de abril de 2011

MICHAEL SARRAZIN (1940-2011), ator

O ator canadense Michael Sarrazin, conhecido por sua participação no filme "A Noite dos Desesperados" (1969), morreu em Montreal após uma batalha contra um câncer, aos 70 anos.

9 de abril de 2011

SIDNEY LUMET (1924-2011), diretor

O cinesta americano Sidney Lumet morreu hoje de manhã, em Nova York, de linfoma. Tinha 86 anos.

29 de março de 2011

FARLEY GRANGER (1925-2011), ator

O ator norte-americano Farley Granger morreu. Era conhecido por suas atuações nos thrillers de Alfred Hitchcock "Festim Diabólico" e "Pacto Sinistro". Tinha 85 anos.

23 de março de 2011

ELIZABETH TAYLOR (1932-2011), atriz

A atriz inglesa Elizabeth Taylor, famosa por seus olhos violeta e pelos oito casamentos, morreu hoje em Los Angeles, aos 79 anos.
Ela tinha quatro filhos -- Michael Wilding, Christopher Wilding, Liza Todd e Maria Burton --, dez netos e quatro bisnetos.

16 de março de 2011

'Cisne Negro', filme de Darren Aronofsky

Intelectuais costumam torcer o nariz diante de filmes que simplifiquem questões complexas. Como se certos assuntos não pudessem ser tratados em linguagem cinematográfica acessível ao grande público. O filme “Cisne Negro” (Black Swan, 2010), de Darren Aronofsky, aborda um tema próprio de consultório psiquiátrico, mas traduzido dramaticamente para o entendimento de gente comum. Embora venha encantando o público, o filme tem suscitado da crítica opiniões contraditórias.

É a história de Nina (Natalie Portman), uma bailarina delicada, meiga e imatura. Ela é assim por ter sido mimada pela mãe controladora e repressiva, uma ex-bailarina frustrada. Nina está em vias de interpretar, em um teatro de Nova York, o principal papel do balé “O Lago dos Cisnes”, que se divide em duas metades opostas: o cisne negro e o cisne branco.

Leroy (Vincent Cassel), coreógrafo do espetáculo, entende que Nina encarnará à perfeição o cisne branco. Mas tem dúvida se ela será capaz de interpretar o cisne negro, que requer a exteriorização do seu lado sensual, ou selvagem, reprimido pela educação materna.

A ingênua bailarina, que vislumbra no balé a realização de um sonho, acaba envolvida num terrível pesadelo. Às dificuldades do papel somam-se os ataques desencadeados por sua nova e invejável posição. A veterana primeira bailarina (Winona Ryder), afastada da companhia em razão da idade e substituída por Nina, agride-a verbalmente com a crueldade dos derrotados. Lily, uma bailarina novata mas safa, parece ter as qualidades que lhe faltam e, ainda, não disfarça que também quer interpretar os cisnes. Para completar, Leroy atinge-a no seu ponto mais vulnerável, assediando-a sexualmente.

A concorrente que tira o sossego de Nina, Lily, é uma garota avançadinha proveniente de São Francisco. O nome da sua cidade de origem é dito e repetido, de modo a chamar a atenção para alguma particularidade que o público americano deve conhecer muito bem. A julgar pelo comportamento da personagem, admiravelmente interpretada por Mila Kunis, tudo indica que São Francisco é uma versão moderna das cidades bíblicas Sodoma e Gomorra. É pela ação dela que o erotismo penetra na história, e de forma escancarada.

O clima de competição, conflito e pressão desestabiliza o frágil equilíbrio emocional de Nina e, progressivamente, deteriora sua estrutura psíquica. Ela mergulha num processo delirante irreversível. O seu lado sombrio se manifesta, porém, sem que ela consiga manter o autocontrole, a energia maligna se volta contra a energia benéfica. O cisne negro acaba devorando o cisne branco.

Coerentemente com a dualidade temática, recorreu-se em vários momentos do filme às cores branco e preto para sinalizar o positivo ou o negativo. Isso, ao que parece, tem desagradado a muita gente. No entanto, é um recurso visual tão velho quanto o próprio cinema, que por décadas só podia contar mesmo com o bom e velho preto-e-branco. Esse recurso estético, aliás, é ainda mais antigo, como se observa na história da pintura. Não se trata, portanto, de aspecto em si condenável, que se possa alegar para definir a qualidade de um filme.

Dizem que Natalie Portman se preparou longa e exaustivamente para o papel e, para ter o físico de bailarina, emagreceu quase dez quilos. Também foi dublada, em vários momentos, pela bailarina Sarah Lane. Mesmo assim, quando teve de aparecer diante de uma bailarina de verdade, seus movimentos não são muito convincentes. Mas isso importa pouco, afinal de contas, porque certamente não existe no mundo uma bailarina capaz de interpretar seu papel tão bem quanto ela.

O filme não é, como se poderia pensar, sobre o balé “O Lago dos Cisnes”. Não é nem mesmo sobre balé. Este apenas fornece o contexto para o drama de uma personalidade débil que se dilacera entre as forças do bem e do mal da sua própria alma. Mesmo a música da dança não é a que Tchaikovsky compôs, mas uma variação dela, e bastante modificada. Mas, em última análise, fica demonstrado que a leveza e a graça do balé são construídas à custa de muito empenho, angústia e dor.

Um diálogo entre Leroy e Nina traz à baila um debate crucial para artistas ambiciosos. A bailarina pretende alcançar a perfeição mediante submissão à técnica e controle absoluto dos movimentos. Para o coreógrafo, isso não basta. Ele quer que ela se solte e ouse para atingir a transcendência. Neste particular, é bem possível que Leroy esteja sendo porta-voz de Darren Aronofsky, que, sem dúvida, comete seu tanto de ousadia. “Cisne Negro” não é uma obra-prima, mas está longe de ser descartável.
(Texto publicado pelo Jornal Opção e o saite Revista Bula.)

12 de março de 2011

JORGE CHERQUES (1928-2011), ator

O ator brasileiro Jorge Cherques morreu no dia 11 de março, de falência múltipla de órgãos, aos 82 anos.
Cherques, um bom ator coadjuvante, começou no cinema em "O Beijo" (1965), de Flávio Tambellini, e atuou em mais de 30 filmes, incluindo várias comédias dos Trapalhões.
Da sua filmografia destacam-se "A Compadecida" (1969), "Memórias do Cárcere" (1984), "Luar Sobre Parador" (Moon Over Parador, 1988), "O Que É Isso, Companheiro?" (1997) e "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar" (2000).
Jorge Cheques nasceu em 25 de julho de 1928, no Rio de Janeiro.

8 de março de 2011

Carnaval 2011: o cinema cai no samba

Demorou mais de um século, mas finalmente o cinema caiu na folia. Duas escolas de samba cariocas escolheram o cinema como tema no desfile deste ano na Sapucaí.
Na noite de domingo, a Unidos da Tijuca homenageou o cinema de Hollywood, mediante a representação de cenas de filmes famosos como "Tubarão" e "Caçadores da Arca Perida". O cinema brasileiro também esteve representado, principalmente na figura do Zé do Caixão, personagem muito popular do horror à brasileira.
Na noite de terça-feira foi a vez do Salgueiro prestar sua homenagem ao cinema, misturando ícones nacionais como Carmen Miranda e Orfeu (referência ao filme "Orfeu do Carnaval") e hollywoodianos como Batman e Sherlock Holmes. Havia ainda King Kong agarrado ao relógio da Central do Brasil, réplicas gigantescas da estatueta do Oscar e o ator Eri Johnson fantasiado de Charlie Chaplin, além da bateria trajando a farda do Batalhão de Operações Especiais, para lembrar os filmes "Tropa de Elite" e "Tropa de Elite 2", dois megassucessos do cinema brasileiro.

6 de março de 2011

CHARLES JARROTT (1927-2011), diretor

O cineasta britânico Charles Jarrott morreu em Los Angeles no dia 4 de fevereiro, de câncer de próstata, aos 83 anos.
Jarrott começou a carreira na televisão, em 1954, e seu primeiro trabalho no cinema foi "Ana dos Mil Dias" (Anne of the Thousand Days, 1969), que lhe deu o Globo de Ouro de melhor diretor. Apesar desse início promissor, realizou apenas uma dúzia de filmes. Seu segundo filme, "Mary Stuart, Rainha da Escócia" (Mary, Queen of Scots, 1971), também angariou algum prestígio, mas em seguida vieram invariavelmente produções rotineiras como "Horizonte Perdido" (Lost Horizon, 1973), remake do clássico de 1937, e "O Pequeno Ladrão de Cavalos" (Escape from the Dark, 1976).
Ao que parece, ele tinha mais habilidade para retratar a famíla real britânica.
Charles Jarrott nasceu em 16 de junho de 1927, em Londres. Era viúvo da mulher do seu terceiro casamento.

1 de março de 2011

JANE RUSSELL (1921-2011), atriz

A atriz americana Jane Russell morreu no dia 28 de fevereiro, de causa não divulgada. Tinha 89 anos.
Russell era belíssima quando foi descoberta pelo milionário Howard Hughes, na sua fase de produtor de cinema. Ele a lançou como atriz no western "O Proscrito" (The Outlaw, 1943), que era eroticamente ousado para a época. O diretor era Howard Hawks, que se afastou após duas semanas de filmagem e Hughes assumiu. Sua ambição era tamanha que chegou a desenhar, com base em sua experiência em desenhar modelos de avião, um sutiã que realçasse os seios da atriz, embora ela tenha declarado que nunca o usou.
Entre as ousadias do filme, há uma cena que só pôde ser vagamente sugerida, por causa da censura: Russell tirava a roupa e se deitava sobre Jack Buetel, o ator que encarnava o mocinho, para aquecê-lo e impedir que morresse.
O filme ficou pronto em 1941, mas, como a censura fazia exigência de cortes que Hughes se negava a atender, só foi efetivamente lançado em 1946. Em Nova York, só pôde ser exibido em 1947. Sua data é 1943 porque nesse ano foi exibido em São Francisco. Fez grande sucesso e tornou famosos os seios da atriz.
Roussell teve seu grande momento nos anos 1950, chegando a atuar ao lado de Marilyn Monroe em "Os Homens Preferem as Loiras" (Gentlemen Prefer Blondes, 1953), em que canta e dança e se sai muito bem. Aliás, ela cantou em mais de uma dezena de filmes, assim em "O Caminho do Pecado" (The Las Vegas Story, 1952), "Um Romance em Paris" (The French Line, 1953) e "Macao" (Idem, 1952).
Tendo estreado num western, ela faria vários outros como "Bela e Bandida" (Montana Belle, 1952), "Nas Garras da Ambição" (The Tall Men, 1955) e "Duelo no Oeste" (Johnny Reno, 1966), dois deles paródias que estrelou ao lado de Bob Hope, "O Valente Treme-Treme" (The Paleface, 1948) e "O Filho do Treme-Treme" (Son of Paleface, 1952).
Nasceu Ernestine Jane Geraldine Russell em 21 de junho de 1921, em Bemidji, Minnesota. Como não podia ter filhos, adotou dois garotos e uma garota quando era casada com o ator Bob Waterfield (1920-1983), seu primeiro marido. Era duplamente viúva, do ator Roger Barrett (1927-1968) e do terceiro marido.

28 de fevereiro de 2011

ANNIE GIRARDOT (1931-2011), atriz

Morreu hoje em Paris, aos 79 anos, a atriz francesa Annie Girardot, que desde 2003 sofria do Mal de Alzheimer.
Girardot atuou em cerca de 120 filmes entre 1955 e 2007. Trabalhou com alguns dos melhores diretores europeus, em filmes como "Rocco e Seus Irmãos" (Rocco e i suoi fratelli, 1960), de Luchino Visconti, "Os Companheiros" (I compagni, 1963), "Uma Mulher Incomum" (La donna scimmia, 1964), de Marco Ferreri, "Morrer de Amor" (Mourir d'aimer, 1971), de André Cayatte, "Os Miseráveis" (Les misérables, 1995), de Claude Lelouch, e "A Professora de Piano" (La pianiste, 2001), de Michael Haneke.
Ela ganhou diversos prêmios, inclusive três César, o mais importante do cinema francês.
Annie Suzanne Girardot nasceu em 25 de outubro de 1931, em Paris. Era viúva do ator italiano Renato Salvatori (1933-1988), com quem teve uma filha, a atriz Giulia Salvatori.

27 de fevereiro de 2011

Oscar 2011: venceu 'O Discurso do Rei' como era previsto

A 83ª cerimônia de premiação da Acedemia de Artes e Ciências Cinematográfica de Hollywood aconteceu neste domingo, no Teatro Kodak, em Los Angeles. Os filmes "A Origem" e "O Discurso do Rei" conquistaram quatro estatuetas cada, mas o segundo se deu melhor porque ficou com os prêmios de melhor filme, diretor, ator e roteiro.
A seguir, a lista completa dos longas-metragens vencedores:
1 - Melhor filme: "O Discurso do Rei" (The King's Speech, 2010)
2 - Melhor diretor: Tom Hooper, por "O Discurso do Rei"
3 - Melhor ator: Colin Firth, por "O Discurso do Rei"
4 - Melhor atriz: Natalie Portman, por "Cisne Negro" (Black Swan, 2010)
5 - Melhor ator coadjuvante: Christian Bale, por "O Vencedor" (The Fighter, 2010)
6 - Melhor atriz coadjuvante: Melissa Leo, por "O Vencedor"
7 - Melhor roteiro original: David Seidler, por "O Discurso do Rei"
8 -Melhor roteiro adaptado: "A Rede Social" (The Social Network, 2010)
9 - Melhor filme de animação: "Toy Story 3" (2010), de Lee Unkrich
10 - Melhor filme em língua estrangeira: "Em um Mundo Melhor" (Haevnen, Dinamarca/Suécia, 2010), de Susanne Bier
11 - Melhor fotografia: Wally Pfister, por "A Origem" (Inception, 2010)
12 - Melhor montagem: Angus Wall e Kirk Baxter, por "A Rede Social"
13 - Melhor direção de arte: Robert Stromberg e Karen O'Hara, por "Alice no País das Maravilhas" (Alice in Wonderland, 2010)
14 - Melhor figurino: Colleen Atwood, por "Alice no País das Maravilhas"
15 - Melhor maquiagem: Rick Baker e Dave Elsey, por "O Lobisomem" (The Wolfman, 2010)
16 - Melhor trilha musical: Trent Reznor e Atticus Ross, por "A Rede Social"
17 - Melhor canção: Randy Newman, por "We Belong Together", em "Toy Story 3"
18 - Melhor mixagem de som: Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo e Ed Novick, por "A Origem"
19 - Melhor edição de som: Richard King, por "A Origem"
20 - Melhores efeitos visuais: Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley e Peter Bebb, por "A Origem"
21 - Melhor documentário: "Trabalho Interno" (Inside Job, 2010), de Charles Ferguson (produtores: Charles Ferguson e Audrey Marrs).

Framboesa de Ouro 2011: os piores dentre os piores de Hollywood

Saiu no último dia 26 de fevereiro, como de hábito na véspera do Oscar, a relação dos infelizes ganhadores dos prêmios Framboesa de Ouro (Razzie Award, para os americanos), considerados os piores do cinema de Hollywood.
A seguir, a lista completa:
1 - Pior filme: "O Último Mestre do Ar" (The Last Airbender)
2 - Pior diretor: M. Night Shyamalan, por "O Último Mestre do Ar"
3 - Pior ator: Ashton Kutcher, por "Par Perfeito" (Killers) e "Idas e Vindas do Amor" (Valentine's Day)
4 - Pior atriz: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon, por "Sex and the City 2"
5 - Pior atriz coadjuvante: Jessica Alba, por "The Killer Inside Me", "Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família" (Little Fockers), "Machete" e "Idas e Vindas do Amor"
6 - Pior ator coadjuvante: Jackson Rathbone, por "O Último Mestre do Ar" e "A Saga Crepúsculo: Eclipse" (The Twilight Saga: Eclipse)
7 - Pior uso de 3-D: "O Último Mestre do Ar"
8 - Pior elenco: "Sex and the City 2"
9 - Pior roteiro: M. Night Shyamalan, por "O Último Mestre do Ar"
10 - Pior refilmagem, prólogo, sequência ou paródia: "Sex and the City 2".

26 de fevereiro de 2011

Independent Spirit 2011: 'Cisne Negro' é o grande vencedor

O grande vencedor da 26ª edição dos Independent Spirit Awards, premiação voltada ao cinema americano independente, foi "Cisne Negro", com quatro prêmios importantes: melhor filme, diretor, atriz e fotografia.
Veja a lista dos ganhadores:
1 - Melhor filme: "Cisne Negro" (Black Swan, EUA, 2010)
2 - Melhor diretor: Darren Aronofsky, por "Cisne Negro"
3 - Melhor atriz: Natalie Portman, "Cisne Negro"
4 - Melhor ator: James Franco, "127 Horas" (127 Hours, EUA/Reino Unido, 2010)
5 - Melhor roteiro: Stuart Blumberg e Lisa Cholodenko, por "Minhas Mães e Meu Pai" (The Kids Are All Right, EUA, 2010)
6 - Melhor atriz coadjuvante: Dale Dickey, por "Inverno da Alma" (Winter's Bone, EUA, 2010)
7 - Melhor ator coadjuvante: John Hawkes, por "Inverno da Alma"
8 - Melhor fotografia: Matthew Libatique, por "Cisne Negro"
9 - Melhor filme estrangeiro: "O Discurso do Rei" (The King's Speech, Reino Unido/Austrália/EUA, 2010), de Tom Hooper
10 - Melhor filme de diretor estreante: "Get Low" (EUA/Alemanha/Polônia, 2009), de Aaron Schneider
11 - Melhor filme de roteirista estreante: "Tiny Furniture" (EUA, 2010), de Lena Dunham
12 - Melhor documentário: "Exit Through the Gift Shop" (EUA/Reino Unido, 2010), de Banksy
13 - Prêmio John Cassavetes: "Go Get Some Rosemary" (EUA/França, 2009), de Ben Safdie e Joshua Safdie.

César 2011: os melhores do cinema francês

A cerimônia de entrega do César, o mais importante prêmio do cinema francês, aconteceu na noite de ontem. O filme "Dos Homens e dos Deuses", de Xavier Beauvais, conquistou o César de melhor filme francês e Roman Polanski ficou com o prêmio de melhor diretor por "O Escritor Fantasma", que recebeu o maior número de estatuetas da noite.
A seguir a relação dos principais vencedores:
1 - Melhor filme: "Dos Homens e dos Deuses" (Des hommes et des dieux, França, 2010)
2 - Melhor diretor: Roman Polanski, por "O Escritor Fantasma" (The Ghost Writer, França/Alemanha/Reino Unido, 2010)
3 - Melhor filme estrangeiro: "A Rede Social" (The Social Network, EUA, 2010), de David Fincher
4 - Melhor ator: Eric Elmosnino, por "Gainsbourg - vie héroïque" (França, 2010)
5 - Melhor atriz: Sara Forestier, por "Le nom des gens" (França, 2010)
6 - Melhor ator coadjuvante: Michael Lonsdale, por "Dos Homens e dos Deuses"
7 - Melhor atriz coadjuvante: ?
8 - Melhor roteiro adaptado: "O Escritor Fantasma"
9 - Melhor trilha musical: "O Escritor Fantasma"
10 - Melhor fotografia: "Dos Homens e dos Deuses"
11 - Melhor montagem: "O Escritor Fantasma"
12 - Melhor filme de diretor estreante: "Gainsbourg - vie héroïque", de Joann Sfar
13 - Melhor ator revelação: Edgar Ramírez, por "Carlos" (Minissérie para a TV, França/Alemanha, 2010)
14 - Prêmios pela carreira: Olivia de Havilland e Quentin Tarantino.

25 de fevereiro de 2011

Curiosidades sobre o Oscar

No próximo domingo, 27 de fevereiro, acontecerá a 83ª edição anual da cerimônia de premiação do Oscar. Transmitida via satélite para todo o mundo, estima-se que a cerimônia será assistida por cerca de um bilhão de pessoas.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood criou o prêmio em 1927 para promover seus filmes e homenagear o desempenho de atores, atrizes, diretores e vários outros profissionais. A origem do nome Oscar faz parte das lendas.

A estatueta (um cavaleiro corpulento e nu, de pé sobre um rolo de filme e segurando uma espada) foi desenhada por Cedric Gibbons, célebre diretor de arte dos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer.

A primeira cerimônia foi simples e ligeira: durou 15 minutos e distribuiu 15 galardões. Aconteceu em 16 de maio de 1929, no Hotel Roosevelt, a poucos metros do Teatro Kodak, onde são entregues os prêmios atualmente.

Inicialmente, as estatuetas eram de puro bronze. Durante a Segunda Guerra Mundial, devido à escassez de metais, os troféus eram feitos de gesso, sendo depois substituídos pelas figuras conhecidas atualmente. O pedestal foi acrescentado em 1945.

No começo, o prêmio não tinha nome. Segundo a lenda, a bibliotecária da Academia, e eventual diretora-executiva, Margaret Herrick, achou a estatueta muito parecida com seu tio Oscar e só se referia a ela como Oscar.

A atriz Bette Davis chegou a reivindicar para si a honra de ter dado o nome Oscar ao prêmio, mas depois voltou atrás. Ela teria achado o bumbum da estatueta parecido com o de Harmon Oscar Nelson, seu primeiro marido.

Em 1934 o jornalista Sidney Skolsky utilizou o nome em sua coluna, ao falar do prêmio de melhor atriz recebido por Katharine Hepburn. Mas a Academia só começou a usar o nome Oscar a partir de 1939.

O prêmio mais cobiçado da sétima arte é de bronze banhado a ouro, mede 33 cm e pesa 3,85 kg. Sua entrega representa o reconhecimento de talentos em 24 áreas criativas do cinema, sendo 21 para filmes de longa-metragem, e três, de curta-metragem. No início, a Academia tinha 36 membros; hoje tem mais de 5.800.

19 de fevereiro de 2011

Festival de Berlim premia filme iraniano

O 61º Festival de Berlim, encerrado hoje, concedeu o Urso de Ouro de melhor filme à produção iraniana "Nader e Simin, uma Separação", que recebeu também os troféus de melhor ator, para o elenco masculino, e melhor atriz, para o elenco feminino.
A seguir a lista dos premiados na categoria longa-metragem:
1 - Urso de Ouro: "Nader e Simin, uma Separação" (Jodaeiye Nader az Simin, Irã, 2011), de Asghar Farhadi
2 - Grande Prêmio do Júri: "O Cavalo de Turim" (A Torinói ló, Hungria/França/Alemanha/Suíça/EUA, 2011), de Béla Tarr
3 - Prêmio da crítica (Fipresci): "O Cavalo de Turim"
4 - Prêmio do Júri Ecumênico: "Nader e Simin, uma Separação"
5 - Urso de Prata para melhor diretor: Ulrich Köhler, por "Doença do Sono" (Schlafkrankheit, Alemanha/França, 2011)
6 - Prêmio Alfred Bauer (trabalho inovador): "Se Nós Não, Quem" (Wer wenn nicht wir, Alemanha, 2011), de Andres Veiel
7 - Melhor ator: elenco masculino de "Nader e Simin, uma Separação"
8 - Melhor atriz: elenco feminino de "Nader e Simin, uma Separação"
9 - Melhor roteiro: Joshua Marston e Andamion Murataj, por "The Forgiveness of Blood" (EUA/Albânia/Dinamarca/Itália, 2011)
10 - Prêmio de melhor contribuição artística (ex-aequo): Wojciech Staron, pelo trabalho de câmera em "El premio" (México/França/ Polônia/Alemanha, 2011), e Barbara Enriquez, pelo desenho de produção em "El premio"
11 - Melhor fime de estreante: "On The Ice" (EUA, 2011), de Andrew Okpeaha MacLean
12 - Melhor filme de temática gay: "Ausente" (Argentina, 2011), de Marco Berger.

14 de fevereiro de 2011

BAFTA 2011: consagração de 'O Discurso do Rei'

A cerimônia de entrega dos prêmios BAFTA (British Academy of Film and Television Arts), aconteceu ontem à noite. O filme "O Discurso do Rei" abiscoitou sete prêmios, entre eles os de melhor filme, ator, para Colin Firth, e ator e atriz coadjuvantes, para Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter.
A seguir, a lista dos premiados:
1 - Melhor filme: "O Discurso do Rei" (The King's Speech, Reino Unido/Austrália/EUA, 2010)
2 - Melhor filme britânico: "O Discurso do Rei"
3 - Melhor diretor: David Fincher, por "A Rede Social" (The Social Network, EUA, 2010)
4 - Melhor ator: Colin Firth, por "O Discurso do Rei"
5 - Melhor atriz: Natalie Portman, por "Cisne Negro" (Black Swan, EUA, 2010)
6 - Melhor ator coadjuvante: Geoffrey Rush, por "O Discurso do Rei"
7 - Melhor atriz coadjuvante: Helena Bonham Carter, por "O Discurso do Rei"
8 - Melhor ator revelação: Tom Hardy, por "A Origem" (Inception, EUA/Reino Unido, 2010)
9 - Melhor roteiro original: David Seidler, por "O Discurso do Rei"
10 - Melhor roteiro adaptado: Aaron Sorkin, por "A Rede Social"
11 - Melhor trilha musical: Alexandre Desplat, por "O Discurso do Rei"
12 - Melhor fotografia: Roger Deakins, por "Bravura Indômita" (True Grit, EUA, 2010)
13 - Melhor montagem: Kirk Baxter e Angus Wall, por "A Rede Social"
14 - Melhor desenho de produção: Guy Hendrix Dyas, Larry Dias e Douglas A. Mowat, por "A Origem"
15 - Melhor figurino: Colleen Atwood, por "Alice no País das Maravilhas" (Alice in Wonderland, EUA, 2010)
16 - Melhor maquiagem/penteados: "Alice no País das Maravilhas"
17 - Melhor som: "A Origem"
18 - Melhores efeitos visuais: "A Origem"
19 - Melhor filme em língua não inglesa: "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres" (Män som hatar kavinnor, Suécia/ Dinamarca/Alemanha/Noruega, 2009), de Niels Arden Oplev
20 - Melhor filme de animação: "Toy Story 3" (EUA, 2010), de Lee Unkrich
21 - Melhor contribuição britânica: J. K. Rowling e a série Harry Potter.

10 de fevereiro de 2011

Festival de Berlim: carta aberta de Jafar Panahi

O cineasta iraniano Jafar Panahi, que deveria ser o presidente do júri do 61º Festival de Berlim, foi impedido de comparecer por ter sido sentenciado a seis anos de prisão e proibido por 20 anos de realizar filmes e de sair de seu país. A sua ausência foi marcada por uma cadeira vazia na cerimônia de abertura do festival, que aconteceu hoje.
A triz Isabella Rossellini, presidente do júri, leu na ocasião a carta aberta que Panahi enviou à direção do festival. A carta foi escrita em farsi, a língua do cineasta, mas conseguimos no saite do festival (aqui) a versão em inglês (lida por Isabella), e a traduzimos para os leitores do blogue.

CARTA ABERTA DE JAFAR PANAHI

"O mundo de um cineasta é marcado pela interação entre realidade e sonhos. O cineasta usa a realidade como inspiração, pinta-a com a cor da sua imaginação e cria um filme que é a projeção de suas esperanças e sonhos.

"A realidade é que estive impedido de fazer filmes nos últimos cinco anos e agora, por condenação oficial, estou privado desse direito por mais vinte anos. Mas eu sei que vou continuar transformando meus sonhos em filmes na minha imaginação. Admito, como cineasta socialmente consciente, que não poderei retratar os problemas e as preocupações do meu povo, mas não deixarei de imaginar que daqui a vinte anos todos os problemas terão desaparecido e eu farei filmes sobre a paz e a prosperidade do meu país, tão logo eu tenha de novo a oportunidade de fazê-lo.

"A realidade é que me privaram de pensar e de escrever por vinte anos, mas não podem me impedir de imaginar que os vinte anos de inquisição e intimidação serão substituídos pela liberdade e pelo livre-pensamento.

"Privaram-me de ver o mundo por vinte anos. Espero que, quando estiver livre, eu possa viajar em um mundo sem barreiras geográficas, étnicas e ideológicas, onde as pessoas convivam livre e pacificamente, independentemente de suas crenças e convicções.

"Condenaram-me a vinte anos de silêncio. No entanto, nos meus sonhos, eu grito por um tempo em que possamos nos tolerar mutuamente, respeitar a opinião de cada um e viver uns para os outros.

"Em última análise, a realidade do meu veredicto é que terei de passar seis anos no cárcere. Vou viver os próximos seis anos esperando que meus sonhos se tornem realidade. Faço votos de que meus colegas cineastas em todos os cantos do mundo realizem filmes tão bons que, quando sair da prisão, eu seja inspirado a seguir vivendo no mundo que tenham sonhado em seus filmes.

"Doravante, e pelos próximos vinte anos, sou obrigado a ficar em silêncio. Estou impedido de ver, impedido de pensar, impedido de fazer filmes.

"Eu me submeto à realidade do cárcere e dos capturadores. [Mas] buscarei a manifestação de meus sonhos em seus filmes, na esperança de encontrar neles tudo de que fui destituído."

A seguir, o texto original:

OPEN LETTER JAFAR PANAHI

The world of a filmmaker is marked by the interplay between reality and dreams. The filmmaker uses reality as his inspiration, paints it with the color of his imagination, and creates a film that is a projection of his hopes and dreams.

The reality is I have been kept from making films for the past five years and am now officially sentenced to be deprived of this right for another twenty years. But I know I will keep on turning my dreams into films in my imagination. I admit as a socially conscious filmmaker that I won’t be able to portray the daily problems and concerns of my people, but I won’t deny myself dreaming that after twenty years all the problems will be gone and I’ll be making films about the peace and prosperity in my country when I get a chance to do so again.

The reality is they have deprived me of thinking and writing for twenty years, but they can not keep me from dreaming that in twenty years inquisition and intimidation will be replaced by freedom and free thinking.

They have deprived me of seeing the world for twenty years. I hope that when I am free, I will be able to travel in a world without any geographic, ethnic, and ideological barriers, where people live together freely and peacefully regardless of their beliefs and convictions.

They have condemned me to twenty years of silence. Yet in my dreams, I scream for a time when we can tolerate each other, respect each other’s opinions, and live for each other.

Ultimately, the reality of my verdict is that I must spend six years in jail. I’ll live for the next six years hoping that my dreams will become reality. I wish my fellow filmmakers in every corner of the world would create such great films that by the time I leave the prison I will be inspired to continue to live in the world they have dreamed of in their films.

So from now on, and for the next twenty years, I’m forced to be silent. I’m forced not to be able to see, I’m forced not to be able to think, I’m forced not to be able to make films.

I submit to the reality of the captivity and the captors. I will look for the manifestation of my dreams in your films, hoping to find in them what I have been deprived of.

9 de fevereiro de 2011

Lapa, Paraná: criação do Cineclube 13 de Junho

Conforme foi noticiado por este blogue, no dia 29 de janeiro inaugurou-se na cidade da Lapa (PR) o Cineclube 13 de Junho, em cerimônia no Cine Teatro Imperial, com a presença do Prof. Emmanuel Appel, da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Paraná, que proferiu a palestra "Caminhos do cineclubismo: cinema, cultura e formação do público".
Da ata de fundação do cineclube, divulgamos a seguir o trecho em que se registrou a participação do ilustríssimo Prof. Appel no evento:

"Devolvida a palavra ao Prof. Appel, os presentes acompanharam sua incursão por alguns momentos decisivos do cineclubismo brasileiro e curitibano (neste, detendo-se no Cineclube Pró-Arte do Colégio Santa Maria, do qual foi presidente por um período em meados dos anos 1960). Para mostrar a influência do cineclube na constituição do melhor cinema nacional, o palestrante lembrou a polêmica Vinícius de Moraes versus Carmen Santos, na qual o poeta,-- que fazia crítica de cinema no jornal carioca A Manhã nos primeiros anos da década de 1940 --, diz para a atriz e empresária-produtora Carmen Santos, de origem portuguesa, e que havia interrompido um debate que ocorria num "clube de cinema" sobre o expressionismo alemão afirmando que “o problema fundamental do cinema brasileiro era o dinheiro --, que "não se faz cinema só com dinheiro nem somente com dois ou três valores de direção mas sobretudo com um público consciente, amigo da arte”, arrematando Vinicius que “ isso se atinge por meio do interesse cinematográfico que vive à base do presente debate". Após mostrar a centralidade da cultura cinematográfica na sobrevivência e na continuidade da arte do cinema, do cinema como processo civilizatório, concluindo que “não há cinema sem cultura cinematográfica, não há cinema quando se fazem filmes e não se fala dos filmes, não há cinema quando autor e obra não encontram o seu público”, o Prof. Appel direcionou sua exposição para dois importantes documentos: a Carta de Curitiba, tirada em fevereiro de 1974 quando da realização no Teatro do Paiol da VIII Jornada Nacional de Cineclubes Brasileiros; e a Carta da Lapa, acima citada. Na de Curitiba há um claro posicionamento em favor do cinema nacional e do projeto cultural brasileiro. Na da Lapa, sublinha-se -- junto com oportunas considerações sobre formação técnico-profissional, sobre pesquisa e preservação cinematográfica, sobre filmes de época --, a relação entre cinema e educação e a necessidade de aproximar os cineclubes existentes, inclusive com propostas de políticas públicas, bem como de organizar novos cineclubes em todos os espaços possíveis: escolas, universidades, associações, institutos, bibliotecas, museus, sindicatos, clubes, dentre outros, visando contribuir de forma duradoura com a formação do público, de público para o cinema nacional, de quadros que possam fazer crítica de cinema, um exercício que não se pode considerar menos importante que fazer cinema. Em seguida, sugeriu que o Cineclube 13 de Junho oportunamente retomasse sua leitura e até assumisse a Carta da Lapa como seu documento-bandeira. Sugeriu ainda, considerando a reafirmação do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, recentemente renovado, de priorizar o seminário "Cinema, Cineclubismo e Educação", que batalhasse pela presença da arte cinematográfica nas escolas da Lapa, fazendo sua a aposta na vocação original do cinema de ser arte democrática e popular."

6 de fevereiro de 2011

Hollywood: os eleitos pelo sindicato de roteiristas

Aconteceu na noite passada a entraga dos prêmios da Writers Guild of America (o sindicato de roteiristas de Hollywood) e os premiados foram:
1 - Melhor roteiro original: Christopher Nolan, por "A Origem" (Inception, 2010)
2 - Melhor roteiro adaptado: Aaron Sorkin, por "A Rede Social" (The Social Network, 2010).
Com esse prêmios, ambos os filmes se tornaram favoritos para o Oscar da categoria, embora não se possa descartar a possibilidade de haver alguma surpresa.

4 de fevereiro de 2011

ISABELLA (1938-2011), atriz

A atriz brasileira Isabella morreu no dia 3 de fevereiro, aos 72 anos. Isabella atuou em dois filmes dirigidos por seu então marido, Paulo Cesar Saraceni, "O Desafio" (1965) e "Capitu" (1968), no qual interpretou o papel-título.
De uma filmografia de pouco mais de dez longas-metragens, destacam-se ainda "Proezas de Satanás na Vila do Leva-e-Traz" (1967), "O Bravo Guerreiro" (1969), "Lúcia McCartney, Uma Garota de Programa" (1971) e "A Lira do Delírio" (1978).
Isabella Cerqueira Campos nasceu em 27 de julho de 1938, em Mundo Novo, Bahia.