18 de dezembro de 2016

'Sully - O Herói do Rio Hudson' (Sully, 2016), de Clint Eastwood


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Hoje em dia, são poucos os diretores que conseguem imprimir emoção verdadeira em um filme. Clint Eastwood é um deles, talvez o melhor de todos. Seu filme “Sully – O Herói do Rio Hudson”, atualmente em cartaz no Brasil, comprova isso.

Como pode um diretor pegar uma história surrada, cujo final todo mundo sabe de antemão, e fazer o espectador se interessar pelo seu desenrolar e, ainda por cima, provocar emoção ao longo do enredo? Só mesmo o velho e bom Clint, com seus 86 anos de vida e grandes filmes no currículo, para se sair bem de um empreendimento assim.

Mas mesmo um bom diretor precisa ter em mãos um roteiro bem tramado. E Clint contou com um trabalho primoroso do roteirista Todd Komarnicki, que soube tecer a narrativa com idas e vindas de um fato que durou, na realidade, apenas 208 segundos: o acidente com o avião A320, do Voo 1549 da US Airways, que saía de Nova York e cujo piloto precisou fazer um pouso forçado no Rio Hudson, salvando a si mesmo e outras 154 pessoas. O fato se deu em 15 de janeiro de 2009.

No papel do piloto, o talentoso Tom Hanks entrega uma interpretação sóbria, na medida certa. É convincente em cada detalhe, mas sobretudo ao duvidar de si mesmo após ser acusado de negligência pela cúpula da empresa de aviação.

O filme foca no processo investigativo que o Conselho de Segurança de Transportes Nacionais move contra o piloto, por considerar que ele descumpriu suas normas, a despeito de sua ação ter sido bem-sucedida. O processo coloca um homem, considerado herói pelas pessoas comuns, contra um sistema composto de tecnocratas, que usam os recursos de que dispõem com o fim de condená-lo.

Temos, portanto, o caso de uma pessoa enfrentando uma engrenagem desumana. Jogando com esses dois polos da história, e encaixando as falas certas nos momentos adequados, o filme apresenta momentos de grande empatia com o espectador e, mais que isso, consegue tornar a história altamente comovente.

Nós, humanos, somos seres mentalmente frágeis. Podemos ser presas fáceis de malandros ou de poderosos que nos manipulam a seu bel-prazer. Por acreditar em ideias estúpidas, pessoas podem morrer ou matar, e até infelicitar uma nação inteira. Mas, em determinadas situações, só o indivíduo solitário pode tomar uma decisão salvadora. É a pessoa certa, no lugar e na hora certos. Foi o caso do piloto Chesley ‘Sully’ Sullenberger, segundo esse belo filme de Clint Eastwood.